Geomagnetismo e Geocronologia

Junho 24, 2008

 

O nosso planeta possui um campo magnético que, possivelmente, resulta do movimento dos fluidos metálicos do núcleo exterior em fusão. Este movimento gera correntes eléctricas fracas que, em interacção com a rotação mecânica do fluido, associada ao movimento de rotação do planeta, gera um campo magnético auto-sustentável.

Alguns materiais rochosos têm estruturas atómicas que mudam sob a influência de um campo magnético, ficando as suas partículas orientadas relativamente às linhas de força magnética.

Se a modificação induzida na orientação das partículas persistir, o material retém as suas propriedades magnéticas depois do campo magnetizante ter sido afastado.Assim, algumas rochas tornam-se magnetizadas pela influência do campo magnético da Terra na altura da sua formação (por solidificação dos materiais magmáticos ou, em menor escala, por sedimentação).Retêm então um registo fóssil do campo magnético terrestre (paleomagnetismo) tal como existia no local e no momento da sua formação. Através de estudos de magnetismo fóssil de rochas de várias idades, foi possível estabelecer que o campo magnético terrestre tem sofrido ao longo do tempo geológico inversões completas, tendo o pólo norte magnético passado a ser pólo sul magnético e vice-versa.

Os estudos de magnetismo terrestre foram determinantes para a elaboração de modelos de expansão do fundo oceânico que haveriam de sustentar a teoria geral da tectónica de placas.

Geocronologia
Em época de exames surgem dúvidas e mais dúvidas nos nossos alunos. Perguntaram-me como era possível datar os fósseis. E a datação seria absoluta ou relativa.
A minha resposta possível:

Há muito que sabemos como dispor os fósseis de acordo com a sua ordem de depósito. O método está inerente à palavra «depósito». Os fósseis mais recentes estão obviamente depositados em cima, e não em baixo dos fósseis mais antigos e encontram-se consequentemente acima deles nos sedimen-tos rochosos (Hutton e Steno). Por vezes, as erupções vulcânicas podem revolver grandes pedaços de rocha e a ordem em que se encontram os fósseis à medida que se escava pode, é claro, estar invertida por completo; mas isto é suficientemente raro para a sua ocorrência ser evidente. Aliás em Geologia de 11º não se dão exemplos de camadas invertidas. Embora raramente se encontre um registo histórico completo à medida que se vai escavando nas rochas de determinada zona, pode reconstituir-se um bom registo a partir das porções sobrepostas de diferentes zonas (na realidade, embora eu use a imagem de «escavar», os paleontólogos raramente escavam literalmente os diversos estratos; é mais provável encontrarem os fósseis quando são expostos pela erosão, a várias profundidades).

Muito antes de saberem como datar os fósseis com efectivos milhões de anos, os paleontólogos tinham inventado um esquema fiável para as eras geológicas e sabiam com pormenor a sua sequência. Algumas espécies de conchas são indicadores tão seguros da idade das rochas que se encontram entre os principais indicadores utilizados pelos prospectores de petróleo em campo. Por si sós, no entanto, apenas nos podem falar das idades relativas dos estratos de rochas, nunca das suas idades absolutas.

 

Mais recentemente, os avanços da física deram-nos métodos que nos permitem atribuir datas absolutas, em milhões de anos, às rochas e aos fósseis nelas contidos. Estes métodos dependem do facto de determinados elementos radiactivos se desintegrarem a velocidades rigorosamente conhecidas.

É como se cronógrafos miniaturizados de precisão tivessem sido convenientemente enterrados nas rochas. Cada cronógrafo foi posto a funcionar no momento em que foi depositado. Tudo o que o paleontólogo tem de fazer é desenterrá-lo e fazer a leitura do tempo registado no mostrador. Os diversos tipos de cronógrafos geológicos radiactivos baseados na desintegração funcionam a diferentes velocidades.

http://docs.thinkfree.com/docs/view.php?dsn=846340

 

 

 

 


A medida do Tempo e a Idade da Terra (Curiosidades)

Maio 17, 2008

Eras e Períodos, são para saber professor?

 
Sim, as Eras são para saber, trata-se de conteúdos obrigatórios no programa de Biologia e Geologia, os períodos são para saber se o exame for feito em Espanha. Mas há uma forma fácil de aprender os Períodos. A Biologia e Geologia utilizam termos que derivam de palavras gregas e do latim, e apesar de não ser necessário saber latim nem grego no ensino das ciências, algumas palavras dão muito jeito. Alguns exemplos.
 
Os dois períodos mais antigos do Paleozóico são o Câmbrico e o Silúrico. Assim foram designados por dois geólogos britânicos, Adam Sedwick e Roderick Murchison, que estudaram estratos no País de Gales. O termo Câmbrico deriva de Cambria a palavra latina para Gales e Silúrico vem do nome de uma tribo celta do País de Gales, os Siluros. Estes dois geólogos acabaram por desentenderem-se porque Murchinson considerava que o Silúrico incorporava o Câmbrico. Professor, aqui no livro entre o Câmbrico e o Silúrico surgue o Ordovícico! Pois é, um outro geólogo, Charles Lapworth, eventualmente terá resolvido o conflito entre os dois amigos galeses, através da criação do, Ordovícico! Mas foram sem dúvida Sedwick e Murchison que  por volta de 1830 lançaram a semente da escala geológica moderna.   
 
E de onde vem a palavra Cretácico e Jurássico?
 
Rochas com idade Cretácica, foram inicialmente identificadas no Reino Unido e  França, em litologias de crés. A cré é um calcário branco, muito macio e poroso composto essencialmente por carbonato de cálcio sob a forma de calcite. O  termo francês é muito semelhante ao nosso e em inglês denomina-se Chalk, uma das primeiras palavras que aprendi em inglês, significa Giz! Um dos mais famosos depósitos de cré localiza-se em Dover na Inglaterra, um geomonumento, The White Cliffs of Dover. Mas Cré e Chalk derivam de uma palavra latina, creta, da qual ambas derivam. Mas este calcário branco tem mais histórias. No inicio do século vinte, os geólogos concluiram que esta cré, ter-se-à formado ao longo de milhões de anos pela sedimentação no fundo marinho de milhões de organismos microscópicos chamados foraminíferos, cuja concha é formada por calcite. Na formação da concha os foraminiferos retiram o  dióxido de carbono da atmosfera. Após a sua morte e por sedimentação estas conchas formaram leitos espessos no fundo marinho, constituindo esta variadade de calcário. Esta rocha mantém fixada no seu interior grandes quantidades de dióxido de carbono removido pelos foraminíferos à atmosfera. É um bom exemplo das relações entre os subsistemas Geosfera, Atmosfera e Biosfera.
O nome Jurássico, foi dado por Alexandre Brongniart a um extenso afloramento de calcários marinhos nas Montanhas do Jura, localizadas na fronteira da Alemanha, França e Suíça.
 

 

Bibliografia
STANLEY. Steven (2005)  – Earth System History. Freeman.Nova Iorque.
 

 Falésias Brancas de Dover (Reino Unido)

 
 

 

 

 


Galinhas descendem do T-Rex

Abril 27, 2008

Análises revelam que temível dinossauro não é mais do que um galináceo crescido.

Fonte : Revista Science

Outros Monstros (neste caso, Marinhos)

monstros-marinhos.jpg

http://science.nationalgeographic.com/science/photos/permian-period/dinogorgon-skull.html

 

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http://www.nationalgeographic.com/seamonsters/photogallery/ammonites.html

 

Dinossauros e os autocarros de dois andares!

24638.jpgSegundo um artigo publicado quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, o ‘Carcharodontosaurus iguidensis’ foi um dos maiores dinossauros carnívoros bípedes descobertos até agora. Teria de 13 a 14 metros de comprimento e seria mais alto do que um autocarro de dois andares. O seu crânio mediria cerca de 1,75 metros de comprimento e os seus dentes seriam do tamanho de bananas.

Steve Brusatte, estudante da Universidade de Bristol, explica que a espécie agora identificada é afinal ‘prima’ do já conhecido ‘Carcharodontosaurus saharicus’, cujos primeiros restos foram descobertos em 1920, mas apenas consistiam em dois dentes que foram entretanto perdidos.

Segundo o principal autor do artigo, outros restos deste ‘Carcharodontosaurus saharicus’ foram descobertos no Saara marroquino e descritos nos anos 30 do século passado, mas acabaram por ser destruídos quando a cidade de Munique, na Alemanha, foi bombardeada em 1944. “Desde então, um crânio de Carcharodontosaurus saharicus apareceu no sahara marroquino e foi descrito há uma década. Como podem ver, as provas deste dinossauro são muito raras!”, afirma.

O fóssil agora identificado como uma nova espécie de ‘Carcharodontosaurus’ diferente da do Sahara foi encontrado em 1997 noutra região de África durante uma expedição ao Níger liderada por Paul Sereno, da Universidade de Chicago, co-autor deste trabalho. Os restos mostram numerosas diferenças em relação aos fósseis encontrados em Marrocos, permitindo a Bursatte nomeá-lo como ‘Carcharodontosaurus iguidensis’.

Há 95 milhões de anos

Inclui muitas peças do crânio: partes do focinho, maxilar inferior e caixa cerebral, assim como partes do pescoço. A nova classificação mostra que um número de espécies diferentes de grandes terópodes, dinossauros bípedes e carnívoros, viveram simultaneamente em África há 95 milhões de anos.

Dois outros mega-carnívoros são conhecidos por terem habitado o ecossistema do Sahara ao mesmo tempo: o ‘Spinosaurus’, uma criatura com barbatana dorsal que pode ter crescido mais de 18 metros de comprimento, e o ligeiramente mais pequeno ‘Abelisaurid’, terópode caracterizado por membros traseiros atarracados e extensiva ornamentação nos ossos do crânio.

Ambos podiam chegar até cerca dos nove metros de altura. Brusatte explica que o mundo cretáceo de há 95 milhões de anos atrás foi o tempo de alguns dos maiores níveis atingidos pelo mar e dos climas mais quentes na história da Terra. “Parece que mares de pouca profundidade dividiam Marrocos e o Níger, permitindo a separação evolucionária de espécies nas duas regiões”, realça.

“Isto tem implicações para o mundo de hoje no qual as temperaturas e os níveis do mar estão a aumentar. É precisamente pelo estudo destas espécies de ecossistemas que podemos esperar compreender como o nosso mundo moderno pode mudar”, conclui.


Problemas de Nariz

Março 29, 2008

13 milhões é o espantoso número de pares de base do ADN nuclear que uma equipa internacional de cientistas decifrou a partir de um grama de osso retirado de um mamute lanoso extraído de um permafrost siberiano. Esta quantidade de informação é mil vezes superior àquela conseguida através do estudo do ADN mitoncondrial. A análise genética revela que este mamute que vivia há 28 000 anos, era uma fêmea e que partilha 98,5 % do seu ADN com o actual elefante de África. No entanto, este estudo não permite estabelecer a filiação do mamute, extinto há 4 000 anos.

Milhares de anos após o último mamute lanoso caminhar pela tundra, num feito extraordinário os cientistas sequenciaram 50% do genoma nuclear do animal. Tentativas iniciais de desvendar o ADN desses ícones da Era do Gelo produziram somente quantidades mínimas de código genético. O novo trabalho destaca, pela primeira vez, que boa parte do material genético do mamute extinto foi recuperado. Esse facto não só foi fundamental para a compreensão da história evolutiva dos mamutes como também representou um grande passo para a concretização do sonho da ficção científica: ressuscitar animais extintos.

Investigadores liderados por Webb Miller e Stephan C. Schuster, da Pennsylvania State University, extraíram o ADN de pêlos de dois mamutes lanosos siberianos e analisaram a amostra num aparelho de sequenciamento genético automático. Anteriormente, a maior quantidade de ADN de uma espécie extinta era formada por 13 milhões de pares de bases – muito menos que l % do genoma. Na edição de 20 de novembro de 2008 da Nature, a equipa relata ter obtido mais de 3 bilhões de pares de bases. “É uma revolução técnica”, observa Hendrik N. Poinar, da Universidade McMaster, no Ontario (Canadá), especialista em ADN de espécies antigas.
A interpretação da sequência ainda é incipiente, mas os resultados ajudaram a derrubar uma ideia há muito estabelecida sobre o passado do proboscídeo. Do conhecimento transmitido de longa data, surgiu a ideia de que o mamute lanoso foi o último espécime de uma linha de espécies, na qual cada uma gerava a seguinte, com a permanência de apenas uma espécie durante um determinado período. O ADN nuclear revela que os dois mamutes que produziram o ADN eram bem diferentes e, ao que tudo indica, pertenciam a populações que divergiram há 1,5 ou 2 milhões de anos. Essa descoberta confirma os resultados de um estudo sobre uma amostra relativamente pequena de ADN presente em organelos produtores de energia das células – chamada de ADN mitocondrial, que sugere a coexistência de múltiplas espécies de mamutes lanosos. “Parece ter havido uma especiação que não conseguimos detectar antes, usando apenas fósseis”, observa Ross D. E. MacPhee, do Museu Americano de História Natural, em Nova York.
O genoma do mamute ainda resume-se a pedaços muito pequenos e ainda não pode ser montado. Os investigadores aguardam que a sequenciação do genoma do elefante africano da savana – parente do mamute lanoso – seja completado, pois isso ajudaria na reconstrução do genoma do animal extinto.
De posse dos genomas completos do ma¬mute e de seu parente mais próximo vivo, o elefante asiático, os cientistas poderão fazer o mamute voltar à vida. “Há um ano eu disse que isso era ficção científica”, comenta Schuster. Mas com o resultado obtido pelo sequenciamento ele acredita que é possível modificar geneticamente o ADN de um embrião de elefante – para torná-lo parecido com seu primo peludo -, substituindo artificialmente trechos de seu código genético. Com base nas comparações iniciais de ADN do mamute e do elefante, Schuster estima que cerca de 400 mil mudanças poderiam criar um animal muito parecido com um mamute; já para uma réplica exacta seriam necessários vários milhões.
A recente clonagem de camundongos (ratos) congelados não se aplica a mamutes lanosos, acredita Schuster, porque os camundongos são pequenos e congelam rapidamente; a carcaça do mamute deve levar muitos dias para o completo congelamento e essa demora pode degradar o ADN a ser clonado.
Os biólogos procuram obter rapidamente informações detalhadas que possam elucidar vários mistérios, por exemplo, como os mamutes lanosos se adaptaram ao ambiente gelado e que factores provocaram sua extinção. Miller observa que, estudando genomas de vários mamutes de diferentes períodos, os investigadores poderão mapear a diminuição da diversidade genética e analisar como o declínio da diversidade se relaciona com o declínio dos animais. O desaparecimento de mamutes e de outras espécies pode se útil em estudos da fauna moderna em perigo de extinção.

Scientific American – Fev. 2008mamute.jpg

Na revista National Geographic de Abril um artigo acerca dos primos extintos dos elefantes. Estou a escrever é claro dos mastodontes e mamutes que além de deliciarem os nossos pequenos no filme “Idade do Gelo, I e II”, também deliciam todos aqueles que se interessam pela Geologia e Biodiversidade. Pois… parece que no tempo deles o clima também sofreu alterações… seriam eles poluentes??

http://nationalgeographic.pt/sumario.jsp?id=1559396

Ainda para saber mais sobre a extinção dos Mamutes :

http://correia.miguel25.googlepages.com/paleontologia


Dinossauro Carnívoro do Níger (Notícia do Público- 13/12/07)

Dezembro 13, 2007

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