Variações climáticas caóticas

No registo geológico existem evidências de variações climáticas caóticas. Se quisermos estudar as variações climáticas a uma “escala temporal longa”, além dos Ciclos de Milankovic devemos levar em linha de conta um outro factor: a Tectónica de Placas. Este processo interno da Terra associado ao processo externo (Sol) influência o clima. Um influência o outro, é essa a realidade. Mas os dados tornam-se mais incertos. O conjunto de indicadores recolhidos por geólogos (dados paleoclimáticos, presença de sal, de carvão, recifes tropicais, solos desérticos, forma dos contornos e natureza das nervuras das folhas fósseis, isótopos de oxigénio, etc) têm permitido reconstruir a temperatura da atmosfera ao longo do Fanerozóico e mesmo para idades mais antigas. O somatório dos períodos de uma “Terra fria” totaliza menos de 100 milhões de anos, cerca de 20% da idade da Terra. Maior parte do tempo o planeta tem sido quente, sem gelos, muito diferente daquele ao longo do qual se tem desenvolvido a humanidade. Nós estamos na actualidade numa fase relativamente quente de um período em que o frio tem dominado.
Mesmo nesta “fase fria” regiões que associamos a “frio” foram quentes e não tiveram na acção humana da queima de combustíveis fósseis a sua assinatura.

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA de publicidade feita à Gronelândia aconteceu há um milénio, quando Eric, o Vermelho, ali chegou, vindo da Islândia com um pequeno grupo de norsos, também conhecidos como vikings. Eric andava em fuga por ter matado um homem que se recusara a devolver-lhe umas camas que lhe emprestara. No ano 982, ele desembarcou nas margens de um fiorde localizado perto de Qaqortoq e de- pois regressou à Islândia para divulgar a terra por si descoberta, à qual, segundo a sua saga, “ele chamou Terra Verde [Gronelândia] por entender que as pessoas se sentiriam atraídas se ouvissem um nome favorável”.
A publicidade atrevida de Eric resultou. Cerca de quatro mil norsos acabaram por se instalar na Gronelândia. Apesar da sua fama de ferocidade, os vikings eram noessencial agricultores. Nos fiordes abrigados da região meridional e ocidental da Gronelândia, criavam ovelhas e algumas vacas, exactamente o que os agricultores hoje fazem junto desses fiordes. Construíram igrejas e centenas de explorações agrícolas: comercializavam peles de foca e marfim de morsa, trocando-os por madeira e ferro importados da Europa. O filho de Eric, Leif, zarpou de uma quinta situada a nordeste de Qaqortoq e terá descoberto a América do Norte por volta do ano 1000. Na Gronelândia, as colónias norsas aguentaram-se durante mais de quatro séculos. De súbito, porém, eclipsaram-se.
O desaparecimento desses rijos agricultores-marinheiros é um exemplo perturbador das ameaças levantadas pelo clima às mais engenhosas culturas humanas. Os vikings fixaram-se na Gronelândia num período de temperaturas excepcionalmente quentes. No início do século XIV, a Gronelândia ficou muito mais fria, transformando a vida naquelas paragens num desafio ainda maior.” National Geographic – Junho 2010 

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