Uma questão de números

As energias renováveis não são a solução para o problema energético. Pelo menos no estado actual de desenvolvimento das diferentes tecnologias. São um contributo importante para a redução da nossa dependência energética, mas a solução continua a passar pelos combustíveis fósseis e pelo nuclear.

As energias renováveis apresentam dois grandes pontos fracos : exigem grandes áreas, e são intermitentes. Vamos a números. Os dados que apresento são retirados da revista Science & Vie nº 1086, Março 2008.

Uma cidade como Paris necessita de 3,65 GW.

 1º – Problema de território (área)

Nuclear – 0,2 km2

Energia solar – 91.125 km2

Hidroeléctricas – 364,5 km2

Eólica – 454 km2

Biomassa – 3037 km2  (superfície a cultivar)

 O espaço ocupado acarreta problemas de ordenamento de território. Os valores das renováveis são colossais.

 2º – Problema de intermitência (tempo efectivo durante o qual a energia é produzida)

Nuclear – 312 dias (85%)

Energia Solar – 44 dias (12%)

Energia Eólica – 92 dias (25%)

Hidroeléctrica – 139 dias (38%)

Biomassa – 275 dias (75%)

A energia renovável mais próxima do nuclear é a biomassa, mas…, cultivar para energia, não se produz para comer!!!

 Campo de Colza na China para produção de biocombustíveis. Onde antes eram campos de arroz agora temos “biodiesel”, com os chineses a importarem arroz.

O mito do dióxido de carbono

 

Um novo livro de Christian Gerondeau – CO2: un mythe planétaire, não editado em português (talvez não seja politicamente correcto), com prefácio de Valéry Giscard d’Estaing, com uma visão moderna da problemática do CO2 – dióxido de carbono.

A linha de pensamento expressa é original, muito semelhante a Bjorn Lomborg, levantando uma série de questões fundamentais. A ideia que ele expressa, a de que não é possível baixar as concentrações de CO2 é totalmente correcta. Defende igualmente que as evoluções climáticas e dos níveis de concentração de CO2 são tudo, menos correlações significativas. Deduz que das quantidades muito significativas de dinheiro que estão a ser dirigidas para a salvação do Planeta, muitas são um desperdício. Um exemplo evidenciado diz respeito às eólicas em França, cuja electricidade até nem é precisa, desfigurando as paisagens e consumindo valiosos recursos públicos. Depois, o nuclear, pois é, a energia nuclear não emite dióxido de carbono mas a pressão das verdes melancias continuam a dominar na politica europeia, fossilizados no tempo presos ao fundamentalismo – nuclear, no thanks!.

A ler.

Júpiter atingido por um corpo celeste

20 de Julho 2009

 

Uma nova mancha negra do tamanho da Terra foi observada em Júpiter. Segundo os astrónomos esta mancha teve origem num impacto com um corpo celeste de dimensões consideráveis. Imagens da NASA que mostram um rasgão de milhares de quilómetros junto ao pólo sul. Contudo não deixa de ser uma pequena mancha face ao tamanho do enorme planeta vermelho, que é 2,5 vezes maior que todos os outros planetas do sistema solar juntos. Cientistas do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, Califórnia, captaram as imagens após receberem uma indicação de um astrónomo amador na noite anterior.

“The impact was discovered by amateur astronomer Anthony Wesley in Murrumbateman, Australia at about 1330 GMT on Sunday. Wesley noticed a black spot in Jupiter’s south polar region (see image) – but he very nearly stopped observing before he saw it.”

Outros comentários, podem ser lidos em  http://www.newscientist.com/article/dn17491-jupiter-sports-new-bruise-from-impact.html

Na Lua

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

Carlos Drummond de Andrade – As Impurezas do Branco – Editora José Olympio

Fly me to the moon (Diana Krall)

 Canal de TV (NASA)

http://www.nasa.gov/externalflash/apollo40/

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