A importância de Darwin na Geologia
Posted by: blacksmoker on: Outubro 17, 2008
Teve inicio um ciclo de conferências muito importante na Fundação Calouste Gulbenkian: “No Caminho da Evolução”. E não podia ter começado da melhor forma, com a presença do Prof. Dr. Carlos Marques da Silva, da Faculdade de Ciências de Lisboa. Ficou o aperitivo em forma de sumário da sua conferência, que pode ser consultada no link em baixo. Ficou também a “pena” destas conferências não serem alargadas a outros pontos do país, nomeadamente à cidade do Porto. Fica aqui o meu pedido público à Fundação Calouste Gulbenkian que permita o visionamento das conferências no Blog oficial http://a-evolucao-de-darwin.weblog.com.pt/, das conferências, ou em versão resumo. É que só o primeiro parágrafo do sumário desta conferência deixou-me a mim e aos meus alunos, com vontade de mais… numa semana em que eu abordei conteúdos relacionados com o “Raciocínio Geológico” e durante 90 minutos falei de Hutton, Lyell, e Darwin. Sim porque Darwin faz também parte do nosso “universo” da geologia.
Fica aqui este primeiro parágrafo, do sumário desta conferência:
“Quando pensamos em Darwin e na sua Teoria da Evolução por Selecção Natural vem-nos imediatamente à mente um Darwin biólogo, estudando tentilhões e tartarugas terrestres nas Galápagos… E, no entanto, quer no que respeita aos fundamentos, quer às implicações da Teoria darwinista, a Geologia teve um papel importante. O próprio Darwin, enquanto naturalista, apesar de um primeiro contacto algo desmotivador com a Geologia, acabou por adquirir uma sólida formação geológica de base e desenvolveu trabalho importante no domínio das Ciências da Terra. Efectivamente, é considerado por muitos – nomeadamente pelo próprio e pelos seus contemporâneos – mais um geólogo que um biólogo.”
http://a-evolucao-de-darwin.weblog.com.pt/
http://www.gulbenkian.pt/media/files/agenda/conferencias_2008/confDARWIN01-CarlosMSilva.pdf
Outubro 18, 2008 às 12:37 am
Olá Nuno.
Parabéns, produtivo como sempre!
Estou de acordo, pois foram aspectos ligados à Geologia – antes da Biologia – que despoletaram a teoria na mente de Darwin;
No início da viagem do Beagle a ideia do evolucionismo não tinha, ainda, surgido (pelo menos não há nada que o comprove) na sua mente;
Na viagem entre a Europa – com passagem por Cabo Verde (similar às Galápagos, só que em relação a África) – e a América do Sul foi lendo a obra de Lyell – principles of Geology – e levou-a a outro nível, pois Lyell era, por comparação, relativamente conservador!
Na América do Sul – nas pampas da Argentina – descobriu fósseis de mamíferos extintos que tinham semelhanças admiráveis com mamíferos actuais; Mais tarde, na costa do Chile presenciou um violento terremoto que elevou o terreno em cerca de um metro; depois descobriu fósseis marinhos a 4000 metros de altitude, nos Andes!
Estas observações geológicas combinadas com a leitura de Lyell foram a “chispa” que prepararam o seu cérebro para mais tarde chegar às Galápagos e vê-las como ninguém antes dele.
Para fazer da Biologia o que Lyell havia feito da Geologia, faltava-lhe, apenas, um mecanismos que integrasse tudo o que havia visto e estudado; tal foi conseguido com a leitura de Malthus já depois de ter regressado a Inglaterra…