Maclas de Karlsbad

Em Lavadores não é preciso andar muito para uma aula de Geologia. Sentado nestes granitos enquanto se admira a paisagem e a alma aquece com o sol de uma tarde de Inverno, os olhos fixam-se nos megacristais salientes que dão uma textura particular a este granito, famoso – o Granito de Lavadores!
Nos megacristais, a incidência da luz solar permite verificar a existência de um plano que divide o megacristal em duas zonas com diferente orientação cristalográfica – plano de macla (macla de Karlsbad).
Karlsbad! Não é preciso ir à Alemanha para admirar estas maclas.  Longe vão os dias de mineralogia, onde de nicóis cruzados rodando a platina estes feldspatos eram o motivo de questões por parte do Professor Fernando Barriga. Fui buscar um livro que era a “bíblia” e o “terror” das aulas de Cristalografia – “Elementos de Cristalografia, Frederico Sodré Borges”. Fica aqui a poesia de um megacristal, numa tarde de sábado junto ao mar.

As geminações (ou maclas) constituem um tipo especial de imper­feição estrutural dos cristais.

A primeira descrição de maclas deve-se a R. de L’Isle (1783), num estudo sobre a estaurolite. As maclas deste mineral foram também as primeiras a serem objecto de um estudo preciso (R. J. Haiiy, em 1801). Desde então, as maclas têm sido investigadas em diferentes domínios de ciências de materiais (designadamente, Mine­ralogia, Petrologia e Metalurgia), sendo ainda um assunto aberto à investigação.

Seguindo a Escola francesa, uma macla pode ser definida como um edifício cristalino não homogéneo, constituído por duas ou mais porções homogéneas da mesma espécie cristalina, justapostas de acordo com leis bem definidas.

Cada porção homogénea é, muitas vezes, incorrectamente desi­gnada por cristal individual; daí a falácia de definir macla como uma «associação mútua, regular, de cristais da mesma espécie cristalina». Igualmente falaciosa é a descrição de macia como um «edifício policristalino».

A justaposição das partes homogéneas que constituem uma macla corresponde a uma região em que a estrutura cristalina ideal é pertur­bada. Por outras palavras, ela corresponde a um tipo particular de junção intergranular. O problema crucial que se põe é, portanto, o da distinção entre uma macla e as associações casuais de cristais.

O critério, empiricamente estabelecido, é o da existência de uma relação de orientação bem definida (designada por lei de macla) entre as porções homogéneas que constituem o edifício cristalino. Mais precisamente, cada «indivíduo» componente da macla deve ter uma orientação que resulte da de outro, mediante uma operação de simetria cristalograficamente possível. Mais, esse modo de associação deve ser encontrado num número significativo de amostras, para que se excluam situações acidentais.

Fonte :

Elementos de Cristalografia – Frederico Sodré Borges

Matos Alves, C.A .,1966. Os encraves granulares do Granito de Lavadores (Vila Nova de Gaia). Rev. Fac.Ciências, 2ª Série-C, vol.XIV (1º fasc.): 51-60.

 

 

Uma resposta a Maclas de Karlsbad

  1. Letícia diz:

    Olá, faço Geologia na UFMT, achei seu blog pesquisando sobre maclas e geminação.Nunca fui muito de ler blogs, mas o seu eu curti pra caramba, parabens!Espero que continue escrevendo, e gostaria de receber a notificação por e-mail de novos posts! Valew

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