Maremotos e o Dilúvio

Os sismos no mar e os maremotos

Maremoto é o termo português para Tsunami.

Quando um abalo se produz no mar, propagam-se ondas elásticas através da água: são estas ondas que provocam choques a bordo dos navios, fazendo, por vezes, crer aos seus capitães que o barco encalhou num banco de areia. Questionários análogos àqueles que são usados em terra permitem obter algumas indicações acerca da intensidade dos abalos sentidos no mar. No entanto, a fraca densidade de observadores impede geralmente uma determinação macrossísmica exacta do epicentro.

Mas um sismo submarino pode também conduzir a modificações bruscas do fundo oceânico, e em particular a desabamentos; produz-se então um «apelo» às massas de água vizinhas que invadem o espaço livre: o mar começa por se afastar da costa, mas em breve a massa de água entra em vibração e regressa à costa, destruindo tudo na sua passagem. É esta a explicação dos maremotos, particularmente frequentes nas costas do Japão e do Chile, vizinhos das grandes fossas oceânicas, que são, como veremos mais adiante, a origem de numerosos sismos. No Japão, os “tsunamis” são tanto mais violentos quanto mais recortada é a costa e mais baías em forma de V apresenta. A vaga, muralha de água rebentando na costa, pode então atingir 20 m a 30 m de altura, como sucedeu quando do grande tsunami de Sanriku (15 de Junho de 1896), que causou a morte de 27 000 pessoas e destruiu mais de 10000 casas.

Suess explica o acontecimento conhecido pela designação de Dilúvio através de um maremoto que teria sido desencadeado por um violento sismo originado no golfo Pérsico e que teria destruído a planície do Baixo Eufrates. O importante tremor de terra produzido no golfo de Oman, em 27 de Novembro de 1945, em ligação com as cadeias submarinas iranianas, e que foi acompanhado dum maremoto destruidor nas costas do Balochistâo e da Índia, proporciona uma justificação desta audaciosa hipótese.

Os sismos originados na fossa que margina as ilhas Aleútas dão frequentemente origem a maremotos devastadores nas costas das ilhas Havai e mesmo das ilhas Marquesas e das ilhas austrais. Após a catástrofe de l de Abril de 1948 foi criado pelas autoridades americanas um serviço de protecção: estações sismológicas, munidas de aparelhos avisadores de sismos, determinam rapidamente o epicentro e estações fornecidas de marégrafos seguem o desenvolvimento da vaga, cuja velocidade de propagação através do oceano Pacífico é de 800 km/h aproximadamente; a 9 de Março de 1957 pôde ser dado a tempo o alerta nas ilhas ameaçadas.

Um maremoto devastador originado na costa do Chile, quando do grande sismo de 22 de Maio de 1960, submergiu os portos de numerosas cidades costeiras,  e depois atravessou todo o Pacífico; nas ilhas Havai, apesar do alerta, houve 61 mortos: uma educação mais completa da população é, sem dúvida, a chave do sistema de protecção.

Mais recentemente (Wikipédia)

O Terramoto  do oceano Índico de 2004 ocorreu a 26 de Dezembro daquele ano, por volta das oito da manhã na hora local da região de seu epicentro, em pleno oceano (devendo por isso ser designado como maremoto), a oeste da ilha de Sumatra, nas coordenadas 3,298°N latitude e 95,779°O longitude. O abalo teve magnitude sísmica estimada primeiramente em 8,9 na Escala de Richter, posteriormente elevada para 9,0, sendo o sismo mais violento registado desde 1960 e um dos cinco maiores dos últimos cem anos. Ao tremor de terra seguiu-se um tsunami de cerca de dez metros de altura que devastou as zonas costeiras . O tsunami atravessou o Oceano Índico e provocou destruição nas zonas costeiras da África oriental, nomeadamente na Tanzânia, Somália e Quénia.

O terramoto foi causado por ruptura na zona de subducção onde a placa tectónica da Índia mergulha por baixo da placa da Birmânia. A área de ruptura está calculada em cerca de 1,200 km de comprimento e a deslocação relativa das placas em cerca de 15 m. Este deslocamento pode parecer pouco, mas em condições normais as placas oceânicas movimentam-se com velocidade da ordem do milímetro por ano. A energia libertada provocou o terramoto de magnitude elevada, enquanto que a deslocação do fundo do oceano, quer das placas tectónicas quer de sedimentos remobilizados pelo abalo, deram origem ao tsunami.

O número de vítimas, que era de aproximadamente 150.000, elevou-se para 220.000 quando o governo da Indonésia suspendeu as buscas por 70.000 desaparecidos e os incluiu no saldo de vítimas fatais do desastre.

Fonte : Wikipédia / Sismos e Vulcões – Jean-Pierre Rothé (Europa-América)

Para saber mais

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