Serra da Estrela

A Serra da Estrela apresenta um património natural e cultural bastante rico e peculiar que justificou a classificação de uma vasta área do maciço como Parque Natural em 1976, a atribuição do estatuto de Reserva Biogenética em 1992 e a inclusão da maioria das áreas desta Serra na Rede Natura 2000. A topografia geral desta montanha, que denuncia uma origem tectónica, os testemunhos geomorfológicos da glaciação würmiana, que contrastam claramente com os traços da morfologia granítica das áreas não glaciadas, a diversidade de rochas aí aflorantes, a biodiversidade e as marcas da influência humana na evolução das paisagens conferem à Serra da Estrela um valor inestimável.

Do ponto de vista litológico, a região Serra da Estrela é constituída maioritariamente por granitos, que se formaram no final do Paleozóico, durante as fases finais da orogenia varisca, que intruem rochas metamórficas pré-existentes.
As rochas metamórficas, representadas pelo Complexo Xisto-Grauváquico (CXG) ante-ordovícico e por um complexo gnáissico-migmatítico, distribuem-se nos sectores sul, sudoeste e nordeste do maciço. O complexo gnáissico-migmatítico, que se estende de Videmonte até Linhares e Folgosinho, apresenta uma foliação bem marcada, conferida pela orientação das micas e pela alternância de bandas escuras e de bandas claras. Os granitos que encontramos neste maciço apresentam composição mineralógica e textura variadas, sendo os granitos porfiróides de grão grosseiro a médio, predominantemente biotíticos, os mais abundantes. Disseminados pela área da montanha ocorrem numerosos filões de quartzo, que apresentam frequentemente mineralizações de estanho e de volfrâmio, outrora exploradas para fins económicos. Há também, em menor quantidade, filões de rochas ígneas básicas e de aplitos e pegmatitos. Dispersos na região encontram-se vários depósitos de rochas sedimentares recentes (do Cenozóico). Estes depósitos encontram-se bastante localizados e são de origem fluvial, fuvioglaciar e glaciar.

Referências: 

https://sicnoticias.pt/programas/reportagemespecial/2019-10-05-Serra-Adentro

DAVEAU, S. (1971). La Glaciation de la Serra da Estrela. Finisterra, Lisboa, VI (11): 5-40.

DEVY-VARETA, N. (1986). Para uma geografia histórica da floresta portuguesa – Do declínio das matas medievais à política florestal do Renascimento (séc. XV e XVI). Revista da Faculdade de Letras – Geografia, I Série, Vol.2, Porto, p.5-37.

FERREIRA, N. & VIEIRA, G. (1999). Guia Geológico e Geomorfológico do Parque Natural da Serra da Estrela – Locais de interesse Geológico e Geomorfológico. Inst. de Conserv. da Natureza & Inst. Geol. e Mineiro, Lisboa: 111p.

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