Cortes Geológicos

Os chamados «cortes geológicos» podem conter uma quantidade imensa de informação, embora determinar as relações temporais, entre as várias unidades rochosas pode ser um verdadeiro quebra-cabeças.

Mas como é possível reconstituir, a partir de simples calhaus, uma história acerca de algo que aconteceu há mais de dois mil milhões de anos? - perguntava-me à dias um aluno de sétimo ano.

A verdade é que interpretar os indícios exige conhecimentos profundos de geologia, para além de muita experiência na reflexão sobre as rochas, manuais de datações absolutas, etc… mas! alguns elementos básicos, contudo, são bastante simples, sendo na verdade apenas aplicações do senso-comum. E foi esse senso comum que Darwin aplicou na viagem no Beagle. Mas ele aplicou princípios que outros naturalistas tinham aplicado antes, Steno, Hutton e Lyell apenas para citar os mais importantes.

Senso-comum! Veja-se o exemplo do tempo! Pelo menos o tempo  relativo, isto é saber se uma rocha ou formação rochosa é mais antiga ou mais recente do que as suas vizinhas, pode muitas vezes ser deduzido de forma muito simples. Por exemplo:

  • numa sequência de sedimentos, os depósitos mais antigos estão geralmente por baixo e os mais recentes por cima.
  • noutras rochas, as relações de contacto são muitas vezes a chave: se um corpo ígneo, ou uma falha, corta outra formação rochosa, o acidente é claramente mais recente do que aquelas formações.

São exemplos simplistas? Pois a verdade, é através deles que muitas vezes os geólogos conseguem deduzir as idades relativas, mesmo em situações de grande complexidade. Só quando esta tarefa está concluída é que podemos reconstituir a sequência correcta dos factos geológicos.

Vamos a um exemplo : Procura resolver este quebra-cabeças.

corte-geologico

Vamos ver a solução? Já conseguiste resolver?

A. Depósito de sedimentos, depois metamorfismo e enrrugamento (dobramento).

B. Intrusão de magma granítico nos sedimentos metamorfizados.

C. Desenvolvimento de uma superfície de erosão nas unidades A e B, por meteorização da superfície terrestre (o que indica que A e B foram elevadas, uma vez  que tanto o metamorfismo de A como a intrusão de B ocorreram no interior da crosta)

D e F.  Depósito de camadas sedimentares por acção de um curso de água.

G. Desenvolvimento de uma falha (note-se que a falha não corta as unidades mais novas do que F, estando agora inactiva)

H. Nova superfície de erosão (note que, uma vez que as unidades D, E e F, como todos os sedimentos estavam horizontais quando foram depositadas, toda esta área foi basculada antes da erosão.Pode ter havido um grande intervalo de tempo entre F e I)

I-K. novos depósitos de unidades sedimentares;

L. Intrusão de um corpo rochoso ígneo, provavelmente responsável pela alimentação de fluxos de lava à superfície, que têm vindo a ser erodidos.

M. superfície actual, produzida pela erosão.

Ufa! o que nos pode contar um simples corte geológico numa barreira da estrada.

E se tiver fósseis?- pergunta-me um aluno lá na última fila. Bem, aí a história tem um outro complemento, mas esse tema fica para a próxima aula, onde vamos falar de fósseis de idade e fósseis de fácies.

Texto adaptado de “Uma História (Breve) do Planeta Terra – J.D. Macdougall.

Uns cortes geológicos em animação, querem ver?

no meu sítio

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2 respostas a Cortes Geológicos

  1. Boa tarde, enviei-lhe um email em resposta ao que me tinha enviado, mas como não obtive resposta, pode não ter recebido.
    Acerca do material que disse talvez arranjar, sempre consegue facultar este fim-de-semana?

    Cumprimentos,

    José

  2. Olá, boa noite, estava a pesquisar acerca de cortes geológicos para tentar encontrar material de apoio a uma disciplina do meu curso da universidade, e encontrei o este artigo.
    Gostaria de saber se sabe de material que me possa ajudar a fazer estes cortes, livros, documentos, etc…

    Agradecendo desde já,

    Cumprimentos,

    José

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