Granito de Lavadores – algumas notas

  Na praia de Lavadores aflora um maciço granítico com características bem definidas e que se estende pelas regiões do Canidelo, Madalena e Valadares (Alves, 1966). É um afloramento alongado, com orientação NW-SE, com cerca de 25 km de comprimento e 4 km de largura máxima; aparece também em retalhos a norte do rio Douro, perto da foz – Praia da Luz e Castelo do Queijo (Canilho, 1975).

O afloramento do granito de Lavadores tem início no Cabedelo, estendendo-se para Sul onde contacta bruscamente com gnaisses leucocratas (praia das “Pedras Amarelas) pertencentes à ZOM; para o interior define um alinhamento paralelo à ZCPT (Martins et al. 2000). Muitos autores advogam que nesta zona ocorre o contacto entre a ZCI e a ZOM. O granito de Lavadores aproveitou precisamente esta zona de fraqueza da crusta terrestre para se instalar no seio de rochas mais antigas (Marques et al. 2000).

O granito de Lavadores é uma rocha granodiorítica-monzonítica (Silva, 2001; Silva & Neiva, 1998; 1999), a matriz é constituída por plagioclase do tipo albite-oligoclase frequentemente zonada; feldspato potássico, pertitizado, que inclui muitas vezes pequenas gotículas de quartzo; quartzo em quantidade apreciável; a biotite é o mineral máfico constante; nas zonas de contacto entre o feldspato potássico e a plagioclase aparecem, por vezes fenómenos de mirmequitização. Entre os minerais acessórios destacam-se a apatite, esfena, zircão e alanite. Sericite, minerais caulinicos e clorite são produtos de alteração de feldspatos e biotite (Canilho, 1975).

Encraves melanocráticos

No seio deste granito de cor rósea aparecem encraves melanocráticos essencialmente biotíticos e de tamanho variável. A erosão diferencial coloca-os, por vezes, em relevo positivo ou negativo, dada a sua maior ou menor resistência, respectivamente (Ferreira et al. 1995).

O granito de Lavadores é caracterizado pela ocorrência de numerosos encraves de rochas com cor mais escura (mais ricas em biotite e mais pobres em quartzo). Este facto pode ser explicado pela cristalização mais ou menos simultânea de dois magmas imiscíveis e com diferentes viscosidades.

Podemos ainda encontrar, no granito de Lavadores, aspectos típicos de estruturas de fluxo magmático definindo alinhamentos caracterizados ou pela alternância de bandas escuras de biotite com bandas mais claras ou ainda por corredores de encraves.

 

Enxames de megacristais (A) e Estruturas Fluidais (B) resultantes da cristalização de dois magmas em simultâneo.

Estruturas fluidais

Estas estruturas que parecem demonstrar um fluxo magmático são caracterizadas pela disposição alternante de faixas escuras, essencialmente de constituição biotítica, e outras mais claras, assim como pela orientação de megacristais, alinhados de um modo concordante com as faixas mencionadas (Teixeira, 1970 )

 

 Estruturas de fluxo magmático marcadas pelo alinhamento de cristais de biotite e de megacristais de feldspato potássico.

Uma resposta a Granito de Lavadores – algumas notas

  1. fatima neves diz:

    Para quem passa férias tão perto dessa zona, como eu, adorei conhecer e relembrar a Geologia dessa zona!

    Obrigada Nuno!
    O ENSINO só se faz com quem gosta muito do que faz|
    Continua…

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