Granodiorito de São Lourenço

As espessas séries de sedimentos do Neoproterozóico – Paleozoico inferior, com elevada representatividade no norte de Portugal, sofreram, como consequência da orogenia varisca, uma evolução complexa ao longo do Paleozoico médio e superior. Esse quadro evolutivo foi também responsável pela produção de abundante magmatismo que caracteriza a ZCI e cuja génese está diretamente associada a fenómenos de deformação gerados após a colisão continental, produzindo, consequentemente, grandes volumes de magmas resultantes da fusão de materiais infra-crustais.

O conjunto das emergências termais do vale do Tua enquadra-se num ambiente litológico composto por granitos variscos sintectónicos. Estes granitóides intruíram nas formações metassedimentares do Grupo do Douro (Complexo Xisto Grauváquico), do Ordovícico Inferior e Superior e no Complexo de Mantos Parautóctone. A implantação destes granitos ocorreu durante as fases de deformação dúctil a frágil varisca (D3 e D4) entre os 321 e os 290 Ma, Foto 1.

A

Foto 1 – Granodiorito de São Lourenço (Carrazeda de Ansiães). Em geral, atribui-se aos granodioritos e granitos biotíticos, sin- e tardi-pós-D3 uma origem profunda, seja por anatexia de materiais da crusta inferior, seja por hibridização entre fundidos félsicos crustais e magmas máficos derivados do manto. No entanto, não há uma opinião consensual sobre a proveniência dos materiais crustais (metasedimentares ou metaígneos; crusta superior ou inferior) que terão estado envolvidos na petrogénese destes granitóides. Por outro lado, a possível contribuição de magmas de origem mantélica, embora assumida na maioria das interpretações propostas, também tem sido explicada em termos de diferentes modelos.

Nas Caldas de São Lourenço, localizadas na margem esquerda do Rio Tua, ocorrem quartzodioritos e tonalitos no chamado Granodiorito de São Lourenço, Foto 2.

Granodiorito de São Lourenço B-10

Foto 2 – Quartzodiorito de São Lourenço. Na região de Carrazeda de Ansiães afloram granitos variscos, dominando o granito de grão grosseiro a médio porfiróide biotítico/moscovítico que é sin-D3. O magma destes granitos intruiram as rochas metassedimentares do Grupo do Douro, produzindo uma auréola de metamorfismo de contacto com micaxisto e corneana. São vulgares os encraves de tonalito.

Termalismo 

As Termas de S. Lourenço, situadas na margem sul, no Município de Carrazeda de Ansiães apresentam águas que têm origem meteórica e a sua recarga é feita em cotas elevadas do cerco montanhoso envolvente, apresentando ainda temperaturas, situadas entre os 29 e os 30 graus e são designadas por águas fluoretadas, bicarbonetadas, sulfuretadas, sódicas, alcalinas e redutoras.  As águas minerais diferem das águas comuns por determinadas características e composição físico química específica que lhes conferem capacidade de terem efeitos benéficos na saúde das pessoas, nomeadamente: temperatura de emergência, acidez, mineralização, quimismo e radioatividade. As indicações terapêuticas são: doenças da pele, doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, vias respiratórias e doenças do aparelho digestivo, Foto 3.

Caldas de São Lourenço (Termas)-6

Foto 3 – Balneário das Termas de São Lourenço. As águas de São Lourenço enquadram-se na família das àguas bicarbonatadas, sódicas, súlféreas, fluoretadas, por vezes cloretada e alcalina que emergem a uma temperatura próxima dos 30º C.

O contexto geológico das Caldas de São Lourenço, a Sul das Caldas de Carlão e localizadas na margem esquerda do rio Tua, é marcado sobretudo pela ocorrência de quatzodioritos e de tonalitos, onde a fraturação NNE-SSW condiciona a emergência das águas sulfúreas destas duas termas.  Se se considerar como água termal a água de origem subterrânea, cuja temperatura de emergência excede os 20º C, poder-se-á dizer que este tipo de ocorrências está largamente espalhado em Portugal Continental. Contudo, a temperatura de emergência nunca excede os 80ºC, verificando-se existir uma predominância entre os 20ºC e os 40ºC. Estas ocorrências encontram-se desigualmente distribuídas em todo o território, observando-se uma concentração mais pronunciada a Norte, motivada, fundamentalmente, pelo facto de Portugal se encontrar dividido em grandes zonas cujas características geológicas e estruturais diferem significativamente.

Fonte :

https://www.researchgate.net/publication/284760616_Origem_e_instalacao_de_granitoides_variscos_na_Zona_Centro-Iberica

http://repositorio.lneg.pt/bitstream/10400.9/2198/1/35943.pdf

 

 

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