Quando a Terra soluça

Uma reportagem interessante publicada na revista Visão nº 894, da autoria de Luís Ribeiro, Rita Montez e Rosa Ruela.

Islândia, Abril de 2010. Um in­significante vulcão num glaciar de nome impronunciável atira umas cinzas para o ar. Os cien­tistas dizem que é coisa pouca. Mas os aviões europeus deixam de poder voar. Sete milhões de pesso­as que se preparavam para viajar em trabalho ou em férias, ou que queriam simplesmente regressar a casa, ficam retidas. Milhares de agricultores, no Quénia, vêem, de repente, a sua sobre­vivência em risco. Em Israel, toneladas de flores são destruídas. Barack Obama falha o funeral do Presidente polaco. O cantor Mika cancela o concerto de Lisboa. Mangas e papaias desaparecem dos supermercados britânicos. A Nissan reduz para metade a sua produção auto­móvel no Japão. A equipa do Barcelona é obrigada a fazer uma longa e fatigante viagem de autocarro para jogar com o Inter de Milão, de José Mourinho, para a Liga dos Campeões. E um hotel em Hong Kong triplica o preço dos seus quartos, em poucas horas.

Que raio! Mas o vulcão não era insig­nificante?

“Um exagero, assegura o vulcanólogo açoriano Vitor Hugo Forjaz. O que aconteceu (caos nos aeroportos) foi o resultado da descordenação entre meteorologistas, políticos e vulcanólogos. Entrou-se em histeria e poderia ter-se evitado o encerramento de alguns dos aeroportos. Houve desleixo, nomeadamente por parte do centro de vigilância de Toulouse”.

 

Últimas do vulcão

Ingveldur Thordardottir, porta-voz da protecção civil islandesa, declarou esta quarta-feira que a erupção do vulcão Eyjafjöll perdeu, desde sábado, 80 por cento de intensidade Segundo a protecção civil islandesa, o vulcão que tem causado o caos no espaço aéreo europeu, está a perder intensidade. Ingveldur Thordardottir, porta-voz do gabinete de urgência da protecção civil da Islândia, assegurou que “a intensidade da erupção é de cerca de 20 por cento da registada no sábado”.

“A nuvem vulcânica está abaixo dos 3000 mil metros e é possível que ainda esteja mais abaixo”, afirmou a porta-voz. Um avião da guarda costeira deverá sobrevoar ainda hoje a zona de erupção. Um sismólogo islandês afirmou também que a emissão de cinza é “verdadeiramente insignificante”.

Os ventos que empurram os fumos, que actualmente sopram em direcção a sudeste e à Europa, deverão virar durante o dia para sudoeste e para o oceano Atlântico, explicou a porta-voz.

Fonte : Revista Visão

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Erupções subglaciárias

 

Erupções subglaciárias

 As erupções subglaciárias assemelham-se às suas correspondentes submarinas das grandes profundidades: é o que revela a geologia e a mor­fologia das formações islandesas.

Originados no seio das águas de fusão que o calor da erupção fez surgir sob o glaciar, os hialoclastitos permanecem isolados nestas águas, prisioneiros da sua carapaça de gelo, e portanto não podem efectuar percursos que não sejam mais ou menos verticais para se acumularem em torno dos lábios das fendas que os expulsaram. Quando o orifício da chaminé de ali­mentação é mais ou menos pontual, circular ou oval, forma-se um monte troncocónico semelhante aos guyots, cuja cratera fica cheia logo que a erup­ção termina.

São os célebres table-mountains, carac­terísticos das vastas paisagens da Islândia. Se a origem é uma fissura, como é regra nos rifts — e a Islândia encontra-se na zona axial da dorsal médio-atlântica— a erupção cria uma espécie de formidável muralha de tufos, de várias centenas de metros de altura e de comprimento atingindo por vezes dezenas de quilómetros. Chama-se-lhes «cris­tas denteadas» (serrate ridges). São edificadas ao longo da fissura eruptiva, sustentadas de um lado e do outro pelo suporte de gelo que, apesar do calor libertado pelas lavas, não se encontra senão a algu­mas dezenas de metros de um lado e de outro da fis­sura, tão grande é a quantidade de calorias neces­sária para a fundir.

Se não se encontram cristas semelhantes sob os oceanos é porque a ausência de uma tal bainha lateral permitiu aos produtos ejectados espalharem-se em lugar de se empilharem em impressionantes declives. Estas erupções fissurais — que ao contrário das erupções ditas cen­trais nunca se verificam de novo através de uma mesma fractura – dão apenas origem a relevos pouco marcados, que mal se distinguem nos perfis de ecossondagens.

Fonte : Le Volcanisme et sa prévention. Haroun Tazieff et Max Derruau. Masson

 

A calma e pacata vida na Islândia