Vulcanismo nos Açores

Janeiro 2, 2011

No dia 27 de Setembro de 1957, pelas 6:45 da madrugada, uma erupção vulcânica iniciou-se junto aos ilhéus dos Capelinhos, na Ilha do Faial – Arquipélago dos Açores, depois de 12 dias de abalos sísmicos. O fenómeno surgiu no mar, a 20-60 metros de profundidade, com a emissão de vapor de água e gases. A erupção, do tipo surtseiano, prolongou-se por 7 meses e meio. Durante esta fase sucediam-se grandes explosões, com a emissão de jactos pontiagudos de cinzas negras e densas nuvens de vapor de água, devido ao contacto da lava incandescente com a água fria do mar. Logo no início, formou-se uma pequena ilhota, baptizada de Ilha Nova, que atingiu 100 metros de altitude. O vulcão era incerto e os períodos de maior actividade alternavam com outros de acalmia. Durante os abrandamentos da erupção, ocorriam afundamentos das vertentes do cone, levando mesmo à submersão da Ilha Nova. No entanto, as frequentes emissões de cinzas criaram novas ilhas que acabaram por se ligar à costa antiga da ilha do Faial através de um istmo.

Fonte do Texto : http://siaram.azores.gov.pt/vulcanismo/vulcao-capelinhos/_texto.html

 


Feliz Natal

Dezembro 21, 2010
Agora é tempo para descansar. É Natal.

Reforma da Teoria da Nébula Reformulada

Novembro 3, 2010

No Sistema Solar existem quatro planetas telúricos. São os planetas que se encontram mais perto do Sol, sendo conhecidos como Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. Existem igualmente outros quatro grandes planetas gasosos, numa órbita mais afastada do Sol: Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Além destes, existem vários pedaços de lixo cósmico, na sua maioria fragmentos de gelo ou de rocha. Um destes, Plutão, é genericamente classificado planeta por motivos históricos, havendo actualmente um debate aceso sobre se mais destes blocos congelados deverão também ser chamados de planetas. No entanto, a distinção que pretendemos discutir aqui é entre os planetas rochosos (ou «telúricos») e os gigantes gasosos («júpiteres»). Costumava pensar-se que ambos os tipos de planetas se formavam da mesma forma, através da acumulação de fragmentos mais pequenos de material presente no disco em torno de uma estrela jovem, muitas vezes chamado de cenário bottom-up.  No caso tanto dos planetas maiores como dos mais pequenos, o primeiro objecto a formar-se será um núcleo rochoso. Segundo se dizia, era mais ou menos assim que o processo se desenrolava com os planetas interiores, pois o calor da jovem estrela iria afastar a maior parte do gás para as regiões exteriores do sistema planetário ainda em formação. Mas na órbita de Júpiter, por exemplo, um pedaço rochoso com talvez uma dúzia de vezes a massa da Terra poderia acumular gás e material gelado graças à gravidade, crescendo até à sua dimensão actual.  No entanto, o grande problema com este cenário é que os gigantes gasosos precisariam de muitos milhões de anos para crescer deste modo. Na verdade, se Urano e Neptuno se tivessem desenvolvido nas suas órbitas presentes, a forma mais simples de processo bottom-up demoraria mais que a idade actual do Sistema Solar para os deixar com as dimensões actuais. Ao longo dos últimos anos, encontraram bem mais de uma centena outros sistemas planetários. Em quase todos os casos, o planeta em órbita de outra estrela foi detectado devido à sua influência gravitacional sobre a estrela, fazendo-a agitar-se à medida que o planeta descreve a sua órbita em torno da estrela. Essa oscilação é demasiado pequena para ser observada directamente, mas torna-se visível no espectro da estrela através do efeito de Doppler. A característica inicialmente surpreendente destas descobertas é que os planetas que foram detectados desta forma são grandes «júpiteres», com órbitas muito mais próximas da sua estrela que Júpiter está do Sol. De certa forma, não surpreende que estas primeiras descobertas de planetas fora do Sistema Solar (planetas extra-solares) tenham sido dominadas por tais objectos, uma vez que planetas grandes em órbitas próximas exercem uma influência maior sobre as estrelas progenitoras, sendo os mais fáceis de encontrar através desta técnica. Em 2005, os astrónomos conseguiram por fim relatar a detecção directa de luz infravermelha de alguns destes planetas, indicando que têm uma temperatura de cerca de 800°C – a primeira luz vista de planetas extra-solares. Um pouco mais tarde nesse mesmo ano, astrónomos fotografaram outro exoplaneta, em órbita de uma estrela a cem parsecs (duzentos e vinte e cinco anos-luz) de distância, na constelação de Hidra, a uma distância da estrela de oito mil milhões de quilómetros (54 UA). No entanto, trata-se mais uma vez de um planeta gigante, com cerca de cinco vezes a massa de Júpiter. O mais pequeno exoplaneta encontrado até agora tem uma massa de cerca de seis vezes a da Terra, e dá a volta à estrela progenitora, Gliese 876, uma vez a cada 1,94 dias, por isso não conta como «semelhante à Terra». A existirem planetas telúricos em órbitas semelhantes à Terra em torno de outras estrelas, apenas serão encontrados com a próxima geração de instrumentos de observação. Uma vez que existem, não surpreende que tenhamos encontrado júpiteres quentes. A surpresa foi o facto de existirem. Assim, por que razão existem? Uma explicação natural é que os planetas gasosos gigantes não se formam através de acreção bottom-up, mas sim top-down, como blocos instáveis no disco original de material à volta de uma estrela jovem. Esses blocos podem formar-se em qualquer local do disco, próximos da estrela ou mais afastados, e as interacções entre os planetas e o disco podem alterar as órbitas dos gigantes, aproximando-se ou afastando-se das órbitas em que se formaram.  Esta «migração» pode explicar o motivo por que Urano e Neptuno se encontram onde estão agora, tendo-se formado rapidamente muito mais perto do Sol, pouco depois de a nossa estrela se ter formado. Estes conceitos estão ainda a desenvolver-se e, em 2005, uma equipa internacional de investigadores do Brasil, França e Estados Unidos uniu-se para criar a melhor simulação pormenorizada até à data daquilo que aconteceu quando o Sistema Solar era jovem. O ponto de partida foi o indício, conhecido desde que as missões Apollo de finais da década de 1960 e início da década de 1970 trouxeram amostras da Lua, de que muitas das características escuras que vemos na superfície da Lua foram produzidas por uma intensa fase de bombardeamento por detritos espaciais, quando o Sistema Solar tinha cerca de setecentos milhões de anos, algum tempo depois da formação dos planetas interiores. Isto é conhecido como grande bombardeamento tardio, ou LHB. Ao combinar isto com o novo entendimento de como os planetas gigantes se formaram, a equipa descobriu que os quatro planetas gigantes se devem ter formado muito perto uns dos outros, cercados por uma massa rodopiante de pequenos objectos, blocos de gelo e de rocha conhecidos como planetesimais. Além da órbita do planeta mais exterior, havia ainda um disco de planetesimais, remanescente das primeiras fases da formação do Sistema Solar. Os restos deste disco, conhecido como Cintura de Kuiper, ainda existem hoje. Mas se os novos estudos estiverem correctos, a actual Cintura de Kuiper é apenas uma sombra da sua antiga glória. Devido às interacções gravitacionais, Júpiter aproximou-se lentamente do Sol, enquanto os outros três gigantes se afastaram, e alguns planetesimais foram espalhados da mesma forma aproximada, alguns na direcção do Sol, outros para longe. Ao início, este foi um processo gradual. Mas cerca de setecentos milhões de anos após a formação do Sistema Solar ocorreu uma alteração profunda, quando Saturno atravessou uma órbita com um período exactamente duas vezes mais longo que o período da órbita de Júpiter em torno do Sol. Isto produziu uma combinação rítmica de atracção gravitacional pelos dois planetas sobre os outros objectos do Sistema solar exterior, uma ressonância semelhante à que ocorre quando uma criança num baloiço empurra o baloiço cada vez mais para cima, com Movimentos breves, mas cuidadosamente regulados. O principal resultado deste processo foi que Urano e Neptuno fossem impelidos para as suas órbitas actuais, com o raio da órbita de Neptuno a duplicar de súbito, enviando-o para a zona interior da Cintura de Kuiper e espalhando §fandes quantidades de planetesimais para o Sistema Solar interior. De acordo com a famosa máxima de Newton «por cada acção terá de haver uma reacção igual e oposta», teve de haver um equilíbrio entre o que saiu e o que entrou. Foi esta enchente de planetesimais que produziu o LHB que marcou a superfície da Lua, e imagina-se que a Terra e também os outros planetas telúricos, embora os vestígios sejam, aqui menos óbvios, pois desde então a superfície do nosso planeta foi remodelada pela tectónica das placas (desvio dos continentes) e pela erosão.

Fonte : O Universo – John Gribbin. Estrela Polar


Gás Xistoso

Setembro 26, 2010

As descobertas de gás xistoso nos EUA enfraqueceram a posição dominante da Rússia no gás natural

O recente desenvolvimento da exploração comercial de gás xis­toso, também designado como gás não convencional, provocou uma revolução rápida no mun­do da energia. “Nos últimos dois anos, os EUA alteraram a sua posição no mercado da energia, ascendendo a líderes mundiais na produção de gás”, observa o presidente-executivo da Partex, António Costa Silva. “As reservas provadas de gás convencional no mundo, que es­tão descobertas e podem ser pro­duzidas, são de 6600 triliões de pés cúbicos (TCF) e dão para 62 anos de consumo mundial, ao ritmo do consumo atual”, expli­ca Costa Silva. Mas as reservas de gás xistoso são bastante superiores, podendo chegar aos 16 mil TCF. “A quantificação das reservas do gás xistoso teve um impacto fortíssimo na geopolítica”, comenta Costa Silva.

O potencial do gás xistoso nos EUA “é, por si só, brutal. Nos EUA estão identificadas explora­ções de gás xistoso com 260 TCF e no Canadá há 60 TCF. No total, estamos a falar de 320 TCF de gás xistoso”, diz o res­ponsável da Partex.

Mas os números disponíveis não se ficam por aí. No conjunto dos EUA e Canadá, “as reservas totais de gás xistoso podem che­gar aos 3600 TCF”, refere Cos­ta Silva. Nos últimos anos, as pe­quenas companhias independen­tes dedicaram-se ao gás xistoso, cuja produção disparou nos EUA. “Hoje, mais de metade da produção de gás nos EUA vem do gás xistoso. A partir de 2009 os EUA ultrapassaram a Rússia e são o maior produtor mundial de gás”, refere Costa Silva.

As alterações ocorridas dentro do mercado dos EUA também foram radicais. Em pouco tem­po, a exploração deste segmen­to de gás deixou de ser desenvol­vida pelas pequenas compa­nhias independentes, para pas­sar a ser controlada pelos maio­res grupos petrolíferos. Uma das companhias indepen­dentes que foi pioneira no desen­volvimento do gás xistoso, a XTO, foi comprada pelo gigante ExxonMobil, em dezembro de 2009, por 41 mil milhões de dó­lares (38 mil milhões de euros). A tecnologia utilizada nos EUA para explorar gás xistoso — a perfuração de poços hori­zontais, com fraturação hidráuli­ca — está a expandir-se na Euro­pa, sendo utilizada na Alema­nha, Polónia, Hungria, Áustria, Inglaterra, Suécia e Ucrânia. Costa Silva calcula que na Europa, as reservas de gás não con­vencional devem rondar os 560 TCF. “Dará uma ajuda, mas não será a solução dos problemas energéticos da Europa”, diz.

Com o excesso de produção de gás xistoso nos EUA, os preços do gás baixaram nos principais mercados internacionais. No Henry Hub (o principal referen­cial de mercado utilizado nos EUA para negociar gás) o preço do gás já deixou, por várias ve­zes, de estar indexado ao preço do petróleo. Em Inglaterra, no NBP—National Balancing Point, onde se negoceiam os preços do gás para a Europa, “nota-se que a Rússia mudou a sua postura tradicionalmente agressiva”, co­menta Costa Silva.

Fonte : Jornal Expresso – 25 de Setembro 2010 
 

 
A britânica Shell quer comprar, por ¤3,8 mil milhões, a maioria dos activos da East Resources,que explora gás xistoso nos EUA. As maiores petrolíferas estão a comprar as pequenas companhias que exploram este tipo de gás não convencional.

Jornal Expresso – 29 de Maio 2010
 

 
 

 

Shell quer gás xistoso


Reservas de gás no Algarve

Setembro 26, 2010

O Algarve tem reservas de gás para 15 anos de consumo.

António Costa Silva, presidente executivo da Partex Oil &gás numa entrevista ao Expresso (25 de Setembro 2010), refere que  as reservas de gás natural exis­tentes no offshore algarvio são 20 vezes maiores do que as iden­tificadas na costa espanhola. A sua exploração reduziria a fatura energética de Portugal em mais de 100O milhões de euros por ano.

Em relação ao enquadramento geológico, ainda segundo a Partex Oil & gás há uma correlação grande en­tre a geologia do offshore de Portugal e a da zona da Terra Nova, onde há reservas de qua­se 1OOO milhões de barris de pe­tróleo. A empresa nortea mericana Paxton perfurou um poço no offshore português e o óleo encontrado é muito semelhante ao da Terra Nova. Se analisar­mos as descobertas no offshore da Mauritânia, também encon­tramos similaridades com a cos­ta portuguesa.

 “Desde 2002, quando o concurso terminou, a Repsol apresentou-se a concurso, é um concurso internacional aberto, a Repsol ganhou e hoje estamos senão me engano em 2010”, ironizou o especialista em pesquisa de gás natural e petróleo, questionando o Governo sobre o porquê de até agora não ter assinado o contrato.”A 40 quilómetros da costa algarvia existem reservas de gás natural suficientes para cobrir o consumo interno de Portugal durante 15 anos”, estimou António Costa da Silva.

O Algarve, segundo estudos divulgados, tem potencial elevado para gerar gás, com uma capacidade cerca de 20 vezes superior às reservas que foram encontradas nos campos do Golfo de Cádiz, em Espanha. António Costa da Silva recorda que na “bacia do Algarve existem os diferentes componentes para procurar gás natural”.

Existem rochas geradoras de hidrocarbonetos, armadilhas estruturais, rochas reservatório, há migração dos fluidos e já foram perfurados cinco poços no passado, recordou o especialista, acrescentando que valeria a pena perfurar no deep offshore (nas águas profundas) e desenvolver o projeto, porque os riscos associados são “pequenos e os benefícios para o Algarve e país seriam enormes” defende o administrador da Partex.

Recorde-se que a exploração de hidrocarbonetos na costa algarvia, um assunto falado há mais de 15 anos, teve em 2007 desenvolvimentos, quando o Governo firmou em Janeiro desse ano três contratos com um consórcio composto pela empresa australiana Hardman Resources e pelas empresas portuguesas Partex e Galp, concessionando a pesquisa e exploração de hidrocarbonetos ao largo da Costa Vicentina. Já a concessão ao largo da ria Formosa, a que concorreu um consórcio liderado pela empresa espanhola Repsol, também deveria ter sido assinado naquele ano, alegadamente sem concurso público.

O assunto foi levado ao Parlamento pelo líder regional do PSD, Mendes Bota, que afirma não existirem garantias de que a região seja indemnizada, em caso de um acidente ou desastre ambiental. “Há apenas um seguro que retira uma pequena percentagem do orçamento anual das companhias petrolíferas, mas que de maneira nenhuma cobre os prejuízos em caso de catástrofes”, referiu na altura o deputado social-democrata, para quem a região vai ficar numa posição de alto risco e ainda mais vulnerável a acidentes ecológicos com consequências desastrosas, uma vez que “já passam centenas de petroleiros pela costa da região, mas com estas explorações vão passar muitos mais e o risco vai ser agravado”.

Acidente Ecológico ou benefício “entre 1 400 a 1 500 milhões de euros por ano”?

“Mapear os recursos naturais em Portugal” é, pelo seu lado, o concelho que António José Silva deu ao Governo, referindo que a estimativa de gás que se poderia retirar do Algarve pouparia ao país “entre 1 400 a 1 500 milhões de euros por ano”.

Em sua opinião, gerar emprego ou diminuir a dependência energética de Portugal em relação ao exterior são outros dos benefícios que poderiam advir da descoberta de gás natural ao largo do Algarve.

“O país paga uma fatura energética elevada e não podemos esquecer que cerca de 15 por cento tem a ver com importações de gás natural”, sustentou no colóquio em Loulé o administrador da Partex, que pertence à Fundação Calouste Gulbenkian.

“Os espanhóis exploram gás natural desde 1976 no Golfo de Cádiz, mas Portugal, ao nível do seu posicionamento estratégico, tem fragilidades e não conseguimos projetar o país a 20 a 30 a 50 anos”, lamentou, afirmando que o Estado “tem uma missão de soberania para explorar os recursos”, porque Portugal tem das “maiores zonas económicas exclusivas do mundo com recursos mapeados”.

Fonte do post : Expresso 25 de Setembro 2010


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