Sismo no Chile

Um forte tremor de terra provocou pelo menos 78 mortes no Chile e originou um alerta de tsunami no Oceano Pacífico esta madrugada.

O abalo, que atingiu 8,8 na escala de Richter, foi sentido durante cerca de um minuto quando eram 03h34 no país sul-americano (06h34 em Portugal Continental).

Segundo os primeiros relatos, vários edifícios ruíram, houve cortes de energia e foram confirmadas 78 mortes, prevendo-se que o número oficial de vítimas vá disparar durante este sábado.

A presidente chilena Michelle Bachelet, que está prestes a ceder o lugar a Sebastian Piñera, dirigiu-se à população, apelando para que fiquem calmos apesar do “enorme terramoto”.

O epicentro do terramoto localizou-se no Pacífico, 325 quilómetros a sudoeste de Santiago do Chile, mas a apenas 90 quilómetros de Concepción, a segunda cidade chilena, onde vivem mais de 200 mil pessoas.

Relatos no Twitter indicam que a cidade de Chillán já foi considerada uma zona de catástrofe.

O sismo que arrasou o Haiti a 12 de Janeiro, provocando mais de 100 mil mortos, chegou a apenas 7,0 na escala de Richter.

GOVERNO DECLARA ESTADO DE CATÁSTROFE

Duas réplicas, de intensidade 6,2 e 5,6 levaram o governo do Chile a decretar já o estado de catástrofe no país. Na sequência do abalo principal, de 8,8 na escala de Richter, o Instituto Geológico dos Estados Unidos emitiu um alerta de tsunami ao Chile e ao Peru, enquanto o Japão optou também por reactivá-lo, depois de o ter levantado na sexta-feira à noite, após o seu território ter sido abalado por um terramoto de grau 7,7.  As autoridades norte-americanas colocaram também a Colômbia, a Antárctida,  toda a América Central e a Polinésia em vigilância.  

De acordo com o Instituto Geológico dos EUA, o abalo teve uma dimensão  para gerar um tsunami destrutivo que pode atingir a costa mais próxima do  epicentro em minutos e as zonas de litoral mais afastadas em horas’.

Embora não seja ainda possível verificar a amplitude dos estragos, as agências internacionais descrevem um cenário de ampla destruição com muitos danos materiais. 

‘ONDA DE 40 METROS’ NA ILHA DE JUAN FERNÁNDEZ

Ainda que a Presidente do país, Michelle Bachelet, tenha descartado a hipótese de tsunami, na ilha de Juan Fernández foi registada uma onda de grandes proporções que avançou até metade do seu território, tendo os habitantes sido obrigados a refugiarem-se em zonas mais elevadas.

A cadeia de televisão norte-americana CNN avança que a onde pode ter atingido uma altura de “40 metros”, embora não exista, para já, registo de vítimas. Por seu turno, as zonas costeiras da Ilha de Páscoa foram evacuadas perante a possibilidade de ser atingida por ondas gigantes.

Fonte : Correio da Manhã

Um pouco de geologia

A crosta oceânica é gerada a nível das dorsais (zonas onde as placas divergem). Se tanta crosta oceânica é criada e se a Terra não se está a ex­pandir (e temos muitas provas de que não o faz), então deve haver algum ponto na Terra em que a crosta é destruída para compensar.

E de facto é isso mesmo que acontece em redor das margens de boa parte do oceano Pacífico: nesses locais, as placas litosféricas convergem e uma das placas mergulha sob a outra, sendo trans­portada para as profundezas no interior da Terra. Estas zonas de colisão são conhecidas como «zonas de subducção», sendo assi­naladas à superfície por profundas fossas oceânicas e vulcões activos. As espectaculares cadeias vulcânicas que formam o famoso anel de fogo em redor das margens do Pacífico — os Andes, as ilhas Aleútas, os vulcões de Kamchatka, o Japão e as ilhas Marianas — devem a sua existência ao fenómeno da subducção.

 Ninguém tem a certeza de como a subducção começa, de quando duas placas começam a convergir, mas o elemento-chave desta operação parece ser a densidade. A densa crosta oceânica pode ser conduzida pela subducção para o interior da Terra e desaparecer sem deixar vestígios, enquanto que os continentes, relativamente leves, continuam para sempre à superfície. É por esta razão que o fundo do mar é jovem e os continentes são velhos: o fundo do mar não é apenas continuamente criado nas fracturas; é também conti­nuamente destruído nas zonas de subducção.

A realidade da subducção é confirmada pelos terramotos que a acompanham. Embora ocorram sismos em todos os tipos de limites tectónicos, apenas as zonas de subducção são caracteri­zadas por terramotos profundos, alguns a profundidades de 600 km ou mais. Estes terramotos já eram conhecidos muito antes de a tectónica de placas ser aceite.

Em 1928, o sismólogo japonês K. Wadati registou terramotos sob o Japão a profundi­dades de várias centenas de quilómetros. Aproximadamente 20 anos mais tarde, outro geofísico, Hugo Benioff, demonstrou que também noutras regiões do globo existem «grandes falhas», caracterizadas por terramotos frequentes, cravadas no manto a partir das fossas oceânicas. Descreveu falhas deste género ao longo da costa ocidental da América do Sul e no Sudoeste do Pacífico, na fossa de Tonga. Estas áreas não eram, então, reco­nhecidas como zonas de subducção; foi só mais tarde que com­preendemos que estas grandes zonas sísmicas planas seguem de perto o percurso das placas empurradas para dentro do manto.

Os terramotos ocorrem porque as placas oceâ­nicas continuam relativamente frias à medida que mergulham no

interior quente e, em contraste com o manto plástico que as rodeia, são suficientemente quebradiças (mesmo a grande pro­fundidade) para darem origem às fracturas que geram os terra­motos. Alguns dos terramotos mais profundos podem também ocorrer porque os minerais da placa se tornam instáveis devido às grandes pressões a que são sujeitos, formando minerais mais compactos de forma abrupta, com uma mudança repentina de volume.

Muitos dos maiores terramotos mundiais ocorrem junto a zonas de subducção. Isso não admira, se tivermos em conta o que ocorre nessas regiões: a colisão entre dois fragmentos gigantescos da superfície terrestre, cada um deles com cerca de 100 km de espes­sura, em que uma das placas é empurrada para debaixo da outra. Infelizmente, algumas áreas perto de zonas de subducção são den­samente habitadas. Podemos prever, com 100% de certeza, que ter­ramotos graves e destruidores continuarão a ocorrer nestas regiões, mas isso pouco conforta quem presenciou acontecimentos desas­trosos como os de Kobe, no Japão, aquando do terramoto do iní­cio de 1995.

Um das melhores notícias sobre sismos que vi ultimamente.

Fonte : Uma História (Breve) do Planeta Terra – J.D.MacDougall. Notícias Editorial

5 respostas a Sismo no Chile

  1. catarina Maia diz:

    Obrigada pela informação, continuas a fazer um bom trabalho… parabéns

  2. Obrigada pela actualização das noticias.
    Achei o artigo muito interessante.

  3. Fatima Neves diz:

    Boa informação!

    Obrigada

  4. A notícia da Sky News é muito boa. É pena não estar traduzida, mas é para isso que servem as aulas de inglês.

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