Variações climáticas caóticas

Junho 29, 2010

No registo geológico existem evidências de variações climáticas caóticas. Se quisermos estudar as variações climáticas a uma “escala temporal longa”, além dos Ciclos de Milankovic devemos levar em linha de conta um outro factor: a Tectónica de Placas. Este processo interno da Terra associado ao processo externo (Sol) influência o clima. Um influência o outro, é essa a realidade. Mas os dados tornam-se mais incertos. O conjunto de indicadores recolhidos por geólogos (dados paleoclimáticos, presença de sal, de carvão, recifes tropicais, solos desérticos, forma dos contornos e natureza das nervuras das folhas fósseis, isótopos de oxigénio, etc) têm permitido reconstruir a temperatura da atmosfera ao longo do Fanerozóico e mesmo para idades mais antigas. O somatório dos períodos de uma “Terra fria” totaliza menos de 100 milhões de anos, cerca de 20% da idade da Terra. Maior parte do tempo o planeta tem sido quente, sem gelos, muito diferente daquele ao longo do qual se tem desenvolvido a humanidade. Nós estamos na actualidade numa fase relativamente quente de um período em que o frio tem dominado.
Mesmo nesta “fase fria” regiões que associamos a “frio” foram quentes e não tiveram na acção humana da queima de combustíveis fósseis a sua assinatura.

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA de publicidade feita à Gronelândia aconteceu há um milénio, quando Eric, o Vermelho, ali chegou, vindo da Islândia com um pequeno grupo de norsos, também conhecidos como vikings. Eric andava em fuga por ter matado um homem que se recusara a devolver-lhe umas camas que lhe emprestara. No ano 982, ele desembarcou nas margens de um fiorde localizado perto de Qaqortoq e de- pois regressou à Islândia para divulgar a terra por si descoberta, à qual, segundo a sua saga, “ele chamou Terra Verde [Gronelândia] por entender que as pessoas se sentiriam atraídas se ouvissem um nome favorável”.
A publicidade atrevida de Eric resultou. Cerca de quatro mil norsos acabaram por se instalar na Gronelândia. Apesar da sua fama de ferocidade, os vikings eram noessencial agricultores. Nos fiordes abrigados da região meridional e ocidental da Gronelândia, criavam ovelhas e algumas vacas, exactamente o que os agricultores hoje fazem junto desses fiordes. Construíram igrejas e centenas de explorações agrícolas: comercializavam peles de foca e marfim de morsa, trocando-os por madeira e ferro importados da Europa. O filho de Eric, Leif, zarpou de uma quinta situada a nordeste de Qaqortoq e terá descoberto a América do Norte por volta do ano 1000. Na Gronelândia, as colónias norsas aguentaram-se durante mais de quatro séculos. De súbito, porém, eclipsaram-se.
O desaparecimento desses rijos agricultores-marinheiros é um exemplo perturbador das ameaças levantadas pelo clima às mais engenhosas culturas humanas. Os vikings fixaram-se na Gronelândia num período de temperaturas excepcionalmente quentes. No início do século XIV, a Gronelândia ficou muito mais fria, transformando a vida naquelas paragens num desafio ainda maior.” National Geographic – Junho 2010 


Eras Glaciares

Junho 29, 2010

Milutin Milankovitch (1879-1958) propôs, pelo menos para o último milhão de anos, uma teoria baseada nos ritmos astronómicos, que segundo este autor seriam responsáveis pelas variações climáticas. De acordo com a teoria deste cientista jugoslavo, as variações periódicas da energia solar que é recebida pela Terra, em especial nas zonas polares, seriam suficientes para criar no pla­neta períodos glaciários e períodos mais amenos ou interglaciários.

Estudos realizados por muitos paleoclimatólogos sugerem que as varia­ções climáticas estão associadas de forma directa às mudanças ao nível da geometria da órbita terrestre, ou seja, ficou demonstrado que os ciclos de alterações climáticas podem estar relacionados com ritmos astronómicos que condicionam a órbita terrestre, como os períodos de obliquidade, a pre­cessão e a excentricidade orbital. Estes fenómenos astronómicos afectam, por exemplo, a duração das estações, permitindo que o gelo se acumule de um Inverno para o outro. De uma forma mais específica, Hays (1976) afir­mava na revista Science: Conclui-se que as mudanças ao nível da geometria da órbita terrestre são a causa fundamental da sucessão dos episódios de glaciação que ocorreram durante o Pleistocénico“.

Deste modo, podemos referir que os mecanismos associados à dinâmica terrestre (vulcanismo, “geometria” dos continentes e oceanos), e que são explicados à luz da Teoria da Tectónica de Placas, podem estar ligados às gla-ciações muito longas e que não se revestiram de um carácter periódico, ocorridas em diversos momentos da História da Terra. A teoria proposta por Milankovitch proporciona uma explicação mais satisfatória para a alternância de períodos glaciários e interglaciários ocorridos durante o Pleistocénico.

Imagem – Geologia 12º – Porto Editora

 

Para Courtillot, após a análise dos trabalhos realizados nos últimos anos os ciclos de Milankovic exerceram um efeito essencial nas modificações climáticas da Terra, e o Sol foi o agente principal dos equilíbrios termodinâmicos da atmosfera. Não é o dióxido de carbono que controla as variações da temperatura mas sim, a nossa estrela que modifica a temperatura na atmosfera e do oceano. Quanto a este último, quando aquecido liberta o dióxido de carbono (tal como podemos observar quando abrimos uma garrafa de água com gás). Quando arrefecem, os oceanos têm uma maior capacidade de dissolver o dióxido de carbono e como consequência, a atmosfera fica mais pobre em CO2. O Sol, uma estrela que apresenta variações ao longo do tempo associada a uma órbita da Terra também variável são o agente essencial nas variações climáticas, e de forma mais evidente, o agente responsável das últimas glaciações ocorridas no nosso planeta.

O dióxido de carbono não deixa de ser um factor importante neste contexto, mas não é a “causa inicial” do aquecimento/arrefecimento do planeta. Aliás, devemos a estas variações nas concentrações de dióxido de carbono natural a nossa temperatura amena, a presença de água no estado líquido no planeta e em última análise o aparecimento da vida no “planeta azul”.  

 


Quem controla o clima?

Junho 28, 2010

Um bom livro de “alterações climáticas” com dados recolhidos a partir da Geologia. Com uma leitura fácil, muito no género de um outro geólogo francês – Claude Allègre, percorremos com Courtillot os ciclos de Milankovic, a Tectónica de Placas e  uma verdadeira descida ao centro da Terra. Não colocando em causa “o aquecimento global”, Courtillot procura identificar os motores das alterações climáticas – a Geosfera.

Vicent Courtillot é professor de Geofísica na Universidade Denis-Diderot-Paris VII, além de  dirigir o Instituto de Física do Globo de Paris.


Trabalho descuidado!!!

Fevereiro 27, 2010

As Nações Unidas vão nomear um grupo independente de cientistas para avaliar a actividade do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o grande grupo de cientistas que recolhe e analisa o que se investiga sobre o aquecimento e as alterações climáticas, e que tem sido acusado de estar a fazer um trabalho descuidado.

Este será apenas um dos aspectos de uma avaliação mais vasta do IPCC que deverá ser anunciada na semana que vem, anunciou Nick Nuttall, porta-voz do Programa para o Ambiente das Nações Unidas, citado pela agência Reuters.

O grupo “será constituído por figuras seniores. Não posso dizer hoje quem serão. Mas deverá produzir uma revisão da actividade do IPCC, produzir um relatório talvez até Agosto, pois há um plenário do IPCC na Coreia do Sul em Outubro, onde o relatório deve ser submetido para aprovação”, disse Nuttal, em Bali, onde está a decorrer uma conferência de ministros do Ambiente sob a égide da ONU.

O IPCC tem estado sob fogo cerrado pelo menos desde o mês passado, quando admitiu que no seu relatório de 2007, na parte relativa à Ásia, havia um erro gritante: uma previsão de que os glaciares dos Himalaias poderiam desaparecer em 2035 – quando a data certa deveria ter sido 2350. A fonte citada para essa informação eram apenas declarações de um cientista indiano a uma revista de divulgação científica britânica, a “New Scientist”, e não um estudo científico publicado e com revisão por outros cientistas.

Estes e outros erros menores descobertos no relatório de 2007 surgem no contexto de uma série de e-mails que foram surripiados dos servidores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, que revelam anos de troca de correspondência entre investigadores da área do clima, algumas relativas a casos significativos da história da afirmação da realidade da importância da acção humana no aquecimento global, através das emissões de gases com efeito de estufa.

Todas estas polémicas fizeram danos sérios tanto à imagem do IPCC – que em 2007 partilhou o Nobel da Paz com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore – como à dos cientistas que fazem investigação sobre o clima. E até a própria credibilidade das alterações climáticas foi afectada: uma sondagem da empresa Ipsos Mori divulgada esta semana no Reino Unido, e citada pelo jornal “The Guardian”, mostra que durante o último ano, desceu de 44 para 31 por cento a proporção de adultos britânicos que considera ser “definitivamente” uma realidade que o clima está a sofrer modificações.

Criado em 1988, o IPCC não faz investigação própria. A sua função é recolher a ciência que os investigadores fazem, com um olho crítico, e produzir relatórios que representem um retrato do que se sabe, naquele momento, sobre o aquecimento do planeta e as alterações climáticas. Mas estes relatórios têm de representar o consenso científico – e submeter-se à aprovação dos políticos – por isso não são exactamente ciência de ponta nem arrojados, o que de mais avançado se faz e sabe naquele momento. São o consenso a que foi possível chegar naquela altura.

Essa procura do consenso, e talvez também um excesso de simplificação, como diz um artigo publicado hoje no “Wall Street Journal”, podem ter ajudado a tramar a credibilidade do IPCC. Ou a própria definição da missão deste organismo, no qual participam milhares de cientistas de todo o mundo, pode bem ter acabado por ter ficado algo baralhada, ao longo dos anos em que ciência e política se misturaram. Isso foi feito tanto pelos que pretendiam (e ainda pretendem) negar a relação da actividade humana, nomeadamente das emissões de dióxido de carbono, com as alterações climáticas, como pelos que pretendiam afirmar a todo o custo a realidade dessa ligação.

Fonte : Jornal Público

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/nacoes-unidas-vao-avaliar-actividade-do-ipcc_1424634


O mito do dióxido de carbono

Julho 28, 2009

 

Um novo livro de Christian Gerondeau – CO2: un mythe planétaire, não editado em português (talvez não seja politicamente correcto), com prefácio de Valéry Giscard d’Estaing, com uma visão moderna da problemática do CO2 – dióxido de carbono.

A linha de pensamento expressa é original, muito semelhante a Bjorn Lomborg, levantando uma série de questões fundamentais. A ideia que ele expressa, a de que não é possível baixar as concentrações de CO2 é totalmente correcta. Defende igualmente que as evoluções climáticas e dos níveis de concentração de CO2 são tudo, menos correlações significativas. Deduz que das quantidades muito significativas de dinheiro que estão a ser dirigidas para a salvação do Planeta, muitas são um desperdício. Um exemplo evidenciado diz respeito às eólicas em França, cuja electricidade até nem é precisa, desfigurando as paisagens e consumindo valiosos recursos públicos. Depois, o nuclear, pois é, a energia nuclear não emite dióxido de carbono mas a pressão das verdes melancias continuam a dominar na politica europeia, fossilizados no tempo presos ao fundamentalismo – nuclear, no thanks!.

A ler.


Björn Lomborg e o aquecimento global

Abril 10, 2009

Em Abril de 2007 foi publicado em Portugal o segundo livro do dinamarquês Björn Lomborg.  De fácil leitura, este livro provocador defende que muitas das acções que estão a ser tomadas em consideração para travar o aquecimento global vão custar centenas de biliões de dólares. Além disso, são frequentemente baseadas em factores emocionais e não estritamente científicos e, provavelmente, vão ter pouco impacto na temperatura do planeta. Em vez de começarmos pelos processos mais radicais, Lomborg defende que, primeiro que tudo, devemos concentrar os nossos recursos em preocupações mais imediatas, tais como a luta contra a malária ou a SIDA e assegurar uma reserva segura de água potável.

Se nos conseguirmos acalmar, é provável que deixemos o século XXI com sociedades mais fortes, sem níveis extremos de morte, de sofrimento e de perda e com muitas nações mais ricas, com oportunidades inimagináveis, num ambiente mais limpo e saudável.

Um segundo livro, na realidade o primeiro deste economista, O Ambientalista Céptico, é mais “pesado”. Muito ao gosto de Al Gore, temos gráficos atrás de gráficos e estatística, muita estatística. Escrito no final da década de 90, este professor de estatística e auto-proclamado ambientalista decidiu examinar muitas das teorias ambientalistas. Björn Lomborg e os seus alunos de estatística começaram a investigar os dados nos quais os ambientalistas baseavam as suas sombrias previsões de desastre ambiental. De acordo com todos os pontos de vista, Lomborg descobriu que o estado da humanidade e da Terra tinha melhorado gradualmente, e de forma notória, nos últimos cem anos. Em média, as pessoas vivem mais tempo, são mais saudáveis, melhor alimentadas e têm vidas mais prósperas do que antes. Muitas doenças foram erradicadas, e os crescente desenvolvimento dos mercados livres no mundo levou a um uso mais eficiente dos recursos naturais. Neste livro, Lomborg deixa claro que existe espaço para melhoramentos, em muitas áreas. Mas a mensagem principal “de que as coisas estão a piorar” está completamente errada.

(…) A ideia central deste livro é que não devemos deixar para as organizações de defesa do meio ambiente, os lobbies ou órgãos de informação apresentem verdades e prioridades unilaterais. Ao contrário, devemos lutar para a cuidosa verificação democrática do debate sobre o meio ambiente, conhecendo o verdadeiro estado do mundo. (…)

(…) se quisermos tomar as melhores decisões para o nosso futuro, não devemos basear as nossas prioridades no medo, mas em factos. Assim, precisamos confrontar os nossos medos; precisamos desafiar a ladainha. A ladainha baseia-se em mitos, embora muitos desses mitos possam ser propagados por pessoas bem-intencionadas e compassivas. É difícil não ter a impressão de que as críticas brandidas por Al Gore não passam de uma expressão do nosso sentimento religioso de culpa. (…) Lomborg


A mentira do aquecimento global

Abril 7, 2009

Falando dos cépticos de “Al Gore”, mais um deles a dar a cara.

Quem é Roy W. Spencer?

Cientista chefe da Universidade de Alabama em Huntsville, onde dirige uma variedade de projectos sobre investigação do clima. Doutorado em Meteorologia em 1981 trabalhou como cientista sénior nos Estudos Climáticos na NASA. É co-promotor do método original de monitorização precisa das temperaturas globais do planeta a partir de satélites em órbita à volta da Terra. Autor de numerosos artigos de investigação sobre o tempo e o clima em jornais científicos.

Site deste investigador

 

Publicado em Portugal pela editora Caleidoscópio, “A Mentira do Aquecimento Global – mito ou ciência?”  vem defender que o sistema climático da Terra não é tão sensível às emissões de gás e ao efeito de estufa como muitos cientistas pensam.

O fernesi que rodeia o problema do aquecimento global galvaniza o público e custa aos contribuintes milhões em pesquisas climáticas. Inspirou blockbusters e grandes movimentos políticos e ajudou a construir uma indústria lucrativa para cientistas ansiosos. No entanto, apesar da campanha dominante, os factos por detrás do aquecimento global mantêm-se mais confusos do que nunca.

Contrariando a histeria que se vive à volta da questão do aquecimento global, Spencer esclarece exactamente como o sistema climático funciona, defendendo que a responsabilidade do Homem no aquecimento global é mais um mito do que ciência e a publicidade à volta deste assunto tem corrompido a comunidade científica.

O autor levanta o véu de mistério que paira sobre nós há muito tempo e oferece um fim a este furor de desinformação nas nossas vidas.

Mais um nome a juntar ao do francês Claude Allègre e Björn Lomborg, entre outros, cépticos não anónimos.

(…) Como cientista ambiental, admito que o aquecimento global nocivo é, de facto, um resultado possível das emissões, por parte da humanidade, de gases de efeito de estufa, a partir da utilização de combustíveis fósseis. Mas teorias extraordinárias exigem provas extraordinárias. É relativamente fácil construir um simples modelo climatérico computorizado, que produz um aquecimento global catastrófico, quando o seu “efeito de estufa” é aumentado com mais dióxido de carbono. Até o fiz numa folha de excel. Mas é muito mais difícil fazer com um modelo climatérico topo de gama se comporte de forma realista, quando o comparado com o verdadeiro sistema climatérico. (…) Roy Spencer