De novo, Energia Nuclear em Portugal

Em discussão. O aumento do preço do petróleo e de outros combustíveis dá o mote para um novo debate sobre o nuclear. As declarações do governador do Banco de Portugal deram um impulso.

Mas o momento político também ajuda. Nuclear: sim ou não? A velha questão voltou a estar na ordem do dia.

As declarações do Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, quando, a terça-feira, apresentou as previsões da instituição para a economia portuguesa, deram um impulso à discussão. Mas o preço do petróleo é a raio que dá força a este debate, com alguns políticos e empresários a defenderem o nuclear como a solução para s problema da dependência petrolífera do país e outros a dizerem que ao é por aí que passa o futuro do sector energético português. Contudo, os custos das emissões de CO2 que o sector electroprodutor está a pagar também não é alheio a tudo isto.

E o momento político em Portugal também ajuda. Pedro Sampaio Nunes, o responsável da Energia Nuclear de Portugal – a empresa criada, há cerca de três anos, pelo empresário Patrick Monteiro de Barros para desenvolver o projecto de uma central nuclear no País – diz que não tem dúvidas que aquele vai ser um assunto a debater na campanha eleitoral das próximas legislativas a realizar em 2009. Na sua opinião, as declarações de Vitor Constâncio são também um sinal de uma certa mudança de atitude face a este assunto dentro do próprio Partido Socialista (PS).

 

Na realidade, ainda no início deste mês, a propósito da “crise” dos combustíveis, o PS sugeriu, na comissão de Assuntos Económicos da Assembleia da República, que os deputados visitassem no próximo ano parlamentar a central nuclear de Almaraz, em Espanha, e que visitassem outras unidades de produção de energia renovável. Vítor Constâncio falou da necessidade de se estudar a alternativa do nuclear como uma, entre outras, que poderá contribuir para a redução da dependência de Portugal, um problema que está a criar sérias consequências para a economia nacional. E as reacções não se fizeram esperar. Desde logo, o Governo, pela voz de Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, esclareceu, que tal como o primeiro-ministro, José Sócrates,tem vindo a dizer, este assunto não faz parte da agenda do Executivo, pelo menos até ao final da legislatura. Mas o socialista João Soares acrescentou que esta deve ser uma alternativa a estudar.

Quem não reagiu bem foram os ambientalistas. E um dos responsáveis pela elaboração do programa do Governo para a Energia, Oliveira Fernandes, prefere pensar que Vítor Constâncio só fez “aquelas afirmações por lapso”.

Não é só em Portugal que o nuclear está a ser discutido. Também a nível internacional a questão tem merecido a atenção de vários responsáveis do sector energético, entre os quais o director executivo da Agência Internacional para a Energia que disse, recentemente, que são precisas mais 32 centrais nucleares no mundo para se reduzir a dependência do petróleo.

(Diário de Notícias – Quinta-feira. 17 de Julho de 2008)

Central Nuclear de “Patrick” – Objectivo : Central nuclear para Portugal está prevista há 3 anos

Em 2005, o empresário Patrick Monteiro de Barros apresentou um projecto para a construção de uma central nuclear no país, com uma potência instalada de 16OO mega-watts, a construir em sete anos.
Um investimento, na altura de 3,5 mil milhões de euros. Mas que, segundo as contas mais recentes da empresa criada para o desenvolver, a Energia Nuclear de Portugal, já subiu para 4 mil milhões de euros .”

Porque entretanto tudo aumentou, incluindo o aço”, explicou ao DN Pedro Sampaio Nunes, o homem que fala em nome da sociedade anónima criada para o efeito.

O projecto, que visava ainda a recuperação das minas de urânio da Urgeiriça, permitia, segundo os seus promotores, a criação de 3OO postos de trabalho directos.

Na fase de construção, envolveria cerca de 3 OOO trabalhadores, explicou Pedro Sampaio Nunes. “A intenção de construir a central mantém-se e o projecto continua a ser actualizado”, assegurou aquele responsável, adiantando que a empresa já tem várias localizações estudadas, para a central, mas não as quer revelar. Agora, conclui, a central tem ainda mais condições para ser rentável.

O que é uma central nuclear? Como Funciona?
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Não é só em Portugal que o debate sobre o nuclear está latente.

Segundo dados coligidos pela World Nuclear Association (WNA), há neste momento onze países em vários continentes que não têm qualquer central nuclear em laboração ou construção – ou sequer decidida a nível político – mas nos quais existem projectos de viabilização futura deste género de energia. O rol dos que pretendem aderir ao nuclear civil (para produção de energia eléctrica) vai desde o Irão ao Egipto, passando pela, Indonésia, Tailândia ou Vietname. Bangladesh, Bielorrúsia e Turquia são os restantes. Portugal, até ver, não faz parte das estatísticas da WNA. Israel e Coreia do Norte são os restantes países citados pela WNA como não fazendo uso da sua capacidade nuclear para produzir electricidade. A maior parte dos países que já tem centrais produtoras de energia nuclear quer construir mais. As excepções à regra são a Espanha – que está a desactivar paulatinamente a sua rede de centrais – a Holanda e a Suécia. De resto, dos 30 países que actualmente têm centrais nucleares em funcionamento, 17 programou já a construção de uma ou várias. Nesta núcleo estão a França, Finlândia, Suíça, Eslováquia,Ucrânia, Roménia, Bulgária e Rússia, só para falar dos europeus. A eles se juntam Brasil, Argentina, Canadá, Estados Unidos, índia, Japão, Coreia do Sul, China e Paquistão.

Nos últimos três anos, apenas três países a nível mundial decidiram desactivar algumas das suas centrais. Trata-se da Espanha, Suécia e China.
No entanto, neste último caso, as que deixaram de produzir foram substituídas por outras centrais mais modernas. Actualmente, existem no Mundo 13 novos projectos para produzir mais eficazmente energia nuclear.

Centrais nucleares em funcionamento na Europa

Duas Opiniões – Energia Nuclear? Talvez…

Nuclear? Sim Obrigado!

Nuclear? Não Obrigado!

Um icon dos anos 80!!!

 

Problemas do Nuclear – Resíduos. Notícia do jornal “Expresso” de 26/7/08

Uma boa dose de revolta e um enorme desespero. Os habitantes das aldeias e vilas à volta do sítio nuclear de Tricastin, na parte sul do vale do rio Ródano, transmitem estes sentimentos. Desalentados, os agricultores dos arredores da pequena cidade de Bolène, a 2 km de Tricastin, praguejam contra “o- monstro”, a central de tratamento de resíduos nucleares, produtora de poluição e de más notícias que ameaçam arruinar a região.
 
 
 
 
 
 

Central Nuclear de Tricastin

 

Duas fugas “acidentais” de produtos radioactivos este mês — a ultima, esta quarta-feira, contaminou “ligeiramente”, segundo as autoridades, pelo menos 100 funcionários internos e externos da fábrica — levaram os mais fleumáticos a evocar uma “série negra”.

Vale do Ródano – França

Muitos habitantes da região lançam impropérios contra tudo e contra todos e falam ao Expresso com lágrimas nos olhos.
Já foi confirmado que os lençóis freáticos estão infectados desde há vinte anos, devido aos resíduos de uma antiga fábrica militar de enriquecimento de urânio, igualmente instalada em Tricastin. “Andámos com os nossos filhos, estes anos todos, a beber e a lavar-nos com água de um poço contaminado!”, exclama Sylvie Eymard, proprietária agrícola.
Os viticultores, os produtores de frutas e legumes e os proprietários de restaurantes e hotéis estão ameaçados de falência. “Porque a água estava conspurcada com urânio e foi proibida a rega durante um certo tempo. As cenouras, cebolas, manjericão, coentros e batatas estão enfezados”, diz Mareei Bernard, um dos 60 grandes empresários agrícolas atingidos pela poluição nuclear: “De qualquer modo, depois do que aconteceu, quem é que vai querer comprar os nossos produtos?”.
Devido à má imagem de toda a região, a cooperativa produtora do “Coteaux du Tricastin” (vinho de região demarcada) vai pedir a mudança do nome do conhecido néctar. Em Bolène (que tem 14 mil habitantes) os hotéis e os restaurantes não têm clientes. “Os turistas desapareceram!”, exclama o senhor Teixeira, bragançano e emigrante em França há 40 anos. Teixeira é dono de um pequeno café-restaurante na berma de uma estrada perto de Boléne e de Lapalud, outra das localidades que recebeu uma notificação de alerta à poluição nuclear”. O emigrante diz que as pessoas deixaram de beber água da torneira. “Os supermercados entraram em ruptura e aqui no café até o gelo para o Pastis (célebre bebida anisada, de Marselha) é feito com água mineral”, informa.
Tal como muitos outros agricultores da região, Sylvie não tem água da companhia em casa. Chegou a lavar a louça com água engarrafada nos dias que se seguiram ao primeiro alerta — na madrugada de dia 8, quando a central lançou 74 kg de urânio, devido a uma avaria, para os rios Gaffière e Lauzon. Entretanto, a câmara de Bolène instalou-lhe à porta uma barrica com água para uso doméstico.
As autoridades locais tentam desdramatizar a situação, dizendo que se encontra infectada apenas uma pequena zona, nas margens daqueles dois afluentes do Ródano. Mas a câmara de Bolène não afasta a hipótese de apresentar queixa em tribunal contra a Socrati (grupo Areva) que gere a central de Tricastin. “A manutenção da fábrica apresenta deficiências porque a direcção foi reduzindo ao longo dos anos os tempos e a capacida-de da manutenção”, diz uma sindicalista do sítio de Tricastin.
Sylvie Eymard já apresentou queixa em tribunal. Os seus poços — possui quatro na propriedade — estão todos contaminados e a ser controlados

diariamente. “As taxas de poluição variam diariamente, mas onde ela é sempre mais elevada e acima das taxas mínimas definidas pela lei é no depósito, certamente porque ficaram aí resíduos ao longo dos anos”, explica.

Jean, um francês de 8o anos de idade, que pretende instalar-se com a mulher na aprazível Cote d’Azur, dizia, nesta quarta-feira, no café do senhor Teixeira: “Tinha dois casais interessados na compra da minha casa em Bolène mas as pessoas quando ouviram as notícias, telefonaram a dizer que desistiam”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Daniel Ribeiro, jornal o “Expresso”, 26 de Julho de 2008

Ainda no Expresso

“Nuclear, não obrigado”, diz Nunes Correia

O nuclear não é uma opção para o ministro do Ambiente. Nunes Correia considera também que as organizações ambientalistas estão aquém das expectativas. A discussão sobre a opção nuclear não está na agenda do Governo. O ministro do Ambiente tem sérias reservas sobre essa opção e diz que a aposta nas energias renováveis e o uso racional de energia são o caminho que Portugal vai seguir. Como síntese da sua posição permite o antigo slogan: “Nuclear, não obrigado”.“O meu ministério tem sérias reservas sobre a opção pelo nuclear. E julgamos que a discussão está deslocada no tempo”, afirma Nunes Correia.“A aposta nas renováveis e no uso eficiente da energia projectam-se num horizonte de, pelo menos 20 anos”, salientando que Portugal é rico em fontes de energia renovável como eólica, solar (térmica e foto-voltaica), geotérmica e biomassa.
“Além dos problemas ambientais que não estão resolvidos, embora reconheça que a tecnologia não é a mesma de há 30 anos, a questão essencial é o destino final dos resíduos radioactivos”, afirmou. “Está longe de estar resolvida. O que se faz é ‘varrê-los’ para as profundidades da terra e do mar, mas sabemos que ficarão activos durante milhões de anos”, acrescentou.
Salienta também os custos escondidos apresentados pelos defensores do nuclear em matéria de ligação à rede eléctrica e desmantelamento das centrais.

 

 

 

 
 
 
 

 

2 respostas a De novo, Energia Nuclear em Portugal

  1. Antonio diz:

    Não percebo como é que a energia nuclear ainda não foi feita em Portugal. Pedro Sampaio Nunes tem toda razão. Basta ter algumas noções de energia para perceber que o país só se vai afundar mais se não recorrer JÁ a energia nuclear.

    • Com a assinatura da Comissão Europeia, foi aprovado o programa chamado 20/20/20. Neste programa a Europa deve reduzir 20% das suas emissões de dióxido de carbono e deve aumentar 20% das chamadas energias renováveis. A análise deste último objectivo mostra a força dos chamados movimentos ecológicos no seio da Comunidade Europeia e mesmo nos próprios órgãos da instituição. O objectivo fixado de reduzir o CO2 pela Comissão do Dr. Manuel Barroso teve também associada a fabulosa ideia (objectivo) de reduzir em 20% a electricidade de origem nuclear (que não apresenta nenhuma emissão de CO2). Resumindo, a energia nuclear, que não emite CO2 é colocada no grupo das energias emissoras de dióxido de carbono. Esta aberração resulta da hostilidade dos movimentos chamados verdes com a electricidade nuclear. Portugal é dos países menos afectados pois não produz energia nuclear, mas vamos ter o país coberto de areogeradores (ventoinhas) que trabalham metade do tempo à custa da electricidade produzida nas centrais termoeléctricas (produtoras de CO2). No final somos nós consumidores que pagamos a factura desta redução de 20% do CO2. Não sou contra as energias renováveis, é na utilização de todas na diversidade energética que reside a sustentabilidade da nossa economia e do ambiente, e no caso português a nossa “auto-flagelação” agrava mais a dependência externa.

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