Quando a vida quase desapareceu….

 

Um livro que encontrei por acaso.

O recente relatório do Conselho Árctico sobre os efeitos do aquecimento global no extremo norte do planeta mostra um panorama desolador: inundações globais, extinção dos ursos polares e outros mamíferos marinhos e o colapso de áreas de pesca. Mas o relatório ignorou uma bomba-relógio prestes a explodir, enterrada nas tundras do Árctico.

Há enormes quantidades de gases de efeito estufa geradas pela natureza, aprisionados sob a forma de misturas geladas de gases hidratados nos pântanos frios do norte e no fundo dos mares. Essas misturas, chamadas de “clathrates” em inglês, contêm mais de três mil vezes metano do que a atmosfera. E o metano é um gás mais de vinte vezes superior ao dióxido de carbono em termos de contribuição para o chamado efeito estufa.

Agora vem a parte mais assustadora. Um aumento de alguns poucos graus na atmosfera poderá fazer com que esses gases se tornem voláteis e sejam liberados para a atmosfera, causando um novo aumento na temperatura do planeta, que por sua vez irá estimular a liberação de mais metano, aumentando mais a temperatura da Terra e dos oceanos, e assim por diante. Há 400 bilhões de toneladas de metano aprisionadas nas tundras congeladas das regiões árcticas – o suficiente para desencadear essa reacção em cadeia – e o tipo de aquecimento previsto pelo Conselho Árctico é suficiente para derreter as “clathrates” e liberar estes gases de efeito estufa na atmosfera.

Uma vez iniciado, esse círculo vicioso iria resultar em um aquecimento totalmente descontrolado do globo.
Há fortes evidências geológicas que sugerem que algo similar já aconteceu por duas vezes antes. E é deste tema que Michael Benton nos fala neste livro.  A mais recente dessas catástrofes aconteceu por volta de 55 milhões de anos atrás, no que os geólogos chamam de Evento Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno (PETM, em inglês), quando a liberação intensiva de metano causou um rápido aquecimento e extinções em massa, trazendo caos ao clima por mais de 100 mil anos.
O precursor dessas catástrofes aconteceu  há 251 M.a., no fim do período Pérmico, quando uma série de liberações de metano quase acabou com todas as formas de vida na Terra.
Mais de 94% das espécies marinhas presentes nos registos fósseis desapareceram repentinamente por causa do decréscimo abrupto dos níves de oxigénio e a vida na Terra esteve à beira da extinção. Nos 500 mil anos seguintes, algumas poucas espécies lutaram para sobreviver num ambiente hostil. Levou-se 20 a 30 milhões de anos para que os então rudimentares recifes de coral se recuperassem e para que as florestas voltassem a crescer. Em algumas áreas, levou-se mais de 100 milhões de anos até que os ecossistemas locais recuperassem a sua diversidade original.

O geólogo Michael J. Benton apresenta as evidências científicas para essa tragédia sem precedentes em seu recente livro When Life Nearly Died: The Greatest Mass Extinction of All Time. Assim como no PETM, os gases de efeito estufa, constituídos em grande parte pelo dióxido de carbono oriundo do aumento da atividade vulcânica, aqueceu a terra e os mares em níveis suficientes para liberar quantidades gigantescas de metano dos “clathrates”, disparando um efeito estufa incontrolável.
Qual a causa de toda essa catástrofe? Terá sido esta a razão? 

Mais uma a juntar as hipóteses de Impacto e de Vulcanismo?

Michael J. Benton é professor de Paleontologia dos Vertebrados no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, Reino Unido. Tem desenvolvido investigações relacionadas com a evolução de répteis do Triássico. Tem trabalhos publicados sobre extinções e alterações faunísticas no registo geológico.

É também autor de livros relacionados com a paleontologia e livros infantis. Colaborou ainda com a BBC na série  Walking with Dinosaurs.

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