Portugueses investigam fontes hidrotermais submarinas no Oceano Árctico

Julho 30, 2008

Esta interessante missão pode ser seguida em :

http://www.portalpolar.com/index.php?option=com_content&task=view&id=158&Itemid=284

Uma equipa de investigadores portugueses participa, até final do mês, numa missão no Oceano Árctico, onde foram descobertas fontes hidrotermais submarinas, informou hoje a Reitoria da Universidade de Lisboa.

A missão destina-se a estudos da crista oceânica na Crista Média Atlântica – num segmento (South Knipovich Ridge) onde foram encontradas fontes hidrotermais submarinas, a profundidades da ordem dos 2.500 a 3.000 metros – e visa explorar melhor a região, para preparar uma futura expedição de perfuração do fundo.

A intenção da perfuração é conhecer a crosta abaixo do fundo do mar, a população de micróbios que vive no interior dessa crosta (a designada biosfera profunda) e eventuais depósitos minerais, revela a Universidade de Lisboa.

O projecto inclui, além da equipa portuguesa, investigadores da Noruega, Suécia, Suíça e França.

Os cientistas pretendem analisar os minérios a descobrir (nomeadamente sob a forma de chaminés hidrotermais) bem como partículas hidrotermais dispersas nos sedimentos e estudar os sedimentos química e mineralogicamente.

O objectivo deste procedimento é detectar eventuais “condições favoráveis ao desenvolvimento da biosfera profunda e de sinais de actividade hidrotermal escondida sob os sedimentos”.

“Colher amostras de rochas vulcânicas que possam conter inclusões fluidas de magma aprisionado durante a formação das rochas” é outra das metas desta iniciativa.

Segundo comunicado da Universidade de Lisboa, “a biosfera profunda, um dos principais objectivos do projecto, é uma das maiores descobertas da ciência das últimas décadas”.

“Temos hoje a percepção de que a biomassa dos micróbios que constituem este verdadeiro submundo de ‘intraterrestres’ é comparável à da biosfera convencional, facto de que não se tinha qualquer conhecimento há uma década atrás”, acrescenta a nota de imprensa.

A missão está dividida em duas partes, uma primeira, que teve início em Tromso, no Norte da Noruega, a 29 de Junho e que decorreu até à passada quinta-feira.

Neste primeira etapa participaram os portugueses Fernando Barriga, director do Museu Nacional de História Natural, professor do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e coordenador da parte portuguesa do projecto, e Rita Fonseca, docente na Universidade de Évora e directora do AmbiTerra, um laboratório especializado em análises de solos e sedimentos, com um pólo em Évora e outro em Lisboa.

Na segunda parte, que teve início sexta-feira também em Tromso e termina no dia 29 em Bodo (Noruega), estão presentes os doutorandos Álvaro Pinto, técnico superior de Mineralogia e Geologia do Museu Nacional de História Natural – que ficará encarregue do estudo, sobretudo microscópico, dos edifícios hidrotermais que forem descobertos – e Ágata Dias, que estudará a componente hidrotermal dos sedimentos.

Participam ainda no projecto Jorge Relvas, professor de Recursos Minerais e Mineralogia do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sobretudo para o estudo dos edifícios hidrotermais, e Ana Filipa Marques, actualmente envolvida num projecto pós-doutoral com a Universidade de Toronto, onde se especializa no estudo de inclusões fluidas magmáticas.

Todos os investigadores pertecem igualmente ao Centro de Recursos Minerais, Mineralogia e Cristalografia, uma unidade de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integrada desde 2001 no laboratório associado Instituto de Pesquisa de Sistemas, e que desenvolve muitas actividades em parceria com o Museu Nacional de História Natural.

A missão decorre a bordo do navio oceanográfico norueguês G.O. Sars e utilizará um Veículo Operado Remotamente ARGUS, para profundidades até 6.000 metros, idêntico ao que está a ser adquirido pela Estrutura de Missão para Extensão da Plataforma Continental.

HSF.

Lusa/fim

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Recursos Geológicos – O Petróleo do Árctico

Julho 25, 2008

Nota do Autor do post:

Mais um post acerca de um recurso essencial. Este bem mais grave que o problema do Urânio porque aqui a Geologia aparece muito mais associada com a Geoestratégia mundial, e falando claro, refiro-me a dois grandes ursos, o Urso Pardo Americano e o Urso Polar Russo, chamado de siberiano.

Retirei notícias do Jornal Público e relatórios dos Serviços Geológicos Americanos – USGS.

Os originais podem ser todos consultados apartir da página http://www.usgs.gov/newsroom/article.asp?ID=1980&from=rss_home. É a partir deste site que todo um dossier pode ser consultado de forma a ser compreensível o problema do ´”Petróleo do Árctico”.

Ao longo deste post vou procurar explicar as diferentes componentes do problema. Fui pela primeira vez sensibilizado para a questão do Petróleo do Ártico através do Prof. Dr. Fernando Noronha da FCUP, durante uma palestra promovida pela APG. O facto da Rússia, Dinamarca (Gronelândia), e Canadá reclamarem esta jazida e os EUA não o poderem fazer é com base num argumento Geológico. A questão política e geoestratégica do tema tem por base a Geologia.

Nuno Correia

 

Há petróleo no Árctico para abastecer o planeta três anos

O Alasca esconde 13 por cento das reservas ainda não descobertas, diz a muito esperada avaliação dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos

 

Os gelos do Árctico podem esconder 90 milhões de barris de petróleo, e mais de 46 biliões de metros cúbicos de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Seria petróleo suficiente para, sozinho, satisfazer a procura mundial durante três anos. A maior parte das reservas situam-se na plataforma continental, em zonas perto da costa dos países do Árctico, em regiões de propriedade definidas, o que significa que não deverão alimentar disputas territoriais. Esse factor poderá, no entanto, acelerar muito a exploração daquelas reservas, as mais ricas das quais se situam na Rússia e no estado norte-americano do Alasca, onde a Shell já está a investir na compra de direitos de perfuração.
Debaixo dos gelos do Árctico há petróleo suficiente para satisfazer a procura mundial durante três anos. E a boa (ou má, consoante as perspectivas) notícia é que a maior parte das reservas de petróleo e de gás natural estão em zonas perto da costa dos países do Círculo Polar Árctico, e não perto do Pólo Norte, em regiões de propriedade definida, onde não deve haver disputas territoriais.
Quem o diz são os Serviços Geológicos dos Estados Unidos, que acabam de divulgar os resultados da muito esperada avaliação das reservas de hidrocarbonetos ainda não exploradas no Árctico. “A plataforma con-tinental do Alasca é o local onde se deve procurar hoje petróleo”, disse Donald Gautier.
 
Vamos aos números:
O Árctico pode ter 90 milhões de barris de petróleo ainda não descobertos, e mais de 46 biliões (milhões de milhões) de metros cúbicos de gás natural. Isto representa 13 por cento do total das reservas petrolíferas ainda não descobertas, e 30 por cento das de gás natural, diz a U.S. Geological Survey. Na avaliação foram apenas incluídos “recursos que se julga poderem ser explorados utilizando a tecnologia hoje disponível”.

 

Mas não foram incluídos cálculos sobre os custos que teria explorar petróleo e gás natural nestas zonas.
Isso será o objectivo de um próximo estudo, disse Don Gautier, citado pelo jornal canadiano Globe and Mail.
 

 

 

  

 

 

Rússia rica

É nos sete milhões de quilómetros quadrados de zonas marítimas com menos de 500 metros de profundidade, nas plataformas continentais, que se concentram os hidrocarbonetos.
Há três áreas que se destacam: dois terços do gás natural não descoberto situar-se-á em duas regiões russa (a Bacia Siberiana Ocidental e a Bacia Oriental do Mar de Barents, parte desta também sob administração norueguesa) e a zona costeira do Alasca (EUA).
Os geólogos, no entanto, tentaram evitar a questão de saber a quem pertenceriam estes recursos. “Pensámos nisto do ponto de vista geológico, e não político”, disse Gautier, citado pelo Globe and Mail.
Em princípio, nas regiões identificadas no estudo não haverá grandes disputas territoriais – só lá para o (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega, Dinamarca), imitando a corrida ao ouro na Califórnia, pode estar rnais afastado do que se temia.
Mas o facto de boa parte dos recursos estarem em zonas cuja titularidade é reconhecida pode bem querer dizer que a sua exploração é susceptível de se acelerar muito. Na verdade, já há muitas empresas petrolíferas que se estão a colocar no Árctico, preparando-se para aproveitar o degelo, que tem sido cada vez maior durante o Verão, devido ao aquecimento global. A Shell, por exemplo, já investiu 2000 milhões de dólares na compra de direitos de perfuração no mar de Chukchi, no Alasca, noticiou o The Wall Street Journal. A BP, por seu lado, pagou 1200 milhões de dólares ao Canadá pelo direito de explorar em três lotes no mar de Beaufort. E se a tendência de escalada d preços do petróleo continuar, será cada vez maior o incentivo para o procurar em zonas antes menos atractivas porque implicam grandes gastos. O impacte ambiental da intensificação da exploração de petróleo e gás natural no Árctico, no entanto, pode ser brutal. Não só para as espécies locais, como o urso polar – mas também para os próprios humanos, que vivem no Círculo Polar Ártico. Os pólos da Terra são uma espécie de ar condicionado do planeta – entre outros efeitos, a capacidade reflectora do gelo funciona como uma t-shirt branca no Verão que nos ajuda a manter mais frescos. Acelerar o derretimento dos gelos pode ter consequências graves e inesperadas.
Estes textos baseiam-se em notícias do Jornal Público. sexta-feira 25 de Julho de 2008, e dos seguintes endereços da USGS:
http://www.usgs.gov/newsroom/article.asp?ID=1980&from=rss_home

 

 

 
 

 

 

 

Dorsal de Lomonosov

Kremlin planeia distribuir reservas sem concursos

A Rússia pretende distribuir sem realização de concursos nem leilões abertos às empresas interessadas os direitos de exploração das vastas reservas de petróleo localizadas ao longo da Dorsal de Lomonosov, que o Kremlin pretende que seja reconhecida internacionalmente como parte da plataforma continental siberiana, ou seja, território da Federação Russa. Essa foi a incumbência dada no início desta semana pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, ao vice-primeiro-ministro Igor Setchin – antigo chefe adjunto do gabinete presidencial de Vladimir Putin e dirigente da gigante estatal petrolífera russa Roneft -, actualmente responsável pelo sector energético do país. Esta distribuição das reservas pelo Kremlin foi justificada por Medvedev com o propósito de assegurar “o uso racional da riqueza nacional”. Desde 2001 que a Rússia tenta provar ter direitos sobre dois mil quilómetros de extensão (num triângulo territorial de 5,8 milhões de quilómetros quadrados) da cadeia montanhosa submarina de Lomonosov.

No mês passado, o general Vladimir Shamanov, conselheiro do Ministério da Defesa, sugeriu mesmo numa entrevista ao jornal Krasnaia Zvezda (órgão oficial militar) que o Exército russo está preparado para combater qualquer país que dispute os direitos de Moscovo sobre a plataforma continental siberiana.

Onde a Geologia aparece….

 

Cientistas russos anunciaram sua o dorsal de Lomonosov

Cientistas russos anunciaram que cadeia montanhosa (Dorsal de Lomonosov) é o prolongamento geológico da plataforma continental russa. Apesar destas declarações, o cientista russo frisou que os trabalhos de laboratório para identificar as estruturas geológicas só estarão terminados «dentro de um ano».

 

Segundo refere a agência Lusa, o anúncio foi feito por Victor Posselov quando apresentava os primeiros resultados dos estudos de fragmentos de solo, retirados a 2 de Agosto do fundo do Oceano Glaciar Árctico durante a expedição russa «Arktika-2007».

EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega também desdobraram-se em iniciativas mais ou menos mediáticas com um único objectivo: deixar claro que a Rússia não é a única potência com interesses territoriais na região do Árctico, onde é suposto existirem um quarto das reservas mundiais de petróleo e gás, além de urânio, diamantes e outros minérios. Com base numa convenção da ONU que regula os limites das plataformas continentais e que estabelece um prazo de dez anos a contar da sua ratificação para que os interessados apresentem as suas pretensões. O que, no caso da Rússia, significa que Moscovo tem até 2009 para se pronunciar. Já o prazo-limite do Canadá vai até 2013 e o da Dinamarca aponta para 2014. Praticamente ignorado ao longo da História, com excepção do período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ex-URSS, o Árctico ganhou uma nova projecção nos últimos anos por força do aquecimento global. De acordo com os mais recentes estudos científico, a temperatura média na região está a crescer ao dobro da velocidade registada no resto do mundo, explicando, por exemplo, o descongelamento dos glaciares ou as razões por que a área de mar coberta por gelo tem vindo a diminuir no Verão entre 15% e 20% relativamente ao que sucedia ainda há 30 anos.Segundo Victor Posselov, vice-presidente do Instituto de Investigação Cientifica de Oceanologia da Rússia, «a cadeia montanhosa submarina no Pólo Norte é a continuação da plataforma continental siberiana e não está isolada de forma

Fonte : Pravda
 
 
 
 
 

 

Dorsal de Lomonosov

 

 Esta imagem corresponde aos limites actuais da zona polar (200 milhas, a amarelo). Como se pode ver a área tem a soberania de qualquer país… por agora.

Corrida ao Pólo Norte

 

Marco Polo para Este, Colombo para Oeste, Vasco da Gama para Sul… e agora quem corre para Norte?

Começou a corrida pelo Pólo Norte

Em causa podem estar importantes reservas de petróleo e gás natural 

Está na moda entre os turistas com gosto pela aventura. Mas não é essa a razão pela qual o Pólo Norte suscitou um súbito interesse em vários países. O motivo é outro: o petróleo e o gás natural, cada vez com maior procura e cada vez mais valiosos nos mercados internacionais.

Actualmente, o Pólo Norte é considerado «zona internacional», mas não continuará assim por muito mais tempo. Canadá, Dinamarca e Rússia querem incluí-lo no seu território, com os Estados Unidos a demonstrarem «interesse estratégico» na região. Muito em breve, as Nações Unidas deverão ser chamadas a dirimir o conflito.

O primeiro país a reclamar posse legítima daquela inóspita região foi o Canadá, na década de 1950. O interesse tinha então a ver unicamente com a população inuit, ou esquimó, e o caso foi entregue a um tribunal internacional, que determinou que, caso nos cem anos seguintes nenhum país reclamasse a posse da região gelada, esta passaria a ser definitivamente território canadiano.

Entretanto, as Nações Unidas aprovaram a Convenção do Mar, que permite a qualquer país reclamar como seu território submarino para além das 200 milhas da zona económica exclusiva, caso submeta provas científicas provando que determinada zona é um «prolongamento natural» da sua superficie continental. Quando um país ratifica esse tratado, tem dez anos para submeter a sua pretensão à posse de um território submarino. O Canadá, a Rússia e a Noruega já o ratificaram em 1999, e a Dinamarca está a preparar-se para o fazer.

Sob o gelo do Pólo Norte existe uma cordilheira submarina, a Dorsal de Lomonosov, que se estende ao longo de 1100 milhas náuticas (2000 quilómetros) entre a Gronelândia, território dinamarquês desde 1814, e a Sibéria russa.

Considerando que a cordilheira é um prolongamento do território siberiano, a Rússia submeteu, há cerca de três anos, à comissão internacional da ONU um pedido para que toda a zona adjacente seja considerada território russo. A pretensão foi rejeitada devido a objecções levantadas por três países que têm territórios árticos: Noruega, Canadá e Estados Unidos.

A Dinamarca enviou, entretanto, uma missão científica para o Pólo, com o objectivo de fazer um levantamento topográfico da Dorsal de Lomonosov. Com base no que foi descoberto, os dinamarqueses têm esperanças de alargar o seu território da Gronelândia até 370 quilómetros para cada um dos lados da cordilheira. Exultava há dias a ministra dos Negócios Estrangeiros dinamarquesa, Helge Sander: «Há uma possibilidade de o Pólo se tornar dinamarquês, poderá dar-nos acesso ao petróleo e ao gás natural».

Não é que isso seja fácil. Jim Gardner, investigador do Centro Hidrográfico de Cartografia dos Oceanos da Universidade de Nova Hampshire, recorda que os quatro meses anuais de escuridão absoluta e o frio extremo representam dificuldades enormes para a investigação científica, e ainda maiores para a exploração de petróleo.

Mas a calote polar está definitivamente a derreter. No dia 4 deste mês, cientistas americanos anunciaram que, em Setembro, a calote deixou a descoberto mais 13,4% que no ano anterior. A manter-se a tendência, diz Torquil Meedon, funcionário do Ministério da Ciência dinamarquês, «as mudanças climáticas indicam que o gelo polar pode desaparecer em 50 a 100 anos, o que tornará a Passagem do Noroeste uma rota marítima nova e valiosa. Também poderá abrir o território à pesca e à exploração de petróleo e gás. Quem sabe qual será o valor dos direitos ao Pólo dentro de cem anos?»

No Canadá, estas pretensões não são bem recebidas. Um leitor do Edmonton Journal escrevia na semana passada: «Lutemos contra os dinamarqueses. Proponho um jogo de hóquei no local em questão, o Pólo Norte. Os vencedores ficam. Os derrotados retiram-se».

E há ainda as populações inuit que habitam a região. Quando perguntaram a Angela Idlout, de Resolute Bay, o que pensava do assunto, respondeu: «Se me pergunta qual é a minha nacionalidade, digo-lhe que me considero canadiana, não dinamarquesa».

Fonte : http://dn.sapo.pt/2004/10/23/internacional/comecou_a_corrida_pelo_polo_norte.html

Exploração oceânica

Rússia coloca bandeira no fundo do oceano Árctico para reclamar o Pólo Norte

Por AFP, Clara Barata

02.08.2007

Exploradores russos tocaram hoje no fundo do oceano Árctico, mesmo por baixo do Pólo Norte, a uma profundidade de 4261 metros. Bem protegida dentro de uma cápsula de titânio, os exploradores vão deixar lá em baixo uma bandeira russa — como os norte-americanos fizeram quando colocaram o seu pavilhão, o stars & stripes, na Lua.
 
Esta será uma forma simbólica de reclamar para Moscovo uma grande parte do Pólo Norte, que se pensa ser rica em recursos naturais, como petróleo e gás natural, bem como diamantes, metais e novas zonas pesqueiras, de espécies apreciadas, como o bacalhau. A Rússia quer marcar assim as suas pretensões à nova corrida ao ouro do Árctico, a todas as riquezas que passarão a ficar disponíveis quando o aquecimento global derreter os gelos do topo norte do mundo — que, dizem os cientistas, podem desaparecer completamente durante o Verão, nos próximos 20 anos.O navio de investigação Akademik Fyodorov e o quebra-gelos nuclear Rossia, com 135 cientistas a bordo, conduziram as operações até ao ponto onde foi feito o mergulho. Os tripulantes enviaram uma mensagem para a Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra a pouco menos de 400 quilómetros de altitude, e vão ainda aproveitar para recolher amostras do leito oceânico.Para quê esta aventura, que um porta-voz do Presidente Vladimir Putin disse ser “de grande importância” para o czar da nova Rússia? Para ajudar a provar o argumento russo de que a plataforma continental siberiana se estende até mais 2000 quilómetros da linha da costa, ao longo da dorsal Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina que se estende até à Gronelândia. No total, Moscovo reclama um triângulo de cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados, diz a agência noticiosa russa Ria Novosti.Já em 2001 a Rússia reclamou este território, mas a Comissão para os Limites das Plataformas Continentais (um organismo das Nações Unidas) considerou que as suas pretensões não estavam fundamentadas.Mas a Rússia não desistiu: em 2009, vai voltar a apresentar as suas pretensões. E, até agora, vai à frente na corrida das cinco nações que rodeiam o Círculo Polar Árctico para reclamar as riquezas que se escondem sob os gelos. Pelo sim, pelo não, a petrolífera BP já se aliou à Rosneft, a empresa estatal rusa de petróleo, para fazer prospecção de petróleo no Árctico, diz o “Financial Times”.O Canadá tem reclamado muitas vezes as suas pretensões como nação do Árctico. Mas faltam-lhe navios capazes de circular pelos perigosos canais entre o gelo do Árctico. Tem apenas um, de momento, embora o primeiro-ministro Stephen Harper tenha anunciado em Julho que ia libertar verbas para construir novos navios quebra-gelo. “A coisa mais inteligente que o Canadá podia fazer era uma declaração política que dissesse, de forma educada, que não concordamos [com a acção russa]”, disse Rob Huebert, especialista no Árctico do Centro de Estudos Militares e Estratégicos, em Calgary.

O Canadá associou-se à Dinamarca — que também reclama direitos no Árctico, porque a Gronelândia está sob a sua administração — para estudar o percurso exacto da dorsal de Lomonosov e determinar os limites da plataforma continental de cada país. Mas essa investigação só deve estar concluída em 2013, anos depois da russa.


Recursos Geológicos – Energia Nuclear

Julho 17, 2008

Segundo a legislação portuguesa, entende-se por recursos geológicos ‘todos os bens de natureza geológica existentes na crusta terrestre e que são passíveis de aproveitamento. Qualquer substância de natureza geológica [sólida, líquida ou gasosa], ou mesmo o calor geotérmico, pode ser classificada como recurso geológico. 

O aproveitamento desses recursos depende da sua concentração na crusta terrestre, de modo a permitir a rentabilidade da sua exploração. Os recursos geológicos de um país existem na parte acessível da crusta terrestre e podem ser identificados ou não identificados. Denomina-se reserva um recurso geológico conhecido que possa ser explorado, quer do ponto de vista legal quer económico.

Para que serve o urânio?

Urânio => Energia = capacidade de trabalho

null

O que é o urânio? Como Funciona? (Versão em inglês)

  • Urânio é um metal muito pesado que pode ser utilizado como fonte energética muito concentrada.
  • Ocorre na maioria das rochas em concentrações de 2 a 4 ppm (partes por milhão), sendo muito comum na crosta terrestre associado a estanho, volfrâmio e molibdénio. Ocorre na água do mar e pode ser removido dos oceanos.
  • Foi descoberto em 1789 por Martin Klaproth, um químico alemão, num mineral chamado de Pecheblenda. O nome deriva de Urano, planeta descoberto oito anos antes.
  • O urânio terá tido origem numa supernova há cerca de 6.6 bilioões de anos. Não é comum no Sistema Solar, mas o seu decaímento radioactivo é hoje uma fonte de energia do interior da Terra, sendo responsável pelas correntes de convecção e motor da Tectónica de Placas.
  • A elevada densidade do Urânio tem inúmeras utilizações tecnológicas.
  • O ponto de fusão do Urânio  1132°C.
  • Símbolo químico U.

Urânio em Portugal

Mina da Urgeiriça (Portugal) – Para consultar um post antigo sobre esta mina portuguesa clique aqui.

http://www.teachertube.com/view_video.php?viewkey=88b773325a13afcf63c5

 

A Iberian Resources, o Grupo Rio Narcea e duas outras empresas estrangeiras querem explorar urânio em Portugal. A subida acentuada, desde o final de 2004, das cotações do minério justifica o interesse. Para muitos, o ressuscitar da exploração é uma boa notícia para a economia nacional.

Portugal deixou oficialmente de produzir urânio em 2001. Em Abril de 2005, a Iberian Resources apresentou uma proposta ao Ministério da Economia para fazer prospecção e pesquisa no jazigo de Nisa, Portalegre. O Estado ainda não respondeu à solicitação da empresa de capitais australianos, que, segundo o DN apurou, poderá ver o seu pedido recusado.

Entretanto, duas outras empresas ainda sem sede em Portugal apresentaram projectos, não se sabendo quais os depósitos em vista. O representante do Grupo Rio Narcea, José Castelo Branco, diz apenas que o urânio interessa, não adiantando se já fez algum pedido à tutela nesse sentido.

O Governo não tem, ao que parece, uma posição sobre o assunto. “Não há ainda uma decisão de aceitação ou de total recusa”, revelou, ao DN, fonte governamental, reconhecendo que a “barreira ambiental” poderá inviabilizar o reinício da exploração de urânio. A própria Direcção-Geral de Geologia e Energia, organismo responsável pela avaliação das propostas, não sabe como agir. “Tem de haver uma discussão, sem tabus e sem posições definidas à partida, sobre esta matéria”, acrescenta.

O facto de parte da jazida de Nisa se situar em áreas das reservas Ecológica e Agrícola Nacional poderá pôr em causa a aprovação do pedido da Iberian, reconhece Luís Martins, considerando, no entanto, que este aspecto é, por si só, insuficiente para rejeitar o projecto.

Hoje é “perfeitamente possível compatibilizar, do ponto de vista técnico, a exploração com os aspectos ambientais”, sobretudo numa altura em que as normativas europeias “sossegam todos os que ainda estão ensombrados pelos erros cometidos no passado”, acrescenta o director do Departamento de Prospecção de Rochas e Minerais Não Metálicos do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).

Não aproveitar esta oportunidade por questões ambientais seria, sublinha o geólogo, “obstar ao desenvolvimento económico”.

O preço do óxido de urânio triplicou desde 2000, altura em que atingiu o valor mais baixo em duas décadas. No início deste ano, as cotações chegaram aos 30,21 euros por libra (peso), equivalente a 66,46 euros por quilo. O que quer dizer que só em óxido de urânio, a jazida de Nisa vale mais de 43 milhões de euros.

Foi, aliás, recorrendo a estas informações que a Iberian fundamentou o seu pedido. “Propusemos, em linhas gerais, a reavaliação e confirmação dos dados existentes, passando-se para uma fase de estudos metalúrgicos e de pré-viabilidade económica”, explica, ao DN, João Carlos de Sousa, country manager da empresa de capitais australianos, detentora de contratos de prospecção e pesquisa para ouro em Évora, Montemor-o-Novo, Alter do Chão e Arronches.

Empurrão à economia nacional

Se não surgirem condicionantes “intransponíveis” à exploração, João Carlos de Sousa diz que a indústria extractiva pode impulsionar a economia nacional, “com a criação de mais emprego em zonas geralmente desfavorecidas e com o aumento da sua contribuição para o PIB”. Contudo, para que isso aconteça é fundamental que haja uma política “clara e séria para a prospecção e pesquisa”, adverte Luís Martins, criticando a ausência de resposta aos pedidos de licenciamento que ao governo vão chegando “Ainda não se definiu se queremos atrair ou não investimento para esta indústria”. Luís Viegas, antigo administrador da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU), denuncia que, não raras vezes, a “preservação ambiental é pretexto para beneficiar interesses instalados”.

Faltam incentivos e vontade de aligeirar entraves. É preciso, acima de tudo, que a actividade mineira tenha capacidade para constituir um “cluster forte que faça frente ao lobie ambiental”, afirma, por outro lado, Luís Martins.

Uma política de incentivo, que passe, designadamente, pela atribuição de benefícios fiscais às empresas mineiras, e o ajustamento da legislação que regula o sector à realidade são algumas das “fórmulas mágicas” sugeridas pelo geólogo para dar vida à indústria mineira.

O maior jazigo inexplorado

Esta mina (que equivale a cerca de 60% do potencial do Alto Alentejo) foi, em tempos, a menina dos olhos da ENU. Nisa tem o maior jazigo inexplorado alguma vez descoberto em território nacional, estando o seu potencial estimado em quase 6,3 milhões de toneladas de minério não sujeito a qualquer tratamento, 760 mil toneladas de minério seco e cerca de 650 mil quilos de óxido de urânio. O Empreendimento Mineiro de Nisa, como era designado, ocuparia uma área de 70 hectares e empregaria mais de 70 pessoas. A laboração estender-se-ia por seis anos, ao longo dos quais exploraria cerca de um milhão de toneladas por ano. O investimento necessário previsto era, então, de cinco milhões de euros (1,5 milhões para a lavra mineira, perto de três milhões para o tratamento do minério e cerca de um milhão para infra-estruturas e ambiente). Valores que não estarão totalmente desactualizados.

Luís Martins não duvida da viabilidade económica dos depósitos de Nisa. Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, diz que são os “únicos que poderão, em contexto muito favorável, vir a oferecer hipóteses para exploração”. Mas o responsável do INETI aponta ainda outros potenciais locais para reiniciar a exploração do recurso, como a Urgeiriça, Cunha Baixa (ambas na zona de Viseu) e Horta da Vilariça (Bragança). 

Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/uranio_alta_novo_folego_a_jazidas_na.html

Minas abandonadas em Portugal. Risco em zonas de minas de urânio

Num momento em que se admite reiniciar a exploração de urânio em Portugal desponta a questão da reabilitação das minas abandonadas. Um processo lento e que, decorridos mais de quatro anos desde a sua apresentação pública, pelo então ministro do Ambiente, José Sócrates, pouco ou nada avançou. O DN sabe que o Governo corre o risco de perder o financiamento comunitário para o projecto. A justificação é consensual desperdiçou-se tempo.

Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pe- la recuperação ambiental das escombreiras, aponta várias razões para o atraso. Desde logo, o facto de o POE/PRIME só ter sido aprovado em Abril de 2002 e de, no âmbito desta medida, “não terem sido acauteladas, por quem de direito, as verbas que eram necessárias para o avanço dos projectos das minas de urânio”.

Os exigidos, por parte do Ministério do Ambiente, “sucessivos” estudos e declarações de impacte ambiental consumiram, por si sós, mais de um ano, atrasando repetidamente a adjudicação de obras. Na opinião de Luís Martins, do INETI, o que correu mal foi a “instalação de um sistema de controlo altamente burocrático e ineficaz”, que permitiu a consumação de apenas um (Jales) dos quase 20 estudos realizados.

A tutela tem vindo a “arranjar para cada solução novos problemas”, denuncia aquele responsável, lamentando que existam projectos de reabilitação “feitos há muito tempo e que nunca passaram à realidade”.

No entanto, já em 1996 estas e duas outras escombreiras, Quinta do Bispo e Vale de Abrutiga, eram apontadas como “situações potencialmente muito graves, que urge serem resolvidas de imediato”, lê-se no Plano Estratégico de Ambiente, a que o DN teve acesso.

O relatório, encomendado pela antiga Empresa Nacional de Urânio, recomendava que fosse feito, “já em 1997″, um esforço de investimento, na ordem dos 65 mil contos (cerca de 325 mil euros), para implementar um “conjunto de acções prioritárias”. Mas nenhuma delas sofreu, até hoje, qualquer intervenção. Desde então, foram apenas requalificadas as explorações de ouro de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, e de cobre de S. Domingos (ainda não concluída), em Mértola. A EDM espera intervir, até 2012, em cerca de meia centena de escombreiras, mas há, em todo o País, 175 áreas afectadas pela exploração mineira antiga.

Luís Viegas, antigo administrador da ENU, sublinha que 75% do financiamento era então assegurado por fundos comunitários. Mas “as verbas não foram utilizadas e não sei se ainda podem ser”.

Permanece uma pergunta o que foi feito dos 50 milhões de euros canalizados, em 2001, pelo Programa Operacional da Economia para este projecto; dos 35 milhões locados, em Fevereiro de 2005, pelo ex-ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, para intervenções em cerca de 30 minas de urânio desactivadas; e dos 70 milhões (10,5 milhões garantidos) anunciados, cinco meses depois, pelo actual secretário de Estado adjunto da Indústria e da Inovação para a reabilitação das 61 minas de urânio?
Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/minas_abandonadas_esperam


De novo, Energia Nuclear em Portugal

Julho 17, 2008

Em discussão. O aumento do preço do petróleo e de outros combustíveis dá o mote para um novo debate sobre o nuclear. As declarações do governador do Banco de Portugal deram um impulso.

Mas o momento político também ajuda. Nuclear: sim ou não? A velha questão voltou a estar na ordem do dia.

As declarações do Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, quando, a terça-feira, apresentou as previsões da instituição para a economia portuguesa, deram um impulso à discussão. Mas o preço do petróleo é a raio que dá força a este debate, com alguns políticos e empresários a defenderem o nuclear como a solução para s problema da dependência petrolífera do país e outros a dizerem que ao é por aí que passa o futuro do sector energético português. Contudo, os custos das emissões de CO2 que o sector electroprodutor está a pagar também não é alheio a tudo isto.

E o momento político em Portugal também ajuda. Pedro Sampaio Nunes, o responsável da Energia Nuclear de Portugal – a empresa criada, há cerca de três anos, pelo empresário Patrick Monteiro de Barros para desenvolver o projecto de uma central nuclear no País – diz que não tem dúvidas que aquele vai ser um assunto a debater na campanha eleitoral das próximas legislativas a realizar em 2009. Na sua opinião, as declarações de Vitor Constâncio são também um sinal de uma certa mudança de atitude face a este assunto dentro do próprio Partido Socialista (PS).

 

Na realidade, ainda no início deste mês, a propósito da “crise” dos combustíveis, o PS sugeriu, na comissão de Assuntos Económicos da Assembleia da República, que os deputados visitassem no próximo ano parlamentar a central nuclear de Almaraz, em Espanha, e que visitassem outras unidades de produção de energia renovável. Vítor Constâncio falou da necessidade de se estudar a alternativa do nuclear como uma, entre outras, que poderá contribuir para a redução da dependência de Portugal, um problema que está a criar sérias consequências para a economia nacional. E as reacções não se fizeram esperar. Desde logo, o Governo, pela voz de Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, esclareceu, que tal como o primeiro-ministro, José Sócrates,tem vindo a dizer, este assunto não faz parte da agenda do Executivo, pelo menos até ao final da legislatura. Mas o socialista João Soares acrescentou que esta deve ser uma alternativa a estudar.

Quem não reagiu bem foram os ambientalistas. E um dos responsáveis pela elaboração do programa do Governo para a Energia, Oliveira Fernandes, prefere pensar que Vítor Constâncio só fez “aquelas afirmações por lapso”.

Não é só em Portugal que o nuclear está a ser discutido. Também a nível internacional a questão tem merecido a atenção de vários responsáveis do sector energético, entre os quais o director executivo da Agência Internacional para a Energia que disse, recentemente, que são precisas mais 32 centrais nucleares no mundo para se reduzir a dependência do petróleo.

(Diário de Notícias – Quinta-feira. 17 de Julho de 2008)

Central Nuclear de “Patrick” – Objectivo : Central nuclear para Portugal está prevista há 3 anos

Em 2005, o empresário Patrick Monteiro de Barros apresentou um projecto para a construção de uma central nuclear no país, com uma potência instalada de 16OO mega-watts, a construir em sete anos.
Um investimento, na altura de 3,5 mil milhões de euros. Mas que, segundo as contas mais recentes da empresa criada para o desenvolver, a Energia Nuclear de Portugal, já subiu para 4 mil milhões de euros .”

Porque entretanto tudo aumentou, incluindo o aço”, explicou ao DN Pedro Sampaio Nunes, o homem que fala em nome da sociedade anónima criada para o efeito.

O projecto, que visava ainda a recuperação das minas de urânio da Urgeiriça, permitia, segundo os seus promotores, a criação de 3OO postos de trabalho directos.

Na fase de construção, envolveria cerca de 3 OOO trabalhadores, explicou Pedro Sampaio Nunes. “A intenção de construir a central mantém-se e o projecto continua a ser actualizado”, assegurou aquele responsável, adiantando que a empresa já tem várias localizações estudadas, para a central, mas não as quer revelar. Agora, conclui, a central tem ainda mais condições para ser rentável.

O que é uma central nuclear? Como Funciona?
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Não é só em Portugal que o debate sobre o nuclear está latente.

Segundo dados coligidos pela World Nuclear Association (WNA), há neste momento onze países em vários continentes que não têm qualquer central nuclear em laboração ou construção – ou sequer decidida a nível político – mas nos quais existem projectos de viabilização futura deste género de energia. O rol dos que pretendem aderir ao nuclear civil (para produção de energia eléctrica) vai desde o Irão ao Egipto, passando pela, Indonésia, Tailândia ou Vietname. Bangladesh, Bielorrúsia e Turquia são os restantes. Portugal, até ver, não faz parte das estatísticas da WNA. Israel e Coreia do Norte são os restantes países citados pela WNA como não fazendo uso da sua capacidade nuclear para produzir electricidade. A maior parte dos países que já tem centrais produtoras de energia nuclear quer construir mais. As excepções à regra são a Espanha – que está a desactivar paulatinamente a sua rede de centrais – a Holanda e a Suécia. De resto, dos 30 países que actualmente têm centrais nucleares em funcionamento, 17 programou já a construção de uma ou várias. Nesta núcleo estão a França, Finlândia, Suíça, Eslováquia,Ucrânia, Roménia, Bulgária e Rússia, só para falar dos europeus. A eles se juntam Brasil, Argentina, Canadá, Estados Unidos, índia, Japão, Coreia do Sul, China e Paquistão.

Nos últimos três anos, apenas três países a nível mundial decidiram desactivar algumas das suas centrais. Trata-se da Espanha, Suécia e China.
No entanto, neste último caso, as que deixaram de produzir foram substituídas por outras centrais mais modernas. Actualmente, existem no Mundo 13 novos projectos para produzir mais eficazmente energia nuclear.

Centrais nucleares em funcionamento na Europa

Duas Opiniões – Energia Nuclear? Talvez…

Nuclear? Sim Obrigado!

Nuclear? Não Obrigado!

Um icon dos anos 80!!!

 

Problemas do Nuclear – Resíduos. Notícia do jornal “Expresso” de 26/7/08

Uma boa dose de revolta e um enorme desespero. Os habitantes das aldeias e vilas à volta do sítio nuclear de Tricastin, na parte sul do vale do rio Ródano, transmitem estes sentimentos. Desalentados, os agricultores dos arredores da pequena cidade de Bolène, a 2 km de Tricastin, praguejam contra “o- monstro”, a central de tratamento de resíduos nucleares, produtora de poluição e de más notícias que ameaçam arruinar a região.
 
 
 
 
 
 

Central Nuclear de Tricastin

 

Duas fugas “acidentais” de produtos radioactivos este mês — a ultima, esta quarta-feira, contaminou “ligeiramente”, segundo as autoridades, pelo menos 100 funcionários internos e externos da fábrica — levaram os mais fleumáticos a evocar uma “série negra”.

Vale do Ródano – França

Muitos habitantes da região lançam impropérios contra tudo e contra todos e falam ao Expresso com lágrimas nos olhos.
Já foi confirmado que os lençóis freáticos estão infectados desde há vinte anos, devido aos resíduos de uma antiga fábrica militar de enriquecimento de urânio, igualmente instalada em Tricastin. “Andámos com os nossos filhos, estes anos todos, a beber e a lavar-nos com água de um poço contaminado!”, exclama Sylvie Eymard, proprietária agrícola.
Os viticultores, os produtores de frutas e legumes e os proprietários de restaurantes e hotéis estão ameaçados de falência. “Porque a água estava conspurcada com urânio e foi proibida a rega durante um certo tempo. As cenouras, cebolas, manjericão, coentros e batatas estão enfezados”, diz Mareei Bernard, um dos 60 grandes empresários agrícolas atingidos pela poluição nuclear: “De qualquer modo, depois do que aconteceu, quem é que vai querer comprar os nossos produtos?”.
Devido à má imagem de toda a região, a cooperativa produtora do “Coteaux du Tricastin” (vinho de região demarcada) vai pedir a mudança do nome do conhecido néctar. Em Bolène (que tem 14 mil habitantes) os hotéis e os restaurantes não têm clientes. “Os turistas desapareceram!”, exclama o senhor Teixeira, bragançano e emigrante em França há 40 anos. Teixeira é dono de um pequeno café-restaurante na berma de uma estrada perto de Boléne e de Lapalud, outra das localidades que recebeu uma notificação de alerta à poluição nuclear”. O emigrante diz que as pessoas deixaram de beber água da torneira. “Os supermercados entraram em ruptura e aqui no café até o gelo para o Pastis (célebre bebida anisada, de Marselha) é feito com água mineral”, informa.
Tal como muitos outros agricultores da região, Sylvie não tem água da companhia em casa. Chegou a lavar a louça com água engarrafada nos dias que se seguiram ao primeiro alerta — na madrugada de dia 8, quando a central lançou 74 kg de urânio, devido a uma avaria, para os rios Gaffière e Lauzon. Entretanto, a câmara de Bolène instalou-lhe à porta uma barrica com água para uso doméstico.
As autoridades locais tentam desdramatizar a situação, dizendo que se encontra infectada apenas uma pequena zona, nas margens daqueles dois afluentes do Ródano. Mas a câmara de Bolène não afasta a hipótese de apresentar queixa em tribunal contra a Socrati (grupo Areva) que gere a central de Tricastin. “A manutenção da fábrica apresenta deficiências porque a direcção foi reduzindo ao longo dos anos os tempos e a capacida-de da manutenção”, diz uma sindicalista do sítio de Tricastin.
Sylvie Eymard já apresentou queixa em tribunal. Os seus poços — possui quatro na propriedade — estão todos contaminados e a ser controlados

diariamente. “As taxas de poluição variam diariamente, mas onde ela é sempre mais elevada e acima das taxas mínimas definidas pela lei é no depósito, certamente porque ficaram aí resíduos ao longo dos anos”, explica.

Jean, um francês de 8o anos de idade, que pretende instalar-se com a mulher na aprazível Cote d’Azur, dizia, nesta quarta-feira, no café do senhor Teixeira: “Tinha dois casais interessados na compra da minha casa em Bolène mas as pessoas quando ouviram as notícias, telefonaram a dizer que desistiam”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Daniel Ribeiro, jornal o “Expresso”, 26 de Julho de 2008

Ainda no Expresso

“Nuclear, não obrigado”, diz Nunes Correia

O nuclear não é uma opção para o ministro do Ambiente. Nunes Correia considera também que as organizações ambientalistas estão aquém das expectativas. A discussão sobre a opção nuclear não está na agenda do Governo. O ministro do Ambiente tem sérias reservas sobre essa opção e diz que a aposta nas energias renováveis e o uso racional de energia são o caminho que Portugal vai seguir. Como síntese da sua posição permite o antigo slogan: “Nuclear, não obrigado”.“O meu ministério tem sérias reservas sobre a opção pelo nuclear. E julgamos que a discussão está deslocada no tempo”, afirma Nunes Correia.“A aposta nas renováveis e no uso eficiente da energia projectam-se num horizonte de, pelo menos 20 anos”, salientando que Portugal é rico em fontes de energia renovável como eólica, solar (térmica e foto-voltaica), geotérmica e biomassa.
“Além dos problemas ambientais que não estão resolvidos, embora reconheça que a tecnologia não é a mesma de há 30 anos, a questão essencial é o destino final dos resíduos radioactivos”, afirmou. “Está longe de estar resolvida. O que se faz é ‘varrê-los’ para as profundidades da terra e do mar, mas sabemos que ficarão activos durante milhões de anos”, acrescentou.
Salienta também os custos escondidos apresentados pelos defensores do nuclear em matéria de ligação à rede eléctrica e desmantelamento das centrais.

 

 

 

 
 
 
 

 


Vulcanismo (Lahars – mudflows, Hot Spots, etc)

Julho 16, 2008

Lahars

 

Os lahars são avalanches de lodo formados pela fluidificação de materiais vulcânicos saturados de água. Comportando-se como um fluido viscoso e de muito alta densidade, os lahars seguem o percurso de menor energia potencial, pelo que o seu curso é ditado pela topografia, em geral seguindo os vales dos cursos de água. A lama que forma o lahar tem a consistência do betão fresco, mantendo um elevado grau de fluidez quando em movimento, mas solidificando e perdendo água quase instantaneamente quando parada. Estas características reológicas permitem aos lahars uma grande velocidade de deslocamento e grande capacidade de penetração nos espaços vazios, o que leva ao rápido enchimento por material sólido de todas as cavidades que encontre no seu percurso. A elevada densidade do fluido formado permite o transporte de grandes massas rochosas que flutuam na lama e são arrastadas a alta velocidade como se de material leve se tratasse. Dessa propriedade dos lahars resulta o aparecimento nas paisagens vulcânicas de grandes rochas isoladas, deixadas pelo enfraquecimento da capacidade de transporte do lahar, normalmente pela dispersão e perda de velocidade e profundidade da lâmina de lama devido ao largamento da zona recoberta. Um exemplo notável deste efeito dos lahars é a presença de gigantescos blocos traquíticos, com cerca de 8-10 m de altura e pesando alguns milhares de toneladas, isolados no planalto existente acima do lugar da Caparica, Biscoitos, na ilha Terceira. Aqueles blocos foram ali deixados por um gigantesco lahar que se formou há cerca de 25 000 anos durante a última grande erupção do Pico Alto (Terceira).

Em resultado da grande densidade do fluido, e da sua velocidade, os lahars têm um enorme poder erosivo, arrancando por abrasão grandes volumes de material geológico às zonas atravessadas, transportando-o e integrando-o num processo de avalanche que permite o crescimento da massa em movimento, alimentando assim o lahar. Os lahars podem deslocar-se a velocidades muito elevadas, podendo, quando o declive dos terrenos seja elevado e viscosidade seja reduzida, ultrapassar os 100 km/h (30 m/s).

Os Lahar podem ser gigantescos:
um lahar que ocorreu há 5 600 anos em Osceola, ao longo do vale do rio White, durante uma erupção do Monte Rainier (Estado de Washington), produziu uma camada de lodo com 180 m de profundidade e recobriu uma área de 320 km2.
O grande lahar que destruiu Vila Franca do Campo na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522 (a famigerada subversão de Vila Franca), causando milhares de mortos, recobriu de lama e pedras cerca de 3,5 km2 de terreno. Nos Açores existem muitas centenas de formações geológicas identificadas como tendo sido formadas por lahars, alguns recobrindo grandes áreas, como é caso do lahar que a partir da zona do Pico Rachado desceu ao longo da Ribeira de São Roque, nos Altares, Terceira, percorrendo mais de 6 km até ao seu termo.

Causas dos lahars

Existindo declive suficiente e abundância de água e material vulcânico solto, em particular piroclastos de baixa densidade (como as bagacinas ou terrenos argilificados por efeito hidrotermal), os lahars podem ser desencadeados, entre outras, pelas seguintes causas:
 Elevada e persistente chuva durante uma erupção vulcânica, o que é comum já que a presença de cinzas vulcânicas finas na atmosfera, que actuam como núcleos de condensação, e a coluna de ar ascendente formada em torno do vulcão propiciam a formação de grandes nuvens de desenvolvimento vertical (cúmulos) que geram chuva intensa e trovoada;

 A ruptura de diques formados por materiais vulcânicos provenientes da erupção em cursos de água existentes nas proximidades de um vulcão activo;

 A ruptura de lagos formados em crateras ou por retenção de cursos de água;

 Os deslizamentos de camadas piroclásticas saturadas de água desencadeados por sismos, mesmo quando de pequena magnitude;

 Os movimentos de massa de origem gravítica resultantes da instabilização de encostas devido a chuvas abundantes;

 A fusão de neve ou gelo (glaciar) desencadeado pela presença de gases quentes ou de fluxos piroclásticos. Um caso específico é a formação de zonas de fusão em glaciares, recebendo o nome islandês de jökulhlaup.

Efeitos sobre a protecção civil

Os lahars podem ser extremamente perigosos devido à sua energia e velocidade. Um grande lahar pode percorrer muitos quilómetros à velocidade de algumas dezenas de metros por segundo, destruindo inexoravelmente tudo à sua passagem e deixando muito pouco tempo para a fuga. Por essa razão os lahars são uma das principais preocupações de protecção civil nas regiões vulcânicas, em particular nas zonas onde existem espessas camadas piroclásticas e abundância de água. Um dos grandes desastre naturais do século XX foi causado pelos lahars formados durante a erupção do Nevado del Ruiz, Colômbia, em 1985, os quais mataram cerca de 25 000 pessoas na cidade de Armero, a qual ficou enterrada sob 8 m de lama e rochas. Recentemente na ilha de Leyte, Filipinas, um lahar soterrou uma aldeia e provocou mais de um milhar de mortos.

Entre muitos outros, foram causados por lahars os seguintes desastres:

 A subversão de Vila Franca, a 22 de Outubro de 1522 (cerca de 5 000 mortos);

 O descarrilamento de Tangiwai, na Nova Zelândia, em 1953 (120 mortos);

 A destruição de Armero, Colômbia, em 1985 (25 000 mortos);

 O desastre da Ribeira Quente, Açores, em Outubro de 1997 (29 mortos). Povoações situadas nas proximidades de formações piroclásticas são locais de risco. Por isso algumas destas comunidades (Pierce County, Estado de Washington, nos Estados Unidos e Mount Ruapehu, na Nova Zelândia) já instalaram, ou planeiam instalar, sistemas de alerta contra deslizamentos de terra, consistindo num conjunto de sensores de vibração colocados a montante, complementados por um sistema de alarme ligado a sirenes.

Fontes :

http://volcanoes.usgs.gov/Hazards/What/Lahars/lahars.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Lahar

Movimentos de Massa (Movimentos de Vertente)

Consultar o site do Prof Dr. J. Alveirinho Dias

 

Risco Vulcânico

 

“A Geological hazard is a geological condition, process or potential 

event that poses a threat to the heath, safety, or welfare of a group 

of citizens or the functions or economy of a community or a larger 

governmental entity” US GS, 1974

Neste powerpoint do Prof. Dr. J.A. Dias é possivel compreender a Perigosidade e o Risco Vulcânico.

 

 

Hot Spots (Plumas Térmicas)

  

 

 

Pontos quentes

 Hot spots, são locais em que ocorre o manto superior de temperatura mais alta do que outras regiões. Considera-se que a anomalia térmica é devido à ascensão de convecção térmica do manto, denominado pluma quente.
Em regiões oceânicas, encontram-se vulcanismos basálticos de composição alcalino-olivinica e toleítica. Em regiões continentais, observam-se vulcanismos de basalto toleítico, álcalino-olivina, fonolítico e carbonatítico. Observa-se um que assinala o movimento da placa tectónica sobre o ponto quente.
A teoria dos pontos quentes foi postulada por J. Tuzo Wilson em 1963 para explicar a existência de cadeias de vulcões formando linhas coincidentes com a direcção geral de movimento das placas sobre as quais assentam e teve como modelo o arquipélago do Hawai.
Nestas áreas os vulcões parecem indiciar a passagem da crosta terrestre sobre uma pluma de material magmático, essencialmente no manto terrestre, que ao ascender à superfície origina sucessivos edifícios vulcânicos.A origem das plumas mantélicas foi durante muito tempo atribuída à formação de uma estrita coluna ascendente de material mais quente desde a zona de fronteira entre o manto e o núcleo terrestre que ascenderia até à superfície. Dados recentes colocam em causa a existência destas estruturas profundas, apontando como origem das plumas a formação de zonas estáveis de convecção térmica nas camadas mais externas do manto terrestre.
Estão identificados cerca de 50 pontos quentes na Terra, a maioria dos quais associada à presença de ilhas oceânicas, tais como os Açores, a Madeira, Cabo Verde, a Islândia, o Hawai e a Reunião, e de cadeias vulcânicas como as de Yellowstone e do Monte Camarões.
A partir da década de 1930 Holmes aventou a ideia da movimentação do manto motivada por diferenças térmicas, que dão origem a correntes de convecção num meio sólido, porém dotado de plasticidade, com elevado grau de viscosidade, que caracteriza o manto superior. Tais ideias têm em comum que os movimentos verticais e horizontais da litosfera são originados por correntes e deslocamentos de massas que se substituem mutuamente nas profundidades, situadas abaixo da delgada crosta terrestre. Os blocos siálicos seriam afectados por estas correntes, podendo ser arrastados pelo fluxo horizontal que se desliza por baixo, ou mesmo soerguidos ou abatidos, conforme a direcção destas correntes. Essa teoria está directamente ligada à teoria da migração continental.
A película terrestre é insignificante em relação às regiões profundas, gigantescas. Tendo a crosta uma constituição pouco rígida, é por isso relativamente sensível às correntes profundas, cuja natureza é admitida como sendo de diversas causas.
Acredita-se que esse processo funcione de uma forma parecida com a seguinte: as massas profundas ao receberem um aumento térmico, proveniente das maiores profundidades do manto ou da desintegração radioactiva, sofrem, por conseguinte, um impulso para subir, segundo o princípio de Arquimedes. Por outro lado as mais elevadas condensam-se e tendem a afundar.

magma.jpghttp://www.wwnorton.com/college/geo/egeo2/content/animations/2_6.htm

 


Costa Portuguesa – Uma viagem pela Geologia do litoral do Continente

Julho 15, 2008
Foto – O meu companheiro de viagens nas dunas da Apúlia

Etapa 1- De Caminha a Viana do Castelo

O litoral português pode dizer-se quase rectilíneo, pouco recortado, sem grandes reentrâncias, com troços extensos de praias, baixas e arenosas, embora, às vezes, semeadas de escolhos. Do interior, existe, quase sempre, arriba, actual ou fóssil, próxima ou afastada.Os poucos relevos da região litoral dispõem-se perpendicularmente à linha de costa (como acontece com as serras da Boa Viagem, de Sintra, etc.), o que lhe dá carácter atlântico.

Trata-se, em quase toda a extensão, de costas de erosão, talhadas pelo mar, embora se notem, de onde a onde, influências tectónicas e estruturais.

Em alguns pontos da orla litoral há grandes acumulações de areias de duna; às vezes, formam relevos de certa importância. Em contraste com o litoral das rias da Galiza — em que os vales fluviais foram invadidos pelo mar, em virtude de movimento de afundamento do continente -a costa minhota é direita e seguida, ora baixa e arenosa, ora rochosa e com pequenas arribas. Em frente da foz do rio Minho emerge a Insua de Caminha, com o seu pequeno forte. De longe a longe, a acumulação de areias liga-a à praia do Moledo, originando verdadeiro tômbola. À concha de Moledo segue-se trecho de costa rochosa, granítica.

Em Âncora e Afife o litoral é de praia, mas em Montedor volta a ser de rochedos e arribas.

Visita em : aqui.

Etapa 2 – Da Foz do Lima à Foz do Leça

Até a foz do Cávado, a costa é baixa, arenosa, embora, às vezes, semeada de cachopos. Arriba fóssil, bem marcada, limita, do interior, a plataforma litoral quaternária e em que se distinguem diversos níveis de praias antigas. Esta plataforma, que se estende até Caminha, penetra ao longo do vale do Cávado, em direcção a Barcelos, assinalando a antiga foz deste rio. Em muitos locais, ao longo deste litoral, acumulam-se as areias de dunas, que penetram, às vezes, bastante para dentro do território. Cobrem, por exemplo, o alto do monte do Faro de Anha. Entre a foz do Cávado e a Apúlia o litoral é arenoso, acompanhado por medos, destacando-se, no mar, seguindo a linha de costa, a curta distância, os célebres Cavalos de Fão, rosário de rochedos à flor da água, que são o prolongamento das bancadas de quartzitos ordovícicos de S. Félix de Laundos — Apúlia. Daqui à Póvoa do Varzim a costa é baixa e de areia, mas semeada de rochedos granítico-gnáissicos até a foz do Ave. Depois, até Leixões, o litoral é ora de praia baixa, ora arriboso e de penedia, salientando-se nos rochedos, polidos pelas vagas, belas estruturas migmatíticas (Vila Chã, Angeiras, etc.). Mantêm-se as mesmas características até a foz do rio Douro. Neste rio, de vale apertado até a foz, destaca-se o grande cabedelo de areia, apoiado na margem sul, que quase fecha a saída.

Fonte :Carlos Teixeira – Geologia de Portugal