Granito nodular da Castanheira

Situada a poucos quilómetros da vila de Arouca, a serra da Freita, ou serra da Arada, é uma das mais belas do nosso país quer paisagística quer geologicamente. Relativamente à utilização do sítio, de destacar o evidente valor científico e didáctico. Tem ainda elevado interesse turístico e grande potencial económico desde que devidamente planeada uma estratégia de geoconservação, valorização e promoção do local.

Junto da povoação de Castanheira, a pequena distância da Mizarela, ocorre no meio dos xistos metamórficos um pequeno afloramento de granito (alguns autores consideram como sendo um quartzodiorito) constituído por oligoclase, quartzo, moscovite, biotite e um pouco de albite. A queda da Mizarela, com cerca de 100 metros de altura situa-se no contacto desta rocha com os xistos metamórficos (com grandes cristais de estaurolite).

Foto 1 – Frecha da Mizarela – Deste Local Panorâmico observa-se a mais alta queda de água de Portugal, situada no contacto entre o granito da Serra da Freita e as rochas xisto-grauváquicas ante-ordovícicas. Como o granito é mais resistente à erosão fluvial do rio Caima, do que a generalidade dos xistos e grauvaques, ao longo do tempo formou-se um assinalável desnível, superior a 70 metros, tendo-se originado a Frecha da Mizarela.

Este geossítio, “Pedras Parideiras”,  corresponde a um pequeno corpo granítico, com a área aproximada de 1 km2, com idade estimada de 313-320 Ma e contemporâneo do Granito da Serra da Freita, sendo geologicamente conhecido por Granito nodular da Castanheira, nome que lhe advém da sua proximidade à aldeia da Castanheira e à sua textura nodular. Este corpo granítico é diferenciável dos restantes pela presença de nódulos, que lhe conferem características únicas em Portugal e, tanto quanto conhecemos, em qualquer outra parte do mundo. Os nódulos possuem uma dimensão variável entre 1 e 12 cm e são constituídos externamente por uma capa de biotite e internamente por um núcleo quarzto-feldspático, apresentando-se fortemente achatados, com uma distribuição diferenciada e orientação bem determinada no seio do corpo granítico (Assunção & Teixeira, 1954).

O granito (quartzodiorito) apresenta uma particularidade notável e única em granitóides portugueses, ou seja abundantes nódulos de biotite que lembram medalhões. Esses nódulos destacam-se facilmente da rocha deixando nela o seu molde côncavo forrado pela biotite.

Como terão surgido os nódulos no Granito nódular da Castanheira ?

Como já foi referido, o granito (quartzodiorito) apresenta uma particularidade notável e única em granitóides portugueses, ou seja abundantes nódulos de biotite que lembram medalhões. Esses nódulos destacam-se facilmente da rocha deixando nela o seu molde côncavo forrado pela biotite. Em geral, os nódulos apresentam contorno equatorial circular a secção biconvexa. As suas dimensões são variáveis. Aparecem ora separadas uns dos outros ora bastante concentradas na rocha. De um modo geral constam de um núcleo quartzo-feldspático de albite-oligoclase, sendo o quartzo em geral, mais abundante que o feldspato. Este núcleo é envolvido por capas concêntricas.

O granito da Castanheira é considerado uma “anomalia” do granito da Serra da Freita. Em 1993, três geólogos do Reino Unido publicaram um estudo sobre a génese deste granito. Concluíram que a sua formação terá ocorrido devido à separação, na fase final da cristalização magmática do granito da Serra da Freita, de um fluido cloretado rico em voláteis. No processo ter-se-à gerado um gradiente químico na interface magma / bolha de voláteis, que favoreceu a complexação e a mobilização de ferro do magma residual. A bolha, menos densa que o magma, terá ascendido, ficando como que a flutuar no tecto desta porção da câmara magmática

Como explicar a libertação dos nódulos – “Pedras Parideiras” ?

Segundo José  Lobo e Bruno Novo , do Visionarium, a termoclastia constitui um tipo de agente de meteorização, provocada pela variabilidade da temperatura na superfície dos materiais rochosos, provocando uma variação no volume. Os encraves dilatam-se, como reacção a temperaturas elevadas, e contraem-se por reacção ao arrefecimento. Como as rochas são em geral agregados poliminerálicos, e devido ao facto de cada mineral apresentar diferentes valores de coeficiente de dilatação, surgem diferentes velocidades de expansão e contracção. As partes mais externas das rochas, sujeitas a fortes amplitudes térmicas diurnas vão-se fracturando.

A desagregação pela gelivação é das mais eficazes em termos de fracturação, embora seja um mecanismo de carácter sazonal e que ocorre, predominantemente, em zonas de alta montanha. Este agente, contribui activamente para o “parir” do nódulo de biotite. A água contida nas fracturas, quando a temperatura é menor que 0ºC, começa a gelar na parte mais superficial. À medida que a temperatura exterior baixa, as cunhas de gelo vão crescendo no interior das fracturas. A água ao congelar, aumenta de volume (cerca de 10%), exercendo consequentemente, uma grande pressão, no interior dessas fracturas, provocando o seu alargamento e prolongamento. Logo, promove a desagregação das rochas, e o consequente “parir” do encrave biotítico.

As Pedras Parideiras, paulatinamente afloram à superfície da rocha, desprendem-se e vão-se acumulando no solo. Por isso, os camponeses da região chamam à rocha “a pedra que pare pedra”, isto é, a rocha que produz uma outra rocha.

Fontes :

http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=4423724

http://www.arouca.biz/Turismo/Geossitios/Pedras_Parideiras_200911182297/

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2345&op=all

Anúncios

Caos de Blocos

Um afloramento na Serra da Estrela, digno de um “manual escolar”. Estão presentes todos os conceitos que permitem compreender a formação destas “caos de blocos”.

BLOCOS E CAOS DE BLOCOS
Os blocos ou bolas consistem em penedos de dimensões variadas, de tamanho métrico, no geral arredondados, assentes na superfície topográfica, e que se encontram por vezes em grande quantidade formando aglomerações designadas por caos de blocos. Estas formas apresentam uma grande dispersão geográfica, observando-se em todos os climas.
São características de rochas granitóides, embora se desenvolvam também noutras rochas granulares, como os arenitos e mesmo os basaltos.

A génese das bolas implica a presença de uma rocha de textura granular recortada por uma rede de diaclases espaçadas, aproximadamente ortogonais, uma vez que elas se formam geralmente a partir de blocos limitados pelas diaclases. Assim, embora os blocos sejam característicos dos granitos, geram-se preferencialmente em granitos de grão grosseiro, onde as fracturas tendem a apresentar maior espaçamento, fracturados por diaclases ortogonais.

Tal como sucede com os outros elementos morfológicos de meteorização, os blocos correspondem a resíduos de alteração existindo dois processos para a sua génese:

  • génese subaérea, por progressão da erosão subaérea a partir de cada diaclase e nos ângulos entre as diaclases; as diaclases alargam-se e os ângulos arredondam-se progressivamente originando bolas muito regulares, segundo uma transição progressiva de paralelepípedo a esfera;
  • génese subterrânea, em que as bolas se desenvolvem “potencialmente” em profundidade, permanecendo envolvidas pela areia de alteração do granito (ou de outra rocha granular), até que a erosão subaérea remova essa areia.

Note-se que um maior ou menor número destes blocos se deslocam posteriormente sobre a superfície topográfica por acção da gravidade, descendo a partir do afloramento onde se geraram e imobilizando-se geralmente a pouca distância deste.

Para saber mais

Fonte utilizada : Sebenta de Geomorfologia. FCL (FCUL) – Prof. João Cabral

Granito Broa

Mais um interesse didáctico na saída de campo a Lavadores. Um fenómeno curioso ali bem perto da “Casa Branca”.  Um “granito broa”. Confesso que vindo de terras mouriscas, não conhecia este fenómeno tão nortenho – Granito Broa. Mais habituado ao trigo e ao centeio, reconheço que este fenómeno têm sido motivo de interesse desde que visitei Albergaria da Serra. Em Lavadores – Gaia  encontro também o granito broa.

O  bloco granítico  apresenta uma alteração em fissuração poligonal. De acordo com Rochette Cordeiro (1994a; 1994b; 2004), estas formas enquadram-se nas microformas geneticamente relacionadas com uma fase posterior à exposição das superfícies e com relação evidente com a estrutura. São formas constituídas por uma rede poligonal de fissuras de baixa profundidade. A sua génese estará relacionada com um conjunto de processos bastante complexos, directamente relacionados com desequilíbrios nas plaquetas exteriores da rocha.

A explicação pode ser muito científica, mas decididamente os geólogos têm um gosto enorme pela culinária e mesmo pela vinicultura (recordo-me dos “Xistos borras de vinho”, uma formação existente no Alentejo).

Tafoni

Tafoni na praia de Lavadores

Durante a preparação da saída de campo – Geologia 11º, um fenómeno que não contava observar. Possivelmente um “tafoni”. E o que é este tipo de meteorização – Tafoni?

Ainda não é muito bem compreendida a sua origem. Existe, no entanto, algum consenso que resultam da meteorização inicial ao longo das juntas, fracturas ou outras linhas mais frágeis, especialmente nas zonas onde a água pode residir. Pensa-se que as depressões vão sendo alargadas através da progressiva descamação das superfícies interiores e a sua desintegração granular, provavelmente como resultado da cristalização do material salino dissolvido a partir da rocha, transportado pelo vento para a rocha, ou pelo salpico sobre a rocha por água do mar. O processo de endurecimento da superfície externa é comum, mas as paredes que se vão separando das cavidades não são alteradas. Provavelmente o material descamado das cavidades acaba por ser removido pelo vento.

Fonte : http://www.geocaching.com/seek/cache_details.aspx?guid=d8895c9d-4341-4223-90b5-aabe89f7aed2