Plumas Térmicas

Quais os argumentos a favor das plumas térmicas?

O valor obtido pelo cálculo da razão hélio-4/hélio-3, em muitos basaltos oceânicos, é utilizado como argumento a favor da existência das plumas térmicas. O hélio-3 é um isótopo considerado primordial, uma vez que a maior parte deste isótopo foi originado na altura da formação do Universo, sendo incorporado aquando da formação do nosso planeta. Este isótopo, que deve existir nos materiais que constituem as camadas mais internas do planeta, não é produzido através da desintegração de qualquer outro isótopo radiactivo, pelo que a sua concentração é aproximadamente constante. O hélio-4 resulta da desintegração radiactiva de outros isótopos, como o urânio e o tório, elementos que se encontram concentrados nas regiões superiores da Terra, acumulando-se no decurso do tempo. Deste modo, quando, numa amostra de um determinado basalto, a razão entre hélio-4/hélio-3 é baixa, podemos supor que a quantidade de hélio-3 é maior, o que pode ser indicativo de uma origem profunda, onde os movimentos convectivos teriam uma participação quase nula. Os basaltos que ocorrem em muitas ilhas vulcânicas apresentam razões hélio-4/hélio-3 muito inferiores às dos basaltos recolhidos junto das dorsais oceânicas.

Em 1989, Vincent Courtillot, do Instituto de Física do Globo, em Paris, propôs a ideia de que a subida das plumas térmicas próximas da superfície originaria a perfuração da litosfera, o que seria responsável pelo aparecimento de um vulcanismo de grande amplitude com a emissão de milhões de quilómetros cúbicos de lavas basálticas.

Os traps do Decão, na Índia, estendem-se sobre uma superfície aproximada de um milhão de quilómetros quadrados e sobre uma espessura de pelo menos três quilómetros. Este cataclismo vulcânico ocorreu há, aproximadamente, 65 milhões de anos, no fim do Cretácico, num período extremamente curto da história da Terra (menos de um milhão de anos). Tal fenómeno pode estar relacionado com o nascimento de uma pluma térmica e pode ter contribuído de forma importante para o desaparecimento, nessa altura, dos grandes répteis e de muitas outras espécies. Por conseguinte, estes fenómenos vulcânicos, que estariam na origem destes volumes gigantescos de basaltos (traps), teriam perturbado fortemente o clima terrestre, sendo possível relacioná-los com as grandes extinções biológicas que marcam o fim de uma era geológica e o início de outra.
O responsável por este grande evento vulcânico associado ao aparecimento dos traps do Decão seria, então, o “nascimento” de um ponto quente que actualmente se encontra sobre a ilha da Reunião.
Os “pontos quentes” originados pela existência de plumas térmicas explicariam igualmente a abertura de novas dorsais. A dorsal do Atlântico teria sido originada, segundo esta perspectiva, devido à acção de “pontos quentes” que actualmente se encontram situados nas ilhas de Santa Helena e Tristão da Cunha, no Sul, e sob os Açores e a Islândia, no Norte. As plumas térmicas teriam, deste modo, desempenhado um importantíssimo papel, há, aproximadamente, 200 milhões de anos, na fracturação da Pangea.

Fonte : Jean-Paul Montagner, “Panaches mantelliques: des chalumeaux mythiques?”, in Pour la Science, Janeiro de 2005

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