Eras Glaciares

Milutin Milankovitch (1879-1958) propôs, pelo menos para o último milhão de anos, uma teoria baseada nos ritmos astronómicos, que segundo este autor seriam responsáveis pelas variações climáticas. De acordo com a teoria deste cientista jugoslavo, as variações periódicas da energia solar que é recebida pela Terra, em especial nas zonas polares, seriam suficientes para criar no pla­neta períodos glaciários e períodos mais amenos ou interglaciários.

Estudos realizados por muitos paleoclimatólogos sugerem que as varia­ções climáticas estão associadas de forma directa às mudanças ao nível da geometria da órbita terrestre, ou seja, ficou demonstrado que os ciclos de alterações climáticas podem estar relacionados com ritmos astronómicos que condicionam a órbita terrestre, como os períodos de obliquidade, a pre­cessão e a excentricidade orbital. Estes fenómenos astronómicos afectam, por exemplo, a duração das estações, permitindo que o gelo se acumule de um Inverno para o outro. De uma forma mais específica, Hays (1976) afir­mava na revista Science: Conclui-se que as mudanças ao nível da geometria da órbita terrestre são a causa fundamental da sucessão dos episódios de glaciação que ocorreram durante o Pleistocénico“.

Deste modo, podemos referir que os mecanismos associados à dinâmica terrestre (vulcanismo, “geometria” dos continentes e oceanos), e que são explicados à luz da Teoria da Tectónica de Placas, podem estar ligados às gla-ciações muito longas e que não se revestiram de um carácter periódico, ocorridas em diversos momentos da História da Terra. A teoria proposta por Milankovitch proporciona uma explicação mais satisfatória para a alternância de períodos glaciários e interglaciários ocorridos durante o Pleistocénico.

Imagem – Geologia 12º – Porto Editora

 

Para Courtillot, após a análise dos trabalhos realizados nos últimos anos os ciclos de Milankovic exerceram um efeito essencial nas modificações climáticas da Terra, e o Sol foi o agente principal dos equilíbrios termodinâmicos da atmosfera. Não é o dióxido de carbono que controla as variações da temperatura mas sim, a nossa estrela que modifica a temperatura na atmosfera e do oceano. Quanto a este último, quando aquecido liberta o dióxido de carbono (tal como podemos observar quando abrimos uma garrafa de água com gás). Quando arrefecem, os oceanos têm uma maior capacidade de dissolver o dióxido de carbono e como consequência, a atmosfera fica mais pobre em CO2. O Sol, uma estrela que apresenta variações ao longo do tempo associada a uma órbita da Terra também variável são o agente essencial nas variações climáticas, e de forma mais evidente, o agente responsável das últimas glaciações ocorridas no nosso planeta.

O dióxido de carbono não deixa de ser um factor importante neste contexto, mas não é a “causa inicial” do aquecimento/arrefecimento do planeta. Aliás, devemos a estas variações nas concentrações de dióxido de carbono natural a nossa temperatura amena, a presença de água no estado líquido no planeta e em última análise o aparecimento da vida no “planeta azul”.  

 

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