Manto aflora na crosta oceânica

Nos últimos dois dias, uma média de 600 entradas por dia para o post “Voo AF 447”, tornou este último post no texto mais lido deste blogue. O número de entradas e de alguns comentários recebidos justificam um segundo post sobre a área do acidente e mais uma vez para escrever sobre a geosfera. As coincidências felizes tornaram pertinente o texto exposto abaixo. A infeliz queda da aeronave, um vídeo da National Geographic (ver vídeo) onde se aborda o tema dos “megamullions” e uns textos enviados por mail.

Vamos deixar o Arquipélago de Fernando de Noronha e viajar mais para norte e encontramos junto ao equador o Arquipélago de São Pedro e São Paulo. É um conjunto de pequenas ilhas rochosas que se situa na parte central do Oceano Atlântico Equatorial, distando 627 quilómetros do Arquipélago de Fernando de Noronha e 986 quilómetros de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. Na noite de 31 de Maio para 1 de junho de 2009, um acidente aéreo com o voo Air France 447, que saiu do Rio de Janeiro rumo à Paris, ocorreu nas proximidades do arquipélago, causando a morte das 228 pessoas que estavam a bordo do avião.
Era chamado popularmente de “Penedo de São Pedro e São Paulo” ou “Rochedo de São Pedro e São Paulo”, porém hoje em dia é chamado oficialmente de “Arquipélago de São Pedro e São Paulo”. A rocha exposta é peridotito serpentinizado de um megamullion tectonizado, sendo a única exposição mundial do manto abissal acima do nível do mar.
Começa aqui a aventura geológica. Peridotito serpentinizado e um megamullion tectonizado. É apenas objectivo deste blogue divulgar ciência e não tem pretensões de publicar artigos científicos. Apenas manter o rigor científico e escrever numa linguagem acessível para todos.

Assim, peridotitos são rochas que constituem o manto, serpentinizados significa que estas rochas ultramáficas (muito ricas em minerais ferromagnesianos) sofreram metamorfismo.

Em duas palavras o que temos presente nesta região?

O manto a aflorar à superfície. Imagine uma laranja, faça um sulco na casca e separe a crosta um pouco para os lados e deixa exposta a parte branca que cobre os gomos. A parte branca exposta, é o peridotito mantélico. Aqui podemos explorar o manto relativamente recente através de métodos directos, e confirmar alguns dos modelos que temos para o interior da Terra

E um megamullion tectonizado?

Um megamullion, também chamado de um núcleo complexo oceânico (OCC), é uma estrutura com uma geometria elipsoidal em forma de escudo. É essencialmente composto de rochas ultramáficas serpentinizadas com origem no manto abissal. O relevo é de tamanho variável. O megamullion, representa uma estrutura formada em placas oceânicas divergentes, mas em locais onde a divergência é muito lenta. Erupções vulcânicas e intrusões são muito menos frequentes em comparação ao normal ao longo de uma dorsal oceânica. No eixo de expansão destas regiões a fractura típica de vale de rifte não está presente. A expansão ocorre por meio de uma fala de baixo ângulo (falha de descolamento” baixo ângulo falha, chamada de “descolamento” (detachment fault).

Têm sido descobertas janelas mantélicas na crosta oceânica em todo o planeta, uma delas localiza-se nos Açores. O Maciço Saldanha corresponde a uma destas secções do manto expostas à superfície como resultado de uma tectónica de descolamento (detachement tectonics).

Para saber mais

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