A falha do Ciborro

O sismo de magnitude 4,9 na escala de Richter ocorrido segunda-feira dia quinze de janeiro de dois mil e dezoito foi sentido em Évora, Portalegre, Lisboa e distrito de Coimbra, mas sem causar vítimas ou danos materiais, segundo a Proteção Civil – Figura 1. 

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Figura 1 – Epicentro do sismo de 15/1/2018

Fernando Carrilho, geofísico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou ao JN, que entre as 11.50, momento da ocorrência inicial, e as 14 horas foram registadas quatro réplicas de baixa intensidade (a maior atingiu 2,5), apenas detetáveis por instrumentos e não sentidas pelas pessoas.

Fonte: https://www.jn.pt/nacional/interior/sismo-sentido-entre-evora-e-coimbra-mas-sem-danos-pessoais-ou-materiais-9049220.html

Geologia 

A região Ciborro-Arraiolos  (distrito de Évora) apresenta uma atividade sísmica anómala, no contexto regional, caracterizada por sismos superficiais e de reduzida magnitude (M<4) e alguns registos de magnitude superior (M > 4): eventos isolados; ou um sismo principal seguido por réplicas; ou ainda agrupados temporal e espacialmente em enxames denominados swarms. Esta sismicidade destaca-se do padrão típico intraplaca.

Numa análise mais detalhada dos dados recentes da sismicidade, publicados pelo Instituto de Meteorologia, esta actividade concentra-se preferencialmente na região a norte de Évora, abrangendo as povoações de Azaruja, Arraiolos, Mora e Ciborro. Esta região apresenta alguns lineamentos observados em imagem de satélite que podem, em parte, corresponder a falhas activas – Figura 2.

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Figura 2 – Principais lineamentos da região observáveis em imagem de satélite (Google Earth). A sismicidade desta região ocorre no interior do Maciço de Évora.

Parte dos lineamentos marcados na figura 2 correspondem a alinhamentos de cursos de água e podem corresponder a vales de fractura mas alguns correspondem claramente a escarpas que separam compartimentos desnivelados da superfície fundamental da Meseta Sul, como é o caso da escarpa de S. Gregório (virada a norte), da escarpa de Aldeia da Serra (virada a oeste) ou a do Ciborro.

A designada falha de Ciborro, correspondente a um acidente geomorfológico que faz localmente o limite da bacia do Tejo com o soco paleozóico e que se traduz por uma escarpa de direcção NW-SE, virada a NE.  Esta estrutura tem expressão geomorfológica ao longo de cerca de 20 km.

Os trabalhos de geologia de campo não têm fornecido evidências claras de actividade neotectónica ao longo da Falha de Ciborro. Junto ao Monte Godeal, no talude de um caminho, observam-se as litologias designadas  por granitos porfiróides de grão médio a grosseiro, a cavalgarem sedimentos do Complexo Argilo-Gresoso de Coruche, considerados de idade mio-pliocénica.

A falha que separa estas duas unidades geológicas em afloramento tem atitude N80ºW; 80S e mostra evidências cinemáticas de ter componente de cavalgamento, colocando os granitos paleozóicos sobre os sedimentos terciários. Os estudos geológicos realizados permitiram  admitir movimentos com ruptura superficial muito recentes, dentro do período neotectónico.

Os lineamentos marcados na figura 2, eventualmente correspondentes a falhas activas, têm fraca expressão geomorfológica o que pode resultar de uma actividade neotectónica moderada a fraca ou de uma movimentação recente preferencialmente do tipo desligamento.

De acordo com a interpretação dos geólogos que estudaram esta região a norte de Évora os movimentos tectónicos actuais, maioritariamente do tipo desligamento ao longo das falhas de Ciborro e de S. Gregório, encontram-se parcialmente bloqueados na região de Aldeia da Serra, devido a uma inflexão local na geometria das falhas como se ilustra na figura 3. O relevo de Aldeia da Serra será assim um provável “push up” associado a uma estrutura activa maior, do tipo desligamento direito.

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Figura 3 – Esquema proposto para a actividade tectónica actual, responsável pela génese do relevo da Aldeia da Serra.

Os geólogo António Araújo e António Martins da Universidade de Évora colocaram a hipótese destas estruturas serem um testemunho local de uma estrutura maior com expressão regional, eventualmente responsável pelo sismo de Benavente de 1909.

Fontes do texto e das imagens utilizadas:

https://oatd.org/oatd/record?record=oai%5C%3Adspace.uevora.pt%5C%3A10174%5C%2F16401

https://dspace.uevora.pt/rdpc/handle/10174/4233

[PDF]e-Terra A elevação de Aldeia da Serra (Arraiolos): um “push up” activo …

https://www.rcaap.pt/detail.jsp?id=oai:dspace.uevora.pt:10174/16401

 

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Castelo de Beja (Castelos de informação geológica em viagem I)

No reino dos Gabros

O álbum de fotos pode ser consultado em (clique na imagem)

Complexo Ígneo de Beja

Gabro

A designação de gabro foi proposta em 1768, e deriva do termo latino gaber que significa macio.
Os gabros são rochas plutónicas, melanocratas, de textura grosseira, composição básica, constituídas essencialmente por plagioclase cálcica – da labradorite à anortite, e piroxena – augite e/ou hiperstena. Podem ainda conter olivina, horneblenda, biotite e quartzo em pequena percentagem e como minerais acessórios podem apresentar apatite, granada, magnetite e ilmenite. Como modo de ocorrência podem constituir grandes lopólitos ou estruturas em anel (ring dykes) como acontece na serra de Sintra (Mafra) e em Sines.

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Imagem 1 – Castelo de Beja, edificado com rochas do Complexo Ígneo de Beja (CIB) e do Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA). O CIB é essencialmente formado por rochas gabro/dioríticas.

De  entre os vários tipos de gabros, que se caracterizam por diferentes composições mineralógicas, salientam-se as terminologias associadas ao Complexo Ígeno de Beja, tais como gabro olivínico, gabro piroxénico ou gabro horneblêndico – Imagem 2.

Classificação de Gabros

Imagem 2 – Classificação das rochas “gabróicas”.

Legenda: Plagioclase (Pl); Piroxena (Px) Olivina (Ol);  Ortopiroxena (Opx) ;Clinopiroxena (Cpx);  Horneblenda (Hlb), (Streckeisen, 1976).

Gabróico é assim entendido como uma rocha intrusiva de granulometria grosseira e de afinidade com o gabro. Inserem-se neste grupo os noritos, gabronoritos, troctólitos e anortositos (Gill, 2010).

Referência também importante é o termo gabrodiorito, que ilustra o facto de coexistirem na mesma área estes dois tipos litológicos, devido a variações a nível da composição, sendo que nuns locais a rocha se revela como um diorito e noutros como um gabro.

Os dioritos são rochas intermédias, granulares, melanocratas a mesocratas, e essencialmente constituídas por plagioclase sódico-cálcica, normalmente andesina, mas também podendo ser oligoclase, e um ou mais tipos de minerais ferromagnesianos geralmente horneblenda, mas também augite e/ou biotite. O quartzo pode estar presente até cerca de 10% e o feldspato alcalino, albite, ortóclase ou microclina, até cerca de 30% da totalidade dos feldspatos. São comuns em zonas marginais associadas a gabros, rochas como granodioritos e, mais raramente, sienitos.

Enquadramento Geológico

Os gabros observados no Castelo de Beja tivera origem em afloramentos que  localizam-se no interior da peneplanície alentejana e pertencem à unidade geológica do Complexo Ígneo de Beja (CIB), incorporada na divisão morfoestrutural do Maciço Ibérico designada de Zona de Ossa – Morena (ZOM).

Complexo Ígneo de Beja (CIB)

O CIB é uma estrutura alongada com cerca de 100 km de comprimento que na região é limitada a norte pela falha de Beja (WNW-ESE) e a sul pelo carreamento de Ferreira-Ficalho.

É dividido em três unidades: a Sequência Gabróica Bandada (SGB), o Complexo de Cuba – Alvito e o Complexo dos Pórfiros de Baleizão (Imagem 3).

Enquadramento geológico do CIB

Imagem 3 – A CIB é uma estrutura alongada, constituída por rochas intrusivas, com aproximadamente 100 km de extensão, prolongando-se desde Vendas Novas, a poente, até Serpa, a nascente. Integra uma associação de rochas variadas, sendo composto por maciços gabróicos, gabrodioríticos e granodioríticos.

A SGB, datada de 340 Ma (Carbónico), é constituída por uma grande diversidade de rochas gabróicas bordejadas por dioritos heterogéneos e pode ser dividida em dois compartimentos separados pela falha de Odemira – Ávila (vulgo Falha da Messejana). Geologicamente, o compartimento oriental é caracterizado pela heterogeneidade das litologias gabróicas: gabros olivínico-piroxénicos, de textura maciça ou apresentando bandado magmático (layering), e anortositos e gabros anfibólicos.

O CIB aflora numa larga mancha com direcção NW-SE e sublinha o contacto entre o Terreno Autóctone Ibérico/ZOM e o Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA) no território português. A separação do COBA do anteriormente designado Maciço de Beja foi baseada no facto do CIB não ter sido afectado pelo primeiro evento tectono-metamórfico varísco .

O CIB tem um comprimento de cerca de 100 km, com uma forma alongada e, ainda que localmente interrompido para SW, prolonga-se até à região espanhola de Castilblanco de los Arroyos.

Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA)

A zonalidade interna é bem vincada, com os diversos termos a inclinar para NE, traduzindo a inversão da sequência ofiolítica. No território português o COBA apresenta uma deformação acentuada sendo constituído por três termos litológicos evidentes e distintos:

  • Serpentinitos
  • Metagabros (flaser-gabros e metatrondjemitos)
  • Metavulcanitos básicos (metabasaltos)

Devido à ocorrência de subducção para norte, o CIB é intrusivo posteriormente à obducção, deformação, metamorfismo e instalação estrutural do ofiolito de Beja-Acebuches na sua posição actual tectonoestratigráfica, possuindo xenólitos de litótipos característicos do COBA. A sua datação isotópica forneceu um intervalo de idades entre os 337-340 Ma (Carbónico), o que implica uma idade ante-Viseana para o ofiolito de Beja – Acebuches.

FONTES UTILIZADAS:

http://www.aprh.pt/congressoagua98/files/com/164.pdf

http://www.lneg.pt/download/9732/17_2933_ART_CG14_ESPECIAL_III.pdf

https://run.unl.pt/handle/10362/10428

Serra do Caramulo

Introdução

Situa-se no Maciço Hespérico, na extremidade ocidental da Zona Centro-Ibérica, estendendo-se até ao limite da Zona de Ossa-Morena. Ocupa a parte centro – ocidental da Península Ibérica constitui o fragmento mais contínuo do Soco Hercínico Europeu.

Numa escala mais local, integra-se no flanco sul do denominado plutonometamórfico Porto-Tondela, que corresponde a uma antiforma, provavelmente da terceira fase da Orogenia Varisca, em cujo núcleo afloram diversos tipos de granitoides.
Carta Geológica

Foto 1 – Carta Geológica – Resumidamente, em termos litológicos, a Serra do Caramulo é constituída maioritariamente por xistos, granitos e depósitos sedimentares. Os xistos pertencem à formação do Grupo das Beiras, incluídas no Supergrupo Dúrico-Beirão ou “Complexo Xisto-Grauváquico” (CXG) que se encontra estruturada com uma orientação predominante WNW-ESE. Atualmente, a generalidade dos autores, de forma consensual, divide o CXG em Grupo do Douro e Grupo das Beiras.

Complexo Xisto-Grauváquico (CXG)

Na área em estudo afloram litologias correspondentes ao Grupo das Beiras.
O Grupo das Beiras é constituído sobretudo por xistos argilosos e metagrauvaques, formando uma sucessão do tipo “flysh” muito espessa.
Em plena concordância com os xistos e grauvaques, surgem espessas bancadas de conglomerados.

O Grupo das Beiras embora se encontre geralmente afetado por metamorfismo regional, que não ultrapassa a zona da clorite da fácies dos xistos verdes, na bordadura das massas granitoides encontra-se metamorfizado para xistos mosqueados e corneanas.
Apresenta extensas áreas metamorfizadas por contacto, com maior expressividade na Serra da Lousã, na área de Mortágua – Caramulo, os granitos hercínicos provocam auréolas de contacto mais estreitas. O Grupo das Beiras encontra-se intensamente dobrado, predominando as dobras com planos NW-SE a E-W.

De acordo com Medina (1996), no Grupo das Beiras têm sido identificadas várias sequências litoestratigráficas localizadas em áreas distintas. Tradicionalmente são interpretadas como depósitos turbidíticos, mas recentemente têm sido propostos ambientes de plataforma siliciclástica e glacioderivados para algumas áreas.

O Grupo das Beiras encontra-se representado na Carta Geológica à escala 1:500 000 (1992) constituído por quatro formações consideradas de idade câmbrica, que da base para o topo são:

  • Formação da Malpica do Tejo (Unidade I): caracterizada genericamente pela forte predominância de grauvaques relativamente aos pelitos.
  • Formação de Perais (Unidade II) : caracterizada por possuir proporção semelhante de filitos e metagrauvaques.
  • Formação do Rosmaninhal (Unidade III): caracterizada por uma possante sequência pelítica, onde se encontram intercalados diversos níveis de microconglomerados, conglomerados e bancadas métricas de grauvaque. Apresenta espessura superior a 100 m.
  • Formação de Almaceda (Unidade IV): caracterizada pela predominância de grauvaques relativamente aos pelitos, com espessura métrica, podendo, por vezes, conter clastos de argila no seu interior.

Na região do Caramulo-Buçaco o Grupo das Beiras é interpretado, por Medina (1996) como tendo sido depositado num ambiente de sedimentação característico de plataforma externa siliciclástica. As datações radiométricas são escassas e são fornecidas por rochas ígneas intrusivas, sugerindo uma idade pré-câmbrica para o Grupo das Beiras.

Grupo das Beiras   Foto 2 – O CXG da é constituído por um conjunto litológico bastante homogéneo de predominância pelítica, encontrando-se estruturado com uma orientação predominante WNW-ESE podendo nuns locais existir um predomínio de estratos arenosos, enquanto que noutros locais há um predomínio de material silto-argiloso (Medina, 1996).

 

Xisto com nódulos de andaluzite

Foto 3 – Na parte meridional da Serra do Caramulo, mais afastada do granito, predominam os xistos argilosos, macios, cinzentos, e os xistos cloríticos, esverdeados e com poucas micas. Na zona N e NE, acentuam-se de forma progressiva as manifestações de metamorfismo, com o aparecimento de mica preta e mesmo de andaluzite, em certos pontos.

 

Dobras Ptigmáticas (Sanfins)

Foto 4 – Com a aproximação da rocha ígnea, especialmente do lado NE do afloramento granítico do Caramulo correspondente ao teto da intrusão (em relação à rocha encaixante), surgem fenómenos de migmatização, que se acentua, progressivamente até à passagem a migmatitos francos em alguns pontos (Martins, 1962).

Conglomerados

Intercalados nos xistos e com eles concordantes, surgem leitos conglomeráticos de espessura variável (umas vezes forma faixas com largura apreciável, outras fica reduzido a simples bancadas isoladas, ou estreita e desaparece em cunha no meio dos xistos). Os conglomerados adquirem maior desenvolvimento na zona situada entre as povoações de Varzielas e de Covelo, que em alguns casos, ultrapassa os 500 m e apresentam uma geometria lenticular.

Metaconglomerado

Foto 5 – Os conglomerados são constituídos por abundantes elementos quartzosos, bem rolados, os quais evidenciam quase sempre acentuada deformação secundária, concordante com a deformação tectónica. A matriz é também muito quartzosa e micácea. Fundamentalmente, o conglomerado conserva o mesmo aspeto nos diferentes afloramentos da região, as variações mais importantes são ao nível do grau e natureza da deformação e no diferente calibre dos respetivos elementos. A cristalinidade da rocha, também variável, parece especialmente relacionada com a proximidade do granito.

Xistos carbonosos

Entre as duas faixas dos quartzitos brancos afloram xistos luzentes, xistos carbonosos e quartzitos impuros, amarelados e um tanto micáceos. Os xistos carbonosos apresentam-se, no geral, fortemente metamorfizados, preenchidos por grandes quantidades de granadas e de quiastolite.
Os xistos carbonosos, com quiastolite e granadas, que afloram entre os quartzitos, começam a aparecer no ponto onde se inicia a divergência das duas faixas quartzíticas, continuando depois a aflorar entre uma e outra.

Xisto com andaluzite

Foto 6 – Xisto com quiastolite (variedade de andaluzite)

Granitos

O batólito granítico das Beiras, localizado na Zona Centro Ibérica, implantou-se em metassedimentos de idade Proterozoica-Câmbrico a Cabonífero superior, deformadas pelas diferentes fases da Orogenia Varisca (D1, D2 e D3). Este batólito compreende várias unidades intrusivas, agrupadas em quatro tipos de granitoides: granodiorito-monzogranito sin-D3, granito de duas micas peraluminoso sin-D3/leucogranito, granodiorito-monzogranito tardi-pós-D3 e granito peraluminoso, biotítico-moscovítico, tardi-pós-D3 (Azevedo et al., 2005).

Granito do Caramulo

Foto 7 – A maior parte da área em estudo é formada por granitos que resultaram da consolidação de um magma comum e que ocorreu ao longo de um período estimado radiometricamente em 330-310 M.a. de grosso modo, contemporâneo da terceira fase de deformação varisca. São granitos alcalinos de duas micas, de grão fino e médio, raramente porfiroides.

O granito é particularmente heterogéneo. Além das variações laterais, essencialmente de textura e granularidade, apresenta, na área em estudo, novos aspetos que refletem a influência de fenómenos de endomorfismo e, mesmo migmatismo, em escala apreciável, que progressivamente se acentuam à medida que se afasta do Caramulo para noroeste, em direção à região do Porto.

Os granitos de grão fino a médio localizam-se na zona do plutonito do Caramulo, onde cerca de 99% das massas de diversos granitoides, com grau de médio a fino, apresentam homogeneidade, cortado por veios, filões e algumas bolsadas de aplitos e pegmatitos.

Na zona de contacto entre o plutonito do Caramulo com os xistos surgem auréolas de metamorfismo. Ao longo do que se pode considerar o eixo da referida antiforma, com orientação na direção Porto – Tondela e que sofreu desnudação desde a Orogenia Varisca (Serra da Urgeira), formou-se o complexo metassedimentar, paralelo ao referido eixo, que inflete para N na zona de Silvares.

Na zona de contacto das rochas graníticas com os xistos e as rochas do CXG ocorre a formação de rochas migmatíticas de contacto, por injeção de fluídos graníticos. Contudo, este fenómeno de migmatização não se verifica à escala regional.

Martins (1962) atribui a designação de “zonas xisto-granito-migmatíticas” às zonas de xistos de formação metassedimentar intercaladas com massas graníticas. O granito surge sob a forma de injeções locais e filões a N do Caramulo, de Rebordinho e à volta de Pinheiro de Lafões e sob a forma de micaxistos e migmatitos a S do rio Alcofra. De um modo geral, os xistos conservam à volta do plutonito uma disposição concordante em relação à zona de contacto.

Deformação

Uma zona constituída por rochas antigas, como é o caso da Serra do Caramulo, é natural que tenha sido, repetidamente, submetida a intensas ações tectónicas, ao longo da sua evolução geológica (Martins, 1962). Segundo o mesmo autor, está suficientemente demonstrado que as Orogenias Caledónica, Varisca e Alpina se fizeram sentir, com maior ou menor intensidade, no nosso país, e a elas se devem, certamente, os mais importantes traços estruturais que caracterizam a Serra do Caramulo.

A Serra do Caramulo enquadra-se numa ampla e complexa mega-estrutura antiformal, que se situa entre as sinformas ordovícicas de Porto-Sátão, a N, e a do Buçaco, a S, onde no seu interior aflora a faixa plutonometamórfica Porto-Tondela.

A estruturação das rochas encontrada na área estudada é, basicamente, o resultado da deformação varisca. Reconhecem-se duas fases principais de deformação, às quais se seguiram outras deformações mais tardias e alguns episódios de fraturação. Nos materiais pré-ordovícicos, a primeira fase de deformação (F1) foi a que causou maior deformação, especialmente na parte central e sul, enquanto que a segunda fase se deformação (F2) atuou especialmente na parte nordeste.

Geoformas Graníticas

A diversidade da morfologia granítica e sua originalidade imprime um cunho muito próprio e único às áreas de montanha granítica, como no caso da Serra do Caramulo.

Podemos identificar na Serra do Caramulo um diversificado conjunto de paisagens características das áreas graníticas: paisagens de “caos de blocos”, paisagens de relevos residuais e associadas a estas paisagens estão as formas graníticas. A génese e evolução destas formas graníticas foi proporcionada por um conjunto de factores (de ordem climática, litológica e estrutural), interligados entre si, que se conjugaram para o aparecimento de uma enorme variedade de formas, que podem ser subdivididas em dois grandes grupos: as formas de pormenor, de dimensão centimétrica a métrica (pias, tafoni, fendas e sulcos lineares) e as formas maiores, de dimensão hectométrica ou quilométrica (tors, castle koppie, domos rochosos e alvéolos).

Fissuração poligonal (Polygonal weathering)

Foto 8 – Fissuração Poligonal (Polygonal weathering)

Bloco (Boulder)

Foto 9 – Bloco (Boulder)

Bloco Pedunculado (mushroom shaped form)

Foto 10 – Bloco Pedunculado (mushroom shaped form)

Fonte :

Medina, J., 1988. Contribuição para o conhecimento da litoestratigrafia e da estrutura do complexo xisto-grauváquico ante-ordovícico na região do Caramulo – Portugal. Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro (Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica).
Medina, J.; Rodriguez Alonso, M. D.; Bernardes, C. A., 1989. Litoestratigrafia e estrutura do complexo xisto-grauváquico na região do Caramulo – Portugal. Geociências, Revista Universidade de Aveiro, Vol. 4, fasc. 1
Medina, J., 1996. Contribuição para o conhecimento da geologia do Grupo das Beiras (CXG) na região de Caramulo-Buçaco (Portugal central). Tese de Doutoramento da Universidade de Aveiro

Recursos Geológicos – O Petróleo do Árctico

Nota do Autor do post:

Mais um post acerca de um recurso essencial. Este bem mais grave que o problema do Urânio porque aqui a Geologia aparece muito mais associada com a Geoestratégia mundial, e falando claro, refiro-me a dois grandes ursos, o Urso Pardo Americano e o Urso Polar Russo, chamado de siberiano.

Retirei notícias do Jornal Público e relatórios dos Serviços Geológicos Americanos – USGS.

Os originais podem ser todos consultados apartir da página http://www.usgs.gov/newsroom/article.asp?ID=1980&from=rss_home. É a partir deste site que todo um dossier pode ser consultado de forma a ser compreensível o problema do ´”Petróleo do Árctico”.

Ao longo deste post vou procurar explicar as diferentes componentes do problema. Fui pela primeira vez sensibilizado para a questão do Petróleo do Ártico através do Prof. Dr. Fernando Noronha da FCUP, durante uma palestra promovida pela APG. O facto da Rússia, Dinamarca (Gronelândia), e Canadá reclamarem esta jazida e os EUA não o poderem fazer é com base num argumento Geológico. A questão política e geoestratégica do tema tem por base a Geologia.

Nuno Correia

 

Há petróleo no Árctico para abastecer o planeta três anos

O Alasca esconde 13 por cento das reservas ainda não descobertas, diz a muito esperada avaliação dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos

 

Os gelos do Árctico podem esconder 90 milhões de barris de petróleo, e mais de 46 biliões de metros cúbicos de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Seria petróleo suficiente para, sozinho, satisfazer a procura mundial durante três anos. A maior parte das reservas situam-se na plataforma continental, em zonas perto da costa dos países do Árctico, em regiões de propriedade definidas, o que significa que não deverão alimentar disputas territoriais. Esse factor poderá, no entanto, acelerar muito a exploração daquelas reservas, as mais ricas das quais se situam na Rússia e no estado norte-americano do Alasca, onde a Shell já está a investir na compra de direitos de perfuração.
Debaixo dos gelos do Árctico há petróleo suficiente para satisfazer a procura mundial durante três anos. E a boa (ou má, consoante as perspectivas) notícia é que a maior parte das reservas de petróleo e de gás natural estão em zonas perto da costa dos países do Círculo Polar Árctico, e não perto do Pólo Norte, em regiões de propriedade definida, onde não deve haver disputas territoriais.
Quem o diz são os Serviços Geológicos dos Estados Unidos, que acabam de divulgar os resultados da muito esperada avaliação das reservas de hidrocarbonetos ainda não exploradas no Árctico. “A plataforma con-tinental do Alasca é o local onde se deve procurar hoje petróleo”, disse Donald Gautier.
 
Vamos aos números:
O Árctico pode ter 90 milhões de barris de petróleo ainda não descobertos, e mais de 46 biliões (milhões de milhões) de metros cúbicos de gás natural. Isto representa 13 por cento do total das reservas petrolíferas ainda não descobertas, e 30 por cento das de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Na avaliação foram apenas incluídos “recursos que se julga poderem ser explorados utilizando a tecnologia hoje disponível”.

 

Mas não foram incluídos cálculos sobre os custos que teria explorar petróleo e gás natural nestas zonas.
Isso será o objectivo de um próximo estudo, disse Don Gautier, citado pelo jornal canadiano Globe and Mail.
 

 

 

  

 

 

Rússia rica

É nos sete milhões de quilómetros quadrados de zonas marítimas com menos de 500 metros de profundidade, nas plataformas continentais, que se concentram os hidrocarbonetos.
Há três áreas que se destacam: dois terços do gás natural não descoberto situar-se-á em duas regiões russa (a Bacia Siberiana Ocidental e a Bacia Oriental do Mar de Barents, parte desta também sob administração norueguesa) e a zona costeira do Alasca (EUA).
Os geólogos, no entanto, tentaram evitar a questão de saber a quem pertenceriam estes recursos. “Pensámos nisto do ponto de vista geológico, e não político”, disse Gautier, citado pelo Globe and Mail.
Em princípio, nas regiões identificadas no estudo não haverá grandes disputas territoriais – só lá para o (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega, Dinamarca), imitando a corrida ao ouro na Califórnia, pode estar rnais afastado do que se temia.
Mas o facto de boa parte dos recursos estarem em zonas cuja titularidade é reconhecida pode bem querer dizer que a sua exploração é susceptível de se acelerar muito. Na verdade, já há muitas empresas petrolíferas que se estão a colocar no Árctico, preparando-se para aproveitar o degelo, que tem sido cada vez maior durante o Verão, devido ao aquecimento global. A Shell, por exemplo, já investiu 2000 milhões de dólares na compra de direitos de perfuração no mar de Chukchi, no Alasca, noticiou o The Wall Street Journal. A BP, por seu lado, pagou 1200 milhões de dólares ao Canadá pelo direito de explorar em três lotes no mar de Beaufort. E se a tendência de escalada d preços do petróleo continuar, será cada vez maior o incentivo para o procurar em zonas antes menos atractivas porque implicam grandes gastos. O impacte ambiental da intensificação da exploração de petróleo e gás natural no Árctico, no entanto, pode ser brutal. Não só para as espécies locais, como o urso polar – mas também para os próprios humanos, que vivem no Círculo Polar Ártico. Os pólos da Terra são uma espécie de ar condicionado do planeta – entre outros efeitos, a capacidade reflectora do gelo funciona como uma t-shirt branca no Verão que nos ajuda a manter mais frescos. Acelerar o derretimento dos gelos pode ter consequências graves e inesperadas.
Estes textos baseiam-se em notícias do Jornal Público. sexta-feira 25 de Julho de 2008, e dos seguintes endereços da USGS:

 

 

 
 

 

 

 

Dorsal de Lomonosov

Kremlin planeia distribuir reservas sem concursos

A Rússia pretende distribuir sem realização de concursos nem leilões abertos às empresas interessadas os direitos de exploração das vastas reservas de petróleo localizadas ao longo da Dorsal de Lomonosov, que o Kremlin pretende que seja reconhecida internacionalmente como parte da plataforma continental siberiana, ou seja, território da Federação Russa. Essa foi a incumbência dada no início desta semana pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, ao vice-primeiro-ministro Igor Setchin – antigo chefe adjunto do gabinete presidencial de Vladimir Putin e dirigente da gigante estatal petrolífera russa Roneft -, actualmente responsável pelo sector energético do país. Esta distribuição das reservas pelo Kremlin foi justificada por Medvedev com o propósito de assegurar “o uso racional da riqueza nacional”. Desde 2001 que a Rússia tenta provar ter direitos sobre dois mil quilómetros de extensão (num triângulo territorial de 5,8 milhões de quilómetros quadrados) da cadeia montanhosa submarina de Lomonosov.

No mês passado, o general Vladimir Shamanov, conselheiro do Ministério da Defesa, sugeriu mesmo numa entrevista ao jornal Krasnaia Zvezda (órgão oficial militar) que o Exército russo está preparado para combater qualquer país que dispute os direitos de Moscovo sobre a plataforma continental siberiana.

Onde a Geologia aparece….

 

Cientistas russos anunciaram sua o dorsal de Lomonosov

Cientistas russos anunciaram que cadeia montanhosa (Dorsal de Lomonosov) é o prolongamento geológico da plataforma continental russa. Apesar destas declarações, o cientista russo frisou que os trabalhos de laboratório para identificar as estruturas geológicas só estarão terminados «dentro de um ano».

 

Segundo refere a agência Lusa, o anúncio foi feito por Victor Posselov quando apresentava os primeiros resultados dos estudos de fragmentos de solo, retirados a 2 de Agosto do fundo do Oceano Glaciar Árctico durante a expedição russa «Arktika-2007».

EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega também desdobraram-se em iniciativas mais ou menos mediáticas com um único objectivo: deixar claro que a Rússia não é a única potência com interesses territoriais na região do Árctico, onde é suposto existirem um quarto das reservas mundiais de petróleo e gás, além de urânio, diamantes e outros minérios. Com base numa convenção da ONU que regula os limites das plataformas continentais e que estabelece um prazo de dez anos a contar da sua ratificação para que os interessados apresentem as suas pretensões. O que, no caso da Rússia, significa que Moscovo tem até 2009 para se pronunciar. Já o prazo-limite do Canadá vai até 2013 e o da Dinamarca aponta para 2014. Praticamente ignorado ao longo da História, com excepção do período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ex-URSS, o Árctico ganhou uma nova projecção nos últimos anos por força do aquecimento global. De acordo com os mais recentes estudos científico, a temperatura média na região está a crescer ao dobro da velocidade registada no resto do mundo, explicando, por exemplo, o descongelamento dos glaciares ou as razões por que a área de mar coberta por gelo tem vindo a diminuir no Verão entre 15% e 20% relativamente ao que sucedia ainda há 30 anos.Segundo Victor Posselov, vice-presidente do Instituto de Investigação Cientifica de Oceanologia da Rússia, «a cadeia montanhosa submarina no Pólo Norte é a continuação da plataforma continental siberiana e não está isolada de forma

Fonte : Pravda
 
 
 
 
 

 

Dorsal de Lomonosov

 

 Esta imagem corresponde aos limites actuais da zona polar (200 milhas, a amarelo). Como se pode ver a área tem a soberania de qualquer país… por agora.

Corrida ao Pólo Norte

 

Marco Polo para Este, Colombo para Oeste, Vasco da Gama para Sul… e agora quem corre para Norte?

Começou a corrida pelo Pólo Norte

Em causa podem estar importantes reservas de petróleo e gás natural 

Está na moda entre os turistas com gosto pela aventura. Mas não é essa a razão pela qual o Pólo Norte suscitou um súbito interesse em vários países. O motivo é outro: o petróleo e o gás natural, cada vez com maior procura e cada vez mais valiosos nos mercados internacionais.

Actualmente, o Pólo Norte é considerado «zona internacional», mas não continuará assim por muito mais tempo. Canadá, Dinamarca e Rússia querem incluí-lo no seu território, com os Estados Unidos a demonstrarem «interesse estratégico» na região. Muito em breve, as Nações Unidas deverão ser chamadas a dirimir o conflito.

O primeiro país a reclamar posse legítima daquela inóspita região foi o Canadá, na década de 1950. O interesse tinha então a ver unicamente com a população inuit, ou esquimó, e o caso foi entregue a um tribunal internacional, que determinou que, caso nos cem anos seguintes nenhum país reclamasse a posse da região gelada, esta passaria a ser definitivamente território canadiano.

Entretanto, as Nações Unidas aprovaram a Convenção do Mar, que permite a qualquer país reclamar como seu território submarino para além das 200 milhas da zona económica exclusiva, caso submeta provas científicas provando que determinada zona é um «prolongamento natural» da sua superficie continental. Quando um país ratifica esse tratado, tem dez anos para submeter a sua pretensão à posse de um território submarino. O Canadá, a Rússia e a Noruega já o ratificaram em 1999, e a Dinamarca está a preparar-se para o fazer.

Sob o gelo do Pólo Norte existe uma cordilheira submarina, a Dorsal de Lomonosov, que se estende ao longo de 1100 milhas náuticas (2000 quilómetros) entre a Gronelândia, território dinamarquês desde 1814, e a Sibéria russa.

Considerando que a cordilheira é um prolongamento do território siberiano, a Rússia submeteu, há cerca de três anos, à comissão internacional da ONU um pedido para que toda a zona adjacente seja considerada território russo. A pretensão foi rejeitada devido a objecções levantadas por três países que têm territórios árticos: Noruega, Canadá e Estados Unidos.

A Dinamarca enviou, entretanto, uma missão científica para o Pólo, com o objectivo de fazer um levantamento topográfico da Dorsal de Lomonosov. Com base no que foi descoberto, os dinamarqueses têm esperanças de alargar o seu território da Gronelândia até 370 quilómetros para cada um dos lados da cordilheira. Exultava há dias a ministra dos Negócios Estrangeiros dinamarquesa, Helge Sander: «Há uma possibilidade de o Pólo se tornar dinamarquês, poderá dar-nos acesso ao petróleo e ao gás natural».

Não é que isso seja fácil. Jim Gardner, investigador do Centro Hidrográfico de Cartografia dos Oceanos da Universidade de Nova Hampshire, recorda que os quatro meses anuais de escuridão absoluta e o frio extremo representam dificuldades enormes para a investigação científica, e ainda maiores para a exploração de petróleo.

Mas a calote polar está definitivamente a derreter. No dia 4 deste mês, cientistas americanos anunciaram que, em Setembro, a calote deixou a descoberto mais 13,4% que no ano anterior. A manter-se a tendência, diz Torquil Meedon, funcionário do Ministério da Ciência dinamarquês, «as mudanças climáticas indicam que o gelo polar pode desaparecer em 50 a 100 anos, o que tornará a Passagem do Noroeste uma rota marítima nova e valiosa. Também poderá abrir o território à pesca e à exploração de petróleo e gás. Quem sabe qual será o valor dos direitos ao Pólo dentro de cem anos?»

No Canadá, estas pretensões não são bem recebidas. Um leitor do Edmonton Journal escrevia na semana passada: «Lutemos contra os dinamarqueses. Proponho um jogo de hóquei no local em questão, o Pólo Norte. Os vencedores ficam. Os derrotados retiram-se».

E há ainda as populações inuit que habitam a região. Quando perguntaram a Angela Idlout, de Resolute Bay, o que pensava do assunto, respondeu: «Se me pergunta qual é a minha nacionalidade, digo-lhe que me considero canadiana, não dinamarquesa».

Fonte : http://dn.sapo.pt/2004/10/23/internacional/comecou_a_corrida_pelo_polo_norte.html

Exploração oceânica

Rússia coloca bandeira no fundo do oceano Árctico para reclamar o Pólo Norte

Por AFP, Clara Barata

02.08.2007

Exploradores russos tocaram hoje no fundo do oceano Árctico, mesmo por baixo do Pólo Norte, a uma profundidade de 4261 metros. Bem protegida dentro de uma cápsula de titânio, os exploradores vão deixar lá em baixo uma bandeira russa — como os norte-americanos fizeram quando colocaram o seu pavilhão, o stars & stripes, na Lua.
 
Esta será uma forma simbólica de reclamar para Moscovo uma grande parte do Pólo Norte, que se pensa ser rica em recursos naturais, como petróleo e gás natural, bem como diamantes, metais e novas zonas pesqueiras, de espécies apreciadas, como o bacalhau. A Rússia quer marcar assim as suas pretensões à nova corrida ao ouro do Árctico, a todas as riquezas que passarão a ficar disponíveis quando o aquecimento global derreter os gelos do topo norte do mundo — que, dizem os cientistas, podem desaparecer completamente durante o Verão, nos próximos 20 anos.O navio de investigação Akademik Fyodorov e o quebra-gelos nuclear Rossia, com 135 cientistas a bordo, conduziram as operações até ao ponto onde foi feito o mergulho. Os tripulantes enviaram uma mensagem para a Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra a pouco menos de 400 quilómetros de altitude, e vão ainda aproveitar para recolher amostras do leito oceânico.Para quê esta aventura, que um porta-voz do Presidente Vladimir Putin disse ser “de grande importância” para o czar da nova Rússia? Para ajudar a provar o argumento russo de que a plataforma continental siberiana se estende até mais 2000 quilómetros da linha da costa, ao longo da dorsal Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina que se estende até à Gronelândia. No total, Moscovo reclama um triângulo de cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados, diz a agência noticiosa russa Ria Novosti.Já em 2001 a Rússia reclamou este território, mas a Comissão para os Limites das Plataformas Continentais (um organismo das Nações Unidas) considerou que as suas pretensões não estavam fundamentadas.Mas a Rússia não desistiu: em 2009, vai voltar a apresentar as suas pretensões. E, até agora, vai à frente na corrida das cinco nações que rodeiam o Círculo Polar Árctico para reclamar as riquezas que se escondem sob os gelos. Pelo sim, pelo não, a petrolífera BP já se aliou à Rosneft, a empresa estatal rusa de petróleo, para fazer prospecção de petróleo no Árctico, diz o “Financial Times”.O Canadá tem reclamado muitas vezes as suas pretensões como nação do Árctico. Mas faltam-lhe navios capazes de circular pelos perigosos canais entre o gelo do Árctico. Tem apenas um, de momento, embora o primeiro-ministro Stephen Harper tenha anunciado em Julho que ia libertar verbas para construir novos navios quebra-gelo. “A coisa mais inteligente que o Canadá podia fazer era uma declaração política que dissesse, de forma educada, que não concordamos [com a acção russa]”, disse Rob Huebert, especialista no Árctico do Centro de Estudos Militares e Estratégicos, em Calgary.

O Canadá associou-se à Dinamarca — que também reclama direitos no Árctico, porque a Gronelândia está sob a sua administração — para estudar o percurso exacto da dorsal de Lomonosov e determinar os limites da plataforma continental de cada país. Mas essa investigação só deve estar concluída em 2013, anos depois da russa.

Recursos Geológicos – Energia Nuclear

Segundo a legislação portuguesa, entende-se por recursos geológicos ‘todos os bens de natureza geológica existentes na crusta terrestre e que são passíveis de aproveitamento. Qualquer substância de natureza geológica [sólida, líquida ou gasosa], ou mesmo o calor geotérmico, pode ser classificada como recurso geológico. 

O aproveitamento desses recursos depende da sua concentração na crusta terrestre, de modo a permitir a rentabilidade da sua exploração. Os recursos geológicos de um país existem na parte acessível da crusta terrestre e podem ser identificados ou não identificados. Denomina-se reserva um recurso geológico conhecido que possa ser explorado, quer do ponto de vista legal quer económico.

Para que serve o urânio?

Urânio => Energia = capacidade de trabalho

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O que é o urânio? Como Funciona? (Versão em inglês)

  • Urânio é um metal muito pesado que pode ser utilizado como fonte energética muito concentrada.
  • Ocorre na maioria das rochas em concentrações de 2 a 4 ppm (partes por milhão), sendo muito comum na crosta terrestre associado a estanho, volfrâmio e molibdénio. Ocorre na água do mar e pode ser removido dos oceanos.
  • Foi descoberto em 1789 por Martin Klaproth, um químico alemão, num mineral chamado de Pecheblenda. O nome deriva de Urano, planeta descoberto oito anos antes.
  • O urânio terá tido origem numa supernova há cerca de 6.6 bilioões de anos. Não é comum no Sistema Solar, mas o seu decaímento radioactivo é hoje uma fonte de energia do interior da Terra, sendo responsável pelas correntes de convecção e motor da Tectónica de Placas.
  • A elevada densidade do Urânio tem inúmeras utilizações tecnológicas.
  • O ponto de fusão do Urânio  1132°C.
  • Símbolo químico U.

Urânio em Portugal

Mina da Urgeiriça (Portugal) – Para consultar um post antigo sobre esta mina portuguesa clique aqui.

http://www.teachertube.com/view_video.php?viewkey=88b773325a13afcf63c5

 

A Iberian Resources, o Grupo Rio Narcea e duas outras empresas estrangeiras querem explorar urânio em Portugal. A subida acentuada, desde o final de 2004, das cotações do minério justifica o interesse. Para muitos, o ressuscitar da exploração é uma boa notícia para a economia nacional.

Portugal deixou oficialmente de produzir urânio em 2001. Em Abril de 2005, a Iberian Resources apresentou uma proposta ao Ministério da Economia para fazer prospecção e pesquisa no jazigo de Nisa, Portalegre. O Estado ainda não respondeu à solicitação da empresa de capitais australianos, que, segundo o DN apurou, poderá ver o seu pedido recusado.

Entretanto, duas outras empresas ainda sem sede em Portugal apresentaram projectos, não se sabendo quais os depósitos em vista. O representante do Grupo Rio Narcea, José Castelo Branco, diz apenas que o urânio interessa, não adiantando se já fez algum pedido à tutela nesse sentido.

O Governo não tem, ao que parece, uma posição sobre o assunto. “Não há ainda uma decisão de aceitação ou de total recusa”, revelou, ao DN, fonte governamental, reconhecendo que a “barreira ambiental” poderá inviabilizar o reinício da exploração de urânio. A própria Direcção-Geral de Geologia e Energia, organismo responsável pela avaliação das propostas, não sabe como agir. “Tem de haver uma discussão, sem tabus e sem posições definidas à partida, sobre esta matéria”, acrescenta.

O facto de parte da jazida de Nisa se situar em áreas das reservas Ecológica e Agrícola Nacional poderá pôr em causa a aprovação do pedido da Iberian, reconhece Luís Martins, considerando, no entanto, que este aspecto é, por si só, insuficiente para rejeitar o projecto.

Hoje é “perfeitamente possível compatibilizar, do ponto de vista técnico, a exploração com os aspectos ambientais”, sobretudo numa altura em que as normativas europeias “sossegam todos os que ainda estão ensombrados pelos erros cometidos no passado”, acrescenta o director do Departamento de Prospecção de Rochas e Minerais Não Metálicos do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).

Não aproveitar esta oportunidade por questões ambientais seria, sublinha o geólogo, “obstar ao desenvolvimento económico”.

O preço do óxido de urânio triplicou desde 2000, altura em que atingiu o valor mais baixo em duas décadas. No início deste ano, as cotações chegaram aos 30,21 euros por libra (peso), equivalente a 66,46 euros por quilo. O que quer dizer que só em óxido de urânio, a jazida de Nisa vale mais de 43 milhões de euros.

Foi, aliás, recorrendo a estas informações que a Iberian fundamentou o seu pedido. “Propusemos, em linhas gerais, a reavaliação e confirmação dos dados existentes, passando-se para uma fase de estudos metalúrgicos e de pré-viabilidade económica”, explica, ao DN, João Carlos de Sousa, country manager da empresa de capitais australianos, detentora de contratos de prospecção e pesquisa para ouro em Évora, Montemor-o-Novo, Alter do Chão e Arronches.

Empurrão à economia nacional

Se não surgirem condicionantes “intransponíveis” à exploração, João Carlos de Sousa diz que a indústria extractiva pode impulsionar a economia nacional, “com a criação de mais emprego em zonas geralmente desfavorecidas e com o aumento da sua contribuição para o PIB”. Contudo, para que isso aconteça é fundamental que haja uma política “clara e séria para a prospecção e pesquisa”, adverte Luís Martins, criticando a ausência de resposta aos pedidos de licenciamento que ao governo vão chegando “Ainda não se definiu se queremos atrair ou não investimento para esta indústria”. Luís Viegas, antigo administrador da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU), denuncia que, não raras vezes, a “preservação ambiental é pretexto para beneficiar interesses instalados”.

Faltam incentivos e vontade de aligeirar entraves. É preciso, acima de tudo, que a actividade mineira tenha capacidade para constituir um “cluster forte que faça frente ao lobie ambiental”, afirma, por outro lado, Luís Martins.

Uma política de incentivo, que passe, designadamente, pela atribuição de benefícios fiscais às empresas mineiras, e o ajustamento da legislação que regula o sector à realidade são algumas das “fórmulas mágicas” sugeridas pelo geólogo para dar vida à indústria mineira.

O maior jazigo inexplorado

Esta mina (que equivale a cerca de 60% do potencial do Alto Alentejo) foi, em tempos, a menina dos olhos da ENU. Nisa tem o maior jazigo inexplorado alguma vez descoberto em território nacional, estando o seu potencial estimado em quase 6,3 milhões de toneladas de minério não sujeito a qualquer tratamento, 760 mil toneladas de minério seco e cerca de 650 mil quilos de óxido de urânio. O Empreendimento Mineiro de Nisa, como era designado, ocuparia uma área de 70 hectares e empregaria mais de 70 pessoas. A laboração estender-se-ia por seis anos, ao longo dos quais exploraria cerca de um milhão de toneladas por ano. O investimento necessário previsto era, então, de cinco milhões de euros (1,5 milhões para a lavra mineira, perto de três milhões para o tratamento do minério e cerca de um milhão para infra-estruturas e ambiente). Valores que não estarão totalmente desactualizados.

Luís Martins não duvida da viabilidade económica dos depósitos de Nisa. Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, diz que são os “únicos que poderão, em contexto muito favorável, vir a oferecer hipóteses para exploração”. Mas o responsável do INETI aponta ainda outros potenciais locais para reiniciar a exploração do recurso, como a Urgeiriça, Cunha Baixa (ambas na zona de Viseu) e Horta da Vilariça (Bragança). 

Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/uranio_alta_novo_folego_a_jazidas_na.html

Minas abandonadas em Portugal. Risco em zonas de minas de urânio

Num momento em que se admite reiniciar a exploração de urânio em Portugal desponta a questão da reabilitação das minas abandonadas. Um processo lento e que, decorridos mais de quatro anos desde a sua apresentação pública, pelo então ministro do Ambiente, José Sócrates, pouco ou nada avançou. O DN sabe que o Governo corre o risco de perder o financiamento comunitário para o projecto. A justificação é consensual desperdiçou-se tempo.

Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pe- la recuperação ambiental das escombreiras, aponta várias razões para o atraso. Desde logo, o facto de o POE/PRIME só ter sido aprovado em Abril de 2002 e de, no âmbito desta medida, “não terem sido acauteladas, por quem de direito, as verbas que eram necessárias para o avanço dos projectos das minas de urânio”.

Os exigidos, por parte do Ministério do Ambiente, “sucessivos” estudos e declarações de impacte ambiental consumiram, por si sós, mais de um ano, atrasando repetidamente a adjudicação de obras. Na opinião de Luís Martins, do INETI, o que correu mal foi a “instalação de um sistema de controlo altamente burocrático e ineficaz”, que permitiu a consumação de apenas um (Jales) dos quase 20 estudos realizados.

A tutela tem vindo a “arranjar para cada solução novos problemas”, denuncia aquele responsável, lamentando que existam projectos de reabilitação “feitos há muito tempo e que nunca passaram à realidade”.

No entanto, já em 1996 estas e duas outras escombreiras, Quinta do Bispo e Vale de Abrutiga, eram apontadas como “situações potencialmente muito graves, que urge serem resolvidas de imediato”, lê-se no Plano Estratégico de Ambiente, a que o DN teve acesso.

O relatório, encomendado pela antiga Empresa Nacional de Urânio, recomendava que fosse feito, “já em 1997″, um esforço de investimento, na ordem dos 65 mil contos (cerca de 325 mil euros), para implementar um “conjunto de acções prioritárias”. Mas nenhuma delas sofreu, até hoje, qualquer intervenção. Desde então, foram apenas requalificadas as explorações de ouro de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, e de cobre de S. Domingos (ainda não concluída), em Mértola. A EDM espera intervir, até 2012, em cerca de meia centena de escombreiras, mas há, em todo o País, 175 áreas afectadas pela exploração mineira antiga.

Luís Viegas, antigo administrador da ENU, sublinha que 75% do financiamento era então assegurado por fundos comunitários. Mas “as verbas não foram utilizadas e não sei se ainda podem ser”.

Permanece uma pergunta o que foi feito dos 50 milhões de euros canalizados, em 2001, pelo Programa Operacional da Economia para este projecto; dos 35 milhões locados, em Fevereiro de 2005, pelo ex-ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, para intervenções em cerca de 30 minas de urânio desactivadas; e dos 70 milhões (10,5 milhões garantidos) anunciados, cinco meses depois, pelo actual secretário de Estado adjunto da Indústria e da Inovação para a reabilitação das 61 minas de urânio?
Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/minas_abandonadas_esperam