Granulitos

O termo granulito, derivado do latim (granulum), foi utilizado, originariamente, por  autores alemães para designar leptinitos de Granulitgebirge, Floresta Negra, em função, essencialmente, da textura fina e granuloblástica que apresentam. Segundo Miyashiro(1973), o nome granulito significava originariamente rochas com textura granulítica, caracterizada por bandas ou fitas, por vezes, de diferentes minerais com tendência equigranular e equidimensional, Foto 1

Foto 1 – Amostra de granulitos formados a elevadas pressões e temperaturas, formados em resultado do choque de massas continentais durante a formação do supercontinente Rodínia. Granulitos de Tojal dos Pereiros, Bragança (Portugal).

Este termo tem sido usado com conotação variável , de petrográfica (fácies metamórfica granulito de Eskola,1939 in Turner & Veerhoogen,1960) a geotectónica, relacionada com a compartimentação em cinturões de alto grau metamórfico (cinturões granulíticos ou granulític mobile belts). 

A utilização frequente  na bibliografia para designar as próprias rochas dos cinturões granulíticos contraria  propostas como as de Winkler (1977), que sugeriu reservar o uso do termo granulito para a  designação da fácies metamórfica, atribuindo termos especiais (granolito, granoblastito..) para especificar as rochas granulitizadas, Foto 2.

Foto 2 – Este Geossítio (Maciço de Morais- Geoparque Mundial UNESCO Terras de Cavaleiros) é um dos raros locais do planeta Terra onde se observa o limite que ocorre a cerca de 20 quilómetros de profundidade, no contacto entre as rochas da crosta continental média (gnaisses de Lagoa) e da crosta continental mais profunda (granulitos) – Descontinuidade de Conrad.

Resumindo, o termo granulito pode ser utilizado, conforme uso corrente, com um sentido  amplo, servindo tanto para designar a fácies metamórfica quanto as rochas metamorfizadas nessa fácies, além de englobar as rochas plutónicas e/ou anatéxicas associadas (charnockitos, enderbitos, mangeritos..) que cristalizaram debaixo das mesmas  condições de pressão e temperatura. Assim, os granulitos compreendem rochas de composição  variada, de origem intra ou supracrustal, que sofreram metamorfismo da fácies granulítica. Isto vem simplificar a nomenclatura das rochas granulitizadas com o uso substantivado ou adjetivado do termo granulito como, por exemplo: diorito granulítico; granulito ácido; granulito granodiorítico, etc..

Fontes consultadas:

http://mw.eco.br/ig/posg/dout/tese005/index.html

ESKOLA,P.1939.Die Metamorphen Gesteine. In Die Entsehung der Gesteine. by Tom Barth,C.W. Correns and P.Eskola: 263-407.

MIYASHIRO,A.1973. Metamorphism and metamorphic belts. George Allen & Unwin Ltd.

WINKLER,H.G.F. 1977. Petrogênese das rochas metamórficas.Ed.Edgard Blucher(tradução).

WINKLER,H.G.F.;SEN,S.K. 1973. Nomenclature of granulites and other high grade metamorphic rocks. N.Jb.Miner.Monatsh;1973:393- 402

Nódulos de cherte nas ruas de Cracóvia

O Cré é uma rocha carbonatada que corresponde a um sedimento pelágico muito rico em calcite.

É uma rocha porosa e friável, depositada em águas profundas, mas acima do nível de compensação dos carbonatos.

A sul de Cracóvia (Polónia) na pedreira abandonada de Zakrzówek afloram calcários (Crés)  de idade Jurássica ricos em nódulos de cherte, Foto 1. O impacte ambiental da pedreira foi minimizado através da recuperação da paisagem transformando esta aérea num lago não poluído e que pode ser utilizado em atividades de lazer.

Foto 1(A) pedreira abandonada de Zakrzówek (Cracóvia). Neste local agora recuperado, pretende-se conservar a natureza, a paisagem e o modo de vida das populações, estimulando a sua evolução harmoniosa e equilibrada. (B) Nas construções dos edifícios na cidade de Cracóvia (Polónia) é possível observar calcários brancos de cré muito ricos em nódulos de cherte. Estes restos de espículas forneceram a sílica necessária à neoformação dos nódulos.

Todas as características dos chertes indicam a sua origem diagenética a partir de uma lama ou vasa maioritariamente carbonatada biogénica contendo, à mistura, uma certa percentagem de restos esqueléticos siliciosos, em especial espículas de espongiários.

Estes calcários são constituídos por carapaças de microforaminíferos e de algas planctónicas, além de outros restos esqueléticos, de natureza siliciosa, como são os radiolários e as espículas de esponjas. Este material de natureza siliciosa forneceu a sílica necessária à neoformação do cherte, tão abundantemente representado na cré.     

Na sequência do aumento da solubilidade dos carbonatos com a profundidade, estabeleceu-se o conceito de nível de compensação do carbonato. Abaixo de um certo nível, entre os 3000 m nas zonas polares e 5000 m  zona equatorial, os restos esqueléticos em queda, em especial os foraminíferos planctónicos dissolvem-se completamente, tendo como resultado a inexistência de sedimentos carbonatados nos grandes fundos abaixo daqueles valores.  

Bibliografia consultada

  1. Galopim, C., (2006). Geologia Sedimentar, Volume III – Rochas Sedimentares. Âncora Editora .
  2. https://geojournals.pgi.gov.pl/asgp/article/viewFile/12370/10843
  3. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352409X20303916

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