Voo AF 447

Nos últimos dias a Ilha de São Fernando de Noronha (Brasil) ficou tristemente conhecida devido ao acidente do voo AF 447 que fazia a ligação entre Rio de Janeiro (Brasil) e Paris (França). O acidente terá ocorrido (à data deste post) algures entre a ilha de São Fernando de Noronha e o Arquipélago de Cabo Verde.  São Fernando de Noronha é uma ilha localizada na placa sul americana, enquanto o Arquipélago de Cabo Verde a nordeste, fica localizada na placa africana. Esta ilha terá sido descoberta (fonte : Jaime Cortesão, historiador português), nos anos de 1502-1503 durante uma uma desconhecida expedição, mas da qual existem seguros vestígios. Ela explicaria questões relacionadas à citação da ilha em cartas geográficas do período. No comando da expedição estaria Fernão de Loronha, que em pessoa, iniciava o desbravamento da terra que arrendara para a exploração do pau-brasil. No curso desta viagem, teria descoberto Fernando de Noronha.

Na realidade, Fernando de Noronha é um arquipélago vulcânico isolado no Atlântico Equatorial Sul, sendo sua ilha principal a parte visível de uma cadeia de montanhas submersas (DORSAL MÉDIA DO ATLÂNTICO), situada nas coordenadas geográficas 03 51′ sul e 32 25′ oeste e distando aproximadamente 345 km do cabo de São Roque no estado do Rio Grande do Norte e 545 km de Recife, em Pernambuco. Constituído por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de natureza vulcânica, tem a ilha principal uma área de 18,4 km2 cujo maior eixo com cerca de 10 km, largura máxima de 3,5 km e perímetro de 60 km. A base dessa enorme formação vulcânica está a mais de 4.000 metros de profundidade. A ilha principal, cujo nome é o mesmo do arquipélago, constitui 91% da área total, destacando-se ainda as ilhas Rata, Sela Gineta, Cabeluda, São José e as ilhotas do Leão e da Viúva. Estudos realizados demonstram que a formação do arquipélago data de dois a doze milhões de anos.

Ao longo dos últimos dias, além das notícias tristes da morte dos passageiros e tripulantes a bordo deste Airbus da Air France, têm sido referidos os problemas na detecção das “caixas negras” do avião e mesmo na localização dos destroços desta aeronave. A razão principal de dificuldades reside no contexto geológico da região entre os dois arquipélagos, localizados cada um em placas litosféricas divergentes. Os destroços do aparelho deverão estar localizados numa zona de rifte, desta dorsal oceânica. No caso da dorsal oceânica do Atlântico, esta pode apresentar uma largura de 1000 a 2000 km, erguendo-se do fundo com 4000 a 2500m. Alguns dos picos mais altos desta estrutura podem atingir a superfície, originando ilhas oceânicas, caso dos arquipélagos de Fernando Noronha e Cabo Verde.  Ao nível da dorsal, o seu topo é percorrido por uma fossa de abatimento contínua, denominada rifte, com uma profundidade média de 1000m e uma largura de 10 km a 50 km. Geologicamente as dorsais são um dos limites fundamentais ao nível da dinâmica da litosfera.

É neste contexto que os trabalhos de recuperação das “caixas negras” irão decorrer, tornando o trabalho complicado. Imagine procurar destroços numa região montanhosa como os Alpes. Imagine agora os Alpes entre os 4000 e os 2500m de profundidade na ausência de luz. É certo que as famosas “caixas negras” emitem um sinal que pode suportar condições de pressão até 6000 metros de profundidade, mas não deixa de ser um problema complicado de resolver.

Imagem de uma dorsal. As cores azuis representam áres de grande profundidade, enquanto as cores vermelhas representam locais da dorsal que encontram-se emersas (ilhas).

8 respostas a Voo AF 447

  1. […] Voo AF 447 Nos últimos dias a Ilha de São Fernando de Noronha (Brasil) ficou tristemente conhecida devido ao acidente do voo AF […] […]

  2. Anderson Dias Sampaio diz:

    Retificando não em PE é “PEM”

  3. Anderson Dias Sampaio diz:

    Ser atingido por um raio é bem improvável porém se o avião estiver bem próximo a uma área atingida por um ele será afeitado por um PE(Pulso eletromagnético estático porem não constante esse pulso é suficiente na maioria das vezes para queimar circuitos eletrônicos como todo avião e comandado por esses aparelhos eletrônicos ele entra em “pani” ao meu ver acho que essa é a explicação mais provável para tal queda pois se o avião tive-se sido atingido por um raio o piloto não teria com constatar a base como o mesmo o fez(http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1178153-5602,00-AREA+ONDE+AVIAO+DESAPARECEU+TEM+TEMPESTADE+CONTINUA+DIZ+METEOROLOGISTA.html).

    Att. Anderson Dias Sampaio
    Estudante de eletro técnica CEFET-AL

  4. Diego diz:

    Olá . Muito legal que tenha pessoas preocupadas com esse acidente … fico feliz e triste ao mesmo tempo … estou de LUTO :’] CANTORES MORRERAM . CASAIS MORRERAM !
    Postarei em uma comunidade virtual esse texto , com a tua autorização , Sr. Blacksmoker . Agradeço por oferecer-nos esse maravilhoso texto .

  5. Joao Wagner diz:

    Com efeito o acidente ocorreu mais próximo do arquipelago São Pedro e São Paulo.

    • Tens toda a razão João. Daí eu ter publicado o post sobre “O manto aflora na crosta”. Aqui do outro lado do Atlântico procurei dar a conhecer essas terras que também são brasileiras. Dois arquipélagos bem interessantes. Um abraço.

  6. Ricardo diz:

    Sera Procurar a agulha no palheiro, se bem que nesta zona do atlantico devem0os levar em causa as fortes correntes equatorias… ou seja os destroços ou caixa negra se nao for travado por uma ilhota pode ir bem longe

  7. Como é bom ter sempre alguém atento aos acontecimentos, podendo dar-lhe uma explicação real.

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