Estrutura Interna da Geosfera

Janeiro 19, 2010

A camada D” tem espessura variável, podendo atingir, em algumas zonas, uma espessura de 100 km a 200 km e marca a interface entre zonas muito diferentes, não só sob o ponto de vista da composição, como da densidade, da viscosidade, da rigidez, da pressão e da temperatura.

Os geofísicos pensam que a camada D” constitui a chave para compreender o dinamismo interno da máquina Terra. Através dela o núcleo transfere o seu calor para o manto, o que pode ter consequências importantes sobre a dinâmica do manto. Actualmente alguns investigadores admitem que a camada D” será a fonte das plumas térmicas, uma matéria menos densa e menos viscosa que forma penachos com dezenas de quilómetros de diâmetro que alimentam os pontos quentes. Há também quem admita que as zonas mais frias da camada D” correspondem à chegada até essas profundidades das placas litosféricas que mergulham nas zonas de subducção.

 

 

 

Fonte : Terra, Universo de Vida – Geologia 10º. Porto Editora e  http://james.badro.free.fr/

Anúncios

Ondas S no núcleo interno

Janeiro 17, 2010

A propagação de ondas S no núcleo interno também apoia a hipótese de esta zona da geosfera se encontrar no estado sólido, dado que estas ondas apenas se propagam nestes meios. Assim, a 5150 km de profundidade, parte da energia das ondas P refractar-se-á, para o núcleo interno, sob a forma de ondas S.

Estas ondas são de muito fraca amplitude, o que sempre dificultou a sua identificação nos sismogramas.

Contudo, Emile Okal e Yves Cansi publicaram, em 1998, um artigo no qual referem a identificação destas ondas no núcleo interno. O estudo destes investigadores baseou-se nos registos de um sismo ocorrido na Indonésia, em 17 de Junho de 1996, de magnitude superior a 6.

No âmbito do controlo do cumprimento do Tratado de Interdição Completo de Ensaios Nucleares (TICE), o Laboratório de Detecção Geofísica (LDG), de Paris, desenvolveu meios técnicos de registo de ondas características de ensaios nucleares, ondas que se caracterizam pela sua baixa amplitude. Foi precisamente esta nova tecnologia utilizada pelo LDG que permitiu identificar a propagação de ondas S no núcleo interno da geosfera.

Fonte : Manual de Biologia e Geologia – 10º ano. Areal Editores


Isossistas no mar

Janeiro 16, 2010
As isossistas são linhas que delimitam, em redor do epicentro, as zonas onde a intensidade registada apresenta igual valor.
 
Uma pergunta na aula como se pode calcular a intensidade no mar? É que no mapa em baixo, estão marcadas isossistas no mar.
 
 

 De facto, como no oceano não se observa a topografia nem existem construções humanas, não é possível definir a intensidade e, portanto, não são traçadas as isossistas, tal como pode ser observado na Carta de Isossistas referente ao sismo de 9 de Julho de 1998, nos Açores.


Maremotos e Tsunamis

Janeiro 16, 2010

Definição retirada de um manual escolar que utilizo nas aulas (nos outros também vem assim) – Se o epicentro se localizar na crosta oceânica poderá ocorrer a formação de ondas gigantes denominadas maremotos, rás de maré ou tsunami.  Maremoto – Onda gigante provocada por um sismo.

Esmiuçando este conceitos, os alunos e os docentes ficam confusos.

Um Maremoto é um sismo em região coberta por um oceano. É ocasionado pelo deslocamento das placas tectónicas. Os grandes maremotos produzem ondas gigantescas chamadas tsunamis que se deslocam por quilómetros a alta velocidade. Às vezes essas ondas atingem ilhas e costas dos continentes, provocando destruição material e mortes nos locais habitados.

Um tsunami (do japonês 津波 significando literalmente onda de porto) é uma onda ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, actividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteorito dentro ou perto do mar. Há quem identifique o termo com “maremoto” — contudo, maremoto refere-se a um sismo no fundo do mar, semelhante a um sismo em terra firme e que pode, de facto originar um(a) tsunami.

E agora como resolver a questão?


Sismo no Haiti

Janeiro 15, 2010

 

 

O post anterior foi publicado na própria noite do sismo quando a informação ainda era escassa. A localização do epicientro não está  relacionada com a zona de subducção, mas sim com uma falha de desligamento semelhante à famosa falha de Santo André.

Os sismos em zonas de subducção atingem magnitudes elevadas, enquanto os sismos relacionados com as falhas de desligamento apresentam magnitudes menores. Contúdo estes últimos podem apresentam um poder destrutivo superior porque o seu foco é mais perto da superfície.

A investigação realizada na área da sismologia tem permitido conhecer as áreas de maior risco sísmico, estudar o comportamento de certas estruturas simogénicas e promover técnicas de construção de edifícios capazes  de resistir a sismos de elevada magnitude.

O sismo do Haiti não foi surpresa para os geólogos. A imagem do post anterior foi retirada de um Exame de Biologia e Geologia do Ensino Secundário (GAVE), e todo o enquadramento tectónico permite a um aluno do 10º ano compreender que a área das Caraíbas apresenta um elevado risco sísmico.

Prever sísmos ainda não é possível. O ano passado em Itália um geólogo afirmou ter previsto o sismo de Abruzzo – Itália. Não é assim tão simples. E sabendo que o sismo vai ocorrer daqui a um dia, o que podiamos fazer? Pensando no caso do Haiti, talvez o resultado fosse semelhante ao de um sismo. A realidade é que, a previsão atempada está longe de ser uma realidade, deve, pois, investir-se tanto quanto possível em campanhas de educação das populações, de forma a minimizar os efeitos de um sismo. Dou o meu modesto contributo. Na escola, os meus alunos são os primeiros a relatarem-me estes acontecimentos.  Consegui por alunos ligados ao serviço do USGS para sismos!! Todos os dias lá vêm com os “sismos frescos” que ocorreram nesse dia. Este trabalho vem desde o sismo que ocorreu em Portugal dia 17 de Dezembro 2009. Só aceito magnitudes superiores a 5. É uma “brincadeira” da aula, mas a verdade é que eles lá vão relacionando com os limites de placas e hoje um aluno disse-me “professor, não sabia onde era Tonga nem nunca tinha ouvido falar nesse sítio até às suas aulas, mas aquilo lá treme mesmo muito e é uma zona de subducção”. Lá lhe respondi, “tens razão, e os maori que o digam”!


Sismo de magnitude 7.0 atinge o Haiti

Janeiro 12, 2010

Haiti acaba de ser sacudido com um sismo de magnitude 7.0. Epicentro localizado a 15 quilómetros a sudoeste de PORT-AU-PRINCE.  Lançado alerta de risco de Tsunami.  São ainda poucas as informações sobre os estragos provocados por este sismo. Risco de Tsunami é grande neste contexto tectónico (fonte Sky News).  Segundo a Reuters, ABC e Sky News o sismo terá tido magnitude 7.3. Dados do USGS, ver em baixo, indicam magnitude 7.0.

Últimas – Jornal Público (13 de Janeiro 2010) – Poderá demorar vários dias até se conhecer o número exacto de vítimas do violento terramoto que devastou a capital do Haiti, Port au Prince, às 4h53 da tarde de ontem (21h53 hora portuguesa).

Enquadramento Tectónico

Os primeiros humanos no Haiti, também conhecido como La Española’ ou Hispaniola, chegaram à ilha há mais de 1000 anos aC, possivelmente 7000 aC. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo ao viajar para o ocidente atingiu uma grande ilha. Mais tarde passou a ser chama de São Domingos; dividida entre dois países – a República Dominicana e o Haiti – , é a segunda maior das Grandes Antilhas, com a superfície de 76.192 km² e cerca de 9 milhões de habitantes. Com 640 km de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caimão (pequeno crocodilo abundante na região), cuja “boca” aberta parece pronta a devorar a pequena ilha de Gonâve. O litoral norte abre-se para o oceano Atlântico, e o sul para o mar do Caribe (ou das Antilhas).

Dados do USGS para o sismo

Um sismo de magnitude 7,0 abalou o Haiti ontem à noite, seguido de fortes réplicas, matando dezenas e fazendo ruir inúmeros edifícios, incluindo os das autoridades públicas. O embaixador do Haiti nos EUA fala em “grande catástrofe”. O alerta de ‘tsunami’ foi entretanto retirado, mas ainda há perigo para barcos e estruturas junto da costa. As Nações Unidas preparam já uma operação maciça de auxílio internacional, para coordenar os esforços de países que mostraram disponibilidade para ajudar o Haiti.

Um repórter da AFP contou que o abalo se prolongou durante um minuto e que os carros saltaram da estrada. Um jornalista da AP disse que a capital Port-au-Prince estava envolva numa nuvem de pó e que se ouviam gritos.

Um responsável do Departamento de Agricultura dos EUA em visita à região contou que viu algumas casas caírem de uma ravina. “Ouvi um estrondo e muitos gritos à distância”, descreveu Henry Bahn. “As pessoas estão descontroladas, em pânico. Eu só consegui encostar-me a uma parede”, acrescentou.

Testemunhas dão conta de dezenas de mortos, feridos e desaparecidos entre os escombros. Familiares contactados por uma funcionária da CNN referem que viram edifícios destruídos e corpos de vítimas.

Um jornalista de uma televisão haitiana, Haitipal, que emite através da Internet, relatou a ocorrência de desmoronamento de numerosos edifícios públicos da capital, incluindo “o Palácio Nacional, o Ministério das Finanças, o Ministério do Trabalho Público, o Ministério da Comunicação e da Cultura, o Palácio de Justiça, a Escola Superior”, o Parlamento e a Catedral de Port-au-Prince.

A AFP reporta que o sismo destruiu um hospital na capital e que há também edifícios desmoronados em outras localidades do Haiti.

Segundo esta agência, a sede da missão da ONU no país ficou destruída e e há inúmeros escombros, feridos e mortos.

O embaixador haitiano nos EUA anunciou uma “grande catástrofe”, no país mais pobre do continente americano e que tem sido devastado por furacões.

O primeiro abalo fez-se sentir às 16.53 (21.53 em Lisboa) e foi seguido potentes réplicas. Para já, até às 02:06, hora de Lisboa, o US Geological Center contabilizava 14, oito acima de 5,0 graus de magnitude, as restantes perto desse registo. A réplica mais forte foi a primeira registada, às 17:00 locais (22:00 em Lisboa), e chegou aos 5,9, seguida de outra de 5,5 doze minutos depois. Os abalos continuam a última registada antes das 02:06 foi a terceira mais forte: 5,4.

O Centro de Alerta de Tsunamis dos EUA avisou para o perigo de uma onda gigante atingir as ilhas num raio de cem quilómetros. A República Dominicana – que divide Hispaniola com o Haiti -, as Bahamas e Cuba soaram o alerta. Horas depois o alerta foi retirado, tendo-se registado apenas um pequeno maremoto local, mas o Pacific Tasunami Warning Center avisa que os riscos para barcos e estruturas costeiras manter-se-á “durante várias horas devido a correntes rápidas”.

Este organismo adianta ainda que foram registados pequenos tsunamis em Santo Domingo, República Dominicana, e em outras áreas das Caraíbas, mas, “com base nestes dados, poderão ter havido ondas de maremoto destruidoras nas zonas junto ao epicentro”.

O epicentro do sismo foi no mar 16 quilómetros ao largo de Port-au-Prince e a dez quilómetros de profundidade. O abalo foi sentido na prisão americana de Guantánamo, na ilha de Cuba.

A população encheu as ruas, as comunicações na região foram seriamente afectadas e as operações de salvamento prometiam continuar pela noite dentro.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, lamentou a tragédia e prometeu que o seu país vai enviar ajuda para o Haiti. Também a França tomou a mesma iniciativa. A Venezuela anunciou que vai enviar uma equipa de 50 peritos em operações de socorro e as Nações Unidas preparam já uma operação maciça de auxílio internacional.

Um país devastado pelos furacões

O terramoto de ontem é apenas o último de uma série de desastres naturais que têm devastado o Haiti. O pequeno país das Caraíbas resistiu mal à passagem dos furacões, nos últimos anos. No Verão de 2008, as enormes cheias fizeram perto de 800 mortos. Meses depois, o balanço tornou-se mais negro quando uma escola de Port-au-Prince ruiu e esmagou 500 crianças e professores. A maioria dos que sobreviveram ficaram sem casa e tiveram de começar do zero. A ONU apelou à ajuda internacional e em 2009 o FMI perdoou 80% da dívida do país.

O Haiti ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola e faz fronteira com a República Dominicana. É um país extremamente pobre, tendo sido considerado como o mais pobre de todo o continente Americano.

Fonte : DN Globo


Assim se formou a crosta continental

Janeiro 3, 2010

O cenário é de manual escolar, a Terra há 4600 milhões de anos era uma bola de magma a desgaseificar. Algumas regiões mais à superfície deste planeta em diferenciação arrefeceram e formaram pedaços de crosta oceânica que rapidamente eram recicladas no magma quente. Lentamente estas jangadas de rochas ultramáficas colidiram e deram origem a fragmentos de crosta oceânica. Mas… como surgiu a crosta continental? E o processo que conduziu à sua formação foi rápido? Os bombardeamentos foram diminuindo com o tempo e a fase acrecionária passou a uma fase de diferenciação e desgaseificação. A vida na Terra tinha agora condições para evoluir. Mas… a história da formação das massas continentais poderá ter sido diferente. Num estudo publicado na revista Scientific American, Janeiro 2010, o geólogo australiano Andrew Glikson apresenta uma teoria diferente. Os megaimpactos continuaram durante muito mais tempo do que se julgava. Foram descobertos possíveis impactos gigantes num intervalo de tempo entre os 3800 Ma e os 2500 Ma. Estimativas indicam que 65% da crosta continental actual formou-se neste lapso de tempo. Impactos de origem extraterrestre terão contribuído de forma significativa para a formação da crosta continental. Os “núcleos” de formação destes continentes podem ser observados na África do Sul – Montanhas Barberton, ou ainda na Austrália – região de Pilbara.