Complexo dunar Guincho-Oitavos

As dunas da Cresmina-Guincho são uma pequena parcela do complexo dunar Guincho-Oitavos localizado no Parque Natural de Sintra-Cascais. Este sistema dunar é bastante particular pois a areia proveniente das praias do Guincho e da Cresmina retorna ao mar mais a sul (entre os Oitavos e a Guia), após migrar sobre a plataforma rochosa aplanada do Cabo Raso. Este sistema designa-se por corredor eólico dunar Cresmina-Oitavos. Trata-se de um sistema ativo, semi-aberto, extremamente instável devido à constante mobilização de partículas arenosas pelos fortes ventos que se apresentam com orientação Noroeste-Sudeste, Foto 1.

Duna de Cresmina (Esquema 1)

Foto 1 – A formação do atual corredor dunar Guincho -Oitavos depende da deriva litoral de sedimento, pela deposição de areia na praia, seguida do seu transporte eólico para o interior e acumulação pela vegetação. O sistema move-se na direção Norte-Sul sobre a plataforma de Cascais, formada essencialmente por rochas calcárias do Cretácico. Esta plataforma prolonga-se para Sul até Cascais numa faixa litoral baixa onde se intercalam as areias do complexo dunar e as plataformas litorais calcárias (campos de lapiás) mais ou menos aplanadas que terminam no Cabo Raso.

As dunas e areias das praias são formações geológicas significativas que se estendem pelo litoral de Cascais desde o Farol da Guia até ao Forte do Guincho. Entre o Forte de São Jorge de Oitavos e o Farol da Guia, encontram-se pequenas manchas de dunas consolidadas, sendo a mais relevante a duna fóssil dos Oitavos. Os cordões dunares são estruturas geológicas frágeis mas muito importantes, uma vez que assumem um papel de proteção dos terrenos interiores da subida do nível do mar, Foto 2.

Duna de Oitavos (Esquema 2)

Foto 2 – A existência de barreiras impermeáveis estreitou o corredor de transporte de areia acelerando a sua dinâmica. Com a velocidade dos ventos a aumentar, a deposição de sedimentos passou a efetuar-se numa zona mais afastada da linha de costa com consequente diminuição da faixa costeira (área de praia).

Duna de Oitavos

A duna de Oitavos corresponde a acumulação eólica consolidada situada mais para o interior na região da Estremadura, localizando-se a ocidente de Cascais. Destaca-se acima de uma morfologia suave talhada em rochas carbonatadas do Cretácico Inferior, dolomitisadas e parcialmente carsificadas, pertencentes a Formação de Cabo Raso, do Hauteriviano, ou as formações de Cabo Raso e Guincho indiferenciadas do Hauteriviano a Barreminiano Inferior, Foto 3.

Duna de Oitavos (Esquema 1).jpg

Foto 2 –  A formação dunar de Oitavos apresenta-se parcialmente desmantelada, constituída por lâminas de arenitos de granulometria variada, por vezes muito grosseiros, essencialmente quártzicos e contendo, frequentemente, abundantes fragmentos de conchas. Estes sedimentos eólicos estão, no geral, bem consolidados por um cimento carbonatado.

As dunas costeiras são uma forma única entre as morfologias litorais resultantes da acumulação de materiais arenosos de origem marinha formadas pela ação do vento. Reconhece-se que a formação das dunas costeiras está dependente da existência de uma fonte de sedimentos, de um vento suficientemente forte para remover os sedimentos e de uma localização, em que pelo menos uma parte esteja afastada da atividade das ondas, para uma preferencial deposição de sedimentos.

A vegetação, quando presente, irá favorecer a retenção e fixação de sedimentos em movimento. Existem dois requisitos básicos para a formação de dunas costeiras: a disponibilidade de reservas adequadas de praia e ventos costeiros capazes de mover sedimentos em pelo menos metade do ano. As principais características das dunas costeiras passam primeiro pela presença de depósitos de praia, que constituem uma fonte de sedimentos, e, segundo, pelo papel do mar no transporte de sedimentos pela praia, e, terceiro, pelo papel essencial da vegetação em todas as fases de formação das dunas.

 

Fontes consultadas: 

https://www.researchgate.net/publication/328346371_Caraterizacao_do_sistema_dunar_Guincho-Crismina/citation/download

https://www.researchgate.net/publication/310767267_Ecological_restoration_of_coastal_sand_dunes_Guincho_beach_study_case_Portugal

http://repositorio.lneg.pt/bitstream/10400.9/886/1/Com93_p105.pdf

 

 

 

Leonardo da Vinci e a Geologia

O génio da Renascença morreu em 2 de maio de 1519, na França, dedicado a uma forma de pintura que seus contemporâneos criticaram e que hoje perdura. Há 500 anos Leonardo da Vinci deixou também marcas nos estudos de anatomia e na Geologia.

A vida de Leonardo da Vinci abrangeu 67 anos do Renascimento, uma época de descoberta e expansão, mas também de conflito e guerra. Naquele tempo, a “Itália” gozou uma fase de prosperidade e proeminência sem precedentes, transformando-se na pedra angular de um dos períodos de criatividade mais prolíferos da história da civilização.

Leonardo nasceu em 1452, quase ao mesmo tempo que Johannes Gutenberg apresentava, na cidade alemã de Mainz, a imprensa de tipos móveis. Tinha apenas um ano quando Constantinopla, a capital do Império Bizantino, caiu nas mãos dos turcos otomanos, no dia 29 de maio de 1453. Em 1492, quando Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo, Leonardo tinha 40 anos.

Nos últimos meses que Leonardo passou em Florença, aproximadamente desde o final de 1507 até ao início de 1508, o seu domínio da anatomia humana alcançou níveis sem precedentes. O artista empreendeu então um programa de meticulosas dissecações de cadáveres, documentadas com desenhos muito pormenorizados acompanhados por apontamentos. Em 1508 Leonardo partiu para Milão com todos os seus bens. Jamais voltou a Florença, cidade onde tinha vivido desde o seu nascimento.

Em Milão encontrou toda a liberdade para cultivar os seus interesses científicos, tentou reorganizar e ordenar os seus cadernos de apontamentos. Estudou a água e as origens da Terra e retomou o seu interesse pelo voo. Nenhuma dessas tentativas de reordenação e compilações, porém, lhe pareceu satisfatória e, por fim, nada publicou.

Leonardo e a Geologia

Foi na cidade lombarda que Leonardo começou a viajar pelas montanhas. No início visitou os Alpes, onde tirou apontamentos e fez esboços. Com grande esmero, descreveu e documentou plantas e animais (sem deixar de fora as aves). Fez anotações e nas suas caminhadas estudou fósseis e formações geológicas. Leonardo da Vinci formulou várias da primeiras especulações científicas contemporâneas sobre geologia e história natural. Os seus desenhos das falésias mostram claramente os estratos de diferentes épocas geológicas.  No tempo de Leonardo não se falava em evolução das espécies, nem em uniformitarismo e a Terra era imutável, dominando o pensamento Criacionista., Foto 1.

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Foto 1– Leonardo Da Vinci em Milão. O desenho é datado de 5 de agosto de 1473 e muitos historiadores identificaram a paisagem como sendo a Cascata delle Marmore, uma das cascatas artificiais mais altas da Europa, localizada a 7,5 quilómetros de Terni, em Úmbria, na Itália.

Leonardo da Vinci referiu nos seus apontamentos que «por cima da Itália, onde voam multidões de pássaros, nadavam outrora cardumes inteiros de peixes. Se as conchas tivessem estado na água revolta de um dilúvio, encontrar-se-iam misturadas e separadas e não em níveis regulares, por camadas, como as vemos atualmente».

Os fósseis para Leonardo foram, portanto, depositados no fundo de um mar, que estagnou durante muito tempo, ou seja mais de quarenta dias. Para explicar como o «leito do mar surgiu no ar” e os relevos montanhosos, o toscano imaginava que uma imensa caverna teve de se abater , perfurada pelos cursos das fontes. A Terra de que dela se separou, aliviada do peso da parte desmoronada e da água que a cobria, elevou-se em altura. Assim se explicavam as «conchas marinhas das ostras que vemos nas altas montanhas». Esta ideia de desmoronamentos perdurou até ao século XVIII.

Leonardo passou os três últimos anos da sua vida no Château de Clos Lucé em Amboise (França), a convite de Francisco I e aí faleceu em 2 de maio de 1519.

 

 

Viagem ao Jurássico Superior da Bacia Algarvia

Na costa meridional do litoral algarvio, a nordeste de Sagres, próximo da localidade de Raposeira, concelho de Vila do Bispo, localiza-se a Praia do Zavial, Foto 1. Nos afloramentos desta praia é possivel observar o registo de duas bacias  distintas superimpostas, uma de idade mesozóica e outra cenozóica.

Miocénico e Cretácico (Zanvial)

Foto 1 – A: A Praia do Zavial, apresenta cerca de 600 metros de areal e encontra-se “esculpida” entre dois promontórios, o que justifica a designação geomorfológica de praia encaixada, exposta a um regime de agitação marítima pouco energético. Excerto da adaptado da Carta Geológica de Portugal na escala 1/50 000, Folha 51-B; Manuppella, 1972).  B: Localização da Praia do Zanvial no Barlavento Algarvio; C: Contacto por falha do Jurássico Superior.

Pequeno resumo

A Bacia do Algarve ter-se-á desenvolvido num regime tectónico de estiramento e adelgaçamento da placa litosférica associado à abertura do Atlântico Central e à propagação do mar de Tétis para ocidente com eventual formação de crosta oceânica entre o Algarve e o Norte de África. O levantamento e o desmantelamento da Cadeia Varisca associada ao início do rifting continental, entre o Triásico superior e a base do Jurássico terão dado início à sedimentação triásica. Essa sedimentação foi uniforme até ao Sinemuriano mas depois a bacia mesozóica dividiu-se em duas sub-bacias separadas por um alto estrutural, tendo como consequência diferenças de fácies e de espessuras na sedimentação jurássica. Apenas durante o Caloviano (final do Jurássico médio) e o Titoniano (final do Jurássico superior) foi novamente alcançada a uniformidade de sedimentação na bacia devido à ocorrência de fenómenos de uplift.

Miocénico

Do ponto de vista estrutural, a Bacia Algarvia formada por duas bacias distintas superimpostas, uma de idade mesozóica e outra cenozóica. A primeira (final do Triásico ao Cenomaniano) terá resultado da estruturação distensiva da bacia e da subsidência devido à fracturação e ao estiramento litosférico,  que culminou na fragmentação da Pangeia. Pelo contrário, a segunda (Paleogénico ao Quaternário) terá sido formada numa fase de pós-rifting. Uma descontinuidade (geralmente discordância angular) separa as duas bacias sendo testemunhada no campo por uma superfície transgressiva bioerosiva, podendo os sedimentos neogénicos assentar diretamente sobre o Mesozoico ou o Paleozoico, Foto 3 e Foto 4.

Cretácico 1 (Zanvial)

Foto 3 – Afloramentos na arriba Este da Praia do Zanvial.  A transição entre os depósitos sedimentares do Mesozóico e do Cenozóico está, em quase toda a região, marcada por uma discordância que se traduz numa superfície de erosão sub-aérea desenvolvida na sequência de importantes movimentos epirogénicos positivos. Esta superfície representa uma lacuna estratigráfica que cobre todo (Algarve Ocidental) ou parte (Algarve Oriental) do Cretácico superior e Paleogénico. Desta forma, o Cenozóico algarvio está praticamente restringido ao Neogénico, incluindo sedimentos do Miocénico, Pliocénico, Plistocénico e Quaternário, e cobre importante área emersa da bacia, sobretudo na região central e oriental.

Cretácico 11as (Zanvial)

Foto 4 – Observação de formações do Cretácico Inferior sobrepostas discordantemente pelo Miocénico inferior e médio depositados num canal pré-miocénico e miocénico: estrutura sinclinal de reactivação de falhas de rifting pela inversão tectónica (compressão) polifásica. A Formação de Lagos-Portimão (Miocénico) aflora continuamente ao longo do litoral, desde Lagos (Porto de Mós) a Albufeira (Olhos de Água), numa extensão de cerca de 45 Km, podendo ainda ser encontrada em pequenas manchas dispersas pelo Algarve (litoral e interior). Embora com algumas variações laterais de fácies, é essencialmente constituído por rochas carbonatadas siliciclásticas com frequentes extraclastos de quartzo rolado e ocasionalmente clastos arredondados de calcários margosos cretácicos, e rica em macrofósseis (lamelibrânquios, gasterópodes, equinodermes, rodólitos, ostraídeos,  etc.), constituindo, por vezes, fácies lumachélicas. Os calcarenitos são mais arenosos no topo indicando aumento dos acarreios detríticos continentais.

Cretácico 

A sedimentação cretácica ocorreu em ambientes de deposição carbonatados, variáveis de lagunares a marinhos, ao longo de 3 ciclos transgressivos-regressivos. Estes ciclos foram por duas vezes interrompidos (no final do Berriasiano e no Barremiano) por instabilidade tectónica com movimentação compressiva, o que originou lacunas no registo estratigráfico no Algarve, Foto 5.

Ccretácico 11as (Zanvial)

Foto 5 –  O período Cretácico, sobretudo o Cretácico inferior, caracteriza-se pelo registo de condições climáticas tropicais a subtropicais que indicia um aquecimento global. A regressão ocorrida no Cretácico inferior obrigou a sedimentação marinha, no território europeu, a ficar restringida a algumas bacias de rift, seguindo-se uma subida gradual do nível do mar que culminou numa transgressão epicontinental ainda mais importante do que a observada no Jurássico. Esta transgressão levou a maior parte do terreno europeu a ficar imerso, representando a Península Ibérica uma das principais ilhas.

Um  aspecto relevante do Cretácico é a existência de  de fenómenos magmáticos no Cretácico superior de que o maior exemplo é o Maciço Intrusivo alcalino de Monchique que aflora no Algarve Ocidental e é essencialmente constituído por sienitos nefelínicos. Ocorrem ainda outros produtos vulcânicos representados por diques, soleiras, pequenas escoadas lávicas, chaminés vulcânicas e brechas dispersas no interior da bacia. Este magmatismo cretácico está associado ao contexto geodinâmico da margem sudoeste da Ibéria a partir do Aptiano, caracterizado por progressão para norte da abertura do Atlântico e rotação da Península Ibérica que gerou reactivação de fracturas profundas na crosta, utilizadas por condutas dos líquidos magmáticos mantélicos.

Jurássico Superior 

A passagem Jurássico-Cretácico está marcada por uma regressão marinha e pela instalação generalizada de meios salobros, como pântanos litorais, drenados por canais de maré, com invasões esporádicas de águas doces. No Algarve Ocidental e Central depositaram-se Margas, dolomitos e calcários de fácies purbequianas que correspondem ao fim do ciclo transgressivo-regressivo iniciado no Jurássico superior.

Na arriba Oeste da praia é possível observar formações do Malm: dolomitos do Kimeridgiano ao quais se sobrepõem calcários margosos margas e argilas do Portlandiano (atualmente corresponde ao Titoniano) . A sequência encontra-se afectada por falhas normais sin-sedimentares de direcção próxima de N-S, definindo no seu conjunto (à escala de toda a arriba) uma estrutura do tipo “bookshelf”, Foto 6.

Mapa 1.jpg

Foto 6 – Afloramento da arriba oeste com rochas do Malm (Jurássico superior). Marcada a amarelo na fotografia ocorre um nível conglomerático entre estratos de natureza carbonatada. Durante o Jurássico inferior, a subida do nível do mar causou um generalizado movimento transgressivo tendo-se, a partir do Sinemuriano, depositado importantes sedimentos carbonatados numa plataforma litoral. O Jurássico é, assim, essencialmente caracterizado por calcários, dolomitos e margas, indicando a instalação definitiva de um ambiente marinho na Bacia Algarvia com a ocorrência de vários episódios de transgressão-regressão. Dois importantes hiatos ocorreram entre as unidades jurássicas, uma durante o Aaleniano, e a outra do Caloviano superior ao Oxfordiano médio, devido a eventos de uplift associados a episódios de tectónica compressiva.

Conglomerados

Na sequência de estratos na arriba oeste ocorre um nível conglomerático, Foto 7, no seio de rochas carbonatadas (Titoniano). Estas rochas apresentam uma cor avermelhada devido à presença de óxidos e hidróxidos de ferro.  Estes estratos são explicados por uma emersão da bacia sedimentar durante um intervalo de tempo o que apoia uma regressão na passagem do Jurássico Superior para o Cretácico.

Miocénico e Cretácico (Zanvial)-2

Foto 7 – Afloramento na arriba oeste com um nível conglomerático em paraconformidade. Quando existem interrupções na sedimentação devido a fenómenos de erosão, não deposição de sedimentos, hiatos, por exemplo, e estas são de apenas, e no máximo, de alguns metros, existem discordâncias que correspondem a um intervalo muito curto de tempo, então são chamadas de Descontinuidades Sedimentares. As Paraconformidade são descontinuidades sedimententares onde não existe qualquer diferença de atitude entre as camadas, mas por vezes  faltam conjuntos litológicos.

Durante o Titoniano na bacia ocidental a sedimentação ocorreu numa  plataforma interna de fraca energia, quase sempre não confinado, com influências continentais.

Em resumo, após a regressão do Caloviano – Oxfordiano, o ciclo de sedimentação do Jurássico superior é transgressivo do Oxfordiano médio a superior ao Kimeridgiano  médio, a que se seguiu um período regressivo que atingiu um máximo, sem emersão, na passagem Titoniano – Cretácico e que durou até ao fim do Berriasiano. Provavelmente esta regressão corresponde a uma descida do nível eustático do mar associada a tectónica continental, uma vez que se formaram estruturas quer compressivas quer distensivas (Terrinha, 1998). Este último evento terá provocado uma uniformização de fácies em toda a bacia. Do ponto de vista ecológico caracteriza-se por faunas amoníticas tipicamente tetisianas. A fase de rifting assinalada na Orla Ocidental no Jurássico superior, parece não ter existido no Algarve,

Fontes consultadas:

Cachão, M., 1992. A Formacao Miocenica de Mem Moniz (Algarve, Portugal). Actas Cong. Geol. Espana I, 492-496.

Cachão, M., 1995a. O Neogenico do Algarve: redefinicao de unidades litostratigraficas. Mem. Mus. Lab. Min. Geol. Fac. Ciencias Univ. Porto 4, 63-67.

Cachão, M., 1995b. Utilizacao de Nanofosseis calcarios em Biostratigrafia, Paleoceanografia e Paleoecologia. Aplicacoes ao Neogenico do Algarve e do Mediterraneo Ocidental (ODP 653) e a problemática de Coccolithus pelagicus. Tese Doutoram. Fac. Cienc. Univ. Lisboa, 356 p.

Correia, F. (1989) – Estudo bioestratigráfico e microfacies do Cretácico carbonatado da bacia sedimentar meridional portuguesa (Algarve). Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Doutor em Geologia. Departamento de Geologia da FCUL, Lisboa, 377 p.

Correia, F. (1996) – Estudo do Recuo das Arribas a Leste de Quarteira (Algarve, Portugal) por Restituição Fotogramétrica. Dissertação apresentada à Universidade do Algarve para obtenção do grau de mestre em Estudos Marinhos e Costeiros. Ramo Gestão Costeira. Faro, p.16-18.

Manuppella G. 1992. Carta geológica da região do Algarve na escala 1:100.000, Notícia explicativa da Carta Geológica da região do Algarve. Serv. Geol. Portugal, Lisboa.

Ribeiro A., Antunes M.T., Ferreira M.P., Rocha R.B., Soares A.F., Zbyszewski G., Almeida F.M., Carvalho D., Monteiro J.H. 1979. Introduction à la Géologie Génerale du Portugal. Serv. Geol. Portugal, Lisboa.

Rocha F. 1993. Argilas aplicadas a estudos litoestratigráficos e paleoambientais na bacia sedimentar de Aveiro. Tese de Doutoramento, Universidade de Aveiro.

Rocha R.B. 1976. Estudo estratigráfico e paleontológico do Jurássico do Algarve ocidental. Ciências Terra 2. UNL, Lisboa.

 

Rochas – arquivos da História da Terra

Todas as rochas, de um forma ou de outra, fornecem informações sobre o passado da Terra. Um pequeno resumo sobre os conteúdos do programa de Biologia e Geologia 10º/11º ano. 

Para estudar a História geológica de uma região é necessário medir as idades dos principais acontecimentos geológicos e assim reconstruir a História da Terra ao longo dos diferentes períodos da escala do tempo geológico.

Existem diversos métodos de datação, com destaque para os “relógios” sedimentológicos. Estes baseiam-se na composição litológica dos estratos e das relações entre si, permitindo a sua datação relativa com base nos princípios litostratigráficos, Foto 1.

Relevo Cársico (Boca do Inferno)

Foto 1 – Afloramento de Lapa das Pombas (Almograve).  Deste pequeno porto de pesca artesanal, situado a sul da praia do Almograve, a paisagem avistada é excelente. Pode-se observar a azáfama dos pescadores, a avifauna, a geologia do local e o importante sistema dunar. Turbiditos da Formação de Mira (Paleozoico), constituído por uma sequência de xisto e grauvaques, por vezes finamente estratificados onde predomina o xisto cinzento argiloso e um grauvaque cinzento claro. Este afloramento de turbiditos encontra-se dobrado. A: Princípio da incusão, fragmentos de rochas incorporadas ou incluídos numa rocha (no caso o conglomerado) são mais antigos do que a rocha que os engloba. B: Estratos dobrados e o princípio da sobreposição. Segundo este princípio numa sequência de estratos sedimentares não deformados, os estratos mais antigos são os que se localizam por baixo e os mais recentes são os que se localizam por cima.

É possível determinar a idade absoluta de alguns processos geológicos recentes com base nas varvas (depósitos formados pelos ciclos de gelo-degelo).

Os “relógios” paleontológicos baseiam-se no estudo de organismos fossilizados. A biostratigrafia data e correlaciona os estratos de acordo com o conteúdo fóssil, no qual as rochas com associações de fósseis iguais devem ter a mesma idade.

A dendrocronologia permite a datação absoluta usando o padrão dos anéis de crescimento das árvores.

A datação absoluta é realizada recorrendo-se a datações radiométricas e à magnetostratigrafia. A radiometria depende da existência de uma taxa constante, com acumulação do isótopo-filho nos minerais ou rochas. Com base na datação das rochas, os geólogos elaboraram uma tabela cronostratigráfica com diversas divisões. A informação sobre os paleoambientes é mais completa em idades mais recentes (Fanerozóico), permitindo uma melhor caracterização e divisão da tabela.

O sucesso científico de James Hutton assentou na observação de fenómenos geológicos atuais e na consequente extrapolação dos dados para o passado da Terra, o que levou a considerar uma dimensão infinita para o tempo Geológico.

Esta metodologia esteve na base do atualismo, cujo princípio básico – o princípio das causas atuais – ainda hoje utilizado em Geologia se pode resumir numa simples frase:

«O presente é a chave do passado». 

Praia da Falésia e a Formação de Ludo

Divertimento e geologia

Tendo como pano de fundo a longa falésia que se pinta de tons avermelhados, acobreados ou dourados, atinge o seu momento de beleza máxima ao entardecer. O imenso areal, que se estende por vários quilómetros entre os Olhos de Água e Vilamoura, possui diversas áreas concessionadas.

Aquela que é designada por Praia da Falésia ou das Açoteias (nome que se deve ao aldeamento turístico das redondezas) fica na zona central e é uma praia de mar tranquilo, com bons acessos por estrada alcatroada. Oferece uma panóplia de desportos náuticos para divertimento dos veraneantes. Divertimento e geologia.

Praia da Falésia (F de Ludo)-45

O Cenozoico em Portugal

Em Portugal continental o Cenozoico ocorre largamente, inserido no contexto de distintas bacias. Mesmo numa mesma bacia, o registo sedimentar apresenta significativas variações laterais, em fácies e em espessura. Contudo, as principais ruturas sedimentares e as características litológicas gerais são bastante semelhantes nas várias bacias, refletindo a evolução geodinâmica da Ibéria e as variações eustáticas e climáticas durante o Cenozoico, Foto 1.

Equinodermes (Montegordo)

Foto 1 –  A geologia da região do Algarve pode ser dividida em dois grandes grupos: o substrato Varisco, correspondente à Zona Sul Portuguesa e a bacia sedimentar Meso-Cenozoica, ou Bacia Algarvia, que assenta em discordância sobre o primeiro.

A Bacia Algarvia, localizada entre o Cabo de S. Vicente e o Rio Guadiana, é constituída por mais de 3000 metros de sedimentos, essencialmente marinhos, Foto 1 acumulados durante o Mesozoico e o Cenozoico, que assentam discordantemente sobre o substrato Paleozoico da Zona Sul Portuguesa. O enchimento sedimentar da Bacia Algarvia passou por várias etapas deposicionais, intensamente relacionadas com eventos tectónicos distensivos e compressivos em associação com variações do nível do mar.

Durante o Cenozoico a Ibéria sofreu uma intensa deformação compressiva intraplaca que tem sido relacionada com dobramento litosférico. É atualmente aceite que a litosfera ibérica foi deformada por uma compressão  máxima genericamente de N-S, contudo, desde o Miocénico final esta terá rodado para NW-SE. A sedimentação cenozóica do Algarve tem continuidade paleogeográfica com a Bacia de Guadalquivir. Em terra, os Conglomerados de Guia constituem uma ocorrência local e poderão representar o Paleogénico, Foto 2.

Formação de Ludo (Falésia)

Foto 2 – O Miocénico está registado pelos calcarenitos da Formação de Lagos-Portimão do Burdigaliano a Serravaliano, pela Formação de Mem Moniz, compreendendo espongolitos, arenitos finos e calcários do Serravaliano final ou Tortoniano, e pela Formação de Cacela que consiste em sedimentos finos, lagunares a marinhos, do Tortoniano final a Messiniano.

Formação de Ludo na praia da Falésia

A Formação do Ludo, anteriormente denominada por Areias de Faro-Quarteira tem a cobertura mais extensa da Bacia Algarvia e assenta sobre a maioria dos terrenos anteriores. A sua espessura é muito variável e não ultrapassa os 70 m. Esta formação é composta por cinco unidades: Areias da Falésia, Areias de Monte Negro, Areias de Quarteira, Areias do Ludo e Areias e cascalheiras de Gambelas. De uma forma geral ela é composta por areias predominantemente de grão médio a fino podendo apresentar-se com granulometria mais grosseira em alguns locais. Também possui na sua composição sedimentos feldspáticos arenosos e de argila. Em alguns lugares são encimadas por cascalheiras com seixos rolados de quartzo, quartzito e grauvaque, principalmente. As tonalidades dos sedimentos são no geral claras e variam entre branco, amarelo, laranja e rosa. Os sedimentos desta unidade correspondem no geral a um ambiente fluvial apresentando-se também com intercalações de sedimentos que sugerem ambiente marinho, Foto 3.

Postal

Foto 3 – O enchimento da bacia cenozóica culmina com a Formação de Ludo/Areias de Faro-Quarteira. Inseridos já na etapa de encaixe da rede hidrográfica, existem vários níveis de terraços, areias eólicas e aluviões.

Ao longo de quase toda a costa Sul algarvia, com maior incidência entre Quarteira e Faro, afloram depósitos siliciclásticos com uma coloração avermelhada resultante do seu conteúdo em óxidos de ferro. Ao conjunto desses depósitos foi atribuída a designação de  Formação do Ludo. Os membros pertencentes a esta formação assentam tipicamente sobre um paleorelevo desenvolvido sobre as litologias carbonatadas, miocénicas ou mesozóicas. Da base para o topo, apresentam uma sucessiva continentalização. Apresenta nítidas características de um ambiente fluvial apresentando-se também com intercalações de sedimentos que sugerem ambiente marinho.

Fontes consultadas:

https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3650/1/ulfc055871_tm.pdf

https://run.unl.pt/bitstream/10362/2351/3/Mia09-PCunha%20et%20al.pdf

https://www.researchgate.net/publication/257427841_A_Bacia_do_Algarve_Estratigrafia_Paleogeografia_e_Tectonica

 

Bacia Cenozóica do Algarve

Uma viagem à bacia cenozoica do Algarve e um pequeno glossário sobre geomorfologia marinha e outros conceitos associados. Preparação para exame de Biologia e Geologia 11º – Ocupação antrópica e problemas de ordenamento do litoral. 

O litoral de Portugal continental é constituído essencialmente por costas baixas, arenosas ou rochosas e por alguns setores com costas altas. A fisionomia irregular da linha de costa ao longo dos, aproximadamente, 963 km , deve-se à sua variável composição geológica, na medida em que que, os materiais rochosos são mais resistentes aos agentes erosivos (ventos e marés) que os materiais detríticos. No troço entre o Cabo de S. Vicente e Vilamoura há uma baixa dinâmica sedimentar, que alimentam pequenas praias de enseada, onde predominam as costas altas (maioritariamente calcárias).

Este litoral entre a Ponta da Piedade e Lagos apresenta desenho muito rendilhado sendo possível, com frequência, deduzir o antigo modelado cársico agora em fase de destruição. É o que se verifica na Ponta da Piedade, cujo contorno complexo advém nitidamente da coalescência .de vários algares. A Ponta da Piedade é conhecida por suas belas formações rochosas, cavernas, grutas ao longo da costa do barlavento algarvio. Considerado um dos locais mais belos de toda a região sul de Portugal das suas falésias avistam-se curiosas formações rochosas, onde o mar esculpiu ao longo do tempo geológico, originando curiosas configurações, Foto 1.

Ponta da Piedade (Miocénico) f1

Foto 1 – Bilhete postal das esculturas naturais na Ponta da Piedade, leixões e arcos marinhos na costa meridional algarvia. Estas formas geológicas resultam da interacção dos factores da geodinâmica interna e externa, aliados a processos de erosão diferencial. As rochas pertencem à Formação margo-carbonatada de Lagos-Portimão (Miocénico médio) onde a sua sua base corresponde aos primeiro depósitos sedimentares argilosos de fácies lacustre e margas de fácies salobras, testemunhos da subida gradual do nível eustático-freático. Sobre estes depositam-se biocalcarenitos ricos em moldes de moluscos, com numerosas valvas de ostras e equinídeos que testemunham uma sedimentação tipicamente marinha.

O Cenozoico da Bacia do Algarve

As formações do Miocénico ocupam, atualmente, uma extensão relativamente grande, embora inferior à que teriam tido inicialmente, a avaliar pelos numerosos retalhos dispersos, Foto 2.

Ponta da Piedade (Miocénico)-11.jpg

Foto 2 – Os terrenos de idade miocénica afloram no Algarve junto à costa, desde Sagres (a ocidente) até Cacela (a oriente), assentando discordantemente ou contactando por falha, quer sobre o Jurássico quer sobre o Cretácico, constituindo arribas relativamente frequentes, sobretudo entre Lagos e Olhos de Água.

Bacia Cenozoica do Algarve

Os sedimentos do Cenozoico cobrem uma vasta área da região emersa da Bacia Algarvia, sendo predominantes no sector Central e Oriental.  A transição do Mesozoico para o Cenozoico está bem marcada por uma discordância que traduz uma erosão subaérea, ocorrida no seguimento de importantes movimentos epirogénicos positivos, Foto 3. O Paleogénico Superior está apenas representado na região da Guia pela unidade Conglomerados e Argilas da Guia, constituída por níveis conglomeráticos com calhaus rolados de calcário, ligados por uma matriz argilosa avermelhada. No entanto, a idade desta formação é muito controversa, dada a ausência de grupos fósseis, tendo-lhe sido atribuída diversas idades desde o Cretácico ao Miocénico. Assim, considera-se que o Cenozoico da Bacia Algarvia, está praticamente limitado a sedimentos do Neogénico, incluindo depósitos do Miocénico, Pliocénico e Quaternário, apresentando, em conjunto, uma espessura sempre superior a 300 m.

Ponta da Piedade (Miocénico)-14Foto 3 – Os sedimentos do Neogénico podem ser agrupados em dois grandes grupos litológicos, que traduzem duas sequências sedimentares, separadas por um hiato temporal associados a eventos tectónicos e fatores paleogeográficos. A primeira sequência, designada por 1ª Sequência Sedimentar Neogénica ou Sequência Carbonatada, que aflora essencialmente no Algarve Ocidental, é constituída por calcários litificados, fossilíferos, e rochas carbonatadas, com macrofósseis. Assenta diretamente sobre os sedimentos do Paleozoico e do Cretácico. A segunda, a 2ª Sequência Sedimentar Neogénica ou Sequência Arenítica, está bem representada no sector Oriental, embora também aflora no sector Central, é formada por arenitos finos, com poucos fósseis, e arenitos grosseiros, branco a avermelhados. Geralmente assenta sobre a série carbonatada do Neogénico mas, por vezes, surge a contactar diretamente com o Paleozoico ou o Mesozoico.

Assim, enumeram-se de seguida essas unidades, da base para o topo (Foto 3):

  • Formação de Lagos – Portimão (Miocénico), que inclui: Membro “Biocalcarenito de Lagos”, Membro “Calcários e Margas de Côrte do Bispo” e Membro “Arenito carbonatado dos Olhos de Água”;- Formação de Cacela (Miocénico), composta pelos Membros: “Conglomerados e areolas fossilíferasde Ribeira de Cacela”, “Areolas e argilitos de Cacela Fábrica” e “Areolas e arenitos grosseiros de Galé-Oura”;
  • Formação de Ludo (Plio-Plistocénico), formada pelos Membros: “Areias fossilíferas de Monte Negro – Praia da Falésia”, “Areias de Faro – Quarteira” e “Areias e cascalheiras de Gambelas”.

O Holocénico está representado por areias dunares de praia atuais e antigas, terraços fluviais, tufos calcários, cascalheiras e areias de duna consolidada. As ilhas barreira da Ria Formosa são consideradas as mais importantes estruturas geológicas do Holocénico, formadas por um cordão arenoso, que se estende desde Ancão até Cacela.

Pequeno Glossário (em construção)

Abrasão – ação essencialmente mecânica do mar sobre o litoral.

Baía – consiste numa reentrância da costa ou uma entrada encurvada do mar, geralmente entre dois cabos, de forma semicircular e com um tamanho intermédio entre o golfo e a enseada, que se forma quando uma laguna costeira é assoreada, que culmina com um pequeno trecho côncavo no litoral marinho, delimitado por dois cabos.

Barra ou foz – zona de transição rio-mar, em geral, com depósitos de materiais detríticos.

Costas Baixas – As costas baixas surgem na zona costeira como geoformas litorais (praias, dunas, restingas, ilhas-barreira, plataformas de acumulação marinha, deltas, estuários, lagunas e rias), que tiveram origem num passado mais ou menos recente (Pleistocénico e Holocénico) e outras geradas no presente, muitas relacionadas com a degradação ou destruição daquelas.

Delta – rede de braços na foz de um rio, cuja geometria vai variando, à medida que decorre o avanço da sua construção sobre o meio marinho, por acumulação de detritos.

Deriva Litoral – nos litorais onde as ondas incidem obliquamente à costa, estas refratam-se à medida que se aproximam, vão mudando progressivamente de direção e originam uma corrente ao longo do litoral, designada por deriva litoral.

Derrocadas – queda por ação da gravidade de massas rochosas que se encontram sem suporte na sua base facilitada por fraturas pré-existentes.

Desabamentos – queda de blocos de rocha paralelepipédicos, irregulares e desordenados, atuados pelas forças da gravidade.

Deslizamentos – deslocamentos mais ou menos lentos de massas rochosas ao longo de uma superfície.

Dunas litorais – dunas localizam-se no limite interior da praia, têm uma orientação mais ou menos paralela ao mar e uma extensão variável que pode dar origem a cordões dunares. Formam-se quando os sedimentos finos (constituídos essencialmente por quartzo) e médios são transportados por ação do vento, em suspensão, saltação ou reptação. Posteriormente são depositados quando o vento perde energia ou aquando do seu transporte são retidos por um obstáculo. Em especial quando o clima é favorável, os sedimentos tornam-se mais leves, sofrem trânsito eólico e dependendo da topografia da praia são transportados para o interior e contribuem para a formação das dunas. Dependendo do grau de coesão dos sedimentos, as dunas podem ser designadas por consolidadas ou não consolidadas.

Estuário – Foz de um rio em que o meio fluvial se interpenetra com o meio marinho. Nos estuários, os sedimentos não se depositam como acontece nos deltas.

Fundos marinhos (planícies abissais) – grandes extensões dos fundos marinhos mais ou menos aplanadas com uma profundidade média de 4000 m. No Oceano Pacífico, surgem planícies abissais com grandes depressões ou fossas relativamente estreitas, mas que atingem os 10000 metros.

Geoconservação – conservação e gestão do Património Geológico e processos naturais a ele associados.

Geossítio – ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade (aflorantes quer em resultado da acção de processos naturais quer devido à intervenção humana), bem delimitado geograficamente e que apresente valor singular do ponto de vista científico, pedagógico, cultural, turístico, ou outro.

Ilhas-Barreira – ilhas-barreira, que consistem em bancos de areia alongados, que se localizam junto à linha da costa e paralelamente a esta, acima do nível atual do mar. Entre a ilha-barreira e a linha da costa pode existir lagoas costeiras, de baixa profundidade, com confluência no mar através de canais.

Linha de costa –  A linha de costa pode ser entendida como um limite físico localizado entre o ambiente marinho e o ambiente terrestre. Porém, muito se tem discutido acerca deste tópico, especialmente no que diz respeito ao seu dinamismo, resultante dos diferentes processos de origens naturais e antrópicas atuantes nesta particular região.

Nível de base – superfície hipotética de referência correspondendo ao nível médio das águas do mar, superfície segundo a qual os rios regularizam o seu perfil.

Património Geológico – conjunto de geossítios inventariados e caracterizados numa dada área ou região.

Plataforma de abrasão – modelado que surge no escarpado da linha de costa, originado por abrasão marinha.

Plataforma continental – zonas marinhas contíguas do continente, pouco profunda (até 200 m de profundidade) e cobertas dos sedimentos continentais.

Praia levantada ou terraços marinhos – elevação da costa relativamente ao nível do mar, como resultado da emersão em determinado período de tempo geológico, originando-se uma nova linha de costa em qualquer fase do seu desenvolvimento.

Praia –  corresponde a uma área do litoral constituída por materiais detríticos, arenosos, areno-siltosos e/ou grosseiros (calhaus e blocos), com uma forma retilínea ou arqueada, de comprimento, largura, orientação e declive variáveis, na medida em que, constituí um ambiente extremamente dinâmico.

Restringa ou Cabedelo – Quando um cordão dunar apresenta uma extremidade livre e móvel, e que se estende a partir da faixa costeira, esta geoforma também de costa baixa é designada por restinga ou cabedelo. Forma-se junto à desembocadura de um rio, que pela ação das marés e das correntes de deriva, os sedimentos são acumulados, o que leva à criação de robustos bancos de areia.

Ria – antigo vale fluvial submetido a imersão marinha tendo como resultado uma nova costa com muitos recortes e irregularidades.

Sequência negativa ou inversa – série de sedimentos finos na base de uma coluna litológica, progressiva deposição de materiais cada vez mais grosseiros. Esta sequência de deposição pode caracterizar uma transgressão marinha.

Sequência positiva ou normal – série sedimentar que se inicia pela deposição de materiais detríticos grosseiros, seguindo-se a deposição de materiais progressivamente mais finos. Pode caracterizar uma transgressão marinha.

Sequência rítmica – sequências ou ciclos sedimentares, que se repetem e, nos quais pode haver uma alternância entre a matéria de origem orgânica e matéria de origem mineral.

Sequências cíclicas ou bissequências – série cíclica sedimentar que se inicia sempre por uma deposição característica de uma transgressão seguida por uma outra série regressiva.

Série sedimentar – sequências de camadas de rochas sedimentares típicas, geralmente, em grupos de três (grés, calcário, argilas) e numa ordem constante.

Talude – zona em continuidade  com a plataforma continental, mas com grande declive e recortado por canhões submarinos.

Tômbolo – formação arenosa que liga o continente a uma ilha ou a outra ilha.

Zona Costeira – Extensão em terra e sob as águas do mar (plataforma continental), onde se encontram indicadores das variações do nível do mar (transgressões e regressões do mar) ocorridas durante o Quaternário superior, desde ± 115.000 anos BP até à atualidade.

Ilhas-Barreira – ilhas-barreira, que consistem em bancos de areia alongados, que se localizam junto à linha da costa e paralelamente a esta, acima do nível atual do mar. Entre a ilha-barreira e a linha da costa pode existir lagoas costeiras, de baixa profundidade, com confluência no mar através de canais.

 

Fontes consultadas :

ALBARDEIRO, L. (2004). Variações do Nível Médio do Mar no Algarve ao longo do Quaternário Superior. O Sector Praia da Galé – Praia de S. Rafael. Tese de Mestrado da Universidade do Algarve, Algarve, p.112.

ALMEIDA, A.C. (2009). Ambientes Litorais: Programa, Conteúdos e Métodos de Ensino. Relatório elaborado para provas de agregação em Geografia, na Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra.

ALVEIRINHO DIAS, J.M. (1988). Aspectos geológicos do litoral algarvio. Geonovas. Lisboa, 10: 113-128.

Kullberg, J. C., Rocha, R. B., Soares, A. F., Rey, J., Terrinha, P., Azerêdo, A. C., Callapez, P., Duarte, L. V., Kullberg, M. C., Martins, L., Miranda, R., Alves, C., Mata, J., Madeira, J., Mateus, O., Moreira, M. e Nogueira, C. R. (2013) – A Bacia Lusitaniana: Estratigrafia, Paleogeografia e Tectónica. In Dias, R. et al. – Geologia de Portugal, Volume II, Geologia Meso-cenozóica de Portugal. Escolar Editora, Lisboa. pp 195-348.

https://www.researchgate.net/publication/225498858_The_bioeroded_megasurface_of_Oura_Algarve_south_Portugal_Implications_for_the_Neogene_stratigraphy_and_tectonic_evolution_of_southwest_Iberia/citation/download

 

Sistema Terra-Lua (Preparação para exame)

Há 4500 milhões de anos, um astro do tamanho semelhante ao de Marte colidiu violentamente com a Terra. Assim se formou o nosso único satélite.

A hipótese mais consensual sobre a formação da Lua foi a do “impacto gigante”, segundo a qual o nosso satélite terá resultado dos restos de uma colisão do protoplaneta Terra co um hipotético planeta, batizado com o nome de Tea, durante as fases iniciais da formação do Sistema Solar. A Terra atual resulta assim da mistura de dois corpos e a Lua teria surgido dos materiais projetados pelo embate. Um incidente desta natureza coincide com os modelos informáticos de formação de sistemas planetários, que preveem colisões planetárias catastróficas e frequentes em momentos iniciais da formação de um planeta.

Provas da colisão

As rochas lunares e terrestres apresentam proporções idênticas de isótopos químicos, o que revela uma origem comum. Apesar disso, a Lua tem menor densidade do que a Terra e possui uma quantidade muito reduzida de ferro no seu núcleo. Caso se tivessem formado juntas, uma em redor da outra, ambas teriam proporções semelhantes de ferro. De acordo com outra corrente, o núcleo de ferro de Tea fundiu-se com o do protoplaneta Terra, retendo a maior parte dos elementos densos e deixando uma quantidade residual na Lua, Figura 1.

Lua 1

Figura 1 –  As crateras de impacto apresentam uma forma circular e diâmetro variável. São depressões que se encontram dispersas, existindo quer nos mares quer nos continentes lunares. O rebordo das crateras é sobrelevado e no centro surgem formações cónicas resultantes das ondas de descompressão que se geram após os impactos. Nem todas as crateras foram ocupadas por magmas, apresentando-se muitas delas preenchidas por um material que foi fundido e fragmentado. Os mascons, presentes em algumas regiões da Lua, são regiões rochosas de massa muito concentrada, localizadas nos mares lunares e detetadas por anomalias gravimétricas. Admite-se que os mascons estejam relacionados com a ascensão de magma basáltico, de elevada densidade, proveniente do manto lunar, que preencheu depressões originadas pelos impactos de corpos celestes.

Evolução da Lua

Até adquirir a sua configuração atual, a Lua teve de passar por etapas sucessivas. As suas crateras e mares narram a história violenta de um astro aparentemente tranquilo.

Restos do embate

A Lua, uma grande bola de magma formada pelos restos do impacte de Tea com o protoplaneta Terra, foi arrefecendo até gerar uma crosta superficial, com magma subjacente.

Grande Impacte no pólo lunar 

Há cerca de 4300 milhões de anos, um impacte de proporções colossais formou a bacia de Aitken junto do pólo sul lunar. A colisão foi de tal magnitude e violência que projetou escombros até ao lado oposto da Lua.

Bombardeamentos e as primeiras crateras

Entre os 4.100 e 3.800 milhões de anos ocorreu o Grande Bombardeamento Tardio, uma chuva de asteroides e cometas que deu origem à maioria das crateras lunares. Os grandes impactes quebraram a fina cobertura da face visível formando enormes bacias de magma.

Vulcões e Mares Lunares

Entre 3.800 e 1.000 milhões de anos, a atividade vulcânica resultante criou vastas planícies de lava que, ao arrefecerem, geraram os mares lunares, de aparência mais escura do que as zonas altas circundantes, devido ao teor de ferro mais elevado do basalto.

Formação de crateras intermédias

Os impactes sobre a Lua continuaram durante muito tempo, mas os corpos que a atingiram foram mais pequenos que os do Grande Bombardeamento Tardio. Deste modo a topografia atual acabou por consolidar-se.

Características do Sistema Terra-Lua

As rochas da Lua

EXERCÍCIO DE EXAME

Depósitos de água e exploração lunar

A Lua, satélite natural da Terra, apresenta morfologia irregular, alternando regiões montanhosas muito acidentadas com regiões baixas e muito planas. Como a Lua não possui atmosfera, qualquer substância na sua superfície está diretamente exposta ao vácuo. A temperatura lunar varia, ao nível do solo, entre 130 °C, nas condições de insolação máxima, e –200 °C, nas condições de insolação mínima. No entanto, a Lua não é o planeta «seco» que se imaginava que fosse, e a possível origem da água lunar tem alimentado diversas pesquisas científicas. Alguns cientistas defendem que a Lua se formou pela fusão e pelo posterior arrefecimento de fragmentos resultantes da colisão de um corpo espacial com a Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Ter-se-á, então, formado na Lua um «mar» de magma, onde haveria água, podendo parte desta ter ficado retida nos minerais em cristalização. A partir de dados recolhidos pela missão Lunar Prospector (1998), a NASA anunciou a existência de água gelada quer no polo sul, quer no polo norte. No início, o gelo parecia estar dispersamente misturado com o rególito lunar (rochas superficiais, solo e poeira) em baixas concentrações (0,3% a 1%). Todavia, os últimos resultados mostram que a água, sob a forma de gelo, está concentrada em áreas localizadas no subsolo, em latitudes elevadas. Estes dados parecem indicar que o gelo lunar terá tido origem em cometas e em meteoritos que continuamente atingiram a Lua nos primeiros momentos da sua formação. A existência de água na Lua poderá tornar possível a instalação de células de combustível neste planeta. As células de combustível são dispositivos eletroquímicos que transformam continuamente energia química em energia elétrica, utilizando o hidrogénio. A descoberta de água lunar pode funcionar como impulsionadora de novas explorações espaciais, tanto mais que as naves espaciais utilizam cerca de 85% do seu combustível para saírem da influência da gravidade da Terra.

 Baseado em http://nssdc.gsfc.nasa.gov (consultado em novembro de 2011)

  1. A Terra é um planeta telúrico, pois
    (A) é interior à cintura de asteroides.
    (B) apresenta baixa densidade.
    (C) é um planeta de reduzidas dimensões.
    (D) apresenta crusta silicatada.
  2. Na Lua, a atividade geológica
    (A) externa é promovida pela existência de água.
    (B) externa é evidenciada por crateras de impacto.
    (C) interna é favorecida por correntes de convexão.
    (D) interna atual é evidenciada por escoadas lávicas
  3. Explique de que modo a recente descoberta de água na Lua poderá ser vantajosa em futuros programas de exploração espacial.