Europa e o excesso de precaução!

Maio 6, 2010

Os governos europeus fizeram pior que exagerar. Deram um tiro no pé. São palavras do geólogo francês Claude Allègre. Desta vez as afirmações não têm por alvo o “aquecimento global”.

“Para mim o que sucedeu é um indício de uma Europa em declínio. O princípio da precaução que foi amplamente difundido, não teve no vulcão islandês o seu primeiro episódio. Começou com o H1N1 este ano, e vinha detrás com a histeria do aquecimento global. De todas estas vezes a economia europeia sofreu um forte abanão! Como se fosse necessário! Como se a Índia e a China, enquanto a Europa ficava debaixo de cinzas, parassem o desenvolvimento. Apenas ao quinto dia os governos começaram a enviar aviões militares para testarem a perigosidade das nuvens: deveria ter sido logo, desde o primeiro dia! A Europa ficou toda presa no princípio de precaução – de forma totalmente irracional, aliás – quando os voos foram retomados ao sexto dia, a nuvem continuava lá. Nalguns países proibiram mesmo voos de jactos particulares e helicópteros, duas situações sem risco, uma vez que são voos a baixa altitude. É talvez tempo de dizer não a tanta hiperprecaução!”

Excerto retirado da entrevista – Le Figaro (Tradução)


Quando a Terra soluça

Abril 22, 2010

Uma reportagem interessante publicada na revista Visão nº 894, da autoria de Luís Ribeiro, Rita Montez e Rosa Ruela.

Islândia, Abril de 2010. Um in­significante vulcão num glaciar de nome impronunciável atira umas cinzas para o ar. Os cien­tistas dizem que é coisa pouca. Mas os aviões europeus deixam de poder voar. Sete milhões de pesso­as que se preparavam para viajar em trabalho ou em férias, ou que queriam simplesmente regressar a casa, ficam retidas. Milhares de agricultores, no Quénia, vêem, de repente, a sua sobre­vivência em risco. Em Israel, toneladas de flores são destruídas. Barack Obama falha o funeral do Presidente polaco. O cantor Mika cancela o concerto de Lisboa. Mangas e papaias desaparecem dos supermercados britânicos. A Nissan reduz para metade a sua produção auto­móvel no Japão. A equipa do Barcelona é obrigada a fazer uma longa e fatigante viagem de autocarro para jogar com o Inter de Milão, de José Mourinho, para a Liga dos Campeões. E um hotel em Hong Kong triplica o preço dos seus quartos, em poucas horas.

Que raio! Mas o vulcão não era insig­nificante?

“Um exagero, assegura o vulcanólogo açoriano Vitor Hugo Forjaz. O que aconteceu (caos nos aeroportos) foi o resultado da descordenação entre meteorologistas, políticos e vulcanólogos. Entrou-se em histeria e poderia ter-se evitado o encerramento de alguns dos aeroportos. Houve desleixo, nomeadamente por parte do centro de vigilância de Toulouse”.

 

Últimas do vulcão

Ingveldur Thordardottir, porta-voz da protecção civil islandesa, declarou esta quarta-feira que a erupção do vulcão Eyjafjöll perdeu, desde sábado, 80 por cento de intensidade Segundo a protecção civil islandesa, o vulcão que tem causado o caos no espaço aéreo europeu, está a perder intensidade. Ingveldur Thordardottir, porta-voz do gabinete de urgência da protecção civil da Islândia, assegurou que “a intensidade da erupção é de cerca de 20 por cento da registada no sábado”.

“A nuvem vulcânica está abaixo dos 3000 mil metros e é possível que ainda esteja mais abaixo”, afirmou a porta-voz. Um avião da guarda costeira deverá sobrevoar ainda hoje a zona de erupção. Um sismólogo islandês afirmou também que a emissão de cinza é “verdadeiramente insignificante”.

Os ventos que empurram os fumos, que actualmente sopram em direcção a sudeste e à Europa, deverão virar durante o dia para sudoeste e para o oceano Atlântico, explicou a porta-voz.

Fonte : Revista Visão


Erupções subglaciárias

Abril 17, 2010

 

Erupções subglaciárias

 As erupções subglaciárias assemelham-se às suas correspondentes submarinas das grandes profundidades: é o que revela a geologia e a mor­fologia das formações islandesas.

Originados no seio das águas de fusão que o calor da erupção fez surgir sob o glaciar, os hialoclastitos permanecem isolados nestas águas, prisioneiros da sua carapaça de gelo, e portanto não podem efectuar percursos que não sejam mais ou menos verticais para se acumularem em torno dos lábios das fendas que os expulsaram. Quando o orifício da chaminé de ali­mentação é mais ou menos pontual, circular ou oval, forma-se um monte troncocónico semelhante aos guyots, cuja cratera fica cheia logo que a erup­ção termina.

São os célebres table-mountains, carac­terísticos das vastas paisagens da Islândia. Se a origem é uma fissura, como é regra nos rifts — e a Islândia encontra-se na zona axial da dorsal médio-atlântica— a erupção cria uma espécie de formidável muralha de tufos, de várias centenas de metros de altura e de comprimento atingindo por vezes dezenas de quilómetros. Chama-se-lhes «cris­tas denteadas» (serrate ridges). São edificadas ao longo da fissura eruptiva, sustentadas de um lado e do outro pelo suporte de gelo que, apesar do calor libertado pelas lavas, não se encontra senão a algu­mas dezenas de metros de um lado e de outro da fis­sura, tão grande é a quantidade de calorias neces­sária para a fundir.

Se não se encontram cristas semelhantes sob os oceanos é porque a ausência de uma tal bainha lateral permitiu aos produtos ejectados espalharem-se em lugar de se empilharem em impressionantes declives. Estas erupções fissurais — que ao contrário das erupções ditas cen­trais nunca se verificam de novo através de uma mesma fractura – dão apenas origem a relevos pouco marcados, que mal se distinguem nos perfis de ecossondagens.

Fonte : Le Volcanisme et sa prévention. Haroun Tazieff et Max Derruau. Masson

 

A calma e pacata vida na Islândia