Estruturas Sedimentares – gotas de chuva

À medida que o agente de transporte perde competência (energia), os sedimentos depositam-se de acordo com o seu peso, em camadas sucessivas, originando estratos. Estes estratos encontram-se separados por superfícies, designadas de juntas de estratificação, resultantes de alterações do processo de sedimentação.   

Muitas vezes, a superfície dos estratos exibe estruturas e marcas características, adquiridas posteriormente à formação do depósito. Entre estas estruturas temos as ripple-marks ou marcas de ondulação, cuja presença é utilizada pelos  geólogos como critério para avaliar a posição original das camadas e a direção das  correntes que as produziram.

As marcas da chuva (Foto 1) correspondem a reduzidas crateras de impacto produzidas pela chuva em sedimentos macios e soltos, especialmente em siltes e argilas.

Foto 1 – Marcas da chuva deixadas em sedimentos de idade Mesozoica, Polónia.

Após o a diagénese, estas impressões podem ser preservadas se cobertas por uma outra camada de sedimento.

Slump ou dobras sin-sedimentares

O que é um slump?

É uma estrutura sedimentar de deformação pós-deposicional que pode ocorre desde a escala centrimétrica a quilométrica. A designação é atribuída a um depósito subaquático, constituído por uma grande massa de sedimentos que desliza pela acção da gravidade ao longo de taludes e se deforma internamente durante o movimento, Foto 1.

Esquema

Foto 1 – As estruturas de deslizamento subaquático são frequentemente utilizadas como critério de polaridade vertical, pois mostram um grau de deformação crescente para o teto, bem como um truncamento das estruturas antiformas, também para tecto.Sin-sedimentar, diz-se de qualquer fenómeno que acontece simultaneamente com a sedimentação de materiais.

Estas massas adquirem frequente formas bem características, como dobras deitadas, anticlinais e sinclinais assimétricos. Associam-se-lhes, por vezes, fenómenos de brechificação de sedimento, originando blocos de dimensões variáveis, podendo ocorrer falhas. O plano axial da dobra, habitualmente posiciona-se  , paralelamente à inclinação do talude.

Os slumps nas fotografias que se seguem foram tiradas num afloramento da Praia da Mareta (Algarve – Portugal.  Parte da geologia visitada nesta praia pode ser consultada num post anterior (clique aqui) . Os slumps observados ocorrem em rochas do Caloviano (Jurássico médio).

Enquadramento geológico

A Praia da Mareta está localizada numa província geológica denominada Bacia Meso-Cenozóica. Esta bacia (também designada Bacia Algarvia) tem 150 km de comprimento e 13 a 30 km de largura apresenta uma orientação E-W. Atendendo à diversidade geo-paisagística e ao coberto vegetal consideram-se três grandes unidades fisiográficas/geomorfológicas: a Serra (formações do Paleozóico), o Barrocal (formações do Mesozóico) e o Litoral (formações Meso-Cenozóicas). Os depósitos sedimentares do Mesozóico são contemporâneos da bacia Lusitânica (Orla Ocidental) e terão sido depositados durante a abertura do oceano de Tethys e Atlântico, sofrendo uma inversão do regime tectónico, fenómeno este induzido pela colisão das placas Africana e Euro-asiática no Cretácico superior.

Nas arribas da praia da Mareta encontram-se expostas duas séries de formações diferentes: a série sedimentar quase completa do Jurássico médio e parte da série sedimentar do Jurássico superior. Estas duas séries encontram-se separadas por uma discordância erosiva, separando o Caloviano (Jurássico médio) do Oxfordiano (Jurássico superior).

A Praia da Mareta situa-se na sub-bacia ocidental onde a sedimentação permaneceu contínua durante todo o Liásico médio e superior (Jurássico médio), com fácies de plataforma aberta margo-carbonatada. Após a lacuna erosiva do Aaleniano (Jurássico médio), voltou a verificar-se sedimentação carbonatada no Bajociano (Jurássico médio), (176 a 170 Ma), mas agora com o desenvolvimento de uma pequena barreira de construções recifais, que separava ambientes de fácies lagunares, a Norte, de ambientes francamente marinhos, a Sul.

O Caloviano (Jurássico médio) é representativo de um regime de sedimentação mais distal, de maior profundidade, sobre o qual assenta em discordância o Oxfordiano (Jurássico superior). São também notáveis nos níveis margosos do Caloviano as estruturas de escorregamentos sin-sedimentares (slumps).

Fotos de slumps na Praia da Mareta (Jurássico médio)

Slump (Praia da Mareta) (42)

 

Slump (Praia da Mareta) (28)

 

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Fontes consuladas do texto e esquema:

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