Etiqueta: Islândia

Europa e o excesso de precaução!

Os governos europeus fizeram pior que exagerar. Deram um tiro no pé. São palavras do geólogo francês Claude Allègre. Desta vez as afirmações não têm por alvo o “aquecimento global”.

“Para mim o que sucedeu é um indício de uma Europa em declínio. O princípio da precaução que foi amplamente difundido, não teve no vulcão islandês o seu primeiro episódio. Começou com o H1N1 este ano, e vinha detrás com a histeria do aquecimento global. De todas estas vezes a economia europeia sofreu um forte abanão! Como se fosse necessário! Como se a Índia e a China, enquanto a Europa ficava debaixo de cinzas, parassem o desenvolvimento. Apenas ao quinto dia os governos começaram a enviar aviões militares para testarem a perigosidade das nuvens: deveria ter sido logo, desde o primeiro dia! A Europa ficou toda presa no princípio de precaução – de forma totalmente irracional, aliás – quando os voos foram retomados ao sexto dia, a nuvem continuava lá. Nalguns países proibiram mesmo voos de jactos particulares e helicópteros, duas situações sem risco, uma vez que são voos a baixa altitude. É talvez tempo de dizer não a tanta hiperprecaução!”

Excerto retirado da entrevista – Le Figaro (Tradução)

Quando a Terra soluça

Uma reportagem interessante publicada na revista Visão nº 894, da autoria de Luís Ribeiro, Rita Montez e Rosa Ruela.

Islândia, Abril de 2010. Um in­significante vulcão num glaciar de nome impronunciável atira umas cinzas para o ar. Os cien­tistas dizem que é coisa pouca. Mas os aviões europeus deixam de poder voar. Sete milhões de pesso­as que se preparavam para viajar em trabalho ou em férias, ou que queriam simplesmente regressar a casa, ficam retidas. Milhares de agricultores, no Quénia, vêem, de repente, a sua sobre­vivência em risco. Em Israel, toneladas de flores são destruídas. Barack Obama falha o funeral do Presidente polaco. O cantor Mika cancela o concerto de Lisboa. Mangas e papaias desaparecem dos supermercados britânicos. A Nissan reduz para metade a sua produção auto­móvel no Japão. A equipa do Barcelona é obrigada a fazer uma longa e fatigante viagem de autocarro para jogar com o Inter de Milão, de José Mourinho, para a Liga dos Campeões. E um hotel em Hong Kong triplica o preço dos seus quartos, em poucas horas.

Que raio! Mas o vulcão não era insig­nificante?

“Um exagero, assegura o vulcanólogo açoriano Vitor Hugo Forjaz. O que aconteceu (caos nos aeroportos) foi o resultado da descordenação entre meteorologistas, políticos e vulcanólogos. Entrou-se em histeria e poderia ter-se evitado o encerramento de alguns dos aeroportos. Houve desleixo, nomeadamente por parte do centro de vigilância de Toulouse”.

 

Últimas do vulcão

Ingveldur Thordardottir, porta-voz da protecção civil islandesa, declarou esta quarta-feira que a erupção do vulcão Eyjafjöll perdeu, desde sábado, 80 por cento de intensidade Segundo a protecção civil islandesa, o vulcão que tem causado o caos no espaço aéreo europeu, está a perder intensidade. Ingveldur Thordardottir, porta-voz do gabinete de urgência da protecção civil da Islândia, assegurou que “a intensidade da erupção é de cerca de 20 por cento da registada no sábado”.

“A nuvem vulcânica está abaixo dos 3000 mil metros e é possível que ainda esteja mais abaixo”, afirmou a porta-voz. Um avião da guarda costeira deverá sobrevoar ainda hoje a zona de erupção. Um sismólogo islandês afirmou também que a emissão de cinza é “verdadeiramente insignificante”.

Os ventos que empurram os fumos, que actualmente sopram em direcção a sudeste e à Europa, deverão virar durante o dia para sudoeste e para o oceano Atlântico, explicou a porta-voz.

Fonte : Revista Visão

Erupções subglaciárias

 

Erupções subglaciárias

 As erupções subglaciárias assemelham-se às suas correspondentes submarinas das grandes profundidades: é o que revela a geologia e a mor­fologia das formações islandesas.

Originados no seio das águas de fusão que o calor da erupção fez surgir sob o glaciar, os hialoclastitos permanecem isolados nestas águas, prisioneiros da sua carapaça de gelo, e portanto não podem efectuar percursos que não sejam mais ou menos verticais para se acumularem em torno dos lábios das fendas que os expulsaram. Quando o orifício da chaminé de ali­mentação é mais ou menos pontual, circular ou oval, forma-se um monte troncocónico semelhante aos guyots, cuja cratera fica cheia logo que a erup­ção termina.

São os célebres table-mountains, carac­terísticos das vastas paisagens da Islândia. Se a origem é uma fissura, como é regra nos rifts — e a Islândia encontra-se na zona axial da dorsal médio-atlântica— a erupção cria uma espécie de formidável muralha de tufos, de várias centenas de metros de altura e de comprimento atingindo por vezes dezenas de quilómetros. Chama-se-lhes «cris­tas denteadas» (serrate ridges). São edificadas ao longo da fissura eruptiva, sustentadas de um lado e do outro pelo suporte de gelo que, apesar do calor libertado pelas lavas, não se encontra senão a algu­mas dezenas de metros de um lado e de outro da fis­sura, tão grande é a quantidade de calorias neces­sária para a fundir.

Se não se encontram cristas semelhantes sob os oceanos é porque a ausência de uma tal bainha lateral permitiu aos produtos ejectados espalharem-se em lugar de se empilharem em impressionantes declives. Estas erupções fissurais — que ao contrário das erupções ditas cen­trais nunca se verificam de novo através de uma mesma fractura – dão apenas origem a relevos pouco marcados, que mal se distinguem nos perfis de ecossondagens.

Fonte : Le Volcanisme et sa prévention. Haroun Tazieff et Max Derruau. Masson

 

A calma e pacata vida na Islândia

Exploração das dorsais emersas – Parte I

Existem à superfície do Globo duas regiões emersas atraves­sadas por uma dorsal oceânica: a Islândia e a República de Jibuti.

A Islândia é uma ilha de 103 000 km2 e estrutura geológica essencialmente vulcânica. A sua situação setentrional e a his­tória limitam a vegetação a raras pradarias e alguns silvados, de modo que a estrutura geológica pode ser observada com faci­lidade: não é, como nos países tropicais, escondida por vege­tação espessa ou por um tapete de laterite.

Uniformemente, a perder de vista, a paisagem é vulcânica. Na maior parte, trata-se do empilhamento de correntes de lava com espessuras que, por vezes, ultrapassam os 1000 m. Mas estas correntes alter­nam na zona central com verdadeiros vulcões, que criam rele­vos imponentes. Na região norte, não muito longe da cidade de Akureyri, ou na região do lago Myvatn, podemos observar associações de cones vulcânicos de dimensões variadas. O estudo atento destas regiões mostra que os cones se alinham sobre fendas. Na região sul, mais perto de Reiquejavique, encontram-se vulcões extremamente activos, como o Hekla ou o Hemayae, na ilha de Vestmannaeyjar. No centro da ilha a existência de glaciares permanentes dá origem a edifícios vul­cânicos muito específicos: vulcões subglaciares. Como aconteceigualmente sob o mar, as lavas tomam então a forma de almo­fada, sendo, na sua maioria, basálticas.

A cartografia em pormenor realizada pelos geólogos islandeses, pouco numerosos, mas extremamente dinâmicos, reve­lou que o vulcanismo activo actual se reparte por duas bandas, uma oeste-leste, desde a dorsal norte-atlântica de Reykjanes (dorsal onde se detectaram anomalias magnéticas muito peda­gógicas!) até ao glaciar central de Vatnajekull, a outra na direc­ção norte-sul, desde a zona de Mivayten até ao vulcão Hekla, ou mesmo à ilha de Surtsey, a sul. No resto da ilha o vulca­nismo é mais antigo.

Quando se examina minuciosamente a zona activa, verifica-se que é formada por um vale central limitado por falhas nor­mais, desenhando estruturas de extensão típicas. Mais precisa­mente, um estudo recente mostrou que existe comunicação entre aparelhos vulcânicos de formas cónicas e correntes fissurais de lava. O vulcão aparenta alimentar injecções laterais que alcan­çam ou não a superfície. Em resumo, o vulcão será o cone for­necedor, enquanto as lavas serão os excessos evacuados sobre os lados. Tal é a actividade que se observa perto do vulcão Krafla.

No vale central não se detecta uma única fenda por onde a lava subiria continuamente, afastando os bordos, como seria sugerido por uma visão plaquista. As relações entre aparelhos vulcânicos e correntes de lava são extremamente complexas, instalando-se cada novo aparelho mais ou menos ao acaso. O vale central, com 10 km de largura, parece servir de zona fron­teiriça entre placas. A fronteira exacta no interior desta zona é muito mais difícil de determinar.

No exterior do vale os relevos acentuam-se e a idade das rochas aumenta, o que se conforma em absoluto com a ideia que temos da expansão dos fundos oceânicos. Para noroeste, todavia, aparece uma complicação na península de Snaeffelnes, tão cara a Júlio Verne, por se ter podido demonstrar que a actividade vulcânica nesse local era importante há alguns milhões de anos, como se a dorsal médio-oceânica, depois de passar por esta zona, tivesse migrado rapidamente, há cerca de 3 a 5 milhões de anos, para a região de Reiquejavique.

Fonte : A Espuma da Terra – Claude Allègre

Formação de crosta continental em plumas térmicas

Umas férias diferentes, rumo ao “santuário” da geologia, a Islândia. Foi este o destino de uma minha  colega e amiga. Que inveja saudável! Riólitos na Islândia? Mas então não temos crosta basáltica oceânica? A fusão parcial e as “mal amadas” séries de Bowen explicam toda a génese. 

Em Landmannalaugap afloram riólitos multicolores.

Landmannalaugap – Islândia

Uma explicação de como aparecem riólitos em crostas oceânicas.

Para aumenta a imagem, clique aqui.

A Islândia encontra-se localizada sobre uma pluma térmica na crista média-atlântica. Pequenos corpos félsicos terão sido formados em zonas profundas da crosta onde o material basáltico é fundido. Em resultado da fusão os magmas félsicos (riolíticos) ascendem à superfície. Alguns dos magmas  riolíticos podem ter resultado do afundamento dos blocos crustais basálticos, com consequente fusão parcial das lavas basálticas.

Nota : Pode ocorrer formação de “crosta continental” nas plumas térmicas. Durante a formação do nosso planeta durante a diferenciação e desgasificação, a crosta inicial poderia ser de natureza basáltica, à medida que ocorrerem processos de fusão parcial foram-se formando pequenas “jangadas” de “crosta continental”. Os “magmas ácidos” foram segregados a partir de rochas basálticas. Na Islândia a minha amiga Manuela assistiu ao processo de formação da crosta na Terra inicial. Foi assim que terão sido formados os protocontinentes. Bravo, podemos ver o que sucedeu no Proterozóico (ui… quantos milhões de anos estamos a falar??) na Islândia, nos dias de hoje é claro. Princípio das causas actuais.  Ai que inveja!