O que são fósseis de Fácies? e de idade?

Trata-se do post mais lido deste blog, o que é sem dúvida um motivo de especial atenção por parte do autor de “Blacksmoker”. Implica também da minha parte, a responsabilidade de este post ser consultado e o leitor(a) possa encontrar aqui uma resposta o mais correcta possível sobre o objectivo que a(o) fez vir aqui ter. Procurei dar ao post um tom menos académico, por que foi assim que ele ocorreu no Bloco D da ES da Maia.

É importante referir que para ter uma informação cientificamente correcta sobre este tema, o melhor e consultar o site :

 http://webpages.fc.ul.pt/~cmsilva/Paleotemas/Fossilindex/Fossilindex.htm.

Aliás, como não me canso de referir, em caso de dúvidas de paleontologia e de temas relacionados, consultem :

 http://webpages.fc.ul.pt/~cmsilva/

Maia, 18/10/08

Vinha eu de uma aula de Sustentabilidade do Planeta, quando ao meu lado nas escadas duas alunas discutiam o que eram os fósseis de fácies, que objecto estranho, e fósseis de idade. A dicussão mais parecia o célebre diálogo de Sócrates e Platão e estava acesso. Não resisti e decidi meter-me na conversa, aliás porque senti que o próprio Darwin se sentiria mal em saber que os fósseis também evoluem! Achei que a discussão das duas pequenas estava a ir longe de mais na evolução e ainda acabava em fósseis de T-Rex mutagénicos. Vamos lá ver do que estamos a falar…..

O conceito de “fóssil de fácies” é usado para destacar aqueles fósseis que melhor desempenham o papel de indicadores paleoambientais.

Para que um fóssil seja um bom indicador paleoambiental, o organismo (ou grupo biológico) que lhe deu origem deveria ter uma forte limitação ambiental, para que a informação paleoecológica contida no fóssil seja o mais precisa possível.

Por vezes o “fóssil de fácies” é apresentado em oposição ao “fóssil de idade” e como para esses importa que a evolução dos grupos no passado seja lenta (que os fósseis tenham distribuição estratigráfica estreita, curta)… então, por vezes, exagera-se a necessidade de “evolução lenta” para o conceito de “fóssil de fácies”. (Atenção : Este parágrafo não está correcto, ver comentário)

A questão não está na “evolução lenta dos fósseis de fácies”, mas sim na constância ambiental que os organismos (ou grupos biológicos) correspondentes tiveram ao longo do tempo (para ser mais fácil identificar os paleoambientes).

Além do mais, deve ter-se em conta que os “fósseis” não evoluem! Os fósseis estão mortos, são objectos geológicos, não se alteram biologicamente. Quem evolui são os grupos biológicos. Em segundo lugar, não é forçoso que tenha havido uma evolução lenta.

Quanto menor for a variação ambiental dos organismos de um dado grupo (e do grupo ao longo do tempo), mais fácil será identificar o paleoambiente onde viveram (ou, hoje em dia, a fácies em que os fósseis ocorrem). Por exemplo, o fóssil de um gastrópode, só por si, não nos diz muito sobre a fácies em que se insere, pois existiram (e existem) gastrópodes terrestres, de água doce e marinhos. Logo, poderíamos estar perante uma fácies continental, de água doce ou marinha. Mas um fóssil de um coral, ou de um equinoderme, indicar-nos-ia – sem dúvida – um paleoambiente marinho (uma fácies marinha), pois esses organismos só viviam – e ainda vivem – em ambientes marinhos.

No passado existiram os (paleo)ambientes; hoje temos as fácies correspondentes. A fácies é o conjunto das características litológicas (a rocha) e paleontológicas (os fósseis) de um determinado corpo rochoso e está relacionada com o ambiente correspondente do passado (no qual se depositaram aqueles sedimentos e no qual viveram os organismos cujos fósseis encontramos hoje).

Para que os fósseis de dado grupo biológico tenham uma curta distribuição estratigráfica é necessário que, no passado, esse mesmo grupo biológico tenha tido uma “evolução” rápida. Ou seja, quanto mais curta a duração temporal (a longevidade) de um dado grupo biológico (de uma espécie, por ex.) no passado, mais curta será a sua expressão estratigráfica na actualidade. Curta duração temporal (de uma espécie) implica especiação rápida, “evolução” rápida.

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A medida do Tempo e a Idade da Terra (Curiosidades)

Eras e Períodos, são para saber professor?

 
Sim, as Eras são para saber, trata-se de conteúdos obrigatórios no programa de Biologia e Geologia, os períodos são para saber se o exame for feito em Espanha. Mas há uma forma fácil de aprender os Períodos. A Biologia e Geologia utilizam termos que derivam de palavras gregas e do latim, e apesar de não ser necessário saber latim nem grego no ensino das ciências, algumas palavras dão muito jeito. Alguns exemplos.
 
Os dois períodos mais antigos do Paleozóico são o Câmbrico e o Silúrico. Assim foram designados por dois geólogos britânicos, Adam Sedwick e Roderick Murchison, que estudaram estratos no País de Gales. O termo Câmbrico deriva de Cambria a palavra latina para Gales e Silúrico vem do nome de uma tribo celta do País de Gales, os Siluros. Estes dois geólogos acabaram por desentenderem-se porque Murchinson considerava que o Silúrico incorporava o Câmbrico. Professor, aqui no livro entre o Câmbrico e o Silúrico surgue o Ordovícico! Pois é, um outro geólogo, Charles Lapworth, eventualmente terá resolvido o conflito entre os dois amigos galeses, através da criação do, Ordovícico! Mas foram sem dúvida Sedwick e Murchison que  por volta de 1830 lançaram a semente da escala geológica moderna.   
 
E de onde vem a palavra Cretácico e Jurássico?
 
Rochas com idade Cretácica, foram inicialmente identificadas no Reino Unido e  França, em litologias de crés. A cré é um calcário branco, muito macio e poroso composto essencialmente por carbonato de cálcio sob a forma de calcite. O  termo francês é muito semelhante ao nosso e em inglês denomina-se Chalk, uma das primeiras palavras que aprendi em inglês, significa Giz! Um dos mais famosos depósitos de cré localiza-se em Dover na Inglaterra, um geomonumento, The White Cliffs of Dover. Mas Cré e Chalk derivam de uma palavra latina, creta, da qual ambas derivam. Mas este calcário branco tem mais histórias. No inicio do século vinte, os geólogos concluiram que esta cré, ter-se-à formado ao longo de milhões de anos pela sedimentação no fundo marinho de milhões de organismos microscópicos chamados foraminíferos, cuja concha é formada por calcite. Na formação da concha os foraminiferos retiram o  dióxido de carbono da atmosfera. Após a sua morte e por sedimentação estas conchas formaram leitos espessos no fundo marinho, constituindo esta variadade de calcário. Esta rocha mantém fixada no seu interior grandes quantidades de dióxido de carbono removido pelos foraminíferos à atmosfera. É um bom exemplo das relações entre os subsistemas Geosfera, Atmosfera e Biosfera.
O nome Jurássico, foi dado por Alexandre Brongniart a um extenso afloramento de calcários marinhos nas Montanhas do Jura, localizadas na fronteira da Alemanha, França e Suíça.
 

 

Bibliografia
STANLEY. Steven (2005)  – Earth System History. Freeman.Nova Iorque.
 

 Falésias Brancas de Dover (Reino Unido)

 
 

 

 

 

Viagem virtual em temas de Geologia (Sites Interessantes)

O Centro de Ciência Viva do Algarve oferece uma viagem virtual a fenómenos relacionados com a Geologia e não só. Podes dar uma vista de olhos aqui :

http://www.ccvalg.pt/multimedia/caldos_quentes/loader.swf

Blog Interessante

Foi com surpresa que naveguei a este blog de um colega de biologia, que está a desenvolver um trabalho interessante com os seus alunos.

Vale a pena visitar… http://bio12esfafe.blogspot.com~

Dúvidas de Paleontologia

proteg05.jpghttp://correio.cc.fc.ul.pt/~cmsilva/Geofcul1.htm

Léxico de Termos geológicos

lexico.jpghttp://e-geo.ineti.pt/bds/lexico_geologico/default.aspx?letra=F

Geologia para crianças… e não só

earth-insideout.jpghttp://www.kidsgeo.com/geology-for-kids/0048-volcanic-hot-spots.php

 

Geodiversidade nos Açores

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http://geodiversidade.blogspot.com/

Sismo de magnitude 7,8 na China

Um sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter na província chinesa de Sichuan, no Sudoeste do país, provocou entre três a cinco mil mortos e mais de 10.000 feridos, segundo uma estimativa das autoridades locais.

O sismo, com epicentro a 2090 quilómetros a Sudoeste de Pequim, na província de Sichuan, provocou o colapso de vários edifícios.