Recursos Geológicos – Energia Nuclear

Segundo a legislação portuguesa, entende-se por recursos geológicos ‘todos os bens de natureza geológica existentes na crusta terrestre e que são passíveis de aproveitamento. Qualquer substância de natureza geológica [sólida, líquida ou gasosa], ou mesmo o calor geotérmico, pode ser classificada como recurso geológico. 

O aproveitamento desses recursos depende da sua concentração na crusta terrestre, de modo a permitir a rentabilidade da sua exploração. Os recursos geológicos de um país existem na parte acessível da crusta terrestre e podem ser identificados ou não identificados. Denomina-se reserva um recurso geológico conhecido que possa ser explorado, quer do ponto de vista legal quer económico.

Para que serve o urânio?

Urânio => Energia = capacidade de trabalho

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O que é o urânio? Como Funciona? (Versão em inglês)

  • Urânio é um metal muito pesado que pode ser utilizado como fonte energética muito concentrada.
  • Ocorre na maioria das rochas em concentrações de 2 a 4 ppm (partes por milhão), sendo muito comum na crosta terrestre associado a estanho, volfrâmio e molibdénio. Ocorre na água do mar e pode ser removido dos oceanos.
  • Foi descoberto em 1789 por Martin Klaproth, um químico alemão, num mineral chamado de Pecheblenda. O nome deriva de Urano, planeta descoberto oito anos antes.
  • O urânio terá tido origem numa supernova há cerca de 6.6 bilioões de anos. Não é comum no Sistema Solar, mas o seu decaímento radioactivo é hoje uma fonte de energia do interior da Terra, sendo responsável pelas correntes de convecção e motor da Tectónica de Placas.
  • A elevada densidade do Urânio tem inúmeras utilizações tecnológicas.
  • O ponto de fusão do Urânio  1132°C.
  • Símbolo químico U.

Urânio em Portugal

Mina da Urgeiriça (Portugal) – Para consultar um post antigo sobre esta mina portuguesa clique aqui.

http://www.teachertube.com/view_video.php?viewkey=88b773325a13afcf63c5

 

A Iberian Resources, o Grupo Rio Narcea e duas outras empresas estrangeiras querem explorar urânio em Portugal. A subida acentuada, desde o final de 2004, das cotações do minério justifica o interesse. Para muitos, o ressuscitar da exploração é uma boa notícia para a economia nacional.

Portugal deixou oficialmente de produzir urânio em 2001. Em Abril de 2005, a Iberian Resources apresentou uma proposta ao Ministério da Economia para fazer prospecção e pesquisa no jazigo de Nisa, Portalegre. O Estado ainda não respondeu à solicitação da empresa de capitais australianos, que, segundo o DN apurou, poderá ver o seu pedido recusado.

Entretanto, duas outras empresas ainda sem sede em Portugal apresentaram projectos, não se sabendo quais os depósitos em vista. O representante do Grupo Rio Narcea, José Castelo Branco, diz apenas que o urânio interessa, não adiantando se já fez algum pedido à tutela nesse sentido.

O Governo não tem, ao que parece, uma posição sobre o assunto. “Não há ainda uma decisão de aceitação ou de total recusa”, revelou, ao DN, fonte governamental, reconhecendo que a “barreira ambiental” poderá inviabilizar o reinício da exploração de urânio. A própria Direcção-Geral de Geologia e Energia, organismo responsável pela avaliação das propostas, não sabe como agir. “Tem de haver uma discussão, sem tabus e sem posições definidas à partida, sobre esta matéria”, acrescenta.

O facto de parte da jazida de Nisa se situar em áreas das reservas Ecológica e Agrícola Nacional poderá pôr em causa a aprovação do pedido da Iberian, reconhece Luís Martins, considerando, no entanto, que este aspecto é, por si só, insuficiente para rejeitar o projecto.

Hoje é “perfeitamente possível compatibilizar, do ponto de vista técnico, a exploração com os aspectos ambientais”, sobretudo numa altura em que as normativas europeias “sossegam todos os que ainda estão ensombrados pelos erros cometidos no passado”, acrescenta o director do Departamento de Prospecção de Rochas e Minerais Não Metálicos do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).

Não aproveitar esta oportunidade por questões ambientais seria, sublinha o geólogo, “obstar ao desenvolvimento económico”.

O preço do óxido de urânio triplicou desde 2000, altura em que atingiu o valor mais baixo em duas décadas. No início deste ano, as cotações chegaram aos 30,21 euros por libra (peso), equivalente a 66,46 euros por quilo. O que quer dizer que só em óxido de urânio, a jazida de Nisa vale mais de 43 milhões de euros.

Foi, aliás, recorrendo a estas informações que a Iberian fundamentou o seu pedido. “Propusemos, em linhas gerais, a reavaliação e confirmação dos dados existentes, passando-se para uma fase de estudos metalúrgicos e de pré-viabilidade económica”, explica, ao DN, João Carlos de Sousa, country manager da empresa de capitais australianos, detentora de contratos de prospecção e pesquisa para ouro em Évora, Montemor-o-Novo, Alter do Chão e Arronches.

Empurrão à economia nacional

Se não surgirem condicionantes “intransponíveis” à exploração, João Carlos de Sousa diz que a indústria extractiva pode impulsionar a economia nacional, “com a criação de mais emprego em zonas geralmente desfavorecidas e com o aumento da sua contribuição para o PIB”. Contudo, para que isso aconteça é fundamental que haja uma política “clara e séria para a prospecção e pesquisa”, adverte Luís Martins, criticando a ausência de resposta aos pedidos de licenciamento que ao governo vão chegando “Ainda não se definiu se queremos atrair ou não investimento para esta indústria”. Luís Viegas, antigo administrador da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU), denuncia que, não raras vezes, a “preservação ambiental é pretexto para beneficiar interesses instalados”.

Faltam incentivos e vontade de aligeirar entraves. É preciso, acima de tudo, que a actividade mineira tenha capacidade para constituir um “cluster forte que faça frente ao lobie ambiental”, afirma, por outro lado, Luís Martins.

Uma política de incentivo, que passe, designadamente, pela atribuição de benefícios fiscais às empresas mineiras, e o ajustamento da legislação que regula o sector à realidade são algumas das “fórmulas mágicas” sugeridas pelo geólogo para dar vida à indústria mineira.

O maior jazigo inexplorado

Esta mina (que equivale a cerca de 60% do potencial do Alto Alentejo) foi, em tempos, a menina dos olhos da ENU. Nisa tem o maior jazigo inexplorado alguma vez descoberto em território nacional, estando o seu potencial estimado em quase 6,3 milhões de toneladas de minério não sujeito a qualquer tratamento, 760 mil toneladas de minério seco e cerca de 650 mil quilos de óxido de urânio. O Empreendimento Mineiro de Nisa, como era designado, ocuparia uma área de 70 hectares e empregaria mais de 70 pessoas. A laboração estender-se-ia por seis anos, ao longo dos quais exploraria cerca de um milhão de toneladas por ano. O investimento necessário previsto era, então, de cinco milhões de euros (1,5 milhões para a lavra mineira, perto de três milhões para o tratamento do minério e cerca de um milhão para infra-estruturas e ambiente). Valores que não estarão totalmente desactualizados.

Luís Martins não duvida da viabilidade económica dos depósitos de Nisa. Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, diz que são os “únicos que poderão, em contexto muito favorável, vir a oferecer hipóteses para exploração”. Mas o responsável do INETI aponta ainda outros potenciais locais para reiniciar a exploração do recurso, como a Urgeiriça, Cunha Baixa (ambas na zona de Viseu) e Horta da Vilariça (Bragança). 

Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/uranio_alta_novo_folego_a_jazidas_na.html

Minas abandonadas em Portugal. Risco em zonas de minas de urânio

Num momento em que se admite reiniciar a exploração de urânio em Portugal desponta a questão da reabilitação das minas abandonadas. Um processo lento e que, decorridos mais de quatro anos desde a sua apresentação pública, pelo então ministro do Ambiente, José Sócrates, pouco ou nada avançou. O DN sabe que o Governo corre o risco de perder o financiamento comunitário para o projecto. A justificação é consensual desperdiçou-se tempo.

Delfim Carvalho, presidente da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pe- la recuperação ambiental das escombreiras, aponta várias razões para o atraso. Desde logo, o facto de o POE/PRIME só ter sido aprovado em Abril de 2002 e de, no âmbito desta medida, “não terem sido acauteladas, por quem de direito, as verbas que eram necessárias para o avanço dos projectos das minas de urânio”.

Os exigidos, por parte do Ministério do Ambiente, “sucessivos” estudos e declarações de impacte ambiental consumiram, por si sós, mais de um ano, atrasando repetidamente a adjudicação de obras. Na opinião de Luís Martins, do INETI, o que correu mal foi a “instalação de um sistema de controlo altamente burocrático e ineficaz”, que permitiu a consumação de apenas um (Jales) dos quase 20 estudos realizados.

A tutela tem vindo a “arranjar para cada solução novos problemas”, denuncia aquele responsável, lamentando que existam projectos de reabilitação “feitos há muito tempo e que nunca passaram à realidade”.

No entanto, já em 1996 estas e duas outras escombreiras, Quinta do Bispo e Vale de Abrutiga, eram apontadas como “situações potencialmente muito graves, que urge serem resolvidas de imediato”, lê-se no Plano Estratégico de Ambiente, a que o DN teve acesso.

O relatório, encomendado pela antiga Empresa Nacional de Urânio, recomendava que fosse feito, “já em 1997″, um esforço de investimento, na ordem dos 65 mil contos (cerca de 325 mil euros), para implementar um “conjunto de acções prioritárias”. Mas nenhuma delas sofreu, até hoje, qualquer intervenção. Desde então, foram apenas requalificadas as explorações de ouro de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, e de cobre de S. Domingos (ainda não concluída), em Mértola. A EDM espera intervir, até 2012, em cerca de meia centena de escombreiras, mas há, em todo o País, 175 áreas afectadas pela exploração mineira antiga.

Luís Viegas, antigo administrador da ENU, sublinha que 75% do financiamento era então assegurado por fundos comunitários. Mas “as verbas não foram utilizadas e não sei se ainda podem ser”.

Permanece uma pergunta o que foi feito dos 50 milhões de euros canalizados, em 2001, pelo Programa Operacional da Economia para este projecto; dos 35 milhões locados, em Fevereiro de 2005, pelo ex-ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, para intervenções em cerca de 30 minas de urânio desactivadas; e dos 70 milhões (10,5 milhões garantidos) anunciados, cinco meses depois, pelo actual secretário de Estado adjunto da Indústria e da Inovação para a reabilitação das 61 minas de urânio?
Fonte : http://dn.sapo.pt/2006/01/19/economia/minas_abandonadas_esperam

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