Rapakivi

A textura rapakivi é uma caso especial de zonação em feldspatos, sendo esta caracterizada por uma auréola de plagióclases rodeando o núcleo de feldspato potássico. Apesar de existirem diversas explicações para a origem desta textura, tudo parece indicar uma origem relacionada com mudanças na composição do magma inicial por mistura/contaminação com magmas mais básicos, Foto 1. Os estudos de petrologia experimental parecem também apoiar uma origem relacionada com a mistura de magmas. 

Rapakivi

Foto 1 – Esta textura rapakivi é observada sobretudo em granitos formados preferencialmente no Proterozóico. O termo rapakivi («rocha podre») foi introduzido por geólogos finlandeses em referência à textura aqui descrita e que é característica de muitos granitos proterozoicos (com cerca de 1800 milhões de anos) que afloram no escudo báltico.

Como se forma esta textura?

Observando com atenção a foto 1 além dos feldspatos ovoides com auréolas de plagioclase é possível observar feldspatos sem auréolas e plagioclases sem estarem a rodear os feldspatos potássicos. Mais pequenos e presentes na matriz. Intrigante? sem dúvida… 

Na Figura 1 com o diagrama P-T mostrando os equilíbrios mais significativos para um sistema híbrido (H) formado por uma mistura de magmas entre um sistema máfico (M; 30%) e um félsico (F; 70%) é possível compreender o processo de formação deste tipo particular de textura.

Rapakivi-2Figura 1 –  No diagrama P-T encontram-se representadas algumas curvas significativas do sistema félsico. As temperaturas e percentagens de cristais dos magmas envolvidos na mistura a alta pressão foram calculados com o programa MELTS (http://melts.ofm-research.org/).

As setas vermelhas marcam a trajetória ascendente do magma e o seu arrefecimento isobárico (pressão constante) e instalação do magma a 300 MPa.

O processo deformação pode ser explicado em três etapas:

  1. Mistura dos magmas em profundidade. Os cristais de ortóclase (magma félsico) formados sofrem dissolução devido à instabilidade provocada pelo aumento da temperatura e mudança na composição do sistema (mistura). Esta dissolução explica a formação de ortóclase (feldspato potássico) com uma forma ovoide. Cristaliza a clinopiroxena e a plagióclase no magma máfico e estes minerais são incorporados como xenocristais no magma híbrido.
  2. Durante a ascensão o magma híbrido (H) cruza a curva de estabilidade da clinopiroxena (Figura 1) e o líquido torna-se mais rico em cálcio. No arrefecimento forma-se a plagióclase que rodeia a ortóclase formando uma auréola do “magma básico” nas ortóclases ovoides do “magma félsico”.
  3. Na etapa de instalação e arrefecimento de novas auréolas de plagióclase são formadas sobre as camadas anteriores. Ocorre cristalização de plagióclase e ortóclase à  “mesostasis” ou matriz da rocha ígnea formada.

Granito de Lavadores e rapakivi

O granito de Lavadores (Porto, Portugal) é um granito porfiróide, com matriz de grão médio a grosseiro, biotítico (biotite primária), podendo apresentar alguma moscovite e abundantes megacristais de felspato potássico. Nos megacristais, a incidência da luz solar permite verificar a existência de um plano que divide o megacristal em duas zonas com diferente orientação cristalográfica – plano de macla (macla de Karlsbad). Os megacristais apresentam outras características importantes, a presença de orlas de crescimento tardio relativamente à cristalização da matriz envolvente, muitas vezes evidenciadas por «linhas concêntricas» de concentração de biotite e a existência de megacristais com textura rapakivi, Foto 3. Verifica-se que a quantidade de megacristais é muito variável, havendo zonas em que se observa grande concentração destes, em detrimento de outras em que ocorrem de modo mais disperso.

Rapakivi (Lavadores)

Foto 3 – No granito de Lavadores, em certos locais é possível observar a presença de megaristais rosados com uma orla exterior branca, representando uma textura rapakivi.

Este granito é, ainda, caracterizado pela presença de numerosos encraves mesocratas e melanocratas, em geral microgranulares, por vezes com alguma tendência porfiróide. Estes encraves têm dimensões variáveis, contactos bruscos e formas mais ou menos ovaladas. Em alguns locais do afloramento, os encraves ocorrem em concentrações, por vezes alinhadas (corredores de encraves ou enxames de encraves) que parecem representar, no seu conjunto, estruturas magmáticas relacionadas com a instalação e o fluxo do magma. Estes aspetos poderão ser explicados por cristalização, mais ou menos simultânea, de dois magmas imiscíveis e com diferentes viscosidades, correspondendo um deles a um magma granítico, e o outro, a um magma possivelmente de composição tonalítica.

A mistura destes dois magmas pode explicar a presença de textura rapakivi neste granito de idade paleozóica. Será esta a explicação?

Fontes consultadas:

https://www.researchgate.net/publication/247936966_The_Origin_of_Rapakivi_Texture

 

 

Cidades de informação geológica – Metz

Metz

Localiza-se no nordeste da França (330 Km de Paris, 18 Km de Nancy e 60 Km de Luxemburgo). Capital da Lorena, a cidade de Metz é atravessada pelo rio Mosela (Moselle em francês)  com uma extensão de 560 km marcados por célebres vinhedos, desembocando no rio Reno perto da cidade alemã de Coblença (Koblenz).

Embora historicamente Nancy tenha sido a capital do ducado de Lotaríngia (um reino da  Europa ocidental resultante da divisão do Império Carolíngio e que consistia numa estreita faixa de terra ao longo dos rios Reno e Ródano), foi Metz a cidade escolhida como a capital da recém-criada região da Lorena (pequena porção da Lotaríngia), em meados do século XX, Foto 1.

Cathédrale Saint-Étienn-4

Foto 1 – A carta geológica da Lorena é dominada por largas bandas paralelas com uma orientação geral norte-sul e conta um capítulo da história geológica da Bacia de Paris. A sul aflora o soco varisco formado por rochas magmáticas e metamórficas (laranja e rosa).  Sobre estas rochas de idade paleozoica encontram-se depositados os sedimentos do Triásico (roxo), testemunhos da sedimentação no grande “mar germânico” onde aos arenitos da base sucedem rochas evaporíticas. Para oeste encontram-se os calcários marinhos (azul) de idade jurássica testemunhos de mares povoados por cnidários com belos recifes de corais e calcários de idade cretácica (verde) representando este todo este conjunto mesozoico uma auréola da bacia de Paris.

Geologia

A catedral de cathédrale Saint-Étienne e grande parte dos edifícios da cidade foram edificados com um calcário amarelo que apresenta restos de conchas de bivalves e oólitos. Estes últimos correspondem à componente aloquímica não esquelética, subesférica, de dimensão milimétrica e de configuração comparável às dos ovos de peixes, Diporama 1.

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Diaporama 1 – Conhecida localmente por “Pedra de Jaumont” é um calcário do Bajociano (170 Ma), andar do Jurássico médio, definido em 1847, em Bajocae, nome latino de Bayeux em França.

 

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