Energia Nuclear

Maio 16, 2010


Uma questão de números

Julho 28, 2009

As energias renováveis não são a solução para o problema energético. Pelo menos no estado actual de desenvolvimento das diferentes tecnologias. São um contributo importante para a redução da nossa dependência energética, mas a solução continua a passar pelos combustíveis fósseis e pelo nuclear.

As energias renováveis apresentam dois grandes pontos fracos : exigem grandes áreas, e são intermitentes. Vamos a números. Os dados que apresento são retirados da revista Science & Vie nº 1086, Março 2008.

Uma cidade como Paris necessita de 3,65 GW.

 1º – Problema de território (área)

Nuclear – 0,2 km2

Energia solar – 91.125 km2

Hidroeléctricas – 364,5 km2

Eólica – 454 km2

Biomassa – 3037 km2  (superfície a cultivar)

 O espaço ocupado acarreta problemas de ordenamento de território. Os valores das renováveis são colossais.

 2º – Problema de intermitência (tempo efectivo durante o qual a energia é produzida)

Nuclear – 312 dias (85%)

Energia Solar – 44 dias (12%)

Energia Eólica – 92 dias (25%)

Hidroeléctrica – 139 dias (38%)

Biomassa – 275 dias (75%)

A energia renovável mais próxima do nuclear é a biomassa, mas…, cultivar para energia, não se produz para comer!!!

 Campo de Colza na China para produção de biocombustíveis. Onde antes eram campos de arroz agora temos “biodiesel”, com os chineses a importarem arroz.


Auto-suficiência Energética Portuguesa

Março 22, 2009

“A dependência do gás russo e o fim das reservas do mar do Norte obrigam a Europa a adoptar, de novo, a energia nuclear. Grã-Bretanha, Itália, Filândia e até a insuspeita Suécia são dos que já secumbiram à tentação.” João Dias Miguel – Visão 5 de Março 2009

Alguns dados interessante sobre os recursos energéticos em Portugal.

1) Da tabela abaixo, Portugal importa grande parte dos recursos energéticos que consome, o que nos torna fortemente dependentes do exterior, fragilizando a nossa economia.
2) As fontes energéticas utillizadas em Portugal são os Combustíveis Fósseis : Petróleo e Carvão.

3) Intensidade energética elevada e crescente: A intensidade energética (consumo de energia/PIB) degradou-se continuamente desde 1970, tendo Portugal entre 1992 e 2002 o maior crescimento no consumo de energia primária e de energia eléctrica per capita da Europa a 25 (Eurostat). Quanto maior a intensidade energética das actividades económicas maior a sua vulnerabilidade à flutuação dos preços da energia (em 2005, só em importações em petróleo, a factura energética aumentou mais de 1500 milhões de euros face a 2004, totalizando cerca de 6 mil milhões de euros, perto de 14% do PIB. Valores a que se somam as facturas de importação de carvão e gás natural, cujo preço mundial tem disparado).

4) Em termos mundiais : nas próximas décadas, os combustíveis fósseis continuarão a dominar, devendo responder a cerca de 80% das necessidades energéticas ainda em 2030, relegando cerca de 11% para as energias renováveis (excluindo a hídrica), mas somando a eólica, a solar, a biomassa, a geotérmica, e outras. O restante (cerca de 9%) será assegurado pelas energias nuclear e hídrica. Assim, apesar do seu crescimento, as energias renováveis continuarão a representar pouco em termos relativos face aos combustíveis fósseis, os quais registarão um aumento da sua procura. Todas as fontes de energia devem ser utilizadas.  

5) Perante a ausência de reservas de petróleo, de carvão ou de gás natural, Portugal importa mais de 80% da energia que consome (sobretudo petróleo), segundo dados da Direcção-Geral de Geologia e Energia. Por outro lado, o consumo final de energia tem aumentado no país, passando de 27 751 GW por hora em 1994 para 45 498 GW por hora em 2004 (um crescimento superior a 60% numa década), com especial incidência nos sectores dos transportes e da indústria.

Mas quanto se produz realmente com a energia consumida? Esta relação é estabelecida pela medida da “intensidade energética”. Este é um conceito que permite avaliar a quantidade de energia necessária para produzir uma determinada unidade de riqueza (dividindo, por exemplo, a energia consumida num determinado país pelo respectivo Produto Interno Bruto). Seja pelos efeitos da poluição e do aquecimento global, seja simplesmente por um critério económico, o interesse das economias é a maior eficiência possível no uso da energia. Contrariamente à tendência da União Europeia, Portugal tem vindo a aumentar a sua intensidade energética nos últimos anos, ou seja, gastamos cada vez mais energia para produzirmos a mesma unidade de riqueza.

O que não queremos : Nuclear.

O que não temos : combustíveis fósseis.

O que exportamos : “combustível nuclear” (recursos geológico não renovável) – Urânio.

Mais um dado : Auto-suficiência energética mundial, é bom olhar para esta tabela e ver quem na Europa tem produção de energia nuclear – por acaso a energia nuclear não produz Dióxido de Carbono, – sim aquele que é acusado de aquecimento global.

Mais outro dado : Portugal importa energia de França. Qual a sua proveniência : Nuclear.

Notícia da assinatura próxima em Paris de um acordo tripartido que coloca fim ao diferendo com a Espanha sobre a importação de energia eléctrica francesa por Portugal. O acordo conserva no essencial a proposta portuguesa de 1987 e é válido por cinco anos a partir de 1 de Junho de 1990. Expresso (30-12-1989)

Finalmente: Alemanha, Suécia, Filândia, icones do ambientalismo de o naturalmente correcto, têm produção nuclear. Nuclear verde?

 

 

 

Será correcto vendermos Urânio, recurso não renovável, não tendo nuclear?

Será correcto as próximas gerações quererem nuclear e terem de importar Urânio?


O futuro é também o nuclear

Março 3, 2009

Em 2050 a Terra poderá contar mais 2 a 3 biliões de seres humanos.Como poderão ser satisfeitas as necessidades de água, alimentos e energia, para estes biliões que aí vêm?

Com o barril perto dos 100 dolares,  situação geoestratégica complicada, o mundo acorda lentamente para a complicada situação da sustentabilidade de recursos geológicos e biológicos.

 

A crise pode ter chegado.

Este ano quem fechou a torneira do gás natural à Europa? Terá sido a Ucrânia ou a Rússia? Portugal um país que tem apostado no gás natural vai buscá-lo onde? Ao norte de África, uma região politicamente “estável”.

 Portugal, um país que aposta no renovável, e recusa o nuclear, disseram-me esta semana, vende “ao desbarato” os nossos recursos radioactivos, e quando compra energia, compra a Espanha e a França. De que origem? Provavelmente será do nuclear. 

Numa semana em que ouvi falar do futuro promissor do Carvão, lembrei-me deste livro de Anne Lauvergeon (ainda não traduzido para português).

Um livro que procura resposta para uma pergunta “simples” : como produzir electicidade a custos modestos sem agravar o efeito de estufa, e obter a energia que o mundo tem falta? 

 Uma terceira revolução energética está já em marcha. As duas primeiras, recordo, a do carvão e a do petróleo, conduziram à conquista da Terra política, das zonas estratégicas, das riquezas, mas também da criação de “Hugos Chavez” por esse mundo fora. 

Mas as reservas conhecidas e por conhecer pouco mais poderão dar ao Homem que mais umas décadas. O carvão, mais democraticamente distribuido pode dar uma ajuda final ao império dos hidrocarbonetos.

 

Mas, desta crise energética, nasceu a necessidade de proteger o nosso planeta, e esta terceira revolução passa muito pela produção de energia mais justa, mais responsável e mais durável. E que energia defende “Atom Anne” ?

A mais herética, a menos politicamente correcta das energias disponíveis, aquela que não queremos falar, aquela que durante décadas de fanatismo verde, fez germinar em todos nós o medo do terror nuclear. E Anne, neste livro vem por na balança energética, ao lado das “novas energias” (solar, eólica, biomassa, …) aquela que poderá responder às nossas necessidades – a energia nuclear.  Para Anne Lauvergeon,  todos recursos energéticos vão fazer falta quando o último “motor de combustão” for desligado. Todas têm lugar na terceira revolução energética e uma verdadeira  política energética europeia (pelo menos para nós portugueses) torna-se um dever dos responsáveis políticos da União Europeia.


Recursos Geológicos – Energia Nuclear

Julho 17, 2008

Segundo a legislação portuguesa, entende-se por recursos geológicos ‘todos os bens de natureza geológica existentes na crusta terrestre e que são passíveis de aproveitamento. Qualquer substância de natureza geológica [sólida, líquida ou gasosa], ou mesmo o calor geotérmico, pode ser classificada como recurso geológico. 

O aproveitamento desses recursos depende da sua concentração na crusta terrestre, de modo a permitir a rentabilidade da sua exploração. Os recursos geológicos de um país existem na parte acessível da crusta terrestre e podem ser identificados ou não identificados. Denomina-se reserva um recurso geológico conhecido que possa ser explorado, quer do ponto de vista legal quer económico.

Para que serve o urânio?

Urânio => Energia = capacidade de trabalho

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O que é o urânio? Como Funciona? (Versão em inglês)

  • Urânio é um metal muito pesado que pode ser utilizado como fonte energética muito concentrada.
  • Ocorre na maioria das rochas em concentrações de 2 a 4 ppm (partes por milhão), sendo muito comum na crosta terrestre associado a estanho, volfrâmio e molibdénio. Ocorre na água do mar e pode ser removido dos oceanos.
  • Foi descoberto em 1789 por Martin Klaproth, um químico alemão, num mineral chamado de Pecheblenda. O nome deriva de Urano, planeta descoberto oito anos antes.
  • O urânio terá tido origem numa supernova há cerca de 6.6 bilioões de anos. Não é comum no Sistema Solar, mas o seu decaímento radioactivo é hoje uma fonte de energia do interior da Terra, sendo responsável pelas correntes de convecção e motor da Tectónica de Placas.
  • A elevada densidade do Urânio tem inúmeras utilizações tecnológicas.
  • O ponto de fusão do Urânio  1132°C.
  • Símbolo químico U.

Urânio em Portugal

Mina da Urgeiriça (Portugal) – Para consultar um post antigo sobre esta mina portuguesa clique aqui.

http://www.teachertube.com/view_video.php?viewkey=88b773325a13afcf63c5

 

A Iberian Resources, o Grupo Rio Narcea e duas outras empresas estrangeiras querem explorar urânio em Portugal. A subida acentuada, desde o final de 2004, das cotações do minério justifica o interesse. Para muitos, o ressuscitar da exploração é uma boa notícia para a economia nacional.

Portugal deixou oficialmente de produzir urânio em 2001. Em Abril de 2005, a Iberian Resources apresentou uma proposta ao Ministério da Economia para fazer prospecção e pesquisa no jazigo de Nisa, Portalegre. O Estado ainda não respondeu à solicitação da empresa de capitais australianos, que, segundo o DN apurou, poderá ver o seu pedido recusado.

Entretanto, duas outras empresas ainda sem sede em Portugal apresentaram projectos, não se sabendo quais os depósitos em vista. O representante do Grupo Rio Narcea, José Castelo Branco, diz apenas que o urânio interessa, não adiantando se já fez algum pedido à tutela nesse sentido.

O Governo não tem, ao que parece, uma posição sobre o assunto. “Não há ainda uma decisão de aceitação ou de total recusa”, revelou, ao DN, fonte governamental, reconhecendo que a “barreira ambiental” poderá inviabilizar o reinício da exploração de urânio. A própria Direcção-Geral de Geologia e Energia, organismo responsável pela avaliação das propostas, não sabe como agir. “Tem de haver uma discussão, sem tabus e sem posições definidas à partida, sobre esta matéria”, acrescenta.

O facto de parte da jazida de Nisa se situar em áreas das reservas Ecológica e Agrícola Nacional poderá pôr em causa a aprovação do pedido da Iberian, reconhece Luís Martins, considerando, no entanto, que este aspecto é, por si só, insuficiente para rejeitar o projecto.

Hoje é “perfeitamente possível compatibilizar, do ponto de vista técnico, a exploração com os aspectos ambientais”, sobretudo numa altura em que as normativas europeias “sossegam todos os que ainda estão ensombrados pelos erros cometidos no passado”, acrescenta o director do Departamento de Prospecção de Rochas e Minerais Não Metálicos do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).

Não aproveitar esta oportunidade por questões ambientais seria, sublinha o geólogo, “obstar ao desenvolvimento económico”.

O preço do óxido de urânio triplicou desde 2000, altura em que atingiu o valor mais baixo em duas décadas. No início deste ano, as cotações chegaram aos 30,21 euros por libra (peso), equivalente a 66,46 euros por quilo. O que quer dizer que só em óxido de urânio, a jazida de Nisa vale mais de 43 milhões de euros.

Foi, aliás, recorrendo a estas informações que a Iberian fundamentou o seu pedido. “Propusemos, em linhas gerais, a reavaliação e confirmação dos dados existentes, passando-se para uma fase de estudos metalúrgicos e de pré-viabilidade económica”, explica, ao DN, João Carlos de Sousa, country manager da empresa de capitais australianos, detentora de contratos de prospecção e pesquisa para ouro em Évora, Montemor-o-Novo, Alter do Chão e Arronches.

Empurrão à economia nacional

Se não surgirem condicionantes “intransponíveis” à exploração, João Carlos de Sousa diz que a indústria extractiva pode impulsionar a economia nacional, “com a criação de mais emprego em zonas geralmente desfavorecidas e com o aumento da sua contribuição para o PIB”. Contudo, para que isso aconteça é fundamental que haja uma política “clara e séria para a prospecção e pesquisa”, adverte Luís Martins, criticando a ausência de resposta aos pedidos de licenciamento que ao governo vão chegando “Ainda não se definiu se queremos atrair ou não investimento para esta indústria”. Luís Viegas, antigo administrador da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU), denuncia que, não raras vezes, a “preservação ambiental é pretexto para beneficiar interesses instalados”.

Faltam incentivos e vontade de aligeirar entraves. É preciso, acima de tudo, que a actividade mineira tenha capacidade para constituir um “cluster forte que faça frente ao lobie ambiental”, afirma, por outro lado, Luís Martins.

Uma política de incentivo, que passe, designadamente, pela atribuição de benefícios fiscais às empresas mineiras, e o ajustamento da legislação que regula o sector à realidade são algumas das “fórmulas mágicas” sugeridas pelo geólogo para dar vida à indústria mineira.

O maior jazigo inexplorado

Esta mina (que equivale a cerca de 60% do potencial do Alto Alentejo) foi, em tempos, a menina dos olhos da ENU. Nisa tem o maior jazigo inexplorado alguma vez descoberto em território nacional, estando o seu potencial estimado em quase 6,3 milhões de toneladas de minério não sujeito a qualquer tratamento, 760 mil toneladas de minério seco e cerca de 650 mil quilos de óxido de urânio. O Empreendimento Mineiro de Nisa, como era designado, ocuparia uma área de 70 hectares e empregaria mais de 70 pessoas. A laboração estender-se-ia por seis anos, ao longo dos quais exploraria cerca de um milhão de toneladas por ano. O investimento necessário previsto era, então, de cinco milhões de euros (1,5 milhões para a lavra mineira, perto de três milhões para o tratamento do minério e cerca de um milhão para infra-estruturas e ambiente). Valores que não estarão totalmente desactualizados.

Luís Martins não duvida da viabilidade económica dos depósitos de Nisa. Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, diz que são os “únicos que poderão, em contexto muito favorável, vir a oferecer hipóteses para exploração”. Mas o responsável do INETI aponta ainda outros potenciais locais para reiniciar a exploração do recurso, como a Urgeiriça, Cunha Baixa (ambas na zona de Viseu) e Horta da Vilariça (Bragança). 

Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/uranio_alta_novo_folego_a_jazidas_na.html

Minas abandonadas em Portugal. Risco em zonas de minas de urânio

Num momento em que se admite reiniciar a exploração de urânio em Portugal desponta a questão da reabilitação das minas abandonadas. Um processo lento e que, decorridos mais de quatro anos desde a sua apresentação pública, pelo então ministro do Ambiente, José Sócrates, pouco ou nada avançou. O DN sabe que o Governo corre o risco de perder o financiamento comunitário para o projecto. A justificação é consensual desperdiçou-se tempo.

Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pe- la recuperação ambiental das escombreiras, aponta várias razões para o atraso. Desde logo, o facto de o POE/PRIME só ter sido aprovado em Abril de 2002 e de, no âmbito desta medida, “não terem sido acauteladas, por quem de direito, as verbas que eram necessárias para o avanço dos projectos das minas de urânio”.

Os exigidos, por parte do Ministério do Ambiente, “sucessivos” estudos e declarações de impacte ambiental consumiram, por si sós, mais de um ano, atrasando repetidamente a adjudicação de obras. Na opinião de Luís Martins, do INETI, o que correu mal foi a “instalação de um sistema de controlo altamente burocrático e ineficaz”, que permitiu a consumação de apenas um (Jales) dos quase 20 estudos realizados.

A tutela tem vindo a “arranjar para cada solução novos problemas”, denuncia aquele responsável, lamentando que existam projectos de reabilitação “feitos há muito tempo e que nunca passaram à realidade”.

No entanto, já em 1996 estas e duas outras escombreiras, Quinta do Bispo e Vale de Abrutiga, eram apontadas como “situações potencialmente muito graves, que urge serem resolvidas de imediato”, lê-se no Plano Estratégico de Ambiente, a que o DN teve acesso.

O relatório, encomendado pela antiga Empresa Nacional de Urânio, recomendava que fosse feito, “já em 1997″, um esforço de investimento, na ordem dos 65 mil contos (cerca de 325 mil euros), para implementar um “conjunto de acções prioritárias”. Mas nenhuma delas sofreu, até hoje, qualquer intervenção. Desde então, foram apenas requalificadas as explorações de ouro de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, e de cobre de S. Domingos (ainda não concluída), em Mértola. A EDM espera intervir, até 2012, em cerca de meia centena de escombreiras, mas há, em todo o País, 175 áreas afectadas pela exploração mineira antiga.

Luís Viegas, antigo administrador da ENU, sublinha que 75% do financiamento era então assegurado por fundos comunitários. Mas “as verbas não foram utilizadas e não sei se ainda podem ser”.

Permanece uma pergunta o que foi feito dos 50 milhões de euros canalizados, em 2001, pelo Programa Operacional da Economia para este projecto; dos 35 milhões locados, em Fevereiro de 2005, pelo ex-ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, para intervenções em cerca de 30 minas de urânio desactivadas; e dos 70 milhões (10,5 milhões garantidos) anunciados, cinco meses depois, pelo actual secretário de Estado adjunto da Indústria e da Inovação para a reabilitação das 61 minas de urânio?
Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/minas_abandonadas_esperam


De novo, Energia Nuclear em Portugal

Julho 17, 2008

Em discussão. O aumento do preço do petróleo e de outros combustíveis dá o mote para um novo debate sobre o nuclear. As declarações do governador do Banco de Portugal deram um impulso.

Mas o momento político também ajuda. Nuclear: sim ou não? A velha questão voltou a estar na ordem do dia.

As declarações do Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, quando, a terça-feira, apresentou as previsões da instituição para a economia portuguesa, deram um impulso à discussão. Mas o preço do petróleo é a raio que dá força a este debate, com alguns políticos e empresários a defenderem o nuclear como a solução para s problema da dependência petrolífera do país e outros a dizerem que ao é por aí que passa o futuro do sector energético português. Contudo, os custos das emissões de CO2 que o sector electroprodutor está a pagar também não é alheio a tudo isto.

E o momento político em Portugal também ajuda. Pedro Sampaio Nunes, o responsável da Energia Nuclear de Portugal – a empresa criada, há cerca de três anos, pelo empresário Patrick Monteiro de Barros para desenvolver o projecto de uma central nuclear no País – diz que não tem dúvidas que aquele vai ser um assunto a debater na campanha eleitoral das próximas legislativas a realizar em 2009. Na sua opinião, as declarações de Vitor Constâncio são também um sinal de uma certa mudança de atitude face a este assunto dentro do próprio Partido Socialista (PS).

 

Na realidade, ainda no início deste mês, a propósito da “crise” dos combustíveis, o PS sugeriu, na comissão de Assuntos Económicos da Assembleia da República, que os deputados visitassem no próximo ano parlamentar a central nuclear de Almaraz, em Espanha, e que visitassem outras unidades de produção de energia renovável. Vítor Constâncio falou da necessidade de se estudar a alternativa do nuclear como uma, entre outras, que poderá contribuir para a redução da dependência de Portugal, um problema que está a criar sérias consequências para a economia nacional. E as reacções não se fizeram esperar. Desde logo, o Governo, pela voz de Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, esclareceu, que tal como o primeiro-ministro, José Sócrates,tem vindo a dizer, este assunto não faz parte da agenda do Executivo, pelo menos até ao final da legislatura. Mas o socialista João Soares acrescentou que esta deve ser uma alternativa a estudar.

Quem não reagiu bem foram os ambientalistas. E um dos responsáveis pela elaboração do programa do Governo para a Energia, Oliveira Fernandes, prefere pensar que Vítor Constâncio só fez “aquelas afirmações por lapso”.

Não é só em Portugal que o nuclear está a ser discutido. Também a nível internacional a questão tem merecido a atenção de vários responsáveis do sector energético, entre os quais o director executivo da Agência Internacional para a Energia que disse, recentemente, que são precisas mais 32 centrais nucleares no mundo para se reduzir a dependência do petróleo.

(Diário de Notícias – Quinta-feira. 17 de Julho de 2008)

Central Nuclear de “Patrick” – Objectivo : Central nuclear para Portugal está prevista há 3 anos

Em 2005, o empresário Patrick Monteiro de Barros apresentou um projecto para a construção de uma central nuclear no país, com uma potência instalada de 16OO mega-watts, a construir em sete anos.
Um investimento, na altura de 3,5 mil milhões de euros. Mas que, segundo as contas mais recentes da empresa criada para o desenvolver, a Energia Nuclear de Portugal, já subiu para 4 mil milhões de euros .”

Porque entretanto tudo aumentou, incluindo o aço”, explicou ao DN Pedro Sampaio Nunes, o homem que fala em nome da sociedade anónima criada para o efeito.

O projecto, que visava ainda a recuperação das minas de urânio da Urgeiriça, permitia, segundo os seus promotores, a criação de 3OO postos de trabalho directos.

Na fase de construção, envolveria cerca de 3 OOO trabalhadores, explicou Pedro Sampaio Nunes. “A intenção de construir a central mantém-se e o projecto continua a ser actualizado”, assegurou aquele responsável, adiantando que a empresa já tem várias localizações estudadas, para a central, mas não as quer revelar. Agora, conclui, a central tem ainda mais condições para ser rentável.

O que é uma central nuclear? Como Funciona?
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Não é só em Portugal que o debate sobre o nuclear está latente.

Segundo dados coligidos pela World Nuclear Association (WNA), há neste momento onze países em vários continentes que não têm qualquer central nuclear em laboração ou construção – ou sequer decidida a nível político – mas nos quais existem projectos de viabilização futura deste género de energia. O rol dos que pretendem aderir ao nuclear civil (para produção de energia eléctrica) vai desde o Irão ao Egipto, passando pela, Indonésia, Tailândia ou Vietname. Bangladesh, Bielorrúsia e Turquia são os restantes. Portugal, até ver, não faz parte das estatísticas da WNA. Israel e Coreia do Norte são os restantes países citados pela WNA como não fazendo uso da sua capacidade nuclear para produzir electricidade. A maior parte dos países que já tem centrais produtoras de energia nuclear quer construir mais. As excepções à regra são a Espanha – que está a desactivar paulatinamente a sua rede de centrais – a Holanda e a Suécia. De resto, dos 30 países que actualmente têm centrais nucleares em funcionamento, 17 programou já a construção de uma ou várias. Nesta núcleo estão a França, Finlândia, Suíça, Eslováquia,Ucrânia, Roménia, Bulgária e Rússia, só para falar dos europeus. A eles se juntam Brasil, Argentina, Canadá, Estados Unidos, índia, Japão, Coreia do Sul, China e Paquistão.

Nos últimos três anos, apenas três países a nível mundial decidiram desactivar algumas das suas centrais. Trata-se da Espanha, Suécia e China.
No entanto, neste último caso, as que deixaram de produzir foram substituídas por outras centrais mais modernas. Actualmente, existem no Mundo 13 novos projectos para produzir mais eficazmente energia nuclear.

Centrais nucleares em funcionamento na Europa

Duas Opiniões – Energia Nuclear? Talvez…

Nuclear? Sim Obrigado!

Nuclear? Não Obrigado!

Um icon dos anos 80!!!

 

Problemas do Nuclear – Resíduos. Notícia do jornal “Expresso” de 26/7/08

Uma boa dose de revolta e um enorme desespero. Os habitantes das aldeias e vilas à volta do sítio nuclear de Tricastin, na parte sul do vale do rio Ródano, transmitem estes sentimentos. Desalentados, os agricultores dos arredores da pequena cidade de Bolène, a 2 km de Tricastin, praguejam contra “o- monstro”, a central de tratamento de resíduos nucleares, produtora de poluição e de más notícias que ameaçam arruinar a região.
 
 
 
 
 
 

Central Nuclear de Tricastin

 

Duas fugas “acidentais” de produtos radioactivos este mês — a ultima, esta quarta-feira, contaminou “ligeiramente”, segundo as autoridades, pelo menos 100 funcionários internos e externos da fábrica — levaram os mais fleumáticos a evocar uma “série negra”.

Vale do Ródano – França

Muitos habitantes da região lançam impropérios contra tudo e contra todos e falam ao Expresso com lágrimas nos olhos.
Já foi confirmado que os lençóis freáticos estão infectados desde há vinte anos, devido aos resíduos de uma antiga fábrica militar de enriquecimento de urânio, igualmente instalada em Tricastin. “Andámos com os nossos filhos, estes anos todos, a beber e a lavar-nos com água de um poço contaminado!”, exclama Sylvie Eymard, proprietária agrícola.
Os viticultores, os produtores de frutas e legumes e os proprietários de restaurantes e hotéis estão ameaçados de falência. “Porque a água estava conspurcada com urânio e foi proibida a rega durante um certo tempo. As cenouras, cebolas, manjericão, coentros e batatas estão enfezados”, diz Mareei Bernard, um dos 60 grandes empresários agrícolas atingidos pela poluição nuclear: “De qualquer modo, depois do que aconteceu, quem é que vai querer comprar os nossos produtos?”.
Devido à má imagem de toda a região, a cooperativa produtora do “Coteaux du Tricastin” (vinho de região demarcada) vai pedir a mudança do nome do conhecido néctar. Em Bolène (que tem 14 mil habitantes) os hotéis e os restaurantes não têm clientes. “Os turistas desapareceram!”, exclama o senhor Teixeira, bragançano e emigrante em França há 40 anos. Teixeira é dono de um pequeno café-restaurante na berma de uma estrada perto de Boléne e de Lapalud, outra das localidades que recebeu uma notificação de alerta à poluição nuclear”. O emigrante diz que as pessoas deixaram de beber água da torneira. “Os supermercados entraram em ruptura e aqui no café até o gelo para o Pastis (célebre bebida anisada, de Marselha) é feito com água mineral”, informa.
Tal como muitos outros agricultores da região, Sylvie não tem água da companhia em casa. Chegou a lavar a louça com água engarrafada nos dias que se seguiram ao primeiro alerta — na madrugada de dia 8, quando a central lançou 74 kg de urânio, devido a uma avaria, para os rios Gaffière e Lauzon. Entretanto, a câmara de Bolène instalou-lhe à porta uma barrica com água para uso doméstico.
As autoridades locais tentam desdramatizar a situação, dizendo que se encontra infectada apenas uma pequena zona, nas margens daqueles dois afluentes do Ródano. Mas a câmara de Bolène não afasta a hipótese de apresentar queixa em tribunal contra a Socrati (grupo Areva) que gere a central de Tricastin. “A manutenção da fábrica apresenta deficiências porque a direcção foi reduzindo ao longo dos anos os tempos e a capacida-de da manutenção”, diz uma sindicalista do sítio de Tricastin.
Sylvie Eymard já apresentou queixa em tribunal. Os seus poços — possui quatro na propriedade — estão todos contaminados e a ser controlados

diariamente. “As taxas de poluição variam diariamente, mas onde ela é sempre mais elevada e acima das taxas mínimas definidas pela lei é no depósito, certamente porque ficaram aí resíduos ao longo dos anos”, explica.

Jean, um francês de 8o anos de idade, que pretende instalar-se com a mulher na aprazível Cote d’Azur, dizia, nesta quarta-feira, no café do senhor Teixeira: “Tinha dois casais interessados na compra da minha casa em Bolène mas as pessoas quando ouviram as notícias, telefonaram a dizer que desistiam”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Daniel Ribeiro, jornal o “Expresso”, 26 de Julho de 2008

Ainda no Expresso

“Nuclear, não obrigado”, diz Nunes Correia

O nuclear não é uma opção para o ministro do Ambiente. Nunes Correia considera também que as organizações ambientalistas estão aquém das expectativas. A discussão sobre a opção nuclear não está na agenda do Governo. O ministro do Ambiente tem sérias reservas sobre essa opção e diz que a aposta nas energias renováveis e o uso racional de energia são o caminho que Portugal vai seguir. Como síntese da sua posição permite o antigo slogan: “Nuclear, não obrigado”.“O meu ministério tem sérias reservas sobre a opção pelo nuclear. E julgamos que a discussão está deslocada no tempo”, afirma Nunes Correia.“A aposta nas renováveis e no uso eficiente da energia projectam-se num horizonte de, pelo menos 20 anos”, salientando que Portugal é rico em fontes de energia renovável como eólica, solar (térmica e foto-voltaica), geotérmica e biomassa.
“Além dos problemas ambientais que não estão resolvidos, embora reconheça que a tecnologia não é a mesma de há 30 anos, a questão essencial é o destino final dos resíduos radioactivos”, afirmou. “Está longe de estar resolvida. O que se faz é ‘varrê-los’ para as profundidades da terra e do mar, mas sabemos que ficarão activos durante milhões de anos”, acrescentou.
Salienta também os custos escondidos apresentados pelos defensores do nuclear em matéria de ligação à rede eléctrica e desmantelamento das centrais.

 

 

 

 
 
 
 

 


Urgeiriça requalifica lixo radioactivo (Expresso 12/04/08)

Abril 13, 2008

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