A Cratera de Sudbury (Canadá)

Novembro 8, 2009

Há 1 850 milhões de anos, ocorreu um dos maiores cataclismos registado na superfície terrestre. Quem o afirma é o geólogo William Cannon tendo por base estudos realizados numa das maiores jazidas de minérios sulfuretados de Ni-Cu, localizada em Sudbury, Ontário – Canadá. A cicatriz do impacto deixou uma herança rica em minérios de Fe-Ni-Cu  numa  acumulação de sulfuretos, por vezes relativamente ricas em óxidos, que evoluem gradualmente para disseminações, em estreita associação com rohas ígneas máficas e ultramáficas (designadamente, noritos e basaltos). Em Sudbury nos depósitos explorados, a pirrotite (vulgarmente, a variedade magnética monoclínica) constitui o principal mineral do minério

 A colisão deixou uma cratera de aproximadamente 160 a 280 km de diâmetro, e a massa dever ter entrado na atmosfera a uma velocidade de cerca de 10 km/s, refere  o geólogo Cannon num dos seus artigos.

Evidências para este acontecimento são os detritos que são ejectados no momento de um impacto de um corpo celeste com o solo formando uma cratera de impacto, brechas de impacto, tais como cones de estilhaçamento (shatter cones), feições planares de deformação (planar deformation features – PDFs) e gotas de material fundido (vítreo) encontrados na zona de Sudbury. Esta cratera em solo canadiano é a segunda maior no planeta Terra, atrás da Cratera de Vredefort na África do Sul.

A estrutura de Sudbury, figura ao lado,  de uma forma simplificada é caracterizada por uma base Sudbury Igneous Complex (SIC) numa estrutura em lopólito (trata-se de um termo geológico que caracteriza uma grande intrusão magmática de forma lenticular com uma parte central deprimida como um prato com o centro afundado.  

 Na minha velhinha sebenta de Jazigos Minerais Subdury é assim caracterizada :  “Maciço a disseminado em, ou associado com, rochas máficas-ultramáficas intrusivas ou extrusivas (gabros, basaltos, peridotitos, noritos) que podem apresentar evidências de metamorfismo. Os exemplos maiores destes minérios encontram-se em Sudbury (Ontário, Canadá), Thompson e Lynn Lake (Manitoba, EUA), Norilsk (Rússia), Kambalda (Austrália).” Quando há origem propriamente dita, nada de cratera, tudo muito uniformitarista e com uma explicação “magmática”

Os minérios de Fe-Ni-Cu deste tipo formam acumulações maciças ou sub-maciças de sulfuretos, por vezes relativamente ricas em óxidos, que evoluem gradualmente para disseminações, em estreita associação com rohas ígneas máficas e ultramáficas (designadamente, noritos e basaltos). Da base para o topo por noritos, nóritos félsicos, quartzo-gabros. Sobre este complexo magmático repousa um complexo sedimentar (brechas, etc).

Devido aos fenómenos erosivos torna-se difícil calcular o diâmetro da cratera original. Nas rochas de Sudbury o níquel, cobre, platina, paládio ( é um metal branco prateado parecido com a platina, não se oxida com o ar, e é o elemento do grupo da platina de menor densidade e menor ponto de fusão) , ouro e o irído é encontrado em concentrações elevadas e associado ao SIC.

O irídio é geralmente encontrado na natureza associado à platina ou com outros metais do grupo da platina, em depósitos aluviais. As ligas naturais do irídio incluem “osmirídio” e “iridiósmio”, que são misturas de irídio e ósmio. É encontrado em meteoritos. É obtido comercialmente como um subproduto da mineração e processamento do níquel.

Uma especulação minha: estes elementos durante a diferenciação deveriam ter migrado para o interior da Terra. Por fenómenos magmáticos podem surgir na crusta terrestre. Mas tanta assinatura “extraterrestre” não poderá ser um indício de uma ajudinha do espaço exterior? Já agora o que existe em Vredefort ? Uma simples cratera?  Não, uma das maiores minas de ouro e uma das histórias “silenciadas” que normalmente associamos aos germânicos, aqui como noutros momentos da história a Union Jack tem muito que se lhe diga….

A localidade foi fundada em 1876 na Cratera de Vredefort, a maior cratera de impacto em todo o mundo (com um diâmetro de 300 km). Foi este meteoro de aproximadamente 10 km de diâmetro que levou à formação das rochas auríferas, há cerca de 2.020 milhões de anos. O nome Vredefort foi-lhe dado após a resolução pacífica de uma situação que quase levou à guerra entre o Transvaal e o Estado Livre de Orange. Os britânicos construíram aqui um campo de concentração durante a Segunda Guerra dos Boers para acantonar crianças e mulheres boeres. No coments.

Explicação do processo de formação de Sudbury, está em inglês e o filme é antigo, mas ser antigo não é sinónimo de errado. Este geólogo explica como se retira os elementos que interessam do interior da Terra, as escombreiras e como se pode explicar com o meteoro a origem de Sudbury. Mas, há a outra hipótese para a brecha de impacto.  É ver os esquemas que ele apresenta e tentar seguir o inglês do Canadá. O filme foi realizado antes dos trabalhos de William Cannon, por isso os dados de “astrogeologia” não estavam disponíveis. É assim a ciência, e sem esta evolução era uma “seca”.

Fonte :

http://minnesota.publicradio.org/features/2007/05/24_meteorite/report.htm

http://ottawa-rasc.ca/wiki/index.php?title=Odale-Articles-Sudbury

http://ottawa-rasc.ca/wiki/index.php?title=Odale-Articles-Sudbury


Minas amigas do ambiente

Fevereiro 25, 2009

Existem, pelo menos, 34 minas abandonadas no Alentejo. Uma parte delas encontra-se sobre um extenso alinhamento de jazigos, onde predominam minerais da família dos sulfuretos metálicos, que se prolonga por 250 km, desde Grândola até Sevilha. Em contacto com o oxigénio e com a água, as piri­tes experimentam um processo químico, libertando ácido sulfúrico e metais pesados. Estas substâncias acabam por contaminar a água da chuva que passa pela mina ou pelos montes de resíduos que se acu­mulam em volumes gigantescos, nos locais das explorações abandonadas.

Em Aljustrel, essas águas juntam-se numa albufeira que constitui uma barreira débil, pois a água está continuamente a verter por um repasse lateral. Além disso, esta lagoa está situada sobre uma importante falha.

O caso mais impressionante, no entanto, é o das minas de São Domingos, hoje dominadas pela profunda cratera onde a exploração decorria a céu aber­to. O buraco está inundado com uma água escura, for­mando um sinistro lago. Só a partir de 1990 é que os pro­jectos mineiros passaram a estar enquadrados por normas legais com maiores imposições para a pro­tecção do ambiente.

O complexo mineiro de Neves-Corvo, em Castro Verde, nasceu nessa altura e reflecte esta nova situa­ção. A mina possui, por exemplo, um plano geral para o seu encerramento – algo impensável até há poucas décadas.