Estruturas Sedimentares – gotas de chuva

À medida que o agente de transporte perde competência (energia), os sedimentos depositam-se de acordo com o seu peso, em camadas sucessivas, originando estratos. Estes estratos encontram-se separados por superfícies, designadas de juntas de estratificação, resultantes de alterações do processo de sedimentação.   

Muitas vezes, a superfície dos estratos exibe estruturas e marcas características, adquiridas posteriormente à formação do depósito. Entre estas estruturas temos as ripple-marks ou marcas de ondulação, cuja presença é utilizada pelos  geólogos como critério para avaliar a posição original das camadas e a direção das  correntes que as produziram.

As marcas da chuva (Foto 1) correspondem a reduzidas crateras de impacto produzidas pela chuva em sedimentos macios e soltos, especialmente em siltes e argilas.

Foto 1 – Marcas da chuva deixadas em sedimentos de idade Mesozoica, Polónia.

Após o a diagénese, estas impressões podem ser preservadas se cobertas por uma outra camada de sedimento.

Chaminés de Fadas

A água desempenha um papel muito importante na modelação da paisagem. As águas selvagens, ou as de cursos sazonais, como as torrentes, originam relevos peculiares e facilmente reconhecíveis.

As águas continentais que circulam sem curso fixo, procedentes das precipitações, denominam-se águas selvagens. Aparecem quando o terreno não consegue absorver toda a água das chuvas que atinge a superfície. Quando as águas de precipitações correm por pequenos regueiros ou canais, denominam-se águas de enxurrada, Foto 1.

Torrente

Foto 1 – Ravinas originadas pela ação de águas de enxurrada. A ação erosiva destas águas é favorecida pela ausência de vegetação, pela presença de rochas macias, devido à secura do solo e às chuvas torrenciais.

Chaminés de fadas

As águas das chuvas ao cair, por ação da gravidade, sobre as rochas da crosta exerce sobre uma ação erosiva, que é, ao mesmo tempo química e mecânica. Como sabemos, a água pode reagir como os minerais das rochas, quer por si, quer pelos gases atmosféricos que transportam em solução. Em terrenos desagregados onde se encontram dispersos blocos rochosos, estes protegem os materiais que se encontram sob eles, de modo que acabam por se tornar salientes acima do solo e por constituir chaminés de fada, Foto 2.

Chaminés de Fada (esquema)

Foto 2 – No topo das Chaminés de Fadas há um fragmento de rocha que protege da erosão a rocha subjacente. A erosão diferencial produz estas formas tão caracteristicas das paisagens sedimentares.

Se o terreno é heterogéneo, as águas de escorrência desgastam as rochas mais tenras, pondo a descoberto as duras. Formam-se, assim, as já referidas chaminés de fadas, encimadas por um fragmento de rocha, a partir de um depósito areno-argiloso que encerre clastos maiores, dispersos na sua massa. As águas das chuvas e de escorrência produzem erosão nos materiais mais finos, removendo-os, mas não afetando a parte do depósito que fica sob os citados fragmentos maiores, que constituem como que um chapéu protetor.

As chaminés de fada são comuns ao nível de depósitos detríticos argilosos que encerram areão e cascalho, podendo observar-se nas bermas das estradas, escombreiras de areeiros, etc. No entanto, as chaminés de fadas com grandes dimensões são raras e podem ser observados nas regiões montanhosas onde existem restos de depósitos de vertente  glaciários.

Torrentes de zonas áridas e barrancos

Nas zonas áridas e com regime de chuvas esporádico, formam-se grandes leitos de águas, que arrastam todo o tipo de materiais. O fundo destes leitos é plano e o seu declive pouco acentuado. Só se enchem com chuvas torrenciais.

 As torrentes são leitos curtos que transportam água de maneira esporádica. A sua atividade é geralmente sazonal e está relacionada com o degelo, com chuvas fortes ou ambos. Distinguem-se três partes nas torrentes: a bacia de recepção, o canal de escoamento e o cone de dejecção, Filme 1.

Filme 1 – A bacia de recepção é a zona alta da torrente. Tem a forma de leque e é nela que se reunem as águas de enxurrada. É uma zona com grande declive, por onde a água corre com grande violência e arrastando materais. Portanto, nesta bacia produz-se uma intensa ação erosiva. O canal de escoamento é um leito por onde circula a água e os materiais anteriores. Os grandes fragmentos rochosos, arrastados por turbilhões de água, produzem no fundo do leito um efeito de remoinho, que provoca cavidades. O cone de dejecção é onde a torrente desagua no vale. Ali se depositam todos os materiais, configurando uma massa de forma cónica constituída por fragmentos de tamanhos distintos não selecionados: cascalhos, areias, argilas… Os cantos são angulosos, já que, devido à curta deslocação, não puderam arredondar-se.

A ação erosiva das águas selvagens diminui com a vegetação. É por isso que se replantam as encostas de montanhas e os taludes, evitando-se, assim, a erosão e o despreendimento de terras.

Álbum de fotos de Chaminés de Fada e outros aspetos morfológicos podem ser vistos aqui.

 

Areias e arenitos

Nas rochas detríticas os sedimentos apresentam-se soltos, constituindo rochas não consolidadas (rochas detríticas não consolidadas), ou estar ligadas por um cimento (resultante da precipitação), formando rochas consolidadas (rochas detríticas consolidadas).

Como a granulosidade (tamanho do grão) dos materiais é variável, e dada a importância das suas dimensões na caracterização destas rochas sedimentares, foi necessário estabelecer sistemas de classificação dos sedimentos detríticos de acordo com as dimensões que apresentam, Foto 1.

Praia

Foto 1 – Os materiais arrastados pelo vento podem vir a formar depósitos eólicos. Há duas categorias de materiais particularmente sensíveis à acção do vento: as poeiras e as areias. As areias siliciosas (ricas em quartzo) são abundantes no litoral marinho, nos desertos, e por vezes, nas estepes. O vento, ao soprar, modela essas extensões arenosas e dá origem a construções a que se dá o nome de dunas. As dunas tanto podem formar-se na proximidade das praias – dunas litorais – como nas regiões desérticas, em pleno continente – dunas continentais.

Rochas Areníticas

O termo areias refere-se a rochas não consolidadas de composição mineralógica muito variável. Existem areias calcárias (constituídas por grão de calcite), areias quartzosas (constituídas por grãos de quartzo) e areias negras (constituídas por minerais ricos em ferro, ferromagnesianas). São normalmente classificadas de acordo com o agente de transporte (fluvial, marinho, eólico e glaciar) e com duração do transporte.

Quando as areias são cimentadas formam-se os arenitos ou grés, que são rochas detríticas consolidadas, Foto 2.

Arenito (Praia da Falésia)

Foto 2 – Arenitos da Praia da Falésia (Algarve). As rochas sedimentares detríticas têm origem na acumulação de sedimentos. Os sedimentos como areias, resultam da desagregação das rochas preexistentes. O processo de compactação dos sedimentos e de cimentação e, por vezes, de aparecimento de novos minerais denomina-se diagénese.

A compactação de areias envolve  diminuição de volume devido ao peso dos sedimentos, à redução dos espaços vazios e à perda de água. Após ocorrer a compactação pode ocorrer a precipitação de substâncias químicas dissolvidas na água dos poros entre os sedimentos, formando um cimento natural que diminui a porosidade das rochas. Este processo denomina-se  cimentação. Os arenitos são areias consolidadas (compactadas e cimentadas) por um cimento natural.

Álbum de Fotos sobre Rochas Detríticas pode ser consultado aqui.

Rochas Biogénicas – Carvões

Resultam da acumulação de detritos orgânicos, constituídos por restos de seres vivos ou e produtos da sua atividade, originam rochas biogénicas, como os calcários conquíferos e os carvões. Quando os restos de plantas sofrem decomposição lenta em ambientes aquáticos pouco profundos e pouco oxigenados (pântanos), após a diagénese originam o carvão, Foto 1.

Jurássico Inferior - Carvões (esquema)

Foto 1 – O carvão explorado na atualidade teve origem em florestas pantanosas do Paleozoico e do Mesozoico. Os diferentes tipos de carvão distinguem-se, entre outros aspetos, pelo crescente teor de carbono e crescente poder calorífico. Afloramento de rochas carbonatadas com níveis de matéria orgânica (carvão) de idade Jurássica – São Pedro de Moel.

Formam-se em regiões com vegetação luxuriante, e ambientes húmidos, principalmente nos pântanos e em alguns lagos pouco profundos. Os maiores depósitos originaram-se em regiões tropicais e subtropicais. O material vegetal morto acumula-se no fundo dos pântanos, formando espessas camadas. Estes depósitos aumentam de espessura rapidamente e têm um elevado conteúdo em água. A água é essencial para proteger o material vegetal da decomposição, pois impede que seja exposto a condições ambientais ricas em oxigénio e que promoveriam o crescimento rápido de microorganismos decompositores. No fundo dos pântanos encontram-se assim condições redutoras, próximas das anaeróbias. As reduzidas taxas de decomposição permitem a acumulação de espessas camadas de material vegetal que se transforma em turfa. Esta caracteriza-se por uma elevada porosidade e por apresentar cores acastanhadas em que ainda é possível identificar muitos restos vegetais.

O afundamento contínuo ao longo do tempo aumenta a compressão e temperatura que permitem a diagénese. Este aumento da temperatura e das deformações estruturais podem transformar a turfa em diferentes carvões: lignite, carvão betuminoso e antracite. Esta última é o último estádio de formação dos carvões, sendo sujeita a intensa deformação estrutural. Por esse motivo, muitos geólogos consideram que a antracite é uma rocha que se encontra na fronteira entre as sedimentares e as metamórficas.

Para visualizar Rochas Sedimentares Biogénicas clique aqui

Conglomerados e brechas

As rochas sedimentares têm origem na acumulação e compactação de detritos rochosos ou orgânicos, os sedimentos, que resultam das atividades geológicas e biológicas que decorrem na superfície do planeta. A sua formação implica a interação entre a litosfera, atmosfera, biosfera e a hidrosfera.

Estas rochas formadas à superfície da Terra podem ser classificadas de acordo com a origem dos sedimentos que as compõem, em detríticas, quimiogénicas e biogénicas.

Rochas Detríticas – Conglomerados

As rochas detríticas são formadas a partir dos fragmentos de outras rochas e minerais. Os fragmentos de maiores dimensões são designados de clastos (balastros) com formas e dimensões variadas (maiores de 2 milímetros), Foto 1, que ficam progressivamente mais rolados. Quando estes fragmentos soltos sofrem diagénese (compactação e cimentação) formam-se rochas sedimentares consolidadas.

Balastros

Foto 1 – Depósito marinho de balastros (Praia Norte – Viana do Castelo). Os balastros (rochas sedimentares não consolidadas) são depósitos com sedimentos de dimensões superiores a 2 mm. É difícil definir com rigor o limite entre erosão, transporte e sedimentação, uma vez que o mesmo agente pode realizar qualquer um dos três , consoante as relações entre as dimensões das partículas e a velocidade do agente. Os agentes de erosão e transporte tornam-se agentes de deposição final ou de sedimentação, por perda da capacidade transportadora (A.G.de Carvalho).

Conglomerados e brechas

São sempre constituídos por clastos de dimensão superior a areias grosseiras (> 2mm) unidos por um cimento calcário, ferruginoso, silicioso ou mesmo por uma matriz de menor tamanho (areia, argilas, etc), Foto 2.

Metaconglomerados esquema

Foto 2 – Conglomerado do Carbónico (Paleozóico). Anticlinal de Valongo (Arouca)

Vulgarmente os conglomerados são classificados quanto ao grau de arredondamento dos clastos: conglomerado ou pudim, quando os clastos são arredondados e a Brecha, quando os clastos são angulosos, Foto 3.

Brecha Vulcânica (legenda)

Foto  3 –  Brecha Vulcânica (Ribeira D´ Ilhas, Ericeira).  Durante uma erupção vulcânica ocorre a projeção de fragmentos rochosos arrancados do aparelho vulcânico e lava incandescente. Este material acumula-se em redor do aparelho vulcânico não ocorrendo um transporte significativo quando estes materiais sólidos (piroclastos) apresentam dimensões elevadas.

Concluindo…

Os clastos (sedimentos) podem ser deslocados pela acção da água e da gravidade. A capacidade de transporte determina os sedimentos transportados. Por exemplo, um rio com uma corrente muito forte é capaz de transportar sedimentos de grandes dimensões, mas um rio com velocidade reduzida movimenta apenas os sedimentos finos. A forma e tamanho variam ao longo do transporte. Nas regões de montanha o rio transporte a maioria dos sedimentos e os clasto são mais angulosos. Nas secções finais o rio só transporta sedimentos finos e os clastos tornam-se mais arredondados.

Álbum de Fotos sobre Rochas Detríticas pode ser consultado aqui.

Powerpoint – Rochas Detríticas

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