Carta Geológica – Geologia 12º

Representação simbolizada da realidade geográfica, apresentando aspetos e características selecionados, resultante do esforço criativo do autor, que é concebida para ser utilizada quando as relações espaciais têm importância essencial.

O mapa, termo mais utilizado na língua portuguesa e habitualmente empregue como sinónimo de carta, é o objeto central da Cartografia. De facto, seja enquanto instrumento a utilizar (para ver ou para ler), enquanto objeto a conceber e elaborar, ou enquanto documento de estudo, o mapa é o aglutinador de toda a área de conhecimento da Cartografia. Mas não se confunda mapa/carta com Cartografia. De facto, mapa é a representação gráfica, a imagem/objeto, enquanto a Cartografia é a ciência que trata da conceção, produção, utilização e estudo documental dos mapas, Filme 1.

Filme 1 – A carta geológica consiste num documento científico e técnico onde se representa graficamente de forma sintética, sobre um fundo topográfico adequado, informação relativa aos materiais rochosos que afloram na superfície da crusta terrestre e aos fenómenos que os afetaram no passado, alguns dos quais ainda persistem na atualidade. Contém abundante informação relativa à natureza e distribuição espacial das diferentes rochas, quer à superfície quer em profundidade, à sua posição, atitude, idade relativa ou absoluta e a movimentos tectónicos ocorridos no decurso do tempo geológico, bem como à ocorrência de substâncias minerais e localização de jazidas fossilíferas, nascentes de água naturais, poços, pedreiras, entre outros. Nas cartas geológicas incluem-se, na generalidade, colunas estratigráficas representativas, cortes geológicos sintéticos e legenda com simbologia adequada e, atualmente, esquemas de enquadramento geológico. Toda esta geoinformação é traduzida por um conjunto vasto de cores e símbolos, que se destina a facilitar a sua leitura e interpretação.

Falando sobre mapas e cartografia

O mapa, termo mais utilizado na língua portuguesa e habitualmente empregue como sinónimo de carta, é o objeto central da Cartografia. De facto, seja enquanto instrumento a utilizar (para ver ou para ler), enquanto objeto a conceber e elaborar, ou enquanto documento de estudo, o mapa é o aglutinador de toda a área de conhecimento da Cartografia. Mas não se confunda mapa/carta com Cartografia. De facto, mapa é a representação gráfica, a imagem/objeto, enquanto a Cartografia é a ciência que trata da conceção, produção, utilização e estudo documental dos mapas.

Carta topográfica

Carta de base que representa, tão fiel e pormenorizadamente quanto a escala o permite, a topografia da superfície terrestre. No passado, o termo aplicava-se somente às cartas de maior escala, em regra igual ou superior a 1:50 000, reservando-se as designações de carta corográfica [entre 1:50 000 e 1:500 000] e de carta geográfica [inferior a 1:500 000] para as escalas menores. Atualmente, designa-se por carta topográfica qualquer carta de base que represente zonas emersas, independentemente da sua escala. Geralmente a escala [dos mapas topográficos] encontra-se compreendida entre 1:10 000 e 1:50 000 (ou 1:100 000). Atualmente, o termo abrange todos estes mapas, independentemente da escala, sendo a sua função primordial a localização dos fenómenos espaciais (por isso, poderiam ser também designados por mapas de referenciação espacial).

Powerpoint sobre a elaboração de um Perfil Topográfico:

Geologia 12 – Perfil Topográfico

Carta temática

Carta cujo objetivo é representar informação geográfica sobre um assunto específico. Tipicamente, as cartas temáticas apresentam, sobre um fundo de informação geral mais ou menos simplificado, fenómenos localizáveis de qualquer natureza (o tema), sob forma qualitativa ou quantitativa. São cartas temáticas as cartas administrativas, meteorológicas, demográficas, geológicas, etc. Por convenção, não são consideradas cartas temáticas as cartas de base, topográficas e hidrográficas, bem como as cartas náuticas e aeronáuticas.

Os mapas temáticos são documentos que, quer no âmbito pedagógico, quer no âmbito científico, têm como funções mais importantes fornecer informação específica sobre determinadas localizações, fornecer informação global sobre a repartição de fenómenos geográficos e possibilitar a comparação de distribuições entre mapas. Alguns mapas temáticos são “mapas para ler”, ou seja, mapas que representam, exaustivamente, vários tipos de informação, utilizando várias variáveis visuais, com justaposição gráfica num só mapa, tornando-se, assim, mapas de referenciação ou armazenamento de informação, que, não sendo inúteis, apenas permitem a leitura de nível elementar. Outros mapas temáticos, são “mapas para ver”, permitindo todos os níveis de leitura: a leitura de nível de conjunto (ou global), que avalia globalmente a distribuição do tema, a leitura de nível médio (intermédia ou de subconjunto) que destrinça, por exemplo, a estrutura interna de cada “região” ou subconjunto e finalmente, a leitura de nível elementar (ou de pormenor), que responde a questões do tipo onde (em que lugar?) e o quê (que atributo?).

Cartografia Geológica, exemplo de uma carta temática

A cartografia geológica é uma infraestrutura básica e precisa, que sintetiza todo o conhecimento geológico de uma região. Utiliza o método cartográfico de forma intensiva e é, hoje em dia, indispensável a sua interação com novas tecnologias, nomeadamente imagens de satélite (ópticas e radar) e Sistemas de Informação Geográfica. Constitui um instrumento durável e indispensável para o desenvolvimento sustentável, sob o ponto de vista económico, ambiental e social de um País, pois permite apoiar políticas de gestão de recursos (água, minerais, rochas industriais, entre outros), de ambiente e ordenamento do território, de prevenção de riscos associados a catástrofes naturais (erupções vulcânicas, sismos, escorregamentos, etc.), bem como políticas energéticas. A autoridade nacional que detém a missão de produzir cartografia geológica, com funções de “Geological Survey”, é actualmente o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

Atividade Prática de Geologia 12º 

Introdução

O Carta  geológico de Penafiel , na escala de 1/50000, abrange a área correspondente a folha 9-0, na mesma escala, do Instituto Geográfico Cadastral (edição de 1977), utilizada como fundo topográfico. A área ocupada pelo mapa pertence aos concelhos de Valongo, Gondomar, Paços de Ferreira, Penafiel, Paredes, Lousada e Marco de Canaveses. Como povoações mais importantes, além da cidade de Penafiel e das vilas sedes dos concelhos antes citados, referem-se S. Pedro da Cova, Paco de Sousa. Rebordosa. Vila Boa do Bispo, Travanca e Agrela.

Relativamente à carta geológica de Castelo de Paiva, na escala de 1/50 000, esta abrange a área coberta pela folha 13-B, do Instituto Geográfico e Cadastral, na mesma escala, que corresponde às folhas 134 – Lomba (Gondomar) , 135 – Sobrado de Paiva (Castelo de Paiva) , 144 – Calnedo (Feira) e 145 – Nespereira (Cinfães), publicadas pelos Serviços Cartográficos do Exército, na escala de 1/25 000.

De uma forma muito resumida podemos referir  que as rochas que constituem as formações geológicas existentes na área em questão são metassedimentares, isto é, rochas metamórficas resultantes da ação de metamorfismo sobre rochas sedimentares, com idades compreendidas entre o Câmbrico (552-488 Ma) e o Carbonífero (359-299 Ma). Nos últimos estádios de colisão orogénica (consultar Ciclo de Wilson aqui), que levaram ao fecho de um oceano (Rheic) e à formação da Pangeia, ocorreram fenómenos de deformação intracontinental acentuada. O reequilíbrio isostático inerente a estas fases terminais da Orogenia Varisca, induziu a descompressões o que induziu a fusão de rochas metamórficas com a formação de magmas de natureza predominantemente granítica.

Essas rochas não foram “empurradas” para fora do local de origem pelas forças inerentes aos processos orogénicos, isto é, estão enraizadas e por tal facto são designadas autóctones. Em função das características litológicas, estruturais e metamórficas foram definidas várias zonas para a Península Ibérica, agrupadas em unidades mais abrangentes com afinidades próprias e designadas por terrenos (resultantes de colagens de fragmentos da crosta e/ou  litosfera limitados por falhas). O Anticlinal de Valongo (dobra com a concavidade voltada para baixo com as rochas mais antigas no núcleo) insere-se na denominada Zona Centro-Ibérica incluída no Terreno Ibérico, Foto 1.

Terreno Ibérico

Foto 1 – As fronteiras geológicas de cada zona serão ou não compatíveis com essa visão mobilista, podendo um único terreno ser definido à custa de zonas distintas, ou definir-se no seio de uma única zona terrenos diferentes. A divisão do MI em terrenos tectonostratigráficos incorpora, portanto, a anterior zonalidade paleogeográfica, as zonas, e tectónica inicialmente proposta por Lotze (1945), representando assim um avanço no conhecimento da evolução geodinâmica do segmento varisco ibérico, para além de funcionar também como um esquema relativo à anatomia do orógeno, que se pretende validado e/ou melhorado com a investigação das suas fronteiras profundas através de métodos geofísicos.

As rochas do Maciço Ibérico apresentam uma história geológica complexa ao longo da qual são interpretados vários episódios geodinâmicos de primeira importância repartidos por mais do que um ciclo de Wilson. A sucessão de ciclos de abertura e fecho dos oceanos (Ciclos de Wilson) permite explicar a evolução dos continentes. Cada ciclo começa com a abertura de um rifte (fratura na crosta terrestre), consequente estabelecimento de uma depressão e formação de um oceano. Segue-se a expansão dos fundos marinhos. Como resultado dessa expansão dá-se a convergência com as placas tectónicas vizinhas gerando-se um processo de subducção com a formação de cadeias montanhosas (orogénese).

 

Carta Geológica de Penafiel e Notícia Explicativa : 

Notícia Explicativa :   09-D (1)

Carta Geológia :  09-D

Carta Geológica de Penafiel e Notícia Explicativa:

Notícia Explicativa: 13-D (1)

Carta Geológica : 13-D

Atividade prática (individual ou em trabalho de grupo) : Análise das cartas geológicas notícias explicativas. 

 

Referências consultadas: 

DIAS, M. Helena (2007), Cartografia Temática, Programa, Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, Área de Investigação de Geo-Ecologia, Relatório nº 6, 146 p.

GASPAR, Joaquim Alves (2004), Dicionário de ciências cartográficas, Lisboa, Lidel, 327 pp.

ROMÃO, J. C. (2005) – Cartografia Geológica: um instrumento do conhecimento para o desenvolvimento do território. Actas do XV Encontro Nacional do Colégio de Engenharia Geológica e de Minas da Ordem dos Engenheiros, 377-386.

ROMÃO, J. (2010) – O papel da Cartografia Geológica no desenvolvimento do território. Maleo 1, Short Notes: 9-10.

http://repositorio.lneg.pt/bitstream/10400.9/1770/1/35492.pdf

 

Astrolábio

Desde Pitágoras até ao GPS (sigla de Global Positioning System), o sistema de posicionamento usado para fornecer de forma aproximada a posição sobre a superfície terrestre (em qualquer esfera) baseia-se nos conceitos de longitude e da latitude.

Os círculos máximos que passam pelos pólos denominam-se meridianos, e as linhas perpendiculares a eles são os paralelos. De todos estes, o que é um círculo máximo denomina-se linha do equador, e divide o globo terrestre em duas metades iguais. Chama-se meridiano zero ao que passa na localidade inglesa de Greenwich.

A latitude é a distância em direção ao Norte, isto é, para cima ao longo da esfera, ou ao Sul, ou seja, para baixo ao longo da esfera, medida a partir do equador em graus angulares. A longitude é a distância em direção ao Leste, ou seja, para a direita da esfera, ou ao Oeste, isto é, para a esquerda da esfera, medida em graus angulares a partir do meridiano zero de Greenwich. Todos os pontos de um determinado  paralelo têm a mesma latitude e todos os pontos de um meridiano têm a mesma longitude.

O Astrolábio

O astrolábio planisférico era um modelo bidimensional da esfera celeste, utilizado pelos cosmógrafos antigos como relógio astronómico para simular o movimento dos astros, para cálculos astrológicos e para medir ângulos verticais. A sua origem é incerta, mas provavelmente anterior ao início da era cristã, Foto 1.

Foto 1 – Astrolábio do Gabinete de Instrumentos Matemáticos e Físicos do Museu Zwinger em Dresden (Alemanha). Sonho de uma noite de verão em estilo Versalhes foi o nome dado para o Palácio Zwinger em Dresden pelo historiador alemão Hermann Hettner. O Zwinger foi edificado a partir de 1709, destinado a festas, torneios da nobreza saxónica.  O Gabinete Real de Instrumentos Matemáticos e Físicos) é um museu notavelmente pequeno mas fascinante localizado no Zwinger. É, de facto, um dos museus mais antigos do mundo, tendo sido estabelecido por Augusto, o Forte (Rei da Polónia e Eleitor da Saxônia) em 1728. Durante grande parte de sua história, o Mathematisch-Physikalischer Salon usou o meridiano que atravessa o prédio para calcular com precisão o tempo, observando o trânsito do sol.

O instrumento mais antigo que se conhece é árabe, do século X. O astrolábio náutico foi uma adaptação do astrolábio planisférico, realizada pelos navegadores portugueses durante o século XV, que se destinou a adequar o instrumento a uma única função, a medição da altura dos astros (ou melhor, da distância zenital, de acordo com a sua graduação usual). Era constituído por um anel  circular graduado, fundido em bronze, com cerca de 20 cm de diâmetro (a rodela, ou corpo), no centro do qual rodava uma alidade (a mediclina), dotada de duas pínulas destinadas a aponta o instrumento. O conjunto era dotado de uma argola de suspensão no topo, Foto 2.

61688216_2524706964226314_3576286582954524672_oFoto 2 – Astrolábio, do latim medieval astrolabium. Instrumento náutico antigo, circular, usado para avaliar a posição dos astros e a sua altura acima do horizonte. No Padrão dos Descobrimentos, surge nas mãos de Gil Eanes, navegador que contribuiu decisivamente para o progresso da exploração marítima portuguesa, com a passagem do cabo Bojador em 1434.

Para observar o Sol, o astrolábio era suspenso junto à cintura do observador, que o orientava em direção e regulava a posição da mediclina, de modo a que os seus raios solares atravessassem a pínula superior e incidissem na inferior.

A exatidão era cerca de um terço do grau. A observação das estrelas era problemática, sobretudo a bordo, e deve raramente ter sido efetuada. Por outro lado, e uma vez que o balanço do navio tornava difícil utilizar o instrumento no mar, muitas observações eram realizadas em terra, sobretudo em missões de exploração, o quando se pretendia maior exatidão.

O astrolábio foi utilizado até ao século XVII, altura que começou a ser substituído pelo quadrante de Davis, antepassado do sextante.

Referências:  

https://www.der-dresdner-zwinger.de/en/home/

Compensação de densidades

Em certas regiões do manto, o material é aquecido e expande-se, diminuindo a sua densidade. Este material, menos denso ascende em direção à base da litosfera. Em contacto com as rochas da litosfera, mais fria, este material arrefece, tornando-se mais denso afundando novamente, Filme 1.

Filme 1 – Em 1855, Airy idealizou um modelo de compensação de densidades, em função da existência de relevos à superfície, segundo o qual, a crosta terrestre (menos densa), em regiões de cadeias montanhosas, se afundaria mais no manto (mais denso) do que em regiões de baixa altitude, à semelhança do que se passa nos icebergues, cuja parte submersa em água é uma imagem exagerada da parte emersa. O mesmo princípio explica que o limite entre a crosta terrestre e o manto se aproxime da superfície à medida que as cadeias montanhosas vão sendo erodidas.

Os movimentos horizontais das placas litosféricas geram nos seus limites tensões elevadas responsáveis por enrugamentos das rochas que constituem as placas. Nestas zonas ocorrem, assim, movimentos verticais que provocam o espessamento da crusta. Este espessamento traduz-se tanto no aumento de altitude da crusta como no afundamento da litosfera na astenosfera menos rígida.

 

Isostasia

O geólogo austríaco Eduard Suess (1831-1914), célebre pelos seus trabalhos de paleontologia, é também autor de uma obra importante, A Face da Terra. A obra é grande, e nela o austríaco interessa-se pelos movimentos da crosta exterior do globo, provocados pelo arrefecimento interior do planeta causa principal da contração do globo e, portanto um desabamento da crosta externa sólida para se «voltar a colar» nas zonas mais quentes. Para estes contracionistas os relevos (continentais e oceânicos) formaram-se por contração, na sequência de um processo de arrefecimento do globo terrestre. Mas Eduard Suess nesta sua obra, divulgou também a ideia de que os continentes terrestres, feitos de materiais graníticos, leves (densidade: 2,8), «flutuavam» sobre materiais basálticos subjacentes, mais densos e mais pastosos (densidade: 3,3), que formam o fundo dos oceanos. Visto que as rochas graníticas, ditas ácidas, são ricas em sílica e alumínio, Suess chama a esta camada SIAL, por oposição à camada basáltica, rica em sílica e magnésio, a que chama SIMA. Deste modo, tal como icebergues na água, os continentes siálicos encontram-se sobre o SIMA em equilíbrio litostático, que lhes permite sofrer a influência de movimentos verticais resultantes da aplicação  Princípio de Arquimedes. Quando a erosão leva ao desaparecimento da camada superficial de um continente, este tem tendência a subir, como acontece com um barco que é descarregado. Esta teoria desenvolvida por Pratt e Airy, é conhecida de Isostasia.

Powerpoint – A isostasia que é uma simples aplicação da lei do Arquimedes, implica que a certa profundidade no interior do manto terrestre deve existir um nível de equilíbrio hidrostático, ao longo de qual as pressões exercidas por camadas sobrejacentes são iguais. A partir deste nível para baixo, definido como a profundidade de compensação não existem gradientes laterais de pressão causados por variações de densidade dos segmentos da parte superior do nosso globo. O principio da isostasia foi proposto já em 1855 por dois britânicos Airy e Pratt independetemente, que avançaram duas explicações diferentes deste fenómeno.

A Isostasia

A isostasia é um processo pelo qual a topografia é ajustada em resposta à imposição de cargas, sejam elas mudanças de densidade em profundidade, ou cargas na superfície, de tal maneira que se alcança a mesma pressão em profundidade quando considerada uma área da mesma dimensão.  É portanto, o equilíbrio para o qual a crosta e o manto tendem na ausência de forças que produzem instabilidade. A profundidade de compensação é onde o equilíbrio da pressão é alcançada.

Os modelos mais comuns para descrever este conceito  são os que foram desenvolvidos por Pratt e Airy no século XIX e o de Vening Meinesz no século XX.

No modelo de Pratt, a densidade média da crosta é menor nas montanhas do que nas planícies. É um modelo baseado na ideia de que as forças compensatórias de desequilíbrio são causadas por variações laterais de densidade em subsuperfície e de que as massas topográficas são compensadas em uma profundidade constante.

No modelo de Airy, a crosta tem densidade constante, porém é mais espessa abaixo de regiões com topografia elevada do que nas planícies. Neste modelo, uma camada fina de crosta repousa sobre uma camada mais densa e, para compensar a elevação da topografia, a crusta produz uma raiz na camada inferior, tal qual um icebergue na água. No entanto, este modelo implica que a crosta não possui rigidez e, por isso, não teria propriedades elásticas.

Um exemplo vivo do funcionamento da isostasia oferece a presente ascensão do escudo escandinavo. Durante o ultimo período glacial a península estava coberta pela calota glaciar de espessura que atingia localmente até 2000m. O degelo nos últimos 15000 anos eliminou esta carga assim que, a raiz continental deprimida durante a glaciação começou a subida que verifica-se hoje em dia com a velocidade de alguns milímetros por ano, figura 1.

 

Figura 1 – Curva de velocidade ascensional do escudo escandinavo (Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca) desde a última glaciação. Verifica-se que o centro do escudo, sobre o qual se concentrava a maior parte do gelo, sobe mais depressa do que os bordos. Admite-se que o bloco continental escandinavo se tenha afundado no astenosfera sob a ação da espessa camada de gelo (2 a 3 km)  do glaciar ártico. Posteriormente, e com degelo desta calote polar, há cerca de 12 000 anos, a litosfera, liberta desse peso, começou a elevar-se no sentido de estabelecer um equilíbrio compatível entre a sua densidade e a da astenosfera, levantamento que ainda hoje se verifica. Estima-se que nos últimos 10 000 milhões de anos esta península terá subido 250 m e que terá de subir mais 200 m, para alcançar o equilíbrio isostático, à razão de 1 m por século. Resumindo, e de um modo simplista, verifica-se que se uma região perde massa – anomalia isostática negativa – tenderá a recuperar  o equilíbrio, elevando-se. Pelo contrário, se uma região adquire excesso de massa – anomalia isostática positiva – tende a afundar-se na astenosfera. A existência destes equilíbrios isostáticos revela-nos um planeta dinâmico ao nível das suas camadas superficiais (litosfera e astenosfera) sendo os movimentos verticais, de ascensão ou de afundamento, os mecanismos que permitem estes constantes ajustamentos.

Varias áreas do nosso globo, sujeitas a rápida acumulação de sedimentos ex. deltas e/ou estuários , subsidem continuamente sob o peso da crescente pilha sedimentar, permitindo assim acumulação de enormes espessuras de sedimentos (delta de Missisipi, delta de Reno e Escalda nos Paises Baixos). A estes sítios frequentemente são associados importantes jazigos de hidrocarbonetos líquidos e gasosos. Também graças a subida isostática a erosão alcança as partes cada vez mais profundas das cadeias montanhosas em que, poderemos apreciar as rochas plutónicas e metamórficas formadas dezenas de quilómetros abaixo da superfície.

Os estudos sismológicos confirmaram a existência de raízes que podem atingir 70 km de espessura e, por conseguinte, duplicam a espessura da crosta normal por debaixo de algumas cadeias de montanhas. A crosta oceânica tem, apenas, uma espessura de cerca de 7 km, compensando assim a baixa densidade da água sobrejacente. Um tal mecanismo regulador implica que haja, em profundidade, um meio fluido, mesmo que esse fluido seja extremamente viscoso. Durante muito tempo acreditou-se que se tratava do manto superior. Sabe-se hoje que se trata da astenosfera. Este meio tem a mesma composição química da base da litosfera distinguindo-se apenas pelas suas propriedades físicas.

Cartografia Geológica – Geologia 12º ano

Os mapas geológicos são a melhor fonte de informações básicas para quase todos os estudos das Ciências da Terra. Contudo, são também documentos didáticos, pois transmitem diretamente a quem os utiliza, toda uma série de conhecimentos sobre os materiais rochosos da região a que dizem respeito. Para os professores constituem valiosos auxiliares como material de apoio para as suas lições. Com base nos mapas geológicos, podem aprender-se os princípios fundamentais da geologia e programar-se itinerários com interesse pedagógico destinados aos alunos. Assim, para tirar o maior proveito das cartas geológicas é necessário saber lê-las corretamente.

A carta geológica consiste num documento científico e técnico onde se representa graficamente de forma sintética, sobre um fundo topográfico adequado, informação relativa aos materiais rochosos que afloram na superfície da crusta terrestre e aos fenómenos que os afectaram no passado, alguns dos quais ainda persistem na atualidade. Contém abundante informação relativa à natureza e distribuição espacial das diferentes rochas, quer à superfície quer em profundidade, à sua posição, atitude, idade relativa ou absoluta e a movimentos tectónicos ocorridos no decurso do tempo geológico, bem como à ocorrência de substâncias minerais e localização de jazidas fossilíferas, nascentes de água naturais, poços, pedreiras, entre outros. Nas cartas geológicas incluem-se, na generalidade, colunas estratigráficas representativas, cortes geológicos sintéticos e legenda com simbologia adequada e, atualmente, esquemas de enquadramento geológico. Toda esta geoinformação é traduzida por um conjunto vasto de cores e símbolos, que se destina a facilitar a sua leitura e interpretação.

Construir uma carta supõe, em primeiro lugar, um levantamento do terreno que se organiza a partir de um conjunto de pontos com precisão. Estes pontos fazem parte da rede geodésica (coordenadas do plano) e da rede de nível (altitudes). A fotografia aérea fornece quase todos os detalhes da paisagem, mas estes não são representados tal e qual, pois a carta é plana.

É preciso reconstruir graças a técnicas de fotogrametria, o aspeto do relevo. A técnica da fotografia baseia-se no seguinte princípio: duas fotografias da mesma secção de terreno, tidas de dois pontos diferentes, são suficientes, graças ao efeito estereoscópico, para determinar a forma e dimensões dos acidentes geológicos fotografados. O documento resultante da reconstituição fotogramétrica é, em seguida, completado pela topografia que, após investigações no terreno, indica os limites administrativos, a toponímia, os detalhes invisíveis da fotografia, como, por exemplo, um caminho no meio de uma floresta etc.

Resta desenhar a carta.

Uma das técnicas consiste em recortar folhas de plástico cobertas com resina e colá-las umas sobre as outras. Finalmente, o fotograma e a impressão efetuam-se com técnicas mais avançadas, tendo em atenção o grau de precisão exigido e a qualidade de tratamento e da cor.

Carta Geológica

A cartografia geológica é a técnica de levantamento de cartas geológicas a partir da observação, sobre o terreno, dos contactos entre os diferentes materiais, estruturas, etc. As cartas geológicas, utilizando uma base topográfica conveniente, destinam-se a representar a distribuição de diferentes formações geológicas de uma determinada região e de todos os elementos de interesse geológico que sejam suscetíveis de representação, de acordo com a escala escolhida.

Para esta representação utilizam-se convenções e sinais particulares, sendo os diversos terrenos representados por cores e notações convencionais. Embora as convenções possam variar um pouco de país para país, elas são uniformizadas em reuniões internacionais. As cartas geológicas portuguesas contêm legenda e são, em geral, acompanhadas por uma notícia explicativa.

A cartografia geológica é a síntese do conhecimento geológico obtido em qualquer região cartografada sendo que as cartas geológicas são documentos fundamentais à correta gestão do território em termos de recursos e riscos geológicos, ambiente e ordenamento.

Em Portugal, a carta geológica compreende:

  • A carta geológica geral na escala 1 /1 000 000 publicada pela primeira vez em 1952.
  • A carta geológica na escala 1/50 000 de que estão publicadas bastantes folhas.

Foi editada em 2010 a Carta Geológica de Portugal na escala 1:1000000, pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Este novo documento foi produzido integralmente com software ArcGis ©ESRIe publicado, igualmente, em suporte papel. Trata-se de uma atualização da anterior edição publicada pelos Serviços Geológicos de Portugal (1968), correspondendo a uma síntese do conhecimento geológico atual de todo o território nacional. Em relação à edição anterior, esta nova publicação acrescenta a geologia dos arquipélagos dos Açores e da Madeira e de uma parte da área imersa da Plataforma Continental Portuguesa, também na escala 1:1 000 000. Contém ainda um excerto da vasta área imersa, adjacente ao continente na escala 1:2 000 000 e duas sínteses do continente relativas à Neotectónica e à Tectono-Estratigrafia nas escalas 1:4 000 000 e 1:5 000 000, respetivamente. Esta carta síntese, de marcada vocação didática, oferece uma visão global da diversidade litológica e da complexidade estrutural do substrato geológico do território português constituindo apoio fundamental à definição de estratégias nacionais, sejam elas de exploração de recursos, de ordenamento do território ou mesmo de avaliação de riscos geológicos.

A cartografia geológica moderna, disponibilizada em formato digital, é hoje em dia um instrumento durável e indispensável para o desenvolvimento social e económico de um país. É importante compreender que uma carta geológica de uma determinada zona geográfica, em virtude de descrever com precisão a infra-estrutura do subsolo, corresponde a uma verdadeira síntese de conhecimentos geológicos, sobre a qual se podem apoiar políticas de energia, de gestão de recursos (água, rochas industriais, minerais, entre outros), de prevenção de riscos naturais, de ambiente e de ordenamento do território.

Referências:

Romão, José & Cunha, Teresa. (2012). Cartografia geológica Uma mais-valia para o desenvolvimento do território. Geonovas. 25. 3-17.

Serra da Estrela

A Serra da Estrela apresenta um património natural e cultural bastante rico e peculiar que justificou a classificação de uma vasta área do maciço como Parque Natural em 1976, a atribuição do estatuto de Reserva Biogenética em 1992 e a inclusão da maioria das áreas desta Serra na Rede Natura 2000. A topografia geral desta montanha, que denuncia uma origem tectónica, os testemunhos geomorfológicos da glaciação würmiana, que contrastam claramente com os traços da morfologia granítica das áreas não glaciadas, a diversidade de rochas aí aflorantes, a biodiversidade e as marcas da influência humana na evolução das paisagens conferem à Serra da Estrela um valor inestimável.

Do ponto de vista litológico, a região Serra da Estrela é constituída maioritariamente por granitos, que se formaram no final do Paleozóico, durante as fases finais da orogenia varisca, que intruem rochas metamórficas pré-existentes.
As rochas metamórficas, representadas pelo Complexo Xisto-Grauváquico (CXG) ante-ordovícico e por um complexo gnáissico-migmatítico, distribuem-se nos sectores sul, sudoeste e nordeste do maciço. O complexo gnáissico-migmatítico, que se estende de Videmonte até Linhares e Folgosinho, apresenta uma foliação bem marcada, conferida pela orientação das micas e pela alternância de bandas escuras e de bandas claras. Os granitos que encontramos neste maciço apresentam composição mineralógica e textura variadas, sendo os granitos porfiróides de grão grosseiro a médio, predominantemente biotíticos, os mais abundantes. Disseminados pela área da montanha ocorrem numerosos filões de quartzo, que apresentam frequentemente mineralizações de estanho e de volfrâmio, outrora exploradas para fins económicos. Há também, em menor quantidade, filões de rochas ígneas básicas e de aplitos e pegmatitos. Dispersos na região encontram-se vários depósitos de rochas sedimentares recentes (do Cenozóico). Estes depósitos encontram-se bastante localizados e são de origem fluvial, fuvioglaciar e glaciar.

Referências: 

https://sicnoticias.pt/programas/reportagemespecial/2019-10-05-Serra-Adentro

DAVEAU, S. (1971). La Glaciation de la Serra da Estrela. Finisterra, Lisboa, VI (11): 5-40.

DEVY-VARETA, N. (1986). Para uma geografia histórica da floresta portuguesa – Do declínio das matas medievais à política florestal do Renascimento (séc. XV e XVI). Revista da Faculdade de Letras – Geografia, I Série, Vol.2, Porto, p.5-37.

FERREIRA, N. & VIEIRA, G. (1999). Guia Geológico e Geomorfológico do Parque Natural da Serra da Estrela – Locais de interesse Geológico e Geomorfológico. Inst. de Conserv. da Natureza & Inst. Geol. e Mineiro, Lisboa: 111p.

Arouca e o Grupo do Douro

De acordo com a definição proposta pela Royal Society for Nature Conservation do Reino Unido a Geodiversidade consiste: “na variedade de ambientes geológicos, fenómenos e processos ativos que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra”. Um Geoparque, é uma área com expressão territorial, com limites bem definidos e que possui um notável Património Geológico, aliado a toda uma estratégia de Desenvolvimento Sustentável.

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Este vai ser o primeiro de vários posts publicados no Blacksmoker relacionados como os geosítios (ocorrência geológica que se destaca pela sua grandiosidade ou espetacularidade) oficiais e não oficiais no Geoparque de Arouca.

O concelho de Arouca abrange uma área aproximada de 328 km2 integrada na sub-região de Entre-Douro e Vouga, na região Norte de Portugal continental. Localiza-se no extremo nordeste do distrito de Aveiro e faz fronteira com os concelhos de Gondomar, Castelo de Paiva, Cinfães, Castro Daire, S. Pedro do Sul, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira, Foto 1.

DSC_6035-EditarFoto 1 – Em termos geológicos e de acordo com as grandes unidades morfoestruturais da Península Ibérica, a região de Arouca inclui-se no Maciço Hespérico, caracterizado em termos gerais pelo predomínio de formações de idade proterozóica e paleozóica, metamorfizadas, deformadas e intruídas por plutonitos graníticos durante a orogenia varisca.

Super Grupo Dúrico-Beirão

O Super Grupo Dúrico-Beirão é constituído por duas unidades principais, o Grupo do Douro a norte e o Grupo das Beiras a sul, separadas entre si por uma linha limítrofe que passa por S. João da Madeira, Viseu e Serra da Malcata, a oeste do concelho de Arouca. Estas grandes unidades litológicas distinguem-se genericamente pela sua localização geográfica (o Grupo do Douro nas regiões circundantes do rio Douro e Grupo das Beiras na região das Beiras Baixa e Litoral, nos terrenos pertencentes à Zona Centro Ibérica), pela litoestatigrafia, pela possível idade diferenciada e ainda pela ausência de depósitos carbonatados no grupo das Beiras relativamente ao grupo do Douro.

A sequência da região de Arouca é constituída por xistos e quartzo-xistos com intercalações milimétricas e centimétricas de metagrauvaques e, em algumas localidades, também de quartzitos, sendo as intercalações de níveis conglomeráticos muito frequentes na metade noroeste do concelho.   Na região de Arouca afloram duas unidades: a unidade inferior (monótona e de natureza pelítica, em geral bastante quartzosa, com algumas intercalações de metagrauvaques e a unidade superior (com níveis lenticulares de conglomerados, intercalados com metagrauvaques, filitos e xistos argilosos.

Estes conglomerados podem corresponder a  depósitos resedimentados que teriam constituído anteriormente sedimentos litorais remobilizados e transportados ao longo do talude continental por correntes de turbidez. O topo da unidade superior está constituído por xistos argilosos e xistos argilosos acinzentados, com intercalações milimétricas de metagrauvaques de cor clara, Foto 2.

conglomeradosFoto 2  – A natureza turbidítica destes materiais atesta que a deposição de sedimentos arenosos e argilosos terá ocorrido num ambiente sedimentar de talude ou leque de dejeção submarina. Só posteriormente terão sido submetidos a dobramentos, durante as fases Toledânica e Ibérica da Orogenia Caledónica e, desta forma, postos sob acção dos agentes erosivos ao mesmo tempo que se origina uma significativa descontinuidade, materializada por uma ou várias discordâncias sucessivas.

Contacto litológico da Mizarela

Neste local afloram e contactam as rochas metassedimentares ante-ordovícicas – micaxistos biotíticos com andaluzite e estaurolite – do Grupo do Douro e o granito da serra da Freita.  As primeiras caracterizam-se por apresentarem uma litologia bastante monótona, onde predominam rochas pelíticas, geralmente bastante quartzosas, com intercalações centimétricas de metagrauvaques. Em termos metamórficos este afloramento localiza-se na zona da silimanite (do metamorfismo regional) e a estrutura mais visível é a xistosidade, Foto 3.

FreitaFoto 3 – Os cristais de andaluzite (B) e de estaurolite são visíveis muitas vezes em amostra de mão constituindo porfiroblastos, que no caso da estaurolite são frequentemente euédricos, evidenciando-se por vezes geminados com maclas em Cruz de Santo André e Cruz Latina. O plutonito da Freita, por sua vez, formou-se durante a orogenia varisca e é um granito de grão médio.  Este geossítio corresponde a uma área caracterizada por diversos aspetos geológicos relevantes. O contacto nítido entre os metassedimentos ante-ordovícicos e o granito da serra da Freita, segundo uma direção aproximada NW-SE e subverticalizado (A).

Campo de dobras da Castanheira 

Este geossítio corresponde a uma área que apresenta diversos afloramentos de rochas metassedimentares ante-ordovícicas fortemente dobradas. Correspondem a micaxistos formados por moscovite, biotite, quartzo, e ainda pequenos cristais de andaluzite, estaurolite e, por vezes granada. O grau metamórfico que apresentam é o correspondente ao da zona da estaurolite. Estas rochas apresentam abundantes intercalações de metagrauvaques e veios e filões de quartzo, que tornam muito evidentes as numerosas dobras que ocorrem aqui a diversas escalas. A última geração de dobras foi atribuída à 3ª fase de deformação varisca, embora num dos afloramentos se observe uma dobra atribuída à 2 ª fase. Neste sentido, esta é uma área de elevada importância para o testemunho das várias fases de deformação varisca, Foto 4.

Dobras-2Foto 4 –  O soerguimento desta cadeia montanhosa na Ibéria teve um caráter polifaseado, associado a três fases principais: a 1ª Fase (F1), entre 380 e 360 Ma, no Devónico superior; a 2ª Fase (F2), entre 370 e 350 Ma, no Devónico superior-Carbónico inferior; a 3ª Fase (F3), entre 330 e 290 Ma, no Carbónico superior-Pérmico inferior.

Estudos pormenorizados realizados em diferentes áreas da cadeia varisca, confirmam a existência de várias fases frágeis pós-F3, em que se assiste à fracturação frágil da cadeia, que então assume direções preferenciais NW-SE e NNE-SSW, facilitando, assim, a ascensão e instalação dos granitoides calcoalcalinos mais tardios (Estefaniano e Pérmico), bem como de um grande número de filões de pegmatitos, aplitos e quartzo, que preenchem os blocos fraturados.

É sobre esta fase (pós-F3) com a ascensão e instalação dos granitóides e os filões pegmatíticos o tema do próximo tema da Geologia de Arouca e Serra da Freita. 

Referências consultadas:

AGUADO, B. V., ARENAS, R. & MARTÍNEZ-CATALÁN, J. R. (1993). Evolución metamórfica hercínica en la región de la serra de Arada (Norte de Portugal). Comun. Inst. geol. min., 79, pp. 41-61.

AGUADO, B. V. & MARTÍNEZ-CATALÁN, J. R. (1994). Contribuición para el conocimiento del Complejo Esquisto-Grauváquico de la región de Arouca (N de Portugal). Comun. Inst. geol. min., 80, pp. 27-34.

AGUADO, B. V., MEDINA, J. & SÁ, A. A. (2006). Geologia da Serra da Freita e Visita ao Centro Interpretativo Geológico de Canelas. In: Guia de Campo do XXVI Curso de Actualização de Professores de Geociências. Aveiro: Universidade de Aveiro, pp. 43-62.

ROCHA, D. (2008). Inventariação, Caracterização e Avaliação do Património Geológico do Concelho de Arouca. Dissertação de Mestrado. Braga: Universidade do Minho, 382 p.