Quando a vida quase desapareceu….

Janeiro 16, 2009

 

Um livro que encontrei por acaso.

O recente relatório do Conselho Árctico sobre os efeitos do aquecimento global no extremo norte do planeta mostra um panorama desolador: inundações globais, extinção dos ursos polares e outros mamíferos marinhos e o colapso de áreas de pesca. Mas o relatório ignorou uma bomba-relógio prestes a explodir, enterrada nas tundras do Árctico.

Há enormes quantidades de gases de efeito estufa geradas pela natureza, aprisionados sob a forma de misturas geladas de gases hidratados nos pântanos frios do norte e no fundo dos mares. Essas misturas, chamadas de “clathrates” em inglês, contêm mais de três mil vezes metano do que a atmosfera. E o metano é um gás mais de vinte vezes superior ao dióxido de carbono em termos de contribuição para o chamado efeito estufa.

Agora vem a parte mais assustadora. Um aumento de alguns poucos graus na atmosfera poderá fazer com que esses gases se tornem voláteis e sejam liberados para a atmosfera, causando um novo aumento na temperatura do planeta, que por sua vez irá estimular a liberação de mais metano, aumentando mais a temperatura da Terra e dos oceanos, e assim por diante. Há 400 bilhões de toneladas de metano aprisionadas nas tundras congeladas das regiões árcticas – o suficiente para desencadear essa reacção em cadeia – e o tipo de aquecimento previsto pelo Conselho Árctico é suficiente para derreter as “clathrates” e liberar estes gases de efeito estufa na atmosfera.

Uma vez iniciado, esse círculo vicioso iria resultar em um aquecimento totalmente descontrolado do globo.
Há fortes evidências geológicas que sugerem que algo similar já aconteceu por duas vezes antes. E é deste tema que Michael Benton nos fala neste livro.  A mais recente dessas catástrofes aconteceu por volta de 55 milhões de anos atrás, no que os geólogos chamam de Evento Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno (PETM, em inglês), quando a liberação intensiva de metano causou um rápido aquecimento e extinções em massa, trazendo caos ao clima por mais de 100 mil anos.
O precursor dessas catástrofes aconteceu  há 251 M.a., no fim do período Pérmico, quando uma série de liberações de metano quase acabou com todas as formas de vida na Terra.
Mais de 94% das espécies marinhas presentes nos registos fósseis desapareceram repentinamente por causa do decréscimo abrupto dos níves de oxigénio e a vida na Terra esteve à beira da extinção. Nos 500 mil anos seguintes, algumas poucas espécies lutaram para sobreviver num ambiente hostil. Levou-se 20 a 30 milhões de anos para que os então rudimentares recifes de coral se recuperassem e para que as florestas voltassem a crescer. Em algumas áreas, levou-se mais de 100 milhões de anos até que os ecossistemas locais recuperassem a sua diversidade original.

O geólogo Michael J. Benton apresenta as evidências científicas para essa tragédia sem precedentes em seu recente livro When Life Nearly Died: The Greatest Mass Extinction of All Time. Assim como no PETM, os gases de efeito estufa, constituídos em grande parte pelo dióxido de carbono oriundo do aumento da atividade vulcânica, aqueceu a terra e os mares em níveis suficientes para liberar quantidades gigantescas de metano dos “clathrates”, disparando um efeito estufa incontrolável.
Qual a causa de toda essa catástrofe? Terá sido esta a razão? 

Mais uma a juntar as hipóteses de Impacto e de Vulcanismo?

Michael J. Benton é professor de Paleontologia dos Vertebrados no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, Reino Unido. Tem desenvolvido investigações relacionadas com a evolução de répteis do Triássico. Tem trabalhos publicados sobre extinções e alterações faunísticas no registo geológico.

É também autor de livros relacionados com a paleontologia e livros infantis. Colaborou ainda com a BBC na série  Walking with Dinosaurs.

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Darwin. Mais Darwin…

Novembro 19, 2008

Ainda há tempo para ler … Darwin

Outubro 25, 2008

 

Mais um livro importante da Gradiva, colecção Ciência Aberta. Escrito pela biógrafa de referência de Charles Darwin, a professora de História da Ciência, Janet Browne.É uma leveza a leitura deste livro que nos conta o essencial do trabalho de Darwin, e um bom livro para catalizar o interesse pelas Ciências da Terra.

Agora que se aproxima a época de Natal e de feiras do livro em muitas escolas, este livro é uma boa ideia, tão boa quanto a “perigosa ideia que Darwin teve“.

Um pequeno excerto da obra:

“(…)Darwin tornou-se também membro da Geological Society of London, onde conheceu Charles Lyell e onde apresentou três pequenos artigos nos quais descrevia algumas das suas descobertas geológicas. Este último ficou radiante por encontrar um tão grande apreciador dos seus Princípios da Geologia e os dois tornaram-se amigos íntimos. Tudo na personalidade de Lyell estava em harmonia com a de Darwin. «Passei mais tempo com Lyell do que com qualquer outro homem, tanto antes como depois do meu casamento […] Ele sentia um fascínio ardente pela ciência e o mais profundo interesse pelo progresso futuro da humanidade. Era um homem muito bondoso e extremamente liberal nas suas crenças religiosas, ou antes, na sua falta de crenças; mas era um teísta convicto. A sua candura era admirável.»

Percebem agora os meus alunos de décimo ano, a razão de referir Darwin no “raciocínio geológico”, a par de Hutton e Lyell?

Pode a Geologia viver sem uma base evolucionista?

 

 

 


Problemas de Nariz

Março 29, 2008

13 milhões é o espantoso número de pares de base do ADN nuclear que uma equipa internacional de cientistas decifrou a partir de um grama de osso retirado de um mamute lanoso extraído de um permafrost siberiano. Esta quantidade de informação é mil vezes superior àquela conseguida através do estudo do ADN mitoncondrial. A análise genética revela que este mamute que vivia há 28 000 anos, era uma fêmea e que partilha 98,5 % do seu ADN com o actual elefante de África. No entanto, este estudo não permite estabelecer a filiação do mamute, extinto há 4 000 anos.

Milhares de anos após o último mamute lanoso caminhar pela tundra, num feito extraordinário os cientistas sequenciaram 50% do genoma nuclear do animal. Tentativas iniciais de desvendar o ADN desses ícones da Era do Gelo produziram somente quantidades mínimas de código genético. O novo trabalho destaca, pela primeira vez, que boa parte do material genético do mamute extinto foi recuperado. Esse facto não só foi fundamental para a compreensão da história evolutiva dos mamutes como também representou um grande passo para a concretização do sonho da ficção científica: ressuscitar animais extintos.

Investigadores liderados por Webb Miller e Stephan C. Schuster, da Pennsylvania State University, extraíram o ADN de pêlos de dois mamutes lanosos siberianos e analisaram a amostra num aparelho de sequenciamento genético automático. Anteriormente, a maior quantidade de ADN de uma espécie extinta era formada por 13 milhões de pares de bases – muito menos que l % do genoma. Na edição de 20 de novembro de 2008 da Nature, a equipa relata ter obtido mais de 3 bilhões de pares de bases. “É uma revolução técnica”, observa Hendrik N. Poinar, da Universidade McMaster, no Ontario (Canadá), especialista em ADN de espécies antigas.
A interpretação da sequência ainda é incipiente, mas os resultados ajudaram a derrubar uma ideia há muito estabelecida sobre o passado do proboscídeo. Do conhecimento transmitido de longa data, surgiu a ideia de que o mamute lanoso foi o último espécime de uma linha de espécies, na qual cada uma gerava a seguinte, com a permanência de apenas uma espécie durante um determinado período. O ADN nuclear revela que os dois mamutes que produziram o ADN eram bem diferentes e, ao que tudo indica, pertenciam a populações que divergiram há 1,5 ou 2 milhões de anos. Essa descoberta confirma os resultados de um estudo sobre uma amostra relativamente pequena de ADN presente em organelos produtores de energia das células – chamada de ADN mitocondrial, que sugere a coexistência de múltiplas espécies de mamutes lanosos. “Parece ter havido uma especiação que não conseguimos detectar antes, usando apenas fósseis”, observa Ross D. E. MacPhee, do Museu Americano de História Natural, em Nova York.
O genoma do mamute ainda resume-se a pedaços muito pequenos e ainda não pode ser montado. Os investigadores aguardam que a sequenciação do genoma do elefante africano da savana – parente do mamute lanoso – seja completado, pois isso ajudaria na reconstrução do genoma do animal extinto.
De posse dos genomas completos do ma¬mute e de seu parente mais próximo vivo, o elefante asiático, os cientistas poderão fazer o mamute voltar à vida. “Há um ano eu disse que isso era ficção científica”, comenta Schuster. Mas com o resultado obtido pelo sequenciamento ele acredita que é possível modificar geneticamente o ADN de um embrião de elefante – para torná-lo parecido com seu primo peludo -, substituindo artificialmente trechos de seu código genético. Com base nas comparações iniciais de ADN do mamute e do elefante, Schuster estima que cerca de 400 mil mudanças poderiam criar um animal muito parecido com um mamute; já para uma réplica exacta seriam necessários vários milhões.
A recente clonagem de camundongos (ratos) congelados não se aplica a mamutes lanosos, acredita Schuster, porque os camundongos são pequenos e congelam rapidamente; a carcaça do mamute deve levar muitos dias para o completo congelamento e essa demora pode degradar o ADN a ser clonado.
Os biólogos procuram obter rapidamente informações detalhadas que possam elucidar vários mistérios, por exemplo, como os mamutes lanosos se adaptaram ao ambiente gelado e que factores provocaram sua extinção. Miller observa que, estudando genomas de vários mamutes de diferentes períodos, os investigadores poderão mapear a diminuição da diversidade genética e analisar como o declínio da diversidade se relaciona com o declínio dos animais. O desaparecimento de mamutes e de outras espécies pode se útil em estudos da fauna moderna em perigo de extinção.

Scientific American – Fev. 2008mamute.jpg

Na revista National Geographic de Abril um artigo acerca dos primos extintos dos elefantes. Estou a escrever é claro dos mastodontes e mamutes que além de deliciarem os nossos pequenos no filme “Idade do Gelo, I e II”, também deliciam todos aqueles que se interessam pela Geologia e Biodiversidade. Pois… parece que no tempo deles o clima também sofreu alterações… seriam eles poluentes??

http://nationalgeographic.pt/sumario.jsp?id=1559396

Ainda para saber mais sobre a extinção dos Mamutes :

http://correia.miguel25.googlepages.com/paleontologia


Dinossauro Carnívoro do Níger (Notícia do Público- 13/12/07)

Dezembro 13, 2007

dinossaurio-carnivoro-no-niger.jpg