Caos de Blocos

Fevereiro 15, 2010

Um afloramento na Serra da Estrela, digno de um “manual escolar”. Estão presentes todos os conceitos que permitem compreender a formação destas “caos de blocos”.

BLOCOS E CAOS DE BLOCOS
Os blocos ou bolas consistem em penedos de dimensões variadas, de tamanho métrico, no geral arredondados, assentes na superfície topográfica, e que se encontram por vezes em grande quantidade formando aglomerações designadas por caos de blocos. Estas formas apresentam uma grande dispersão geográfica, observando-se em todos os climas.
São características de rochas granitóides, embora se desenvolvam também noutras rochas granulares, como os arenitos e mesmo os basaltos.

A génese das bolas implica a presença de uma rocha de textura granular recortada por uma rede de diaclases espaçadas, aproximadamente ortogonais, uma vez que elas se formam geralmente a partir de blocos limitados pelas diaclases. Assim, embora os blocos sejam característicos dos granitos, geram-se preferencialmente em granitos de grão grosseiro, onde as fracturas tendem a apresentar maior espaçamento, fracturados por diaclases ortogonais.

Tal como sucede com os outros elementos morfológicos de meteorização, os blocos correspondem a resíduos de alteração existindo dois processos para a sua génese:

  • génese subaérea, por progressão da erosão subaérea a partir de cada diaclase e nos ângulos entre as diaclases; as diaclases alargam-se e os ângulos arredondam-se progressivamente originando bolas muito regulares, segundo uma transição progressiva de paralelepípedo a esfera;
  • génese subterrânea, em que as bolas se desenvolvem “potencialmente” em profundidade, permanecendo envolvidas pela areia de alteração do granito (ou de outra rocha granular), até que a erosão subaérea remova essa areia.

Note-se que um maior ou menor número destes blocos se deslocam posteriormente sobre a superfície topográfica por acção da gravidade, descendo a partir do afloramento onde se geraram e imobilizando-se geralmente a pouca distância deste.

Para saber mais

Fonte utilizada : Sebenta de Geomorfologia. FCL (FCUL) – Prof. João Cabral


Carbonatação e formação de terra rossa

Fevereiro 14, 2010

As águas acidificadas podem reagir com a calcite (carbonato de cálcio), mineral que faz parte dos calcários, formando produtos solúveis. Assim, os calcários são alterados e destruídos por um processo químico.

CaCO3 (carbonato de cálcio) + H2CO3 (ácido carbónico) –> Ca (ião)  + 2 (HCO3-) (ião hidrogenocarbonato)

O cálcio e o hidrogenocarbonato são removidos em solução, deixando somente as impurezas insolúveis. Estas reacções químicas provocam o alargamento das fissuras nas quais a água se infiltra e circula.

O calcário contém, geralmente sílica e argila misturadas, e como essas substâncias não solúveis ficam no local, preenchendo bolsas e depressões. Esses depósitos, geralmente avermelhados devido à presença de óxidos de ferro, denominam-se – terra rossa.

Sobre meteorização