Vulcanismo nos Açores

Janeiro 2, 2011

No dia 27 de Setembro de 1957, pelas 6:45 da madrugada, uma erupção vulcânica iniciou-se junto aos ilhéus dos Capelinhos, na Ilha do Faial – Arquipélago dos Açores, depois de 12 dias de abalos sísmicos. O fenómeno surgiu no mar, a 20-60 metros de profundidade, com a emissão de vapor de água e gases. A erupção, do tipo surtseiano, prolongou-se por 7 meses e meio. Durante esta fase sucediam-se grandes explosões, com a emissão de jactos pontiagudos de cinzas negras e densas nuvens de vapor de água, devido ao contacto da lava incandescente com a água fria do mar. Logo no início, formou-se uma pequena ilhota, baptizada de Ilha Nova, que atingiu 100 metros de altitude. O vulcão era incerto e os períodos de maior actividade alternavam com outros de acalmia. Durante os abrandamentos da erupção, ocorriam afundamentos das vertentes do cone, levando mesmo à submersão da Ilha Nova. No entanto, as frequentes emissões de cinzas criaram novas ilhas que acabaram por se ligar à costa antiga da ilha do Faial através de um istmo.

Fonte do Texto : http://siaram.azores.gov.pt/vulcanismo/vulcao-capelinhos/_texto.html

 


Voar ou não voar, eis a questão

Abril 22, 2010

Muito tem sido dito e escrito sobre a nuvem de cinzas e a proibição de voar. Não sou especialista nem em vulcanologia nem em engenharia aeronáutica. Apenas sou um geólogo que lê um pouco e dá aulas sobre vulcões no ensino secundário.

A Força aérea filandesa fez voar F-18 na nuvem de cinzas (link). As imagens não deixam dúvidas sobre os efeitos das cinzas nos aparelhos, sobretudo nos motores.

As conclusões são claras:  “The images show that short-term flying can cause substantial damage to an aircraft engine,” the air force says. Continued operation could lead to overheating and potentially pose a threat to the aircraft and its pilot, it adds.

Existe algo que se chama “princípio de precaução”O princípio de precaução pode ser invocado sempre que seja necessária uma intervenção urgente face a um possível risco para a saúde humana, animal ou vegetal, ou quando necessário para a protecção do ambiente caso os dados científicos não permitam uma avaliação completa do risco. Este princípio não deve ser utilizado como pretexto para acções proteccionistas, sendo aplicado sobretudo para os casos de saúde pública, porquanto permite, por exemplo, impedir a distribuição ou mesmo a retirada do mercado de produtos susceptíveis de ser perigosos para a saúde.”

Voar no fim de semana de 17 e 18 de Abril era um perigo. Por muito que nos custe, o risco de acidentes seria elevado. Há uma altura em que é necessário dizer : não! é preferível  ter prejuízos financeiros a perder vidas humanas.

 Nesta situação é fácil por em causa decisões dos vulcanólogos, dos serviços responsáveis pela  aeronáutica, etc…

E se não tivesse ocorrido uma interdição do espaço aéreo e um acidente ocorresse em Londres, Paris ou Berlim? Se fosse um familiar nosso? As mesmas vozes que hoje criticam estariam a defender a permissão de voar?

Links interessantes:

http://www.flightglobal.com/articles/2010/04/16/340727/pictures-finnish-f-18-engine-check-reveals-effects-of-volcanic.html

 


Terra – de coração aberto

Abril 22, 2010

Uma revista com os dados mais recentes sobre o interior do nosso Planeta.

Um dossier fundamental para quem quer ficar actualizado sobre a dinâmica interna da Terra. É curioso antecipar o que vai ser alterado nos nossos manuais daqui a uns anos. O que ensinamos e já “não é bem assim”. É natural em ciência.

Um verdadeiro curso de actualização para professores de Geociências.

Alguns dos temas vão ser publicados depois de traduzidos e adaptados neste blogue.


Efeitos locais e globais do vulcanismo

Abril 15, 2010

«Todos os voos de ou para Heathrow (o maior no mundo em termos tráfico internacional) e Stansted (norte de Londres) vão ser suspensos a partir do meio-dia, mas os terminais ficarão abertos», indicou um porta-voz da BAA que detém as duas plataformas. Um porta-voz do aeroporto de Gatwick, no sul da capital britânica, indicou que a suspensão também abrangia aquele aeroporto. Vários aeroportos da Escócia também foram encerrados hoje devido às nuvens de cinza provenientes do vulcão.
Os aeroportos nas cidades escocesas de Aberdeen, Glasgow e Edimburgo foram encerrados e os voos da cidade de Birmingham, em Inglaterra, e de Belfast, na Irlanda do Norte, foram afetados. A BAA, operadora dos aeroportos britânicos, admitiu «grandes perturbações» no tráfego aéreo.
O Serviço Nacional de Tráfego Aéreo britânico explicou as restrições aos voos alegando que a «cinza vulcânica representa uma ameaça significativa à segurança dos aviões».
O espaço aéreo norueguês também está fechado devido às nuvens de cinza provocadas pela erupção vulcânica, na Islândia.
O espaço aéreo na Suécia também está a ser afetado, tendo sido já cancelados vários voos.
O vulcão, no glaciar Eyjafjllajokull, no sul da Islândia, registou na quarta feira uma segunda erupção em menos de um mês.
Devido à erupção vulcânica, cerca de 800 pessoas foram retiradas do sul da Islândia.

Fonte : Lusa/ SOL


Corno de África e o nascimento de um novo oceano

Abril 10, 2010

A abertura de uma fissura gigante pode estar na origem  da formação de um novo oceano, de acordo com estudos realizados por uma equipa de investigadores internacionais. A fractura na crosta terrestre na região do “Corno de África” na Etiópia não é nova, mas esta nova fractura tem 60 Km de comprimento, com um afastamento de 5 metros e uma profundidade que varia entre os 2 e os 12 quilómetro de profundidade.

Segundo Éric Jacques, do IPGP, ” o episódio de abertura no outono de 2005 marca o instante zero da abertura de um novo oceano neste limite divergente de placas”.

Mais detalhes no artigo :  Le Figaro

Fonte do Post : Le Figaro online


Islândia de novo debaixo do fogo

Março 24, 2010

Mina de S. Domingos

Novembro 1, 2009

A mina de S. Domingos constitui uma das explorações mineiras portuguesas de maior interesse fruto da actividade extractiva aqui desenvolvida entre 1857 e 1966. A mina localiza-se no
concelho de Mértola e no sector norte da Faixa Piritosa Ibérica (FPI), próximo da fronteira lusoespanhola. O jazigo de S. Domingos é um depósito de sulfuretos maciços polimetálicos vulcanogénico subaflorante subvertical que foi explorado a céu aberto até cerca de 120m de profundidade e até 420m através de galerias e poços. Os teores médios eram de 1,25% de cobre, 2-3% de zinco e 45-48% de enxofre. Para além da pirite, encontram-se ainda outros minerais como a esfalerite, a calcopirite, a galena, a arsenopirite e sulfossais. A FPI inclui-se na Zona Sul Portuguesa e abrange um território do SW peninsular entre o Baixo Alentejo, o norte do Algarve e a Andaluzia.

A presença de cerca de 90 jazigos de pirite associados ao Complexo Vulcano Sedimentar, de idade Fameniano Sup.-Viseano Sup.,confere-lhe um estatuto de província metalogenética de classe mundial e de região mineira europeia, destacando-se neste contexto a mina de Neves Corvo em exploração, com teores excepcionais de Cu, Sn e Zn. Associado aos jazigos de sulfuretos maciços e de Mn da FPI identifica-se um metamorfismo hidrotermal (precoce em relação ao metamorfismo regional), resultante da circulação convectiva de água do mar através das rochas vulcânicas que sofreram elevada lixiviação e grande troca iónica.

As fontes hidrotermais são constituídas por chaminés que se encontram na zona de separação de placas tectónicas, onde circula a água. O fundo oceânico possui numerosas fissuras, através das quais as águas entram em contacto com rochas quentes, formadas recentemente a partir de magmas. As rochas de temperatura mais elevada localizam-se essencialmente ao longo dos riftes oceânicos, que são cadeias montanhosas submari­nas onde se geram continuamente as rochas do fundo do mar.

 

A água desce através das fissuras e atinge temperaturas muito elevadas. Aquecida, sobe e arrasta consigo vários metais das rochas circundantes, formando nascentes ou fontes. Quando emerge no fundo do oceano, o fluído é rico em metais e em torno da abertura deposita um resíduo sólido que forma uma autêntica chaminé. Esta chaminé fumega sem parar, a temperaturas que alcançam os 360 °C, e mantém-se activa durante dezenas de anos, criando condições para o desenvolvimento de um estranho ecossistema. A biomassa aí encontrada é 10 mil a 100 mil vezes superior à dos outros povoamentos existentes à mesma profundidade. É um autêntico oásis de vida, vida esta muito diferente da que se julgava possível.

Nas zonas hidrotermais profundas foram descobertas quase 400 espécies desconheci­das. Na base da cadeia alimentar aparecem bactérias que obtêm a sua energia vital a partir da oxidação de sulfuretos, presentes nos fluidos que emergem das chaminés submarinas. Alimen­tando-se destas bactérias, aparecem vermes e moluscos bivalves gigantescos, com 26 centíme­tros de comprimento. Estranhas espécies de caranguejos e de camarões e outros animais mais complexos surgem no fim da cadeia alimentar.

Um facto curioso é que a maioria das espécies aí existentes apenas sobrevive nesses ambientes, o que levanta muitas questões ainda sem res­posta. Como terá aparecido a Vida nesses locais, à primeira vista tão inóspitos?

Outras regiões submarinas que actualmente são alvo de grande investimento e es­tudo são as zonas de exsudações frias. Nestas zonas, onde em 1997 foram encontrados vermes, acumula-se metano sob a forma de hidrates. Já em 1984, o geólogo Charles Paull, do Monterey Bay Aquarium Research Institute (E.U.A.), descobrira um outro tipo de am­biente extremo nos fundos oceânicos da Califórnia, capaz de fornecer nutrientes para uma vida quimiossintética. Estes ambientes são fontes de metano, onde são libertados fluidos frios com elevadas concentrações de metano e sulfuretos através de camadas de sedimentos no fundo dos oceanos.

As fontes de metano ocorrem nas margens activas e passivas dos continentes, a profundidades entre os 400 e os 8000 metros. Como nas fontes hidrotermais, as comunidades biológicas das fontes de metano são suportadas por bactérias quimiossin-téticas, isto é, bactérias que usam energia química em vez da energia solar requerida pelos seres fotossintéticos. Estas bactérias são encontradas na sua forma livre e em associações simbióticas com invertebrados como vermes tubulares, mexilhões e amêijoas.

A procura de vida em locais que no passado ninguém se atrevia a fazê-lo passou a ter fundamento e a maior credibilidade e, mais do que isso, a interessar inúmeros laborató­rios e empresas em desenvolverem programas de investigação neste domínio. Com efeito, o conhecimento dos mecanismos metabólicos e dos materiais químicos que permitem aos seres extremófilos resistir às condições adversas em que proliferam abre um sem número de vias com elevado valor económico no campo da biotecnologia médica, da biotecnolo­gia alimentar e doutros domínios da actividade económica. Ao mesmo tempo, os resulta­dos dos estudos realizados ao abrigo destes programas vão fornecendo informação valiosa acerca da origem da Vida na Terra, e das suas estratégias adaptativas aos ambientes onde ela prosperou, já que a capacidade de adaptação a alterações ambientais é uma das carac­terísticas mais impressionantes da Vida no nosso planeta. E muita tem sido a informação já obtida durante os últimos trinta anos.

Até recentemente acreditava-se que a Vida só foi possível na Terra quando aqui o am­biente se tornou propício para que tal acontecesse, com uma temperatura e uma atmosfera adequadas. Teriam começado então a proliferar os organismos primitivos, como os líquenes ou as algas, para posteriormente, quando as condições assim o permitissem, virem a apa­recer as bactérias. Era aceite que estas últimas só podiam desenvolver-se dentro de limites ambientais muito estreitos. Para surpresa da comunidade científica, nos últimos anos e após as descobertas efectuadas nas fontes hidrotermais submarinas, foram encontradas bactérias que crescem e vivem noutros habitais com condições extremamente difíceis e nas regiões mais improváveis do planeta.

O surpreendente é que muitos destes microrganismos crescem melhor nestes ambientes, que aos nossos olhos são inóspitos, do que nos chamados “am­bientes naturais”. E mais, eles necessitam desta hostilidade para poderem reproduzir-se.

Fontes :

Origem da Vida – Ilda Dias e Hernâni Maia. Escolar Editora.

http://dminas.ist.utl.pt/OG2008/Congresso%20Geotecnia%20(resumos)/Congresso_Actas%20(D)/Volume%203/V3-10.pdf