Dia: 25 de Julho, 2008

Recursos Geológicos – O Petróleo do Árctico

Nota do Autor do post:

Mais um post acerca de um recurso essencial. Este bem mais grave que o problema do Urânio porque aqui a Geologia aparece muito mais associada com a Geoestratégia mundial, e falando claro, refiro-me a dois grandes ursos, o Urso Pardo Americano e o Urso Polar Russo, chamado de siberiano.

Retirei notícias do Jornal Público e relatórios dos Serviços Geológicos Americanos – USGS.

Os originais podem ser todos consultados apartir da página http://www.usgs.gov/newsroom/article.asp?ID=1980&from=rss_home. É a partir deste site que todo um dossier pode ser consultado de forma a ser compreensível o problema do ´”Petróleo do Árctico”.

Ao longo deste post vou procurar explicar as diferentes componentes do problema. Fui pela primeira vez sensibilizado para a questão do Petróleo do Ártico através do Prof. Dr. Fernando Noronha da FCUP, durante uma palestra promovida pela APG. O facto da Rússia, Dinamarca (Gronelândia), e Canadá reclamarem esta jazida e os EUA não o poderem fazer é com base num argumento Geológico. A questão política e geoestratégica do tema tem por base a Geologia.

Nuno Correia

 

Há petróleo no Árctico para abastecer o planeta três anos

O Alasca esconde 13 por cento das reservas ainda não descobertas, diz a muito esperada avaliação dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos

 

Os gelos do Árctico podem esconder 90 milhões de barris de petróleo, e mais de 46 biliões de metros cúbicos de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Seria petróleo suficiente para, sozinho, satisfazer a procura mundial durante três anos. A maior parte das reservas situam-se na plataforma continental, em zonas perto da costa dos países do Árctico, em regiões de propriedade definidas, o que significa que não deverão alimentar disputas territoriais. Esse factor poderá, no entanto, acelerar muito a exploração daquelas reservas, as mais ricas das quais se situam na Rússia e no estado norte-americano do Alasca, onde a Shell já está a investir na compra de direitos de perfuração.
Debaixo dos gelos do Árctico há petróleo suficiente para satisfazer a procura mundial durante três anos. E a boa (ou má, consoante as perspectivas) notícia é que a maior parte das reservas de petróleo e de gás natural estão em zonas perto da costa dos países do Círculo Polar Árctico, e não perto do Pólo Norte, em regiões de propriedade definida, onde não deve haver disputas territoriais.
Quem o diz são os Serviços Geológicos dos Estados Unidos, que acabam de divulgar os resultados da muito esperada avaliação das reservas de hidrocarbonetos ainda não exploradas no Árctico. “A plataforma con-tinental do Alasca é o local onde se deve procurar hoje petróleo”, disse Donald Gautier.
 
Vamos aos números:
O Árctico pode ter 90 milhões de barris de petróleo ainda não descobertos, e mais de 46 biliões (milhões de milhões) de metros cúbicos de gás natural. Isto representa 13 por cento do total das reservas petrolíferas ainda não descobertas, e 30 por cento das de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Na avaliação foram apenas incluídos “recursos que se julga poderem ser explorados utilizando a tecnologia hoje disponível”.

 

Mas não foram incluídos cálculos sobre os custos que teria explorar petróleo e gás natural nestas zonas.
Isso será o objectivo de um próximo estudo, disse Don Gautier, citado pelo jornal canadiano Globe and Mail.
 

 

 

  

 

 

Rússia rica

É nos sete milhões de quilómetros quadrados de zonas marítimas com menos de 500 metros de profundidade, nas plataformas continentais, que se concentram os hidrocarbonetos.
Há três áreas que se destacam: dois terços do gás natural não descoberto situar-se-á em duas regiões russa (a Bacia Siberiana Ocidental e a Bacia Oriental do Mar de Barents, parte desta também sob administração norueguesa) e a zona costeira do Alasca (EUA).
Os geólogos, no entanto, tentaram evitar a questão de saber a quem pertenceriam estes recursos. “Pensámos nisto do ponto de vista geológico, e não político”, disse Gautier, citado pelo Globe and Mail.
Em princípio, nas regiões identificadas no estudo não haverá grandes disputas territoriais – só lá para o (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega, Dinamarca), imitando a corrida ao ouro na Califórnia, pode estar rnais afastado do que se temia.
Mas o facto de boa parte dos recursos estarem em zonas cuja titularidade é reconhecida pode bem querer dizer que a sua exploração é susceptível de se acelerar muito. Na verdade, já há muitas empresas petrolíferas que se estão a colocar no Árctico, preparando-se para aproveitar o degelo, que tem sido cada vez maior durante o Verão, devido ao aquecimento global. A Shell, por exemplo, já investiu 2000 milhões de dólares na compra de direitos de perfuração no mar de Chukchi, no Alasca, noticiou o The Wall Street Journal. A BP, por seu lado, pagou 1200 milhões de dólares ao Canadá pelo direito de explorar em três lotes no mar de Beaufort. E se a tendência de escalada d preços do petróleo continuar, será cada vez maior o incentivo para o procurar em zonas antes menos atractivas porque implicam grandes gastos. O impacte ambiental da intensificação da exploração de petróleo e gás natural no Árctico, no entanto, pode ser brutal. Não só para as espécies locais, como o urso polar – mas também para os próprios humanos, que vivem no Círculo Polar Ártico. Os pólos da Terra são uma espécie de ar condicionado do planeta – entre outros efeitos, a capacidade reflectora do gelo funciona como uma t-shirt branca no Verão que nos ajuda a manter mais frescos. Acelerar o derretimento dos gelos pode ter consequências graves e inesperadas.
Estes textos baseiam-se em notícias do Jornal Público. sexta-feira 25 de Julho de 2008, e dos seguintes endereços da USGS:

 

 

 
 

 

 

 

Dorsal de Lomonosov

Kremlin planeia distribuir reservas sem concursos

A Rússia pretende distribuir sem realização de concursos nem leilões abertos às empresas interessadas os direitos de exploração das vastas reservas de petróleo localizadas ao longo da Dorsal de Lomonosov, que o Kremlin pretende que seja reconhecida internacionalmente como parte da plataforma continental siberiana, ou seja, território da Federação Russa. Essa foi a incumbência dada no início desta semana pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, ao vice-primeiro-ministro Igor Setchin – antigo chefe adjunto do gabinete presidencial de Vladimir Putin e dirigente da gigante estatal petrolífera russa Roneft -, actualmente responsável pelo sector energético do país. Esta distribuição das reservas pelo Kremlin foi justificada por Medvedev com o propósito de assegurar “o uso racional da riqueza nacional”. Desde 2001 que a Rússia tenta provar ter direitos sobre dois mil quilómetros de extensão (num triângulo territorial de 5,8 milhões de quilómetros quadrados) da cadeia montanhosa submarina de Lomonosov.

No mês passado, o general Vladimir Shamanov, conselheiro do Ministério da Defesa, sugeriu mesmo numa entrevista ao jornal Krasnaia Zvezda (órgão oficial militar) que o Exército russo está preparado para combater qualquer país que dispute os direitos de Moscovo sobre a plataforma continental siberiana.

Onde a Geologia aparece….

 

Cientistas russos anunciaram sua o dorsal de Lomonosov

Cientistas russos anunciaram que cadeia montanhosa (Dorsal de Lomonosov) é o prolongamento geológico da plataforma continental russa. Apesar destas declarações, o cientista russo frisou que os trabalhos de laboratório para identificar as estruturas geológicas só estarão terminados «dentro de um ano».

 

Segundo refere a agência Lusa, o anúncio foi feito por Victor Posselov quando apresentava os primeiros resultados dos estudos de fragmentos de solo, retirados a 2 de Agosto do fundo do Oceano Glaciar Árctico durante a expedição russa «Arktika-2007».

EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega também desdobraram-se em iniciativas mais ou menos mediáticas com um único objectivo: deixar claro que a Rússia não é a única potência com interesses territoriais na região do Árctico, onde é suposto existirem um quarto das reservas mundiais de petróleo e gás, além de urânio, diamantes e outros minérios. Com base numa convenção da ONU que regula os limites das plataformas continentais e que estabelece um prazo de dez anos a contar da sua ratificação para que os interessados apresentem as suas pretensões. O que, no caso da Rússia, significa que Moscovo tem até 2009 para se pronunciar. Já o prazo-limite do Canadá vai até 2013 e o da Dinamarca aponta para 2014. Praticamente ignorado ao longo da História, com excepção do período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ex-URSS, o Árctico ganhou uma nova projecção nos últimos anos por força do aquecimento global. De acordo com os mais recentes estudos científico, a temperatura média na região está a crescer ao dobro da velocidade registada no resto do mundo, explicando, por exemplo, o descongelamento dos glaciares ou as razões por que a área de mar coberta por gelo tem vindo a diminuir no Verão entre 15% e 20% relativamente ao que sucedia ainda há 30 anos.Segundo Victor Posselov, vice-presidente do Instituto de Investigação Cientifica de Oceanologia da Rússia, «a cadeia montanhosa submarina no Pólo Norte é a continuação da plataforma continental siberiana e não está isolada de forma

Fonte : Pravda
 
 
 
 
 

 

Dorsal de Lomonosov

 

 Esta imagem corresponde aos limites actuais da zona polar (200 milhas, a amarelo). Como se pode ver a área tem a soberania de qualquer país… por agora.

Corrida ao Pólo Norte

 

Marco Polo para Este, Colombo para Oeste, Vasco da Gama para Sul… e agora quem corre para Norte?

Começou a corrida pelo Pólo Norte

Em causa podem estar importantes reservas de petróleo e gás natural 

Está na moda entre os turistas com gosto pela aventura. Mas não é essa a razão pela qual o Pólo Norte suscitou um súbito interesse em vários países. O motivo é outro: o petróleo e o gás natural, cada vez com maior procura e cada vez mais valiosos nos mercados internacionais.

Actualmente, o Pólo Norte é considerado «zona internacional», mas não continuará assim por muito mais tempo. Canadá, Dinamarca e Rússia querem incluí-lo no seu território, com os Estados Unidos a demonstrarem «interesse estratégico» na região. Muito em breve, as Nações Unidas deverão ser chamadas a dirimir o conflito.

O primeiro país a reclamar posse legítima daquela inóspita região foi o Canadá, na década de 1950. O interesse tinha então a ver unicamente com a população inuit, ou esquimó, e o caso foi entregue a um tribunal internacional, que determinou que, caso nos cem anos seguintes nenhum país reclamasse a posse da região gelada, esta passaria a ser definitivamente território canadiano.

Entretanto, as Nações Unidas aprovaram a Convenção do Mar, que permite a qualquer país reclamar como seu território submarino para além das 200 milhas da zona económica exclusiva, caso submeta provas científicas provando que determinada zona é um «prolongamento natural» da sua superficie continental. Quando um país ratifica esse tratado, tem dez anos para submeter a sua pretensão à posse de um território submarino. O Canadá, a Rússia e a Noruega já o ratificaram em 1999, e a Dinamarca está a preparar-se para o fazer.

Sob o gelo do Pólo Norte existe uma cordilheira submarina, a Dorsal de Lomonosov, que se estende ao longo de 1100 milhas náuticas (2000 quilómetros) entre a Gronelândia, território dinamarquês desde 1814, e a Sibéria russa.

Considerando que a cordilheira é um prolongamento do território siberiano, a Rússia submeteu, há cerca de três anos, à comissão internacional da ONU um pedido para que toda a zona adjacente seja considerada território russo. A pretensão foi rejeitada devido a objecções levantadas por três países que têm territórios árticos: Noruega, Canadá e Estados Unidos.

A Dinamarca enviou, entretanto, uma missão científica para o Pólo, com o objectivo de fazer um levantamento topográfico da Dorsal de Lomonosov. Com base no que foi descoberto, os dinamarqueses têm esperanças de alargar o seu território da Gronelândia até 370 quilómetros para cada um dos lados da cordilheira. Exultava há dias a ministra dos Negócios Estrangeiros dinamarquesa, Helge Sander: «Há uma possibilidade de o Pólo se tornar dinamarquês, poderá dar-nos acesso ao petróleo e ao gás natural».

Não é que isso seja fácil. Jim Gardner, investigador do Centro Hidrográfico de Cartografia dos Oceanos da Universidade de Nova Hampshire, recorda que os quatro meses anuais de escuridão absoluta e o frio extremo representam dificuldades enormes para a investigação científica, e ainda maiores para a exploração de petróleo.

Mas a calote polar está definitivamente a derreter. No dia 4 deste mês, cientistas americanos anunciaram que, em Setembro, a calote deixou a descoberto mais 13,4% que no ano anterior. A manter-se a tendência, diz Torquil Meedon, funcionário do Ministério da Ciência dinamarquês, «as mudanças climáticas indicam que o gelo polar pode desaparecer em 50 a 100 anos, o que tornará a Passagem do Noroeste uma rota marítima nova e valiosa. Também poderá abrir o território à pesca e à exploração de petróleo e gás. Quem sabe qual será o valor dos direitos ao Pólo dentro de cem anos?»

No Canadá, estas pretensões não são bem recebidas. Um leitor do Edmonton Journal escrevia na semana passada: «Lutemos contra os dinamarqueses. Proponho um jogo de hóquei no local em questão, o Pólo Norte. Os vencedores ficam. Os derrotados retiram-se».

E há ainda as populações inuit que habitam a região. Quando perguntaram a Angela Idlout, de Resolute Bay, o que pensava do assunto, respondeu: «Se me pergunta qual é a minha nacionalidade, digo-lhe que me considero canadiana, não dinamarquesa».

Fonte : http://dn.sapo.pt/2004/10/23/internacional/comecou_a_corrida_pelo_polo_norte.html

Exploração oceânica

Rússia coloca bandeira no fundo do oceano Árctico para reclamar o Pólo Norte

Por AFP, Clara Barata

02.08.2007

Exploradores russos tocaram hoje no fundo do oceano Árctico, mesmo por baixo do Pólo Norte, a uma profundidade de 4261 metros. Bem protegida dentro de uma cápsula de titânio, os exploradores vão deixar lá em baixo uma bandeira russa — como os norte-americanos fizeram quando colocaram o seu pavilhão, o stars & stripes, na Lua.
 
Esta será uma forma simbólica de reclamar para Moscovo uma grande parte do Pólo Norte, que se pensa ser rica em recursos naturais, como petróleo e gás natural, bem como diamantes, metais e novas zonas pesqueiras, de espécies apreciadas, como o bacalhau. A Rússia quer marcar assim as suas pretensões à nova corrida ao ouro do Árctico, a todas as riquezas que passarão a ficar disponíveis quando o aquecimento global derreter os gelos do topo norte do mundo — que, dizem os cientistas, podem desaparecer completamente durante o Verão, nos próximos 20 anos.O navio de investigação Akademik Fyodorov e o quebra-gelos nuclear Rossia, com 135 cientistas a bordo, conduziram as operações até ao ponto onde foi feito o mergulho. Os tripulantes enviaram uma mensagem para a Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra a pouco menos de 400 quilómetros de altitude, e vão ainda aproveitar para recolher amostras do leito oceânico.Para quê esta aventura, que um porta-voz do Presidente Vladimir Putin disse ser “de grande importância” para o czar da nova Rússia? Para ajudar a provar o argumento russo de que a plataforma continental siberiana se estende até mais 2000 quilómetros da linha da costa, ao longo da dorsal Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina que se estende até à Gronelândia. No total, Moscovo reclama um triângulo de cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados, diz a agência noticiosa russa Ria Novosti.Já em 2001 a Rússia reclamou este território, mas a Comissão para os Limites das Plataformas Continentais (um organismo das Nações Unidas) considerou que as suas pretensões não estavam fundamentadas.Mas a Rússia não desistiu: em 2009, vai voltar a apresentar as suas pretensões. E, até agora, vai à frente na corrida das cinco nações que rodeiam o Círculo Polar Árctico para reclamar as riquezas que se escondem sob os gelos. Pelo sim, pelo não, a petrolífera BP já se aliou à Rosneft, a empresa estatal rusa de petróleo, para fazer prospecção de petróleo no Árctico, diz o “Financial Times”.O Canadá tem reclamado muitas vezes as suas pretensões como nação do Árctico. Mas faltam-lhe navios capazes de circular pelos perigosos canais entre o gelo do Árctico. Tem apenas um, de momento, embora o primeiro-ministro Stephen Harper tenha anunciado em Julho que ia libertar verbas para construir novos navios quebra-gelo. “A coisa mais inteligente que o Canadá podia fazer era uma declaração política que dissesse, de forma educada, que não concordamos [com a acção russa]”, disse Rob Huebert, especialista no Árctico do Centro de Estudos Militares e Estratégicos, em Calgary.

O Canadá associou-se à Dinamarca — que também reclama direitos no Árctico, porque a Gronelândia está sob a sua administração — para estudar o percurso exacto da dorsal de Lomonosov e determinar os limites da plataforma continental de cada país. Mas essa investigação só deve estar concluída em 2013, anos depois da russa.