A idade da Terra

A descoberta da radioactividade por Henri Becquerel (1852-1908) em 1896 – a propriedade de determinados elementos, como o urânio, o rádio e o poló­nio, de emitirem raios e mudarem o seu número atómico -, revolucionou tudo.

Os elementos radioactivos podem desintegrar-se noutro elemento através da acção da emissão de raios. Na desintegração radioactiva, o elemento pai, por exemplo o urâ­nio, decai durante um certo período para um outro elemento, chamado filho, como o tório.

A descoberta da radioactividade causou uma enorme excita­ção em todo o mundo da Física e, apenas quatro anos mais tarde, Ernest Rutherford (1871-1937) e Frederick Soddy (1877-1956) provaram que a desintegração radioactiva é exponencial –ou seja, a quantidade de matéria radioactiva reduz-se a metade em certos prazos temporais. Por outras palavras, 1000 átomos de urânio reduzem-se a 500 num certo período, e esses 500 caem para 250 num período igual, passando depois a 125 e daí por diante. Três anos volvidos, e na presença de um lorde Kelvin envelhecido e algo excêntrico, Ernest Rutherford sugeriu que a desintegração radioactiva poderia fornecer um relógio geológico.

Ele argumentava que, se os cientistas mediam o tempo que leva­va à quantidade do elemento radioactivo pai a decair para meta­de e se transformar no elemento filho – uma janela temporal desde então chamada meia-vida -, então a medição das propor­ções dos elementos pai e filho numa amostra de rocha adequada poderia fornecer uma estimativa da sua idade.

A tese de Rutherford foi levada à prática com uma rapidez espantosa. O jovem geólogo britânico Arthur Holmes (1890-1965), de apenas 21 anos na altura, teve um desempenho vir­tuoso ao publicar a primeira estimativa de datação das rochas em 1911: as suas estimativas compreendiam um intervalo que ia dos 340 milhões de anos (uma rocha do período Carbonífe­ro) aos 1640 milhões de anos (uma rocha do Pré-Câmbrico). Estes números não distam significativamente das estimativas da idade moderna.

Repare-se que os primeiros nove déci­mos da história da Terra são designados por Pré-Câmbrico, por precederem o período Câmbrico: trata-se de um termo negativo e redutor para designar um tão vasto intervalo cronológico da história da Terra, mas agora que o termo está estabelecido não pode ser facilmente alterado.

Após as primeiras e muito imperfeitas estimativas terem sido feitas, Holmes e muitos outros talharam arduamente no melhoramento da sua compreensão das medições da idade, e a Química e a Física foram alvo de muitas revisões, pelo que, em 1927, Holmes foi capaz de apresentar um sumário bastante fiá­vel das datas-chave para a história da Terra. Holmes sugeriu que a idade da Terra se encontraria no intervalo entre 1600 e 3000 milhões de anos. No mesmo ano, Rutherford avançou com 3400 milhões de anos e, na década de 1950, a idade da Terra foi finalmente estimada entre 4500 e 4600 milhões de anos, o número ainda hoje aceite. Era, e ainda é, difícil de datar com exactidão a origem da Terra porque presumivelmente as rochas se encontravam fundidas, não havendo consequentemente cristais solidificados que possam ser datados.

Adaptado de Breve Históra da Vida. Michael J. Benton. Texto

Nota

Idade da Terra = 4.5 Ga (giga anos), por vezes aparece 4500 Ma
Ga: Giga-anos (1 000 000 000 anos)
Ma: Milhões de anos (1 000 000 anos)
1 Ga = 1.000 Ma

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