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As aves são répteis!

O termo “fósseis, ou formas de transição” tem vindo a cair em desuso, pois refere-se a espécies extintas que representam um estádio intermédio entre dois grupos de organismos, e incorporam simultaneamente características ancestrais e derivadas dos mesmos.  O termo “fóssil de transição” é desadequado, tendo em conta a metodologia de classificação filogenética e o conhecimento sobre como a evolução atua.

Um fóssil que não é de transição – Archaeopteryx

Num terrível dia no final do Cretácico, um asteroide do tamanho de uma montanha embateu contra aquilo que é atualmente a costa do Iucatão, cravando-se na terra e desencadeando uma série de acontecimentos catastróficos. O final do Cretácico foi uma época de alteração global do clima do planeta com o nível dos mares a baixar, mares epicontinentais que secaram, terras separadas pela água que passaram a estar unidas e espécies novas que podiam migrar para novos territórios. Aquele embate na costa do atual México vaporizou rocha e gases nocivos espalharam-se pela atmosfera. Florestas foram obliteradas por todo o mundo e as temperaturas oscilaram de forma dramática. O impacto e as suas consequências num planeta em crise ambiental puseram fim ao reino dos dinossáurios.

Na verdade essa erradicação não foi completa  

A “Vida” encontrou uma maneira de subsistir e alguns “dinossáurios” sobreviveram à extinção. As aves modernas são o último ramo remanescente da árvore genealógica destruída dos dinossáurios, Imagem 1.

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Imagem 1 – Uma das árvores genealógicas proposta para  “família das aves”. A origem das aves dá-se a partir de dinossáurios terópodes (grupo ao qual pertence o Tyrannosaurus rex).  Não se pode afirmar que ocorre a transição dos dinossáurios para as aves, nem sequer dos répteis para as aves, pois do ponto de vista filogenético, as aves são dinossáurios e répteis. Procurar a transição entre répteis e as aves é como procurar a transição  entre os mamíferos e os primatas: não existe! Isto sob o ponto de vista taxonómico lineano, é claro. O que acontece é que as aves são répteis.

A paisagem infernal deixada pelo asteroide terá dado alguma vantagem aos antepassados das aves contemporâneas dos seus “primos” do Cretácico.

A mais antiga raiz conhecida da árvore genealógica das aves é o Archaeopteryx, Foto 1, com 150 milhões de anos. Embora atualmente nenhuma ave tenha dentes, o Archaeopteryx possuía mandibulas crivadas de dentes afiados. Tinha os membros anteriores equipados com garras e cauda longa e ossuda. Estas características que se foram perdendo nas aves, revelam laços próximos com os seus primos reptilianos. No entanto, no Archaeopteryx encontram-se também características de aves contemporâneas. Os seus fósseis mostram asas proeminentes cobertas por penas aerodinâmicas. Após a sua descoberta em 1860, a espécie foi considerada como uma etapa de transição entre os dinossáurios e as aves, mas poucos fósseis foram descobertos de forma a preencher as lacunas que existiam da evolução desta “transição”.

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Foto 1 – Em 1861, operários numa pedreira na Alemanha desenterraram fósseis de uma ave com a dimensão de um corvo, batizada de Archaeopteryx , que viveu há cerca de 150 milhões de anos. Possuía penas e outras características das aves hoje existentes, mas também vestígios de um passado reptiliano, como dentes na boca, garras nas asas e uma cauda longa e ossuda. Museu de História Natural – Estugarda, Alemanha.

E se os dinossáurios-avícolas ainda existissem em que família seriam colocadas as “aves”?

O método de classificação lineana, sugerido por Carolus Linnaeus foi desenvolvido sem noções de evolução, e talvez por isso está atualmente a cair em desuso para dar lugar a clasificações filogenéticas que procuram refletir a evolução de um grupo de organismos.

Em 1996 foi revelado o primeiro fóssil de um dinossáurio com penas, sem qualquer parentesco com as aves. Dezenas de espécies de dinossáurios com penas foram extraídas das formações rochosas chinesas do Cretácico. Dinossáurios não-avícolas e de aves primitivas, Foto 2, acompanhadas por penas, escamas e pele emergiram destas formações na China. As aves são excecionalmente diversificadas. Há mais de 10.000 espécies conhecidas, todas elas descendentes de um grupo de dinossáurios. Os mais recentes indícios genéticos e achados fósseis sugerem o aparecimento de, pelo menos, três linhagens de aves,  que emergiram durante o Cretácico e sobreviveram ao impacto do asteroide que matou três quartos da vida na Terra.

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Foto 2 – Rhamphorhynchus muensteri, Pterossauro do Mesozoico alemão. Museu de História Natural de Berlim, Alemanha.  Os Pterossauros constituem uma ordem extinta da Classe Reptilia que corresponde aos répteis voadores da Era Mesozoica. Embora fossem seus contemporâneos estes animais não eram dinossáurios. No percurso evolutivo, os organismos vão acumulado características morfológicas, mantendo ou perdendo os caracteres tido inicialmente. Os grupos taxonómicos, ou clados, são diagnosticados através de características morfológicas novas adquiridas e  partilhadas entre todos os membros deste clado.

No rescaldo da catástrofe, a diversidade dos sobreviventes aumentou explosivamente e a sua árvore ramificou-se velozmente.O asteroide que aniquilou os dinossáurios há cerca de 66 milhões de anos teria deixado alguns sobreviventes. Entre elas estariam certamente os antepassados das aves, que aproveitaram o nicho ecológico entretanto aberto para prosperar.

Fonte:

National Geographic – Maio 2018

Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis – Octávio Mateus

 

 

Plumas Térmicas

Quais os argumentos a favor das plumas térmicas?

O valor obtido pelo cálculo da razão hélio-4/hélio-3, em muitos basaltos oceânicos, é utilizado como argumento a favor da existência das plumas térmicas. O hélio-3 é um isótopo considerado primordial, uma vez que a maior parte deste isótopo foi originado na altura da formação do Universo, sendo incorporado aquando da formação do nosso planeta. Este isótopo, que deve existir nos materiais que constituem as camadas mais internas do planeta, não é produzido através da desintegração de qualquer outro isótopo radiactivo, pelo que a sua concentração é aproximadamente constante. O hélio-4 resulta da desintegração radiactiva de outros isótopos, como o urânio e o tório, elementos que se encontram concentrados nas regiões superiores da Terra, acumulando-se no decurso do tempo. Deste modo, quando, numa amostra de um determinado basalto, a razão entre hélio-4/hélio-3 é baixa, podemos supor que a quantidade de hélio-3 é maior, o que pode ser indicativo de uma origem profunda, onde os movimentos convectivos teriam uma participação quase nula. Os basaltos que ocorrem em muitas ilhas vulcânicas apresentam razões hélio-4/hélio-3 muito inferiores às dos basaltos recolhidos junto das dorsais oceânicas.

Em 1989, Vincent Courtillot, do Instituto de Física do Globo, em Paris, propôs a ideia de que a subida das plumas térmicas próximas da superfície originaria a perfuração da litosfera, o que seria responsável pelo aparecimento de um vulcanismo de grande amplitude com a emissão de milhões de quilómetros cúbicos de lavas basálticas.

Os traps do Decão, na Índia, estendem-se sobre uma superfície aproximada de um milhão de quilómetros quadrados e sobre uma espessura de pelo menos três quilómetros. Este cataclismo vulcânico ocorreu há, aproximadamente, 65 milhões de anos, no fim do Cretácico, num período extremamente curto da história da Terra (menos de um milhão de anos). Tal fenómeno pode estar relacionado com o nascimento de uma pluma térmica e pode ter contribuído de forma importante para o desaparecimento, nessa altura, dos grandes répteis e de muitas outras espécies. Por conseguinte, estes fenómenos vulcânicos, que estariam na origem destes volumes gigantescos de basaltos (traps), teriam perturbado fortemente o clima terrestre, sendo possível relacioná-los com as grandes extinções biológicas que marcam o fim de uma era geológica e o início de outra.
O responsável por este grande evento vulcânico associado ao aparecimento dos traps do Decão seria, então, o “nascimento” de um ponto quente que actualmente se encontra sobre a ilha da Reunião.
Os “pontos quentes” originados pela existência de plumas térmicas explicariam igualmente a abertura de novas dorsais. A dorsal do Atlântico teria sido originada, segundo esta perspectiva, devido à acção de “pontos quentes” que actualmente se encontram situados nas ilhas de Santa Helena e Tristão da Cunha, no Sul, e sob os Açores e a Islândia, no Norte. As plumas térmicas teriam, deste modo, desempenhado um importantíssimo papel, há, aproximadamente, 200 milhões de anos, na fracturação da Pangea.

Fonte : Jean-Paul Montagner, “Panaches mantelliques: des chalumeaux mythiques?”, in Pour la Science, Janeiro de 2005

Descoberta de pegadas de dinossáurios em França

 

Uma descoberta colossal!!
As maiores pegadas de dinossauro conhecidas até ao momento foram descobertas no sul de França, perto de Lyon , em Abril passado. Os estudos divulgados pelo Centro Nacional de Investigação Científica francês dão conta que pertencem a dinossauros herbívoros com 30 toneladas de peso e 25 metros de comprimento. As pegadas têm entre 1,20 e 1,50 metros de diâmetro. Os investigadores do Laboratório de Paleontologia da Universidade de Lyon, Jean-Pierre Mazin e Pierre Hantzpergue, explicam que as pegadas foram conservadas devido a uma capa calcária de 150 milhões de anos, período durante o qual a zona estava coberta por um mar quente e pouco profundo. As investigações indicam que as pegadas, que se estendem ao longo de cem metros, mostram que os saurópodes vaguearam por este território durante uma fase de emersão da região, ou seja, durante uma descida do nível do mar.

Para investigar a fundo as pegadas será necessária uma vasta equipa e muitos meios técnicos. O Centro Nacional de Investigação Científica afirma que escavações nos próximos anos podem mesmo revelar este espaço como o maior a conter registos deste género.

Fonte : http://www.lepoint.fr/actualites-societe/2009-10-06/sciences-decouverte-d-enormes-empreintes-de-dinosaures-dans-l-ain/920/0/383180[06/10/2009

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=35693&op=all

Teoria sem cratera!!

 

Segundo estudo de um investigador  de Princeton e colaboradores, publicado  no  Journal of  Geological Society, Abril 2008 , a Cratera de Impacto no Golfo do México denominada de Chicxulub, terá sido formada  300.000 anos antes da extinção dos Dinossáurios, que ocorreu por volta de 65 M.a.

 

Gerta et al. 2009. New evidence concerning the age and biotic effects of the Chicxulub impact in NE MExico.  J. Geol. Soc., (166):393-411

Ainda Dinossáurios

Fóssil Liga Continentes do Sul

Dinossauro lança ponte sobre hiato geológico
Um fóssil de dinossauro com 95 milhões de anos, recentemente descoberto no Níger pelo paleontólogo e explorador residente da NATIONAL GEOGRAPHIC, Paul Sereno, acrescenta uma peça ao intricado quebra-cabeças da época em que Gonduana, o supercontinente do Sul,se separou.
 
Baptizado de Rugops primus (“primeira cara enrugada”) o fóssil é o único representante confirmado da família dos abelissauros, dinossauros carnívoros localizados em África. Descobertas anteriores de fósseis de abelissauros na América do Sul, na índia e em Madagáscar levaram alguns cientistas a crer que essas massas terrestres tinham permanecido unidas muito tempo depois de África se ter separado de Gonduana. Mas esta descoberta leva a crer que também África terá permanecido ligada mais tempo do que se pensava.

 Seja como for, afirma Sereno, o Rugops não era nenhum T. rex. “As suas mandíbulas não eram concebidas para esmagar ossos, e o seu focinho curto indica que se podia tratar de um necrófago que se alimentava de carcaças”, afirma Sereno. “No conjunto, o Rugops é um belo passo intermédio em direcção aos dinossauros carnívoros, com chifres e focinhos enrugados, que surgiriam mais tarde.”

Barbara S. Moffet

NATIONAL GEOGRAPHIC • JULHO 2OO4