Quando a Terra soluça

Abril 22, 2010

Uma reportagem interessante publicada na revista Visão nº 894, da autoria de Luís Ribeiro, Rita Montez e Rosa Ruela.

Islândia, Abril de 2010. Um in­significante vulcão num glaciar de nome impronunciável atira umas cinzas para o ar. Os cien­tistas dizem que é coisa pouca. Mas os aviões europeus deixam de poder voar. Sete milhões de pesso­as que se preparavam para viajar em trabalho ou em férias, ou que queriam simplesmente regressar a casa, ficam retidas. Milhares de agricultores, no Quénia, vêem, de repente, a sua sobre­vivência em risco. Em Israel, toneladas de flores são destruídas. Barack Obama falha o funeral do Presidente polaco. O cantor Mika cancela o concerto de Lisboa. Mangas e papaias desaparecem dos supermercados britânicos. A Nissan reduz para metade a sua produção auto­móvel no Japão. A equipa do Barcelona é obrigada a fazer uma longa e fatigante viagem de autocarro para jogar com o Inter de Milão, de José Mourinho, para a Liga dos Campeões. E um hotel em Hong Kong triplica o preço dos seus quartos, em poucas horas.

Que raio! Mas o vulcão não era insig­nificante?

“Um exagero, assegura o vulcanólogo açoriano Vitor Hugo Forjaz. O que aconteceu (caos nos aeroportos) foi o resultado da descordenação entre meteorologistas, políticos e vulcanólogos. Entrou-se em histeria e poderia ter-se evitado o encerramento de alguns dos aeroportos. Houve desleixo, nomeadamente por parte do centro de vigilância de Toulouse”.

 

Últimas do vulcão

Ingveldur Thordardottir, porta-voz da protecção civil islandesa, declarou esta quarta-feira que a erupção do vulcão Eyjafjöll perdeu, desde sábado, 80 por cento de intensidade Segundo a protecção civil islandesa, o vulcão que tem causado o caos no espaço aéreo europeu, está a perder intensidade. Ingveldur Thordardottir, porta-voz do gabinete de urgência da protecção civil da Islândia, assegurou que “a intensidade da erupção é de cerca de 20 por cento da registada no sábado”.

“A nuvem vulcânica está abaixo dos 3000 mil metros e é possível que ainda esteja mais abaixo”, afirmou a porta-voz. Um avião da guarda costeira deverá sobrevoar ainda hoje a zona de erupção. Um sismólogo islandês afirmou também que a emissão de cinza é “verdadeiramente insignificante”.

Os ventos que empurram os fumos, que actualmente sopram em direcção a sudeste e à Europa, deverão virar durante o dia para sudoeste e para o oceano Atlântico, explicou a porta-voz.

Fonte : Revista Visão

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Mayon de novo em erupção

Dezembro 19, 2009

Mais 3 mil pessoas que vivem perto do vulcão Mayon, nas Filipinas, foram removidas das suas casas sexta-feira, 18 de Dezembro.

Outras dez mil devem sair nos próximos dias. A actividade do Mayon tem vindo a aumentar, com fortes explosões.

Em camiõess das forças de defesa, os moradores foram levados a refúgios habilitados em edifícios públicos situados fora da zona de  perigo, estabelecida num raio de 8 quilómetros em torno do Mayon.

Segundo o Instituto Filipino de Vulcanologia, as explosões deixaram nuvens de cinza de até dois quilómetros de altura e causaram os maiores tremores desde que o vulcão despertou, na segunda-feira 14 de Dezembro.

Desde então foram registradas cerca de cinquenta explosões no Mayon, o mais activo dos 22 vulcões das Filipinas. As autoridades do país, consideram que a entrada em erupção do vulcão pode ser perigosa e continuam a evacuar milhares de pessoas, com apoio do Exército.

O governo da província de Albay decretou na quinta-feira o toque de recolher a partir da meia-noite em toda a zona situada em um raio de 8 quilómetros em torno ao vulcão, considerada de risco.

Situa-se entre a placa Euroasiática e  a Filipina, numa fronteira com potencial altamente destrutivo – uma zona de subdução num limite convergente onde as duas placas colidem.

Fonte  “http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulc%C3%A3o_Mayon

http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Mayon_Volcano&printable=yes


Yellowstone – Beleza Perigosa

Junho 26, 2009

 

O Parque Nacional de Yellowstone, o mais antigo parque nacional do mundo, está localizado nos Estados Unidos da América e cobre uma área de 8987 km2. Yellowstone é um ponto quente, com uma pluma de magma que se ergue do manto, penetrando em rochas ácidas. Apesar da actual aparência pacífica da paisagem, Yellowstone sofreu períodos de violência extrema no último milhão de anos. Esse passado resultou na presença de milhares de fontes termais, fumarolas, géiseres e caldeiras naturais. (Exame de Biologia e Geologia – 1ªfase /2009 – GAVE)

Nos anos 1960, enquanto estudava a história vulcânica do Yellowstone National Park, Bob Christiansen, da United States Geological Survey, ficou intrigado com algo que, curiosamente, ainda não tinha preocupado ninguém: não conseguia encontrar o vulcão do parque. Sabia-se há muito tempo que Yellowstone tinha natureza vulcânica – só isso podia explicar todos aqueles géiseres e outras características fumegantes – e se há coisa que caracterize bem os vulcões, é a sua capacidade de dar nas vistas. Mas Christiansen não conse­guia encontrar o vulcão em lado nenhum. Sobretudo, não conseguia encontrar uma estrutura a que chamamos caldeira.

 

Perfil da caldeira vulcânica

Perfil da caldeira vulcânica

 A maior parte de nós, quando pensa em vulcões, pensa naqueles de forma cónica tradicional, como o Fuji ou o Kilimanjaro, que surgem quando o magma se acumula numa pilha simétrica. Estas podem formar-se muito rapidamente. Em 1943, em Parícutin, no México, um agricultor ficou espantado ao ver fumo a sair de um determinado sítio nas suas terras. Passada uma semana, era o di­vertido e perplexo proprietário de um cone com 152 metros de altura. Ao fim de dois anos já se elevava a 430 metros, e tinha mais de 800 metros de diâme­tro. No total, devem existir cerca de dez mil destes espalhafatosos vulcões es­palhados pela Terra, estando quase todos extintos, à excepção de umas poucas centenas. Mas existe uma outra espécie de vulcão, menos famosa, sem forma­ção de montanha. São vulcões tão explosivos que podem rebentar de uma só vez, numa única e violenta erupção, deixando atrás de si uma vasta depressão côncava: a caldeira. Yellowstone pertencia obviamente ao segundo tipo, mas Christiansen não conseguia encontrar a caldeira em sítio nenhum.

Localização e idade (M.a) dos centros vulcânicos

Localização e idade (M.a) dos centros vulcânicos

Por coincidência, na mesma altura a NASA decidiu testar câmaras de gran­de altitude, tirando fotografias de Yellowstone. Entretanto, um funcionário simpático achou por bem enviar cópias das fotografias às autoridades do pai’ que, pensando que dariam uma bela vista aérea para expor num dos centros de informação aos visitantes. Assim que Christiansen viu as fotografias, percebeu por que não encontrara a caldeira: ela era constituída por quase todo o parque — 9000 quilómetros quadrados. A explosão deixara uma cratera com mais de 65 quilómetros de diâmetro – grande de mais para ser detectada a partir de qual­quer ponto ao nível do solo. A dada altura do passado, Yellowstone deve ter explodido com uma violência muito superior às escalas conhecidas pelos se­res humanos.

Yellowstone é, portanto, um supervulcão.

 

Fica em cima de um enorme ponto quente, um reservatório de rocha fundida que se eleva desde pelo me­nos 200 quilómetros abaixo da Terra até à superfície, formando o que se de­signa por superpluma. O calor do ponto quente é o que produz todas as cha­minés, géiseres, nascentes termais e poças de lama em ebulição de Yellowstone. Abaixo da superfície existe uma câmara de magma com cerca de 90 quilómetros de diâmetro – mais ou menos as mesmas dimensões do parque – e cerca de 13 quilómetros de espessura no seu ponto mais espesso. Imagine uma pilha de TNT do tamanho de Rhode Island, com 13 quilómetros de altura, que é a altitude das mais altas nuvens cirros, e terá uma ideia do que se esconde por baixo dos pés de quem visita o Yellowstone. A pressão que uma camada de magma deste ca­libre exerce na crosta que a cobre fez com que Yellowstone e o território cir­cundante se elevassem a cerca de 500 metros acima do ponto onde deveriam normalmente estar. Se rebentasse, o cataclismo seria muito maior do que con­seguimos imaginar. De acordo com o Professor Bill McGuire do University College em Londres, “não se conseguiria chegar a menos de um raio de mil quilómetros” enquanto estivesse em erupção. E as consequências que se seguis­sem seriam ainda piores.

As superplumas do tipo daquela onde assenta Yellowstone são como os co­pos de martini — finas até acima, mas alargando-se ao chegar à superfície, crian­do taças gigantes de magma instável. Algumas destas taças podem chegar aos 1900 quilómetros de diâmetro. Segundo algumas teorias, aquelas nem sempre irrompem de forma explosiva, alastrando por vezes de forma lenta e contínua, numa espécie de vasta inundação de rocha derretida, como aconteceu em Deccan Traps, na índia, há 65 milhões de anos. (Trap vem de uma palavra sueca que designa este tipo de lava; Deccan é simplesmente o nome de uma área). Esta cobriu uma área de 500 mil quilómetros quadrados, e provavelmente contribuiu para o desaparecimento dos dinossauros — pelo menos, não ajudou — devido às exalações venenosas que se produziram. As superplumas podem também ser responsáveis pelas fendas que causam a quebra dos continentes.

Estas plumas não são assim tão raras. Existem cerca de trinta, activas em todo o planeta neste momento, e são elas as responsáveis por muitas das mais famosas ilhas e cadeias de ilhas — Islândia, Havai, Açores, Canárias, as Galápagos, a pequena Pitcairn, no meio do Pacífico Sul, e muitas outras – mas, à ex­cepção da de Yellowstone, são todas oceânicas. Ninguém faz a mais pequena ideia de como ou porque é que a de Yellowstone foi parar debaixo de uma placa continental. Apenas duas coisas são certas: que a crosta terrestre em Yellow­stone é fina, e que o mundo por baixo dela é quente. Mas se a crosta é fina por causa do ponto quente ou se o ponto quente está lá porque a crosta é fina, isso já é matéria de acalorado debate (perdoem-me o trocadilho). A natureza conti­nental da crosta faz com que as erupções sejam totalmente diferentes. Enquanto os outros supervulcões têm tendência para erupções contínuas e relativamen­te benignas, as de Yellowstone são súbitas e explosivas. Não acontece frequen­temente, mas quando o faz é melhor estar bem longe.” (Excerto de Breve História de Quase Tudo – Bill Bryson)

Saber mais sobre Yellowstone (E.U.A.) – http://www.earthmountainview.com/yellowstone/yellowstone.htm

 

Ficção