Recuperação de Minas

Novembro 23, 2008

s-domingos

 

A existência de numerosas ocorrências de minérios de cobre, ferro e manganês na Faixa Piritosa Ibérica (FPI)foi certamente determinante no modo de vivência das populações aí residentes, tendo existido mineração desde o Calcolítico e durante a ocupação por Tartéssios, Fenícios e Cartagineses. Na época romana foram intensamente explorados vários jazigos de sulfuretos do sector português da Faixa Piritosa, como São Domingos.
Actualmente, a única exploração mineira em laboração no sector português da FPI é a de Neves Corvo, que é um projecto mineiro marcado por uma elevada tecnologia de produção de concentrados de cobre e estanho e, num futuro próximo, de zinco. A excelência do projecto mineiro tem conduzido à descoberta sistemática de novas reservas de minérios complexos. A actividade extractiva na mina de Neves Corvo salienta-se ainda pelo respeito pelas normas ambientais mais exigentes, sendo um bom exemplo de greenmining (mineração ecológica).
 
No entanto, a maioria das minas diagnosticadas na FPI encontra-se numa situação de total abandono. A quase totalidade das explorações mineiras abandonadas e que foram alvo de estudo não possui estruturas adequadas que minimizem o seu impacte ambiental. O vazio de responsabilidades que entretanto se formou após o encerramento de cada mina torna ainda hoje difícil a aplicação do princípio do poluidor/pagador, cabendo ao Estado a resolução do passivo ambiental herdado. À excepção da mina de Neves Corvo, todas as explorações do sector português da FPI apresentam impactes ambientais significativos, sobretudo ao nível da rede hidrográfica. A Ribeira de São Domingos, afluente do rio Chança, constitui um exemplo de um curso de água afectado pela drenagem não controlada de efluentes ácidos provenientes da área mineira de São Domingos. Os troços da rede hidrográfica situados a jusante dos centros mineiros da FPI encontram-se afectados em vários quilómetros com águas de pH ácido (<4). No caso da mina de São Domingos, a inexistência de políticas protectoras do ambiente no seu processo de encerramento traduz-se, actualmente, numa pesada herança reflectida na presença de um grande volume de escombreiras onde se identificam metais como Cu, Pb, Zn, As, Sb, Ag, Hg e Cd.
 
 
 
Matos e L. Martins, “Reabilitação ambiental de áreas mineiras do sector português da Faixa Piritosa Ibérica: estado da arte e perspectivas futuras”, Boletín Geológico Y Minero, 117 / 2006, pp: 289-304 (adaptado)
 

 

 

 

 


Darwin. Mais Darwin…

Novembro 19, 2008

Seicha

Novembro 3, 2008

Seicha é uma onda de longo período, em qeral estacionária, que se gera em estuários, bacias portuárias, lagos e outros corpos de água confinados, em resultado da amplificação por ressonância da energia das ondas incidentes ou de outra qualquer fonte de excitação ondulatória. O termo foi utilizado pela primeira vez, pelo suíço François-Alphonse Forel, que descreveu o efeito no lago de Genebra.

Palavra de origem francesa, numa tradução livre, significa abanar periodicamente. A natureza do fenómeno é em geral provocado pelo vento, mas os sismos podem também estar na origem das Seichas, cujo mecanismo apresenta muitos aspectos em comum com a formação de tsunamis.
O fenómeno gera-se porque a gravidade actua sobre a massa de água perturbada tendendo a restaurar a horizontalidade da sua superfície, pois essa configuração corresponde ao equilíbrio de energia mínima.

O terramoto de 1755, que afectou Lisboa e a costa sudoeste portuguesa causou seichas em canais situados a 3000 Km de distância na Escócia, e Suécia.
Ocasionalmente, os tsunamis podem desencadear seichas em resultado da forma das costas afectadas
. O tsunami que atingiu o Havai em 1946 apresentava duas frentes de onda separadas por um intervalo de 15 minutos. Ora um dos períodos naturais de ressonância da baía de Hilo tem um valor próximo dos 30 minutos. Uma das duas ondas estava em fase com a oscilação das águas da baía, desencadeando uma forte seicha. Em resultado Hilo sofreu graves danos, com uma seicha a atingir 14 metros acima do nível normal das águas.

Em 1755 uma situação semelhante poderá ter ocorrido em Lisboa, com as águas a invadir zonas extensas das margens do estuário do Tejo.

Fonte : wikipédia
Animação : http://earthguide.ucsd.edu/earthguide/diagrams/waves/swf/wave_seiche.html

Ler o post relacionado com os Sismo de Lisboa:

https://blacksmoker.wordpress.com/2008/11/01/lisboa-01111755/


Lisboa 01.11.1755

Novembro 1, 2008

O Dia em que tudo ruiu

Portugal vive dias de esperança neste ano da graça de 1755. A Casa da Ópera foi inaugurada em Abril para saudar um novo género dramático, que na geração anterior, era apupado em Lisboa. Do Brasil, chegam 125 arrobas de ouro por ano, marcando o auge da exploração do nobre metal brasileiro e restabelecendo o tesouro público que tão desbaratado fora no reinado de D.João V. No Porto, constrói-se, desde 1754, a Torre dos Clérigos e, em Braga, o Palácio do Raio vai ganhando forma.

No dia 1/11/1755, quarteirões inteiros desmembram-se. Concentrados à hora da missa, muitos fiéis foram esmagados pelos escombros das igrejas ou ficaram encurralados por toneladas de entulhos.

O governo reagiu, expedito, à tragédia que, durante aquele mês de Novembro, ceifou a vida de cerca de dez mil lisboetas. Das ruínas do terramoto de Lisboa ergueu-se um líder político consolidado e uma cidade planeada.

Em Novembro de 1755 cerca de dez mil pessoas perderam a vida. Lisboa mudou para sempre.

Ainda hoje, o epicentro do terramoto de 1755 é debatido. Já foram propostos quase uma dezena de locais, quase todos ao largo da costa portuguesa, para sul ou sudoeste. A chave, porém,reside segundo João Duarte Fonseca (investigador do Núcleo de Engenharia Sísmica e Sismologia do IST), numa escala cronológica e não no fundo do mar. A maioria dos relatos estima que o maremoto (depois da sequência de oito minutos de abalos) tardou 75 a 90 minutos a fazer-se sentir em Lisboa e ocorreu simultâneamente com um novo sismo. É essa hora e meia que tem permitido estimar a distância à costa da região epicentral.

Durante anos, pensou-se que o banco submarino de Gorringe seria a solução perfeita, em termos de distância de Lisboa e capaciade para induzir um sismo de 8,5 de magnitude de momento. Mas a análise sistemática dos documentos da época revelou também uma esmagadora diferença entre os efeitos devastadores do sismo em Lisboa e no Algarve e os danos menores provocados na região alentejana intermédia.

Para a sismologia anteiror à década de 1990, a proposta de uma ruptura secundária causada à distância por um terramoto seria encarada da mesma forma que um físico reagiria perante a proposta impossível de que, em determinadas situações, a maçã de Newton poderia subir em vez de descer! O sismo norte-americano de Landers em 1992, provocado pela falha de Santo André, encarregou-se de tornar possível uma ruptura secundária. E João Duarte Fonseca adoptou-a para a explicação do sismo de 1755.

O sismo gerado a sul da costa, poderia ter correspondido um ruptura no vale do Tejo oito minutos depois, suficientemente forte para provocar estranhos fenómenos em Benavente. A tese enunciada teve o condão de recuperar o sismo de 1755 para o centro da polémica.

Historicamente, a controvérsia pode ajudar a explicar a inusitada força do tsunami em Lisboa, cidade protegida por um estuário que teoricamente deveria ter provocado o abrandamento das águas. Mas há consequências bem mais palpáveis se este modelo teórico estiver correcto : toda a previsão de risco sísmico para Lisboa pode ter partido de pressupostos incertos.

Uma explicação diferente têm outros investigadores (Terrinha, Cabral e Matias)

“Existem duas orientações preferenciais para as falhas activas, nomeadamente, próxima de este-oeste, inclinando para norte ou para sul, e aproximadamente norte-sul, inclinando para este. A distribuição da sismicidade sugere que ambos os conjuntos se encontram activos e acomodam a deformação sísmica. O sismo de 1969, de magnitude 7,3 a 7,5 com epicentro na Planície da Ferradura, indica rotura numa falha de orientação próxima de este-oeste, constituindo uma evidência recente de actividade sismogénica importante neste sistema de falhas activas. A distribuição da intensidade sísmica em Portugal continental, durante o sismo de 1755, sugere uma orientação norte-sul para a fonte sismogénica. Assim, a Falha do Marquês de Pombal e a Falha da Ferradura podem estar associadas a uma falha única em profundidade, podendo, desta maneira, atingir uma superfície de área superior à necessária para a rotura que gerou o sismo de 1755, com um comprimento de rotura superficial superior a 220 km.”

 
 

 

 

Fonte :

National Geographic, Novembro 2005;

As Fúrias da Terra, Claude Allégre;

Terrinha, P; Cabral J. ; Matias, L – A tectónica recente e a fonte do grande sismo de Lisboa de 1 de Novembro em 1755.