Origem do Sistema Solar – vida pré-biótica

Há cerca de 5000 milhões de anos, na parte da galáxia em que nos encontramos hoje, uma grande nuvem de formação de estrelas de gás condensou-se em muitas estrelas, uma das quais era o nosso Sol. O bocado de nuvem que formou o nosso sistema solar tinha cerca de 24 000 milhões de quilómetros de diâmetro e continha materiais da vida de pelo menos duas gerações prévias de estrelas.

 

Sistema OTS 44 – O disco em redor da OTS 44 tem material suficiente para um planeta semelhante a Úrano ou Neptuno. Esta anã tem cerca de 2 milhões de anos.  A evidência indirecta de que outros planetas possam surgir em locais tão pouco promissores como em torno desta anã, sugere que a formação de planetas é muito mais robusta do que os astrónomos costumavam pensar. Scientific American – Julho 2009.

O gás quente numa maternidade de estrelas tem primeiro que arrefecer antes de se poder condensar para formar uma nova estrela. Se o gás estiver demasiado quente, as moléculas movem-se demasiado depressa para a gravidade vencer o seu movimento. De facto, a gravidade por si só pode não ter sido o suficiente para fazer com que o nosso Sol se condensasse. É provável que ondas de choque de uma prévia ou de prévias gerações de estre­las, juntamente com a gravidade, fizessem com que o Sol se pre­cipitasse.

A repetida explosão de muitas gerações de estrelas tornam algumas nuvens de gás demasiado quentes para alguma vez se tor­narem maternidades de estrelas. Permanecerão para sempre como nuvens, como poderá ser verdade para a maioria das nuvens de moléculas que agora existem. A formação de estrelas foi desacelerando, não por falta de hidrogénio, mas por falta de hidrogénio à temperatura apropriada, e chegou já ao fim nas galáxias elípti­cas mais antigas. Os dias da formação de estrelas no universo atin­giram o pico cerca de 10 000 milhões de anos após o Big Bang e entraram agora num lento declínio. Poderão ter cessado totalmente dentro de 100 000 milhões de anos.

A gravidade faz com que as nuvens de todos os tamanhos rodem. A nuvem molecular que se condensou no nosso Sol não é excepção. A rotação da nuvem faz com que o gás na parte interna do disco redemoinhe, formando uma bola sempre crescente no centro, e o gás e a poeira nas margens exteriores redemoinham para ainda mais longe. A gravidade achata também a nuvem. Foram observadas novas estrelas noutras partes da galáxia rodeadas por esses halos de poeira. Conforme já observámos, o tamanho que as estrelas eventualmente atingem depende da densidade e da quan­tidade de poeira que existe na nuvem molecular circundante. A fusão nuclear começa quando o núcleo atinge cerca de um quinto da massa do Sol.

As margens exteriores da nuvem são regiões frias, em que as moléculas complexas instáveis podem sobreviver intactas. Quando as primeiras estrelas explodiram, todos os elementos que ocorrem naturalmente apareceram no universo pela primeira vez, mas tam­bém as moléculas simples, como a água e o dióxido de carbono. Estas simples moléculas surgem como finas coberturas de gelo em pequenos grãos de poeira. Alguma da poeira, por exemplo, poderá ser carbono altamente comprimido, existindo como minúsculas lâminas de diamante ou como grafite.

Ciclos de formação de estrelas e de explosões são um labo­ratório de química que fabrica moléculas crescentemente comple­xas. Centenas de hidrocarbonos (moléculas constituídas inteiramente ou sobretudo por hidrogénio e carbono) surgem pela primeira vez nas nebulosas de formação de estrelas; entre eles, encontram-se o metano e o ácido cianídrico, e outras moléculas chamadas pré-bióticas. Chamam-se pré-bióticas por parecerem essenciais para a vida, embora não seja ainda claro através de que mecanismos.

Alguns compostos complexos encontrados no espaço exterior, como, por exemplo, o glicoaldeído, foram feitos reagir em labo­ratório produzindo um açúcar chamado ribose, um ingrediente chave do ácido ribonucleico (ARN). Se um átomo de oxigénio for retirado do ARN, torna-se ácido desoxirribonucleico (ADN).

Apesar de a única vida que conhecemos ser a vida que sur­giu neste planeta, as moléculas pré-bióticas parecem existir por todo o universo. Bizarramente, estas moléculas complexas já exis­tiam antes do sistema solar. Cerca de 10 a 15% da poeira e do gás da nuvem molecular a partir da qual o nosso Sol se condensou são feitos do material de pelo menos duas gerações de fabricação de estrelas. A vida tal como a conhecemos parece ter requerido cerca de 9 biliões de anos de fabricação de estrelas para produzirem as condições adequadas. E, após esse período de tempo, em muitas regiões como a nossa galáxia, o universo parece estar intimamente afinado para as condições exigidas pela vida.

Fonte : Você está Aqui. Christopher Potter. Casa das Letras

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