Chuva dissolvente

A formação de águas de drenagem ácidas formam-se principal­mente em explorações de minérios metálicos, ricas em sulfuretos, como a pirite (FeS2). Quando estes compostos ficam expostos ao ar ou água (em profundidade ou nas escombreiras) sofrem oxidação, pro­duzindo ácido súlfurico (que acidifica a água) e compostos férreos. A água ácida pode dissolver outros elementos, como o cobre e o zinco. As elevadas concentrações de metais e a acidez tornam as águas sub­terrâneas e superficiais muito poluídas, afectando severamente os ecossistemas, principalmente os aquáticos;

 Lagoa da mina de S. Domingos. Mértola. Portugal. Foto gentilmente cedida por Anabela Veiga.

 

O abandono de explorações mineiras, no sector português da Faixa Piritosa Ibérica, motivou uma reportagem.

“Existem, pelo menos 34 minas abandonadas no Alentejo. Uma parte delas encontra-se sobre um extenso alinhamento de jazigos, onde predominam minerais da família das pirites, que se prolonga por 250 km, desde Grândola até Sevilha. Em contacto com o oxigénio e com a água, as pirites sofrem um processo químico, libertando ácido sulfúrico e metais pesados. Estas substâncias acabam por contaminar a água da chuva que passa pela mina ou pelos montes de resíduos que se acumulam em volumes gigantescos, nos locais das explorações abandonadas. Em Aljustrel, essas águas juntam-se numa albufeira que constitui uma barreira débil, pois a água está continuamente a verter por um repasse lateral.Além disso, esta lagoa está situada sobre uma importante falha.

O caso mais impressionante, no entanto, é o das minas de São Domingos, hoje dominadas pela profunda cratera onde a exploração decorria, antes de se começar a escavar as galerias. O buraco está inundado com uma água escura, formando um sinistro lago. Só a partir de 1990 é que os projectos mineiros passaram a estar  enquadrados por normas legais com maiores imposições para a protecção do ambiente.

Escombreiras – “montes de resíduos que se acumulam em volumes gigantescos, nos locais das explorações abandonadas”. A cor da água não engana. Foto gentilmente cedida por Anabela Veiga.

O complexo mineiro de Neves-Corvo, em Castro Verde, nasceu nessa altura e reflecte uma nova situação. A mina possui, por exemplo, um plano geral para o seu encerramento – algo impensável até há poucas décadas.”

As minas que envenenam o Alentejo. Revista Pública, 1998 – adaptado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: